Chile: Estudantes ocupam escolas e universidades

Milhares de estudantes chilenos ocuparam escolas e realizaram manifestações contra os ataques à educação pública, pela gratuidade e pela participação estudantil na direção das instituições. Dezenas de escolas e universidades por toda zona metropolitana da capital Santiago estão sob a direção dos estudantes desde o início do ano letivo, em março.

Agência Uno

Estudantes resistem à repressão policial

Os estudantes secundaristas e universitários exigem uma educação pública gratuita – uma vez que no Chile as escolas secundaristas e a formação universitária são pagas –, o cancelamento das dívidas das mensalidades universitárias, melhores condições de alimentação e infraestrutura nas escolas, assim como participação direta na escolha dos currículos da educação secundarista (co-governo estudantil). Trabalhadores e estudantes da Universidade do Chile também se encontram em greve defendendo as exigências dos funcionários da universidade.

Mobilizações estudantis

Foram ocupadas durante os meses de abril e maio mais de 20 escolas em Santiago e Providência. Outras escolas também foram paralisadas pelos estudantes. No Internato Nacional Barros Arana (Inba), os estudantes lutam para terem condições de viver no local. A comida da cantina é servida crua ou estragada. A infraestrutura é sucateada: a escola se encontra com portas, janelas e tetos quebrados e caindo, faltam materiais como projetores e computadores.

Os estudantes denunciam que três fundos (totalizando um bilhão de pesos, cerca de R$ 5 bilhões) foram aprovados entre 2018 e 2021 para melhorias estruturais na escola, mas que nada foi investido e não se sabe o que foi feito com a verba.

Rebelados contra a situação de descaso com a escola onde vivem, três ônibus foram incendiados em frente ao internato no mês de abril. Em março, ocorreram também quatro ataques com coquetéis molotov à Divisão de Engenheiros do Exército reacionário ao lado da escola, incendiando os dormitórios do prédio. Em diversas outras ocupações ações similares ocorreram.

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Já no dia 27 de maio, uma grande marcha estudantil em Santiago rumou em direção à sede da presidência e foi alvo de ataques da Polícia de Controle da Ordem Pública, que visava reprimir e dispersar os estudantes. A repressão foi respondida com coquetéis molotov e os manifestantes seguiram com o protesto até a Escola de Aplicação. Na escola, os manifestantes rechaçaram a prisão de um estudante ocorrida na mesma semana, após este ter participado de um protesto combativo. Um ônibus foi incendiado no local, o terceiro naquela semana.

Além disso, durante todo o mês de maio os estudantes e trabalhadores de três campi e sete cursos diferentes da Universidade do Chile se mobilizaram conjuntamente em uma greve estudantil. As reivindicações são pelo fim da precarização do trabalho dos funcionários dos campi, da subcontratação (terceirização), e a exigência de aumento salarial acima do salário mínimo de fome.

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