Desenho com teor político

Formada em gestão ambiental, e atualmente cursando Educação Física, a paulistana, fisiculturista e vegana Nina Carlson envereda pelo caminho da arte com conteúdo político, retratando figuras revolucionárias. Com um pensamento voltado para o marxismo-leninismo-maoismo, Nina procura se aperfeiçoar cada vez mais, para que a sua arte possa cumprir melhor o papel de exaltar aqueles que ela admira.

— Eu gostava bastante de desenhar quando era criança, principalmente histórias em quadrinhos. Depois tive contato com mangá e animes. Tentava reproduzir esses desenhos e na época queria fazer um curso para aprender melhor, o que acabou não acontecendo. Mais tarde, na adolescência, teve um curto período onde retomei esse hábito, depois não desenhei mais — conta Nina.

— Admirava bastante desenhos realistas, mas nunca tinha tentado fazer. Achava que só seria possível alcançar bons resultados fazendo algum tipo de curso, e sempre pensava: “será que eu consigo pegar uma foto e desenhar a partir da sua observação?” Um dia peguei uma foto do Stalin e tentei reproduzir. Fiquei feliz com o resultado, para uma primeira tentativa. Fiz o Lenin e o Mao também, mas eram basicamente rascunhos que posteriormente aprimorei —  continua.

— Depois de um tempo, passei por uma situação bastante traumática. Tive crises de ansiedade frequentes, que desencadearam crises de bruxismo. Sentia muita dor no rosto e na cabeça, tive enxaqueca também. Passei por tratamentos, mas ainda sentia bastante dor e estava sofrendo muito com a ansiedade. Foi aí que retomei os desenhos e fiz disso um hábito. Pratico todos os dias, é um grande prazer e tem me ajudado muito a superar o trauma e as dores que eu sentia — afirma.

Nina nasceu na capital paulista, mas residiu a maior parte da sua vida em cidades do interior de São Paulo. Morou alguns anos em Santa Catarina e um ano na Itália, quando ainda era criança.

— Meu primeiro contato com política foi através do veganismo, depois, participei de algumas manifestações. Os meus estudos sobre marxismo começaram a partir das eleições de 2018.  Pesquisei no site marxists.org, onde há muito material bom e gratuito, e comprei excelentes livros usados em sebos. Um dos livros que mais gostei foi da Rosana Bond, Peru – do império dos incas ao império da cocaína onde conheci melhor a história do Partido Comunista do Peru (PCP) e me apaixonei.

— Alguns trechos de livros me marcaram: “De um lado acumula-se a enorme riqueza dos latifundiários e latifundiários-capitalistas; de outro lado, a miséria e a ruína, a fome e a doença de milhões de camponeses sem terra. De um lado, a renda-dinheiro, a renda-produto, a renda-trabalho, toda a renda pré-capitalista e mais a renda absoluta, a renda diferencial, os lucros, tudo isso arrancado do trabalho suplementar e da mais-valia dos pequenos produtores e trabalhadores do campo sem meios de produção. De outro lado, a pobreza absoluta de toda a população que vive no campo”.1 E: “Democracia é o povo, com toda sua força e potencial. Urnas e aparelho eleitoral por si próprios não significam a existência de democracia. Aqueles que organizam eleições de vez em quando, e estão preocupados com o povo somente quando as eleições estão chegando, não têm um sistema democrático genuíno. Mas onde as pessoas podem dizer o que elas pensam todos os dias, é onde há a democracia genuína – porque você deve ganhar a confiança do povo todos os dias. Democracia não pode ser concebida sem que o poder total esteja nas mãos do povo – poder econômico, militar, político, social e cultural.”2

 

Estímulo político para produzir arte

— Os grandes revolucionários e o que eles representam são a minha fonte de inspiração para desenhar. Como disse o professor Fausto Arruda em seu artigo para o jornal AND em 2009 sobre Pedro Pomar: “Ademais da necessidade e importância de merecidas homenagens, é exemplar e de uma atualidade sem par celebrar aqueles de trajetória marcada até o fim pela firmeza ideológica, pela política de princípios, pela retidão moral e inteireza revolucionária em dias que o oportunismo, a pusilanimidade e desfaçatez, o cinismo e a baixeza moral sagraram-se como premissas da prática política oficial”.3

Nina começou de forma natural a produzir arte, ela desejou reproduzir fotos de personalidades que admira através de seus métodos prediletos.

— Desenho é questão de prática, dessa forma todos podem conseguir bons resultados, não precisa ter começado criança para isso, achar que agora é tarde demais. Conforme praticava, fui entendendo melhor como chegar ao resultado que almejava, sempre tentando ser o mais fiel possível às fotos, dentro das minhas limitações. Pego uma foto da pessoa que pretendo desenhar e recorto exatamente qual será a área do desenho. Deixo essa foto aberta no computador e vou fazendo o desenho, através da observação de cada detalhe — explica.

— A maioria das fotos é antiga, então às vezes não tem tanta nitidez, o que é importante para fazer um desenho mais realista e detalhado. O que tenho feito para conseguir um melhor resultado é buscar fotos que passaram por algum processo de restauração, mas nem sempre isso é possível. Um dos desenhos que mais gostei foi o do companheiro Del da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Fiz um print de um vídeo dele, no momento em que mais gostei de sua expressão, e tentei deixar a imagem um pouco mais nítida — diz.

Para o desenho que está trabalhando no momento, Nina usou um site que permite melhorar a resolução das imagens, isso fez com que ela conseguisse enxergar melhor os detalhes da foto.

— Dessa forma eu vou encontrando métodos para conseguir os melhores resultados. Os materiais que mais uso são lápis grafite, borracha fina (2,3mm) e limpa tipos, borracha comum, esfuminho e papel A4 de 180g. Mas já fiz dois desenhos com lápis de carvão, porque achei que seria o melhor material para parecer mais com o contraste de preto e branco das fotos do Marx e Engels. Não uso nenhum tipo de tinta — relata.

— Fico muito feliz quando alguém me diz que ficou motivado a voltar a desenhar ao ver meus desenhos, que era um sonho que tinha ficado no passado. Assim como me ajudou e tem me ajudado, a arte também pode ajudar mais pessoas a superarem traumas e momentos difíceis — conclui Nina.

www.facebook.com/loveatfirstfright e www.instagram.com/ninacarlson são os contatos da artista.

 

Notas:

1- Carlos Marighella - Alguns Aspectos da Renda da Terra no Brasil

2- Thomas Sankara Speaks - The Burkina Faso Revolution, página 384. Tradução livre.

3- Fausto Arruda - Salve o grande dirigente comunista Pedro Pomar

 

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