O crítico implacável pela Cultura Popular

Desde a primeira edição, o AND pôde contar com a contribuição do grande José Ramos Tinhorão. Dizíamos o seguinte sobre o Acervo Tinhorão em nossa primeira edição: “Com o jeito de falar típico dos jovens cultos da década de 50 e 60, cheio de brasilidade e convicção, raciocínio rápido, onde um breve esquecimento é preenchido com outra informação ainda mais atualizada e exata, dessa forma Tinhorão vai descrevendo o acervo. Mas, é buscando explicar as raízes dessas manifestações, desvendando os seus fundamentos, que Tinhorão fala sobre a cultura popular, revelando a música em particular, com toda a sua pujança”.

Árduo defensor da cultura nacional, com o apelido de “planta daninha” e classificado como inimigo nº 1 da Bossa Nova, Tinhorão foi não apenas um crítico de música implacável, mas também um dos mais originais frasistas, ensaístas e historiadores da cultura popular nacional. Quando se debruçava sobre música, chegava muito antes dos outros, já imprimindo uma visão absolutamente peculiar, taxada equivocadamente como “derrotada” ou “niilista”.

Caluniavam-no dizendo que, segundo o mesmo, “a música popular brasileira parou nos anos 30”, quase como se Tinhorão fosse um elemento “anti-música”. Segundo a biógrafa Elizabeth Lorenzotti, a música não era contra Tinhorão, tampouco ele era contra a música, porque Tinhorão fala das coisas boas do Brasil com S, que o Brazil com Z desconhece.

“Como não podem me refutar, preferem me tratar com o silêncio”, demarcava o crítico sobre a perseguição que sofria do monopólio de imprensa.

 

Conhecer a música brasileira

Em uma entrevista, Tinhorão afirmou: “Daqui a 50 anos, quando se quiser conhecer a música brasileira do século XX, as pessoas vão ler Tinhorão, Zuza Homem de Mello, Sérgio Cabral,” – o pai, não o filho – “e aí sem influência dos julgamentos anteriores, feitos a quente”. Com isso, demonstrava que sabia valorar na justa medida o seu trabalho.

Tinhorão foi o maior defensor da cultura popular na pesquisa científica. Não se omitia de lutar contra as concepções errôneas. Relacionando a luta política à crítica da música popular, ia contra a visão “populista”: “Tal como políticos dos regimes populistas, certos cantores e compositores aderem às vezes ao povo com a grandeza ideológica de criadores de rebanhos. Esses políticos e artistas populistas só exigem do povo inocente que não lhes negue a docilidade do lombo, na hora de lhes impor a marca dos seus interesses pessoais. Pois assim vamos nós, na política como na música popular. Enquanto não chega o dia do estouro da boiada, naturalmente”.

“Já sou um sujeito longevo e serei muito mais. Então pode ter certeza que muitas dessas pessoas que me odiavam vão morrer antes de mim. E aí eu ficarei tranquilo, porque como a nova geração não terá preconceito contra o Tinhorão, lerá os livros do Tinhorão e achará que eram bons”.

 

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