Forças Especiais do USA treinaram agentes de cartéis de drogas mexicanos

Em uma entrevista na rede Telemundo do México em 2019, um ex-soldado do Cartel Jalisco Nueva Generación (um dos maiores e mais brutais do México) descreveu sua experiência em um campo de treinamento e afirmou que o cartel empregava Forças de Operações Especiais do Estados Unidos, USA (SOF) para treinar seus recrutas. De acordo com o ex-soldado assassino sicario: “havia fuzileiros navais, havia a Marinha do Estados Unidos, havia a Força Delta, havia de tudo”. O relato é condizente com relatórios que indicam a fusão entre as forças especiais do USA e grupos paramilitares no México.

O treinamento das Forças Especiais foi financiado sob o Plano Mérida, que enviou mais de 1,6 bilhão de dólares para a “Guerra às Drogas”. O repasse bilionário se explica pela estratégia formulada pelo USA, que abarca também a fundação da Escola das Américas, que foi criada em 1946 e segue em vigor com um novo nome: Instituto de Cooperação de Segurança do Hemisfério Ocidental.

 

Los Zetas

O exemplo mais conhecido de cartel concebido pelo treinamento militar ianque (Estados Unidos, USA) são os Los Zetas. Formado em 1986, eles recrutaram desertores do Grupo de Forças Especiais Aéreas do México (GAFE) e foram agentes do cartel do Golfo. Inicialmente eram a força de reação rápida de guerra não convencional. Os GAFEs tiveram sua primeira experiência de combate na luta com o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), em Chiapas, quando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) entrou em vigor em 1994.

O reacionário Exército mexicano implantou os GAFEs em Chiapas com um objetivo bem claro: atacar a população local através de bandos militares para, com isso, minar o apoio do povo ao EZLN.

No livro de Ioan Grillo, El Narco, ele descreve como os corpos mutilados dos combatentes capturados pelos GAFEs foram despejados ao longo de uma margem de rio com suas orelhas e narizes cortados, o tipo de exposições espetaculares de violência pelas quais os Los Zetas seriam mais tarde conhecidos.

Alguns dos membros originais dos Los Zetas foram treinados pelo USA na famosa Escola das Américas. O FBI afirma que foram treinados em Fort Benning. Já um ex-comandante das forças especiais assegurou que os GAFEs treinaram com os “Boinas Verdes” do Exército ianque em Fort Bragg.

A WikiLeaks divulgou o memorando confidencial de 2009 do Departamento de Estado do USA. Nele, há a informação de que nenhum dos Los Zetas conhecidos havia participado de programas de treinamento financiados pelo USA usando seus verdadeiros nomes. Além de reconhecer que, segundo fontes de inteligência, um ex-oficial mexicano treinado no USA teria sido recrutado pelos Los Zetas.

Segundo o ex-tenente-coronel Craig Deare (Exército ianque) é provável que mais de 500 GAFEs tivessem sido treinados no USA com o 7º Grupo de Forças Especiais (SFG, na sigla em inglês), apelidado de “comedores de cobras”. Deare é também ex-reitor acadêmico do Centro de Estudos de Defesa Hemisférica, o centro intelectual da “política de defesa” do USA na América Latina desde 1997.

 

‘Guerra às Drogas’ ou ao povo?

Durante a administração de Ronald Reagan nos anos 80, o 7º SFG treinou, aconselhou e travou algumas das mais brutais e repressivas operações especiais da América Latina. Tal intervenção ocorreu em países como Bolívia, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru e Venezuela. Entre 1996 e 1999, 3.200 soldados, incluindo pelo menos 500 GAFEs, foram treinados pelo 7º SFG em “contra-narcóticos”.

Toda a balela da “Guerra às Drogas” não passa de uma desculpa para ocupar todo o subcontinente latino-americano. Buscando, com isso, aprofundar a exploração dos povos, e afogar em sangue os que lutam por sua libertação.

Antes de serem utilizados pelos imperialistas para o “combate às drogas”, os GAFEs eram experientes em “contrainsurgência” e em guerras não convencionais. Com essa estrutura, os antigos GAFEs se tornariam uma das mais infames e brutais organizações de tráfico de drogas da história: Los Zetas.

O treinamento avançado dos Los Zetas e a aplicação de táticas militares causou preocupação ao Presidente Felipe Calderón (2006-2012) que mobilizou militares na “guerra contra o narcotráfico”. Impulsionando a militarização de toda sociedade, aprofundou-se todo tipo de relações promíscuas entre o Exército do velho Estado com o próprio tráfico de drogas. Originando, a partir de então, um narco-Estado.

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