Arte que nasce nas lutas do povo

Jovem estudante de origem proletária, oriundo de uma comunidade de Olinda, Pernambuco, e artista que se desenvolveu no meio das lutas populares, o poeta e pintor Vitor Máximo busca retratar os problemas sociais à sua volta, nas quais ele mesmo está inserido. Aos 21 anos de idade, Vitor enxerga o seu trabalho como uma ferramenta de luta, produzindo com entusiasmo no sentido de revelar a realidade a partir do seu fazer artístico, colocando a sua arte totalmente a serviço do povo. 

— Sou um ativista pelas causas populares, pela luta do nosso povo, e o meu envolvimento em particular com a arte se aprofundou de uns quatro anos para cá, quando passei a ter mais ligação com a luta popular. Iniciei produzindo poemas, poesias, e há cerca de dois anos parti para um estudo, cada vez maior, das artes visuais, do desenho, da pintura, da escultura e das artes plásticas em geral. Sempre tive interesse pela arte, desde que me entendo por gente, porém nunca foi algo a que eu tivesse acesso ou que eu visse como uma possibilidade de trabalho — conta Vitor. 

— Desde cedo eu desenhava, escrevia, mas enxergava tudo isso como algo distante, fora do meu alcance, principalmente por causa da minha origem social, porém a partir do momento que comecei a ter contato mais ativamente com a luta do povo, passei a perceber a sua relação íntima com a arte. Essa descoberta me possibilitou ver que na verdade ela era possível para mim, que eu poderia produzir arte e principalmente uma arte que não se colocasse como neutra, e sim, que tomasse partido das lutas, que se colocasse como um instrumento de classe, um instrumento revolucionário de fato — continua.   

— Vi que poderia produzir uma arte que tocasse as pessoas, que chamasse a atenção para as lutas principais do momento, que servisse como denúncia, sobretudo pela capacidade que ela tem nesse sentido. Assim surgiu um interesse bem mais profundo em estudar e começar a produzir arte de maneira mais frenética, diariamente, tanto as artes visuais, como as do campo da literatura. Isso tem sido o tema recorrente da minha vida nos últimos dois anos, uma rotina diária de pesquisas, estudos a partir da arte visual, tentando colocar as lutas do nosso povo nas telas e nas poesias — diz. 

Vitor faz uma investigação sobre quem é o povo brasileiro, quais são as suas lutas e os seus objetivos estratégicos nas mesmas. 

— Tento retratar a violência que esse povo sofre, mas não a partir de uma perspectiva que procura causar pena, e sim, de mostrar como a partir dessa violência esse povo se organiza e luta contra ela, contra a opressão, mostrar os horizontes de superação com uma Nova Democracia, o socialismo de uma maneira geral. Meus objetivos com a arte são exatamente nesse sentido, tocar as pessoas e despertar consciências para que se compreenda as contradições no nosso mundo social. Busco produzir uma arte de fato, que mostre a opressão, a violência, toda essa mazela social que se vive no capitalismo burocrático – expõe. 

 

Entusiasmo por uma arte engajada 

— Gosto de trabalhar a partir da pintura em acrílica, de uma série de técnicas, aquarela, pastel oleoso, sobre tela, sobre papel, retratando a cultura popular de uma maneira geral, o nosso povo, a sua experiência, o seu cotidiano, o anseio por liberdade, por transformação social. Me inspiro também em toda arte revolucionária já produzida, nos momentos de grandes revoluções, como na China, na União Soviética, a antiga Rússia, em Cuba, também, nas lutas revolucionárias dos povos da América Latina, nas lutas de emancipação nacional dos povos da África, da Ásia, do Oriente Médio — relata Vitor. 

— Essas lutas são sempre ricas também do ponto de vista cultural, com uma grande produção cultural e artística, onde busco as minhas maiores referências, ou seja, onde estão os elementos, do ponto de vista artístico, que eu posso agregar aos meus trabalhos. Gosto de dizer que ainda estou em fase de estudo, nada do que produzo é compreendido por mim como conclusivo, tenho estudos diários de produções e cada vez mais me desenvolvo nesse processo, o que ajuda a mostrar a minha compreensão sobre arte — diz. 

Vitor defende que a arte precisa ter forma e conteúdo, e, no seu caso em particular, servir de ferramenta dentro das lutas populares por mudanças. 

— Não adianta uma técnica magnífica, mas que não dispõe de fato de um conteúdo que tome partido pelas contradições do mundo em que nós vivemos, porque a maior fonte de inspiração é esse mundo, e dentro disso, fonte de inspiração maior ainda é a luta do nosso povo. Por exemplo, muitas vezes pego inspiração no dia a dia da militância, do meu ativismo político, durante uma panfletagem, nas atividades de massa, nas brigadas e entregas de exemplares do jornal A Nova Democracia, das quais participo aqui em Pernambuco — conta. 

— São momentos de contato de fato com o povo, um contato político, e percebo que são eles que mais geram inspiração artística em mim, que mais me trazem referências, elementos para agregar do ponto de vista da arte. E a intenção dessa arte é justamente servir a essas lutas, em última instância servir principalmente a luta do nosso povo, servi-lo mais profundamente, tocá-lo tanto no nível daquilo que ele admira como belo, como naquilo que lhe revela a realidade de exploração, de opressão, e também a possibilidade de mudança — diz. 

— Procuro fazer uma pesquisa sobre forma e conteúdo buscando revelar a realidade a partir do fazer artístico e entender esse trabalho como ferramenta de luta, ao lado de todos os trabalhadores, que de certa forma também estão transformando o mundo, seja nas fábricas, no campo. Tento me distanciar ao máximo do que é conhecido como “arte pela arte”, ou “arte neutra”, para compreender uma arte que é construída junto às massas — continua. 

— E várias pessoas acabam contribuindo comigo no processo de produção, então eu digo que não se trata de uma arte individual. Embora eu tenha um maior esforço para fazê-la, grande parte do meu trabalho, daquilo que produzi até o momento, não é só meu, e sim resultado de opiniões de amigos, de companheiros de luta. É uma arte que nasce do esforço coletivo, pessoas que muitas vezes nem percebem que estão contribuindo para que ela seja produzida — conclui Vitor Máximo. 

 

instagram.com/vmaximo_arte/ é o contato do artista. 


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