Novo cenário e promessas antigas

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Novo ano e eis que estratagemas surgem desenhados com vistas às eleições de outubro. O golpe é visível e claro, mas sempre funciona. Recentemente, o diretório nacional do PT teceu críticas vigorosas à política econômica, como se nada tivesse a ver com a desmoralizada gestão encastelada no Palácio do Planalto.

O próprio presidente da República, Luiz Inácio, fala como se tivesse ascendido ao cargo isoladamente, sem vínculo político-partidário com o PT. E o ex-ministro da Educação, Tarso Genro, escreveu artigo devastador na página da legenda (Internet), desmontando o ex-ministro-chefe da Casa Civil Zé Dirceu (PT-SP).

Procura-se confundir de forma generalizada para mobilizar a opinião pública em torno de projeto de reeleição presidencial. Mas parece que há exagero na medida.

Ninguém se refere ao fato de que "os bancos que operam no Brasil lucraram 19 bilhões e 599 milhões de reais, entre janeiro e setembro deste ano", segundo reportagem assinada por Ney Hayashi da Cruz e publicada na Folha de S. Paulo em 13 de dezembro último. A exclusão social adiciona combustível para a arrebentação.

Em Hong Kong, onde foi participar de reuniões da Organização Mundial do Comércio - OMC, o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) afirmou que "o governo não faz sinalizações, não traça cenários, objetivos, nem estabelece meios para atingi-los". É o samba do crioulo doido.

O mesmo cenário se desdobra pelos diversos estados de nossa Federação e segue no mesmo ritmo. Governistas se transformam em oposicionistas e discutem fórmulas malucas que logo serão esquecidas. Deseja-se apenas a perpetuação de cargos e mandatos. Os "honestos" de hoje continuarão desonestos como sempre e como nunca.

Que fez a administração petista em quase três anos de desmando? Aparelhou o Estado, colocou analfabetos crônicos e desqualificados renitentes em postos de comando, deu seqüência a desmonte deliberado da economia e jogou a todos na rua da desesperança. O medo insiste em se fazer presente.

Além disso, contribuiu enormemente para a fragilidade das instituições, na utilização de ardis que impeçam a apuração de infindáveis desmandos. Quando a CPI do Banestado flagrou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na prática de crimes de fraude fiscal e evasão de divisas (entre outros), que fez Luiz Inácio?

Baixou Medida Provisória e colocou o cargo que Meirelles ora ocupa no mesmo plano ministerial, evitando que fosse questionado judicialmente nas primeiras instâncias. Somente o Supremo Tribunal Federal - STF -, pode julgar o presidente do Banco Central.

A desmoralização das instituições brasileiras, por parte dos que deveriam defendê-las e preservá-las, é fato que não se tem como negar. Imagine-se uma chamada casa de família, na qual os moradores se dedicassem a orgias e bebedeiras, deixando as portas abertas para que os passantes observassem tal comportamento. Como exigir respeito?

É isso o que acontece no Brasil, fazendo com que a possibilidade de ruptura institucional seja mais e mais iminente. A roubalheira é indiscriminada, a punição dos culpados inexiste e o desarranjo é generalizado.

Desejar que tudo seja mudado como num passe de mágica, através de um voto depositado na urna, é desconhecer o tipo de arrumação política que impede a troca de personagens nas estruturas e eterniza a miséria. Tempos bicudos estão vindo por aí.


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