BA: Jovens são executados após furtar comida

Dois jovens foram barbaramente torturados e executados após terem sido entregues a traficantes por seguranças do hipermercado Atakarejo. Eles haviam sido acusados de furtar carnes do estabelecimento. O caso aconteceu no bairro Amaralina, em Salvador, Bahia, no dia 25 de abril.

Yan Barros e Bruno Barros, 19 e 29 anos respectivamente, eram parentes. Os dois foram acusados por funcionários do mercado de tentar furtar alguns pacotes de carne. Foram rendidos pelos seguranças do estabelecimento e levados para uma sala, onde foram agredidos e torturados. Uma amiga dos primos, que não quis se identificar por medo de represálias, mostrou áudios e ligações feitas por Bruno, em que pede para ela arranjar R$ 700 para que fosse liberado e não entregue aos traficantes, pois sabia que seria assassinado.

“Ele disse: ‘Os caras disseram que se eu não pagar a carne, eles vão me entregar aos traficantes’. Eu disse a ele que eu não tinha [dinheiro]. Aí eu liguei para um, liguei para outro, liguei para um, liguei para outro. E não consegui falar com ninguém”, contou a mulher, em entrevista ao monopólio de imprensa G1.

“Aí ele continuou me ligando e eu dizendo ‘espera, estou tentando arrumar. Espera que eu estou tentando arrumar’. Então na última ligação ele falou assim: ‘Beiço, eles estão me entregando agora pelo estacionamento aos traficantes aqui do Nordeste’”.

 

Polícia não chega a tempo

Em um aúdio, Bruno contou que ele e o sobrinho Yan estavam sendo entregues aos traficantes pelo estacionamento do local. “‘Eu vou morrer! Não me deixa morrer, não! Vem para cá! Chame a polícia para me prender’. Foi a última coisa que ele me falou. Depois eu não consegui mais falar com ele. Cheguei a ligar para o 190, registrar uma queixa, mas não adiantou, porque quando a polícia chegou, já era tarde demais”, relatou a amiga do rapaz.

Bruno e Yan foram achados mortos no mesmo dia dentro de um porta-malas de um carro abandonado na localidade de Polêmica, no bairro de Brotas, com os rostos desfigurados e com sinais de tortura.Suspeita-se foram sido assassinados por integrantes da facção Comando da Paz (CP), uma filial do Comando Vermelho (CV) na Bahia.

 

Manifestação em repúdio

Com a repercussão do odioso crime, a família dos rapazes, moradores e ativistas de movimentos populares protestaram em frente ao supermercado no dia 30/04. Os manifestantes levaram cartazes exigindo justiça e cobraram punição para todos os responsáveis pelos crimes.

Após a repercussão do caso, uma jovem de 15 anos também relatou ter sido sequestrada por seguranças do hipermercado e entregue a traficantes da região, ao tentar furtar alimentos com mais duas amigas. Ela contou que foi levada para a comunidade Nordeste de Amaralina, onde foi agredida com barras de ferros, pedra e pedaços de madeira. Segundo a moça, ela só não morreu porque conseguiu fugir.

“Me cortaram, abriram meu braço aqui com ferro. Isso ainda me afeta muito, me dói muito, porque aconteceu comigo e eu ainda fiquei com o trauma, sabe? Fiquei um tempo com trauma, escutando vozes, achando que as pessoas iam atrás de mim”, relatou a adolescente.

 

Acordos clandestinos

Cada vez são mais frequentes as denúncias feitas no que decorre sobre acordos feitos por grandes redes de supermercados com delinquentes e paramilitares para evitar saques de alimentos em áreas pobres controladas por tais elementos degenerados. Em meio à crise aguda que vive o país, o preço dos alimentos subiu 15% desde o início da pandemia, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em março de 2021. Com isso, milhões de famílias pobres residentes em áreas periféricas têm enfrentado dificuldade em fazer refeições diárias.

Com essa situação, se torna iminente o risco de saques a grandes supermercados, por isso, os donos desses conglomerados ordenam que suas filiais estabeleçam acordos com delinquentes regionais para inibir e reprimir qualquer ação espontânea e justa das massas em busca de se alimentar e de alimentar seus iguais, visto o sofrimento que lhes é imposto pelo velho Estado reacionário.

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