Sentimento e harmonia no violão

Violonista, arranjador e compositor voltado para a música autoral, Matheus Maciel se ocupa em expressar seus sentimentos naquilo que produz. Com vários trabalhos feitos em conjunto com outros artistas e um disco solo, Matheus tem vencido todas as dificuldades e conseguido produzir e levar a sua arte até as pessoas.

— Tecnicamente eu nasci em Ribeirão Preto, em SP, porém vim para Barra Mansa, RJ, quando estava com poucos meses de idade. Morei na cidade do Rio de Janeiro durante meus estudos na UFRJ, mas, devido à pandemia, retornei para Barra Mansa. Sou compositor e arranjador, esse é meu foco de produção e criação artística — conta o músico.

— O caminho da música foi transformador em minha vida. Venho de uma família simples e fui criado por minha avó, pois meus pais não tinham condições na época. Sou um jovem negro, que estudou durante toda a formação escolar no ensino público. Mesmo sem nenhum músico na família, decidi que seria o meu caminho. Foi desafiador trilhar uma estrada sem referências próximas, mas sempre fui ajudado pela música, de forma direta ou indiretamente — continua.

— Meu primeiro contato com a música foi através da bateria. Comecei a fazer aulas por influência do meu tio, que me via brincando de batuques com as panelas de casa. Estudei formalmente esse instrumento dos meus 7 aos 10 anos de idade. Posteriormente fui para a guitarra elétrica. Meu encontro com violão só aconteceu mais tarde, quando entrei no Centro Universitário de Barra Mansa para estudar Licenciatura em Música.

Foi cursando licenciatura que Matheus se aproximou mais do violão, por influência das professoras que exigiam violão ao invés de guitarra nas aulas de prática de conjunto.

— Com o tempo fui me apaixonando cada vez mais pela história do violão, pelo repertório extenso, desde todo o conteúdo musical europeu ao repertório popular de violão brasileiro. O violão é considerado por muitos como um dos instrumentos mais populares, esta é uma realidade. Ótima, por sinal! Afinal o violão, de alguma forma, consegue incorporar sua musicalidade dentro de todas as classes, cada uma com sua linguagem específica — relata.

— Além da formação em Licenciatura em Música, recentemente me formei bacharel em violão pela UFRJ. Trabalhei com alguns artistas da região sul fluminense do RJ, produzindo, arranjando e gravando seus álbuns. Além disso, também trabalho com música de câmara, tocando em duos. Faço parte do Duo Madeira Rio, ao lado do flautista Felipe Braz; e também participo do Duo Spiessens-Maciel, ao lado do violonista belga Toon Spiessens.

Música e sentimento

— Meu objetivo direto com a música em si é a criação, sempre me relacionei dessa forma, desde os passos iniciais. O gênero que mais trabalho é uma mistura do repertório do violão solo brasileiro, porém com influência direta do repertório clássico contemporâneo. E o aspecto musical mais interessante que sempre busco incorporar nas minhas peças é a harmonia — conta.

— O álbum “Brevidades" é o meu primeiro trabalho como solista. É um trabalho que nasceu a partir de um tema único, inspirado na singeleza dos princípios básicos do amor. A partir desse ponto, a música que ia surgindo encaminhava para o mesmo conceito. Em cada início de frase, desenvolvimento e conclusão de cadência, eu tentei unir o conteúdo sonoro ao tema recorrente. A capa do álbum também foi pensada da mesma forma, e por isso a escolha de cores quentes, para trazer ternura e afeto ao visual — diz.

— O título vem de uma suíte que integra o álbum chamado "5 Brevidades". São 5 movimentos, sendo que cada um destes faz ligação direta com um princípio básico do amor: I. Ternura, II. Afeto, III. Volúpia, IV. Zelo e V. Elo. Escolhi esse título pelo fato de cada movimento ser curto, tendo no máximo 2 minutos, como se fossem breves instantes das etapas do amor. Há também uma faixa intitulada "Tempo", que é a primeira do disco.

Seu cotidiano e seus sentimentos são inspirações para as suas criações.

— Essa suíte foi composta em janeiro do ano passado, algumas semanas antes do meu recital de formatura pela UFRJ. Na época, havia escrito para aliviar uma aflição que vinha crescendo em mim com o final desse ciclo longo. Todavia eu me formei e recebi um convite para gravar meu primeiro trabalho solo. Logo, todo aquele aperto desvaneceu e deu lugar a um contentamento — relata.

— A faixa leva esse nome pelo fato de que algo inicialmente me causava angústia, no entanto, com o tempo, foi ressignificado. Durante os concertos de lançamento do álbum eu sempre falo sobre a ideia fundamental por trás do trabalho, para que o público ouça com uma sensação pré encaminhada — continua.

Matheus encontrou dificuldades para concluir os seus estudos e encontrar espaços de trabalho, obstáculos que tem conseguido superar.

— No Brasil caótico pós pandemia, a vida de um músico como profissão principal se tornou extremamente dificultoso. Um músico solista com um trabalho autoral, então, nem se fala. Mas eu estou descobrindo métodos alternativos de divulgação do trabalho e ambientes para poder de fato me apresentar por meio do mundo online — conta.

— Meu trabalho foi gravado após meu recital de formatura pela UFRJ. O Raphael Garcêz, um querido amigo, me fez um convite de gravar algumas músicas minhas que havia apresentado no recital. Então fomos para o estúdio Quarto da Vó Penga e gravamos tudo, o que foi um baita presente! Além disso, também sou professor de harmonia, arranjo e violão numa escola aqui da minha cidade — diz.

— Antes do "Brevidades", já havia me envolvido com a composição de canções. No início de 2021, produzi e gravei um álbum intitulado "Nós" de Heitor Santiago, onde participei diretamente na criação das canções e no acabamento dos arranjos. Na faculdade tive contato mais direto com o choro e hoje tenho alunos chorões, que fazem aulas de análise harmônica para tocar com mais autonomia. E uma das minhas composições mais recentes é o “Choro pra Júlia”.

Atualmente Matheus está divulgando o seu álbum e preparando novos trabalhos.

— Quando eu era mais novo toquei bastante pela região sul fluminense, principalmente acompanhando artistas daqui. Hoje em dia, os trabalhos que me ligam à minha cidade são de produção e também as aulas que leciono. Agora, tenho tocado o "Brevidades" em outras localidades, e o meu principal projeto no instante é levar a minha apresentação, tocando o álbum na íntegra, para as salas de concerto — finaliza.

https://www.instagram.com/matheusmacieloficial/ é o contato do artista.

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