CE: Caminhoneiros erguem barricada

Durante a manhã do dia 14 de julho, caminhoneiros bloquearam um trecho da rodovia CE-422 com uma barricada de pneus em chamas. A via dá acesso ao Porto do Pecém, no município de Caucaia, Fortaleza. O protesto dos trabalhadores exigia a redução do preço do óleo diesel e uma remuneração justa pelos fretes.

O preço do óleo diesel segue em patamares recordes, bem acima do registrado durante a greve dos caminhoneiros em 2018. Ele se encontra em alta no mercado internacional, com aumentos sucessivos desde o início do governo militar de Bolsonaro, em 2019.

Nos vídeos e fotos divulgados na internet, os trabalhadores demonstram-se cansados de pagarem um preço abusivo no óleo diesel e de não receberem uma quantia digna por cada frete que realizam para as grandes empresas que contratam seus serviços.

Segundo informações, a via ficou bloqueada até às 12h30. Em vídeo divulgado nas redes sociais, os trabalhadores aproveitaram para exaltar a união entre a categoria: “[Estamos] juntos e misturados! A união faz a força, bora que bora!”.

Novo aumento de preços

No dia 06/07, a Petrobras reajustou de uma só vez os preços da gasolina, do diesel e do gás de botijão.

No caso da gasolina, o preço médio por litro subiu 6,32%, de R$ 2,53 para R$ 2,69 nas refinarias. Assim, acumula alta de cerca de 46% desde janeiro.

No diesel, o avanço foi de 3,69%, de R$ 2,71 para R$ 2,81 em média por litro. Desde janeiro, a alta acumulada no ano é de 39%.

Quanto ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), para as distribuidoras, o valor passará a ser de R$ 3,60 por quilo, refletindo um aumento médio de R$ 0,20. É uma alta de 5,8%. No ano, o preço do gás de botijão acumula alta de 38%.

Esse é o primeiro aumento nos preços da gasolina e do diesel desde que o general Joaquim Silva e Luna, nomeado por Bolsonaro, tomou posse como presidente da Petrobras, no dia 19 de abril. Seu antecessor, Roberto Castello Branco, foi demitido pelo presidente fascista, justamente por aumentar os preços dos combustíveis em meio a rumores de greve dos caminhoneiros.

Possibilidade de nova greve aterroriza Bolsonaro

Após sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, caminhoneiros começam a se organizar novamente e a palavra “greve” está na ordem do dia.

A possibilidade de greve preocupa Bolsonaro, pois tal evento poderia acarretar uma crise de desabastecimento sem precedentes que, de certo, estimularia protestos e saques, devido às já precárias condições de vida das massas.

Por conta disso, o presidente tenta tomar medidas que retardem tal greve. Uma delas foi o anúncio de redução de R$ 0,04 no preço do litro do diesel. O preço passou, então, de R$ 0,31 por litro para R$ 0,27.

Contudo, essa redução não cobre o último reajuste da Petrobras de R$ 0,10 no preço do litro, em vigor desde o dia 06/07. O aumento, portanto, deve ser engolido, por sua vez, pelo aumento que ocorre nas refinarias, além do preço do biodiesel e pelos impostos estaduais.

A tentativa do presidente de controlar o preço dos combustíveis entra em conflito com os interesses de acionistas da Petrobras e acarreta prejuízos a esta, que tem como política repassar aos preços as oscilações do câmbio e da cotação internacional do petróleo.

 

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