Quatro décadas de teatro para o povo

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O grupo teatral União e Olho Vivo, que completará no próximo dia 27 de fevereiro quarenta anos de existência, é um dos mais antigos e ativos empreendimentos de arte identificada com o povo e para o povo. Suas encenações, no Brasil e mundo a fora, têm sempre como estrutura a arte popular brasileira: o carnaval; o bumba-meu-boi; o circo; o futebol; a literatura de cordel.

Cena dos marinheiros em João Cândido do Brasil

O objetivo principal do União e Olho Vivo é a troca permanente de experiências culturais com a população da periferia da cidade de São Paulo e arredores. Uma das personalidades de destaque do grupo figura como fundador: é o autor teatral e diretor César Vieira, empreendedor na arte para o povo, num tempo em que ao trabalhador é decididamente negado o acesso às artes.

Nascido em Jundiaí, SP, Idibal Almeida Pivetta, seu verdadeiro nome, além de escritor, foi advogado de presos políticos durante mais de vinte anos, em plena vigência do gerenciamento militar, completando também quarenta anos de resistência à repressão e à barbárie na arte.

Pivetta adotou um nome artístico movido principalmente para driblar a censura da época, que o perseguia.

— Como eu era advogado de preso político, tudo que escrevia e assinava com o nome de Idibal, eles proibiam. Então, me escondi atrás do nome César Vieira e eles levaram um ano e meio para descobrir isso — conta César.

— Mais tarde eu mesmo fui preso político, por três meses. Quando os meus clientes me viram presos, ficaram malucos, porque pensaram: se o nosso advogado está preso o que será de nós? (risos). Assim que me formei em direito, escolhi a advocacia sindical e, mais tarde a defesa dos presos políticos, porque era a minha maneira de colaborar com aqueles que se dedicavam a resistir ao sistema. Era uma advocacia militante que se parece com o tipo de teatro que eu faço, também militante. Eu continuo advogando, mas agora estou trabalhando praticamente em casa, assessorando sindicatos — diz César Vieira.

— As vezes, me apresento em público como César Vieira, em encontros, congressos e, em outras ocasiões, como em discurso na OAB, apareço como Idibal Almeida Pivetta. Geralmente, uma pessoa que me conhece como Idibal e me vê falando como César, ou vice-versa, se assusta — revela descontraidamente.

César é advogado, formado pela PUC-SP, e jornalista graduado pela Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, São Paulo. Sempre militante, exerceu liderança como presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto — Faculdade Direito da PUC, 1957; presidente do Centro Acadêmico Cásper Líbero — Faculdade de Jornalismo, SP, 1958; e presidente em exercício da UNE — União Nacional dos Estudantes, em 1958.

— Nessa época, eu já escrevia para teatro. Também outros livros, entre novelas, biografias e poesias — lembra.

Mas o Olho Vivo nasceu de um grupo de jovens da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP — Universidade de São Paulo -, primeiramente com o objetivo de fazer teatro estudantil destinado ao público acadêmico e também o convencional. Mas já se indagava sobre o porque de teatro apenas em espaço fechado e para um público que pudesse pagar o ingresso. O grupo se decidiu e saiu para os bairros empobrecidos, fora do espaço convencional, ocupando escolas, clubes de futebol de várzea etc., buscando formas populares de expressão.

— Do grupo inicial, além de mim, há mais onze pessoas, além de outros com mais de trinta anos de permanência. Os demais são jovens que estão no grupo há quatro ou cinco anos. Somos ao todo vinte componentes. A nossa sede é um galpão, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, que nós mesmos construímos, com a ajuda de amigos, moradores e trabalhadores do bairro — conta César.

Na sede não costuma acontecer espetáculos. Ela é utilizada para ensaios, reuniões, seminários, discussões com outros grupos, cursos, etc, porque embora o bairro do Bom Retiro seja relativamente popular, o objetivo do grupo é a periferia e as cidades da região da Grande São Paulo, que não têm nenhum acesso aos teatros convencionais, pela falta de dinheiro.

— Noventa e nove por centro desse pessoal dos bairros nunca viu uma peça de teatro. Há pouco, por exemplo, nós fizemos um espetáculo em Guarulhos, que é uma cidade da Grande São Paulo, segunda em população do estado, sendo a maior parte composta por nordestinos, e no final, durante um debate com a platéia, descobrimos que entre as, aproximadamente, trezentas pessoas presentes, somente cinco já tinham visto teatro algum dia. Destas, uma viu no centro da cidade e as outras quatro, há vinte anos, quando o Olho Vivo se apresentou por lá. Isso é um dado muito significativo — relata César, que é enfático ao explicar teatro popular:

— Para mim teatro popular é aquele que fala a língua do povo, com o objetivo de transformação social, e que esteja a seu alcance, perto de casa, com preço acessível ou gratuito. É lamentável constatar que uma pessoa assistiu uma peça de teatro quando tinha quinze, dezesseis anos de idade, e que só foi ver novamente, vinte anos depois, quando voltamos ao bairro. É muito difícil para esse público sair do seu bairro, pegar condução, andar, ou se for de carro, gastar combustível e pagar por estacionamento, por ingressos e por um lanche. O povo não tem dinheiro para isso.

O grupo tem dois tipos de montagens do mesmo espetáculo: um para teatro convencional, em espaço fechado e outro para rua. É a mesma peça feita de formas diferentes, de acordo com a situação.

— São os mesmos temas, as mesmas idéias. Só que na rua utilizamos uma linguagem e uma estética bem mais circense, com muitas cores, luzes, música, e muitas falas coletivas. Além disso, é mais dinâmico e rápido: no teatro convencional os espetáculos duram duas horas, na rua, duram uma — explica César.

Durante o período de exibição de cada espetáculo, o grupo introduz ou tira elementos. A peça começa, geralmente, muito grande, porque é um trabalho coletivo de dramaturgia, um encontro de temas. Depois de muitas pesquisas, fazem uma ficha dramática, em que todos os atores participam, surgindo um borrão do espetáculo. Depois é feito um roteiro que é levado para a comissão de dramaturgia. Esta escreve um primeiro texto e o devolve para ser discutido pelo grupo. Assim expõe o dramaturgo e diretor:

— Normalmente a peça estréia com três, duas horas e meia de duração. Com as exibições, nós vamos cortando, de acordo com a resposta do público. Temos muita participação do público, porque fazemos para ele e o incentivamos a cantar, falar, aplaudir, contestar.

Tempo de estrada

— Os nossos espetáculos são bem diferentes do que se vê no teatro convencional, até mesmo quando nos apresentamos no espaço de teatro fechado. Usamos uma estética popular a serviço de uma ética social. Os nossos temas são em cima da estrutura do circo, da literatura de cordel, do bumba-meu-boi, o carnaval, o futebol, etc. Usamos muita poesia, música, ação e humor — considera César, revelando alguns dos aspectos que fazem de União e Olho Vivo um dos melhores grupos de teatro popular do país, assim considerado nos meios teatrais.

— Gostamos muito de usar elementos da cantiga de roda, da arte popular brasileira. Nos atores, trabalhamos a música, o corpo, a voz, e a cabeça. Discutimos autores como Constantin Stanilavisk, e Bertoldo Brecht. Os nossos espetáculos têm debates no final. Começamos discutindo o texto e a sua proposta, e depois os problemas do público. Procuramos falar pouco e deixar que as pessoas falem entre si. Iniciamos, fazemos perguntas e deixamos o debate fluir entre eles — acrescenta.

O grupo começou oficialmente com o espetáculo O Evangelho Segundo Zebedeu , de César Vieira, direção de Silney Siqueira, contando a história da guerra de Canudos, de Antônio Conselheiro, através de uma linguagem do circo.

Continua o diretor:

— Esse nosso primeiro espetáculo estreou em 1968. Ganhamos todos os prêmios de teatro profissional, como melhor texto e melhor figurino, embora tenha sido feito por um grupo amador recém criado, e que só quatro anos depois ganharia o nome de União e Olho Vivo.

O grupo havia recebido primeiramente o nome de Teatro do Onze, por ter sido formado no Centro Acadêmico XI de Agosto, dentro da USP.

Mas, com o sucesso dessa peça o Olho Vivo foi representar o Brasil em Nancy, França, que na mesma época levou outros grupos e personalidades do teatro brasileiro. Até hoje o União e Olho Vivo já representou o Brasil em quinze festivais internacionais de teatro, afora temporadas em mais de vinte países. O segundo grande espetáculo do grupo foi Corinthians, Meu Amor, texto de César Vieira, juntamente com trabalho coletivo, e direção de Sérgio Pimentel, mais um grande sucesso.

O terceiro, Rei Momo, de 1973, teve texto e direção de César, com músicas de Carlos Castilho, contando à história de uma eleição de rei momo, feita em um baile de carnaval, no Rio de Janeiro. O nome do grupo surgiu a partir deste espetáculo, tirado da escola de samba União e Olho Vivo, de São Paulo, com integrantes que tiveram participação na peça.

— Essa peça fala de carnaval, que é uma bela manifestação popular, mas que infelizmente, atualmente, tem sofrido mutilações em benefício do lucro. Os desfiles das escolas de samba, por exemplo, viraram produto de exportação e a participação do povo nas ruas já não interessa — denuncia César.

A quarta peça do Olho Vivo, uma das mais importantes na opinião de César, foi Bumba Meu Queixada , 1978, trabalho coletivo com coordenação de texto de César Vieira, contando, através da estrutura do bumba-meu-boi, a história de várias greves no Brasil, como em Osasco, São Paulo, e ABC paulista. Esta peça falava das atrocidades praticadas pelo regime militar, ou seja, abordava a questão de maneira menos explícita, uma vez que, em plena vigência do primeiro momento da contra-revolução, no gerenciamento militar, era temeroso expressar qualquer denúncia sobre torturas e assassinatos, por mais criativo que fosse um texto.

— Nós tínhamos que falar por símbolos. Se tivesse uma peça direta ela era apreendida. Eu tive várias peças presas, inclusive duas que escrevi para o Olho Vivo: O transplante, e O julgamento de Mané Garrincha. Essas eram bem diretas. Uma outra apreendida fiz para a UNE: Os sinceros — lembra César.

Bumba Meu Queixada ficou seis anos em cartaz, um grande sucesso. Morte aos Brancos — A Lenda de Sepé Tiarajú , de 1984, sobre os sete povos das missões no Rio Grande do Sul, é a história da perseguição de índios. O grupo fez ainda: Barbosinha Futebó Crubi — Uma Estória de Adonirans , 1991, trabalho coletivo com coordenação, texto e direção de César Vieira; Us Juãos e Us Magalis , 1996, texto e direção de César Vieira; e Brasil Quinhentão!?, em 2000, trabalho coletivo, uma retrospectiva das encenações históricas do Olho Vivo, com visão crítica dos 500 anos da "descoberta".

A revolta da chibata

César registrou toda a trajetória do grupo no seu Em Busca de Um Teatro Popular , um livro com quarta edição a ser lançada em fevereiro. Entre outras obras, César produziu as novelas: Mar de Lama e Amores de Napoleão ; as biografias: Alexandre de Gusmão e Santos Dumont ; o livro de poema O Julgamento de Mané Garrincha e o relato Em Busca da Verdade Eleitoral . Para teatro ele escreveu ainda: Uísque para o Rei Saul; O Elevador; O Transplante; Alguém Late Lá Fora; Rei Momo e João Cândido do Brasil — A Revolta da Chibata.

O grupo tem tradição em apresentar um mesmo espetáculo por vários anos. João Candido do Brasil -A Revolta da Chibata , o texto atual do União e Olho Vivo, está em cartaz desde 2001.A peça conta a história da revolta, em 1910, dos marinheiros negros, no Rio de Janeiro, contra os almirantes, oficiais da Marinha do Brasil, praticantes de maus tratos e injustiças.

— Os marinheiros negros tinham uma comida péssima, podre, ganhavam muito mal, e ainda sofriam castigos corporais, como durante a escravidão. Por isso houve a revolta, chefiada por João Cândido — lembra César.

— O governo, assustado, aceitou tudo, como melhorar os salários, a comida, não mais existir castigos corporais, e ainda anistiá-los por terem feito a revolta.

O diretor continua:

— O governo não cumpriu a promessa e eles foram imediatamente presos. Alguns morreram na prisão, outros foram transportados para o Acre. João Cândido foi internado como louco no hospício da Praia Vermelha, onde ficou preso durante dois anos.

O hospício da Praia Vermelha funcionava no local onde hoje está a Eco-UFRJ — Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi fundado em 1852, com o nome de Hospício de Pedro II, sendo o primeiro hospital psiquiátrico da América Latina. Depois da proclamação da República, 1889, passou a se chamar Hospital Nacional de Alienados, até 1944, quando foi extinto.

Tática Robin Hood

Para se manter em atividade o grupo adotou o que chama de "tática Robin Hood".

— Como os nossos espetáculos também são bem recebidos pelo público que pode pagar, vendemos a um bom preço uma peça para colégios, prefeituras do interior, secretarias de cultura, educação, etc, e com esse dinheiro realizamos espetáculos nos bairros populares, inteiramente grátis. Quer dizer, pegamos o dinheiro dos ricos para aplicar em teatro para o pobre. É assim que o grupo sobrevive, de forma independente — diz César.

O União e Olho Vivo faz suas apresentações somente aos sábados e domingos. Isso porque a maior parte do elenco desenvolve outras atividades para sobreviver, como descreve o diretor:

— Temos advogados, professores de matemática, bancários, entre outros. Todos têm duas ou três funções e, além disso, alguns ainda estudam. Enfim, o nosso elenco não vive de teatro. Não dá para sobreviver do trabalho do Olho Vivo, porque fazemos algo que não é comercial. Temos somente uma ajuda de custo quando o espetáculo é vendido. Acredito que seria absolutamente impossível ter um trabalho de continuidade assim de quarenta anos, se não exercêssemos outras profissões.

O grupo vai aos bairros populares levados por clubes de futebol locais, sociedades de amigos de bairro, diretorias de colégios, e outros que os convidam.

— Geralmente o bairro nos chama e ele faz a promoção, garantindo o público, o nosso transporte e o lanche. Nós entramos com o espetáculo, a iluminação, o som, e o limite do debate.

César diz também que, além do fato do elenco ter outras atividades, o grupo se apresenta somente nos finais de semana, quando o público está disponível, já que costuma levantar às cinco horas da madrugada para trabalhar, geralmente em locais afastados dos bairros de moradia:

— Os nossos espetáculos são acontecimentos nos bairros. Quando chegamos e começamos a batucar, o público vem vindo, e se aglomerando, entusiasmado. É uma atração que fica marcada, gravada na cabeça das pessoas, que depois de vinte anos ainda se lembram... É algo muito marcante, forte.

— Sessenta por centro do elenco do Olho Vivo é composto por elementos populares, que acompanham o grupo quando este passa por seus bairros. Eles vão se agregando, uns ficam um tempo, outros saem logo. O grupo não visa profissionalizar essas pessoas, mas trocar experiências — diz.

O grupo participa da lei do Fomento ao Teatro, da cidade de São Paulo, uma vitória conseguida através do movimento Arte Contra a Barbárie.

— O movimento surgiu em São Paulo, há quase dez anos. Fundamenta-se na concepção de artistas de que a cultura deve ser tratada, junto aos poderes públicos, com estudos e análises feitas com profundidade, transparência e continuidade. Ele não tem, por sua própria decisão, personalidade jurídica, nem é ligado a partidos políticos. Visa discutir problemas da arte em geral em reuniões periódicas e, após debates, chegar às mais variadas sugestões e conclusões tanto no campo geral como no específico — fala César.

— Dessa atitude nasceu o Projeto de Fomento ao Teatro no Município de São Paulo, hoje transformado em lei, que se coloca como uma das mais importantes leis relativas à cultura no Brasil, mostrando normas para o desenvolvimento da arte, em todos seus seguimentos, como uma política permanente e não apenas de meros eventos. Sua contínua participação e ação, nascida em assembléias, sem donos e orientadores, embora não seja completa e perfeita, abre campo para que o Estado cumpra suas funções constitucionais e éticas apoiado em propostas vindas da base, visando o bem comum e a criação cultural como um dos fatores essenciais ao progresso da sociedade — acrescenta.

O Olho Vivo deve continuar no primeiro semestre desse ano apresentando a peça João Cândido do Brasil — A Revolta da Chibata , pelos bairros populares de São Paulo, depois escolherá o tema para seu novo espetáculo.

No livro de César Vieira: João Cândido do Brasil — A Revolta da Chibata, editora Casa Amarela, São Paulo, 2003, aparece reproduzido o poema de um anônimo, publicado na revista A Careta, Rio de Janeiro, 1911, sobre o ocorrido na Ilha das Cobras, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, durante o período em que os marinheiros permaneceram presos e torturados.

Foi lá na Ilha das Cobras
Que se deu o sucedido!

Pegaram uns presos e meteram
Num buraco bem cumprido
E os sujeitos lá ficaram
Sufocado e espremido.

Se sarvaram quatro ou cinco
Os do fogo mais cumprido.

Mas, pra esses assim mesmo
(veja só que marvadez)
Pusero cal no buraco
Pra matá eles de vez

Mas os bicho resistiram
A tortura do xadrez,
Vieram contá cá pra fora
O que o governo lhes fez!

Durante o ano de 2006 o grupo comemorará os seus quarenta anos de resistência com eventos diversos, como a inauguração das novas dependências de sua sede; lançamento de dois volumes com as peças montadas pelo grupo nessas quatro décadas, de vídeo e cd contando a trajetória do grupo; Seminário, com convidados, sobre 'Teatro Popular'; encontro-oficina de membros atuais, ex-participantes, amigos e colaboradores do grupo; encerramento do projeto Um Sonho de Liberdade, dentro do Programa de Fomento ao Teatro, com o grupo Fonteatro; encerramento de João Cândido do Brasil — A Revolta da Chibata e apresentação do tema escolhido para ser o novo espetáculo.

Para participar das festas comemorativas, deve-se procurar a sede na rua Newton Prado, 766, Bom Retiro, São Paulo, SP. Telefones: (11) 3331-1001; 5579-4722 / Fax: (11) 5549-3164. Ou escrever para Alameda Uananá, 211, Indianópolis, São Paulo, SP. Cep: 04060-010

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