RR: Duas crianças são mortas e Yanomami seguem resistindo aos ataques

Duas crianças Yanomami da comunidade Palimiú, localizada em Alto Alegre, no norte de Roraima, morreram durante o ataque iniciado no dia 10 de maio, quando garimpeiros ligados ao latifúndio confrontaram os indígenas dentro da Terra Indígena (TI) Yanomami. 

O ataque começou pela manhã, quando cerca de sete embarcações de garimpeiros ligados ao narcotráfico abriram fogo contra os indígenas da comunidade Palimiú. A comunidade fica às margens do rio Uraricoera, onde naquele momento se encontravam dezenas de pessoas, entre elas várias crianças. Os indígenas foram alvejados por tiros de fuzil e revidaram com flechas e tiros de espingarda. 

Em meio aos disparos repentinos, as pessoas que estavam à margem do rio buscaram proteção. Muitas crianças se abrigaram na mata e desapareceram. No dia seguinte ao ataque iniciou-se uma busca e diversas foram encontradas, porém os corpos de duas crianças, de um e cinco anos de idade, foram achados no rio em 12/05. 

Armados em barcos, os garimpeiros seguem circulando pela região. Na noite de 14/05, uma nova invasão à comunidade foi feita, porém os indígenas já haviam se retirado, frustrando os planos contra a vida dos Yanomami. 

Na noite de 16/05, garimpeiros a bordo de aproximadamente 15 barcos dispararam tiros contra a comunidade novamente. Denúncias indicam que os garimpeiros também dispararam bombas de gás lacrimogêneo. 

 

Militares são acusados 

Em 02/05, organizações indígenas exigiram a exoneração do tenente Castilho, comandante do 5º Pelotão Especial de Fronteira (PEF). A reivindicação dos indígenas se deu após ele comandar uma invasão junto com outros homens armados à comunidade Maturacá, na TI Yanomami, no Amazonas. 

As organizações denunciam que Castilho e seu bando empreenderam revistas truculentas e ameaças de morte contra os indígenas. 

O PEF comandado pelo tenente está localizado ao lado da comunidade Maturacá. A carta foi destinada ao general Alexandre de Mendonça, comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, no município de São Gabriel da Cachoeira. 

Outra exigência dos indígenas é a retirada da vila Iranduba, uma vila militar construída ilegalmente fora do perímetro militar, em território indígena. Na região ocorreu também a injusta prisão de um indígena promovida pelo PEF em 29 de abril. O indígena, que foi acusado de abusar sexualmente de uma esposa de um dos militares que morava na vila ilegal, afirma sua inocência, que é respaldada pela comunidade. 

O Yanomami foi levado até a delegacia de São Gabriel da Cachoeira e segue sem autorização de retornar à Maturacá, sem recursos para hospedagem e alimentação, enquanto permanece em outro município. 

O Comando Militar da Amazônia (CMA) afirmou que “nunca antes houve denúncias contra Castilho” e que as Forças Armadas têm obrigação legal para “proceder revistas e controle de pessoas e embarcações, com a finalidade de coibir crimes transnacionais e ambientais”. 

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