Editorial - Nova missão para os renegados

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Destituída de qualquer credibilidade, pudor e escrúpulo, a gerência FMI-PT é chamada para cumprir a missão de salvar as eleições e o cretinismo parlamentar.

Começa apregoando a "quitação da dívida" com o FMI, episódio que administrativamente serve apenas para consagrar o Fundo. Irmanados, os partidos eleitoreiros (situação e oposição), além dos prestigiosos órgãos de comunicação do imperialismo em nosso país, se calam.

Na realidade, saldaram uma das dívidas, aquela contraída por Cardoso em 1998, de US$41,5 bilhões — com pagamento antecipado em abril de 2000, no valor de US$30 bi — e, agora, com outra antecipação nada original, de US$15,5 bi.

Descaradamente, a gerência diz que o FMI foi dispensado e que, hoje, o Brasil é "sócio do FMI". Pagos para dizer asneiras — sem poder decisório até para produzir discursos -, esses renegados não observam que o país se tornou sócio do Fundo quando ele nasceu, há 50 anos.

O fato é que o cartel oportunista continuará concedendo ao Fundo mais do que ele pede: pagamento antecipado, juros crescentes, acumular garantias para os agiotas estrangeiros etc., "honrar" planos e projetos — também sob severa orientação do FMI -, aqui, e em vários países, com destaque para o Projeto Piloto de Investimento e a aplicação fiel do Manual de Contas Públicas.

II

Um aumento de 50 ilusórios no mínimo oficial mantém grande parte dos assalariados na miséria, condição abaixo da linha da pobreza. Não são considerados nem mesmo os cálculos do Dieese, um antigo aliado — para quem, em dezembro, o mínimo já custaria R$1.607,11.

Os traidores da classe operária, instalados no sistema semicolinal de governo em nosso país, não estão permitindo que o salário mínimo corresponda sequer à sua função constitucional, e dele confiscam R$1.257,11. De cada salário, por mês.

Quantos milhões de brasileiros são assassinados, todos os anos, em razão de um decreto desses?

O mesmo cartel oportunista dirige o PT, o MST, as ONGs e as centrais sindicais amarelas. Precisamente, foram essas centrais que avalizaram o mínimo.

III

Inauguram a CPI das privatizações, na fila desde 2003. Deflagra-se uma guerra de chantagens que visa apenas neutralizar denúncias no jogo eleitoral quando, no duro, a CPI pode ser abortada por uma simples ordem das grandes e inocentes corporações — para não dizer que, antes das eleições, qualquer conclusão já não chegaria a tempo.

Entre um e outro passeio, o operário padrão do Banco Mundial comete um pronunciamento, explicando que a campanha eleitoral não é eleitoral, tampouco corrupta, embora uma enxurrada de obras tapa-buracos seja liberada sem licitação alguma.

Em sua defesa, muda o enunciado: se não ordena as obras no sistema viário o governo será criticado. Se as realiza, espera-se, a oposição eleitoreira taxará o "governo" de eleitoreiro. Mas quanto à obrigação de não permitir que, também, as estradas do país chegassem a tal ponto de deterioração, nem uma palavra.

IV

No Haiti, um general brasileiro se suicida. Apenas uma questão de foro íntimo? Nenhuma explicação é fornecida, como não foi sequer perguntado ao povo se o Brasil deveria enviar tropas de intervenção. Por acaso basta dizer que estão a serviço da ONU, essa organização que não protege ninguém, exceto as potências imperialistas?

Agora, não é mais possível esconder que o povo haitiano exige a retirada das tropas estrangeiras de seu país, entre elas, as brasileiras.

E é para retirar mesmo!

No mais, outros gerentes semicoloniais acabam de entrar no grande picadeiro e engrossar o elenco da falsa esquerda latino-americana. Além de Luiz Inácio, Toledo, Chávez, Gutierrez, Vásquez, Kirchner, chega Evo Morales anunciando que protegerá os recursos naturais da Bolívia sem prejudicar o imperialismo.

Surge a socialista Michelle Bachelet. Trazem-na de um camarim para apresentar-se num espetáculo montado pelos mesmos inimigos que oprimem o povo chileno e que um dia — ela assistiu — torturaram seu pai até a morte.

"Um processo democrático unificado emerge no Continente", apregoam os reacionários, os que, também inadivertidamente, atribuem ao povo trabalhador da nossa América proletária tão pouca ideologia.

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