Editorial - O povo e a alternância dos submissos

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É ano gordo.

A agenda política aponta: nos próximos meses haverá conclusões de CPIs que não vão a lugar algum (mesmo, estão proibidas algumas investigações), copa do mundo e eleições controladas - afora outros entretenimentos que o monopólio imperialista das comunicações sempre cria para enganar o povo.

Seja qual for (já foi) o resultado, ganham o latifúndio, o capital burocrático e o imperialismo - de novo, como há 42 anos. Portanto, todos devem ter o mesmo perfil. Admitem-se diferenças no penteado e nos gestos para simular disputa e legitimidade na "alternância" de poder. No mais, tudo é padronizado.

Mas, garantido o pacto da mediocridade, eis que faltam candidatos.

O tucanato de geladeira, por exemplo, esforça-se para apresentar o seu medíocre que concorrerá com o do cartel oportunista dirigente do PT. Na semana seguinte se arrepende da seleção feita - com Alckimin discursando debaixo de vaias.

Para um cargo tão nobre se exigem alguns atributos: inculto, despolitizado, indigno, desmoralizado, mas sobretudo obediente e fiel ao sistema semicolonial. Tal como o atual.

Por outro lado, alguém que mantivesse o mesmo conteúdo, mas aparentemente fizesse o gênero insubmisso, autônomo e "executivo forte", a exemplo de um Fujimori, também já não seria ideal. Sendo esse sistema de governo, por natureza, corrupto ao extremo, seria inevitável que o estilo mandonista, ainda que fictício, criasse um espaço individual que acabasse acirrando disputas entre as frações compradora e financeira, coisa que o bem-estar semi-feudal, burocrático e semicolonial não pode tolerar. "Por hora, bastam as estrepolias de Dirceu, Palocci e outros" - deve pensar o imperialismo.

No entanto, qual desses candidatos majoritários, pode surgir um outro - que de forma tão solícita buscam atender às determinações da metrópole, sempre mais exigente - conseguirá, finalmente, após novos ajustes de adaptação e amoldamento de personalidade, se manter razoavelmente equilibrado sob as patas traseiras?

II

Continuarão faltando candidatos porque o poder, na essência, desde abril de 1964, é continuísta e monopartidista, não importa quantas siglas eleitoreiras existam. A diferença é que o fascismo tornou-se mais sofisticado a partir do momento em que se substituiu o gerenciamento militar pela gerência oportunista.

Já deu para perceber, eleições e governos apelidados por eles mesmos de big brother não se sustentam nos momentos de indignação popular. E os momentos se aproximam. A tendência é o endurecimento do sistema imperialista, como, aliás, vem acontecendo.

Acontece que se tornaram insuportáveis tanto os trejeitos mussolinianos da fala diária do atual executivo - suas mentiras grosseiras, inclusive as tentativas de convencer que é governante num final vazio de mandato -, como o repugnante programa de governo nenhum da "oposição" opus dei: crescimento com inclusão social; convocar a "iniciativa" privada; fechar torneiras; juros menores; fim dos privilégios; reativar a Alca; choque de capitalismo. Que capitalismo - justo na sua fase imperialista e mais decadente - poderá tirar o país da ruína?

O grande circo anuncia sua melhor atração, o confronto entre os blocos de "esquerda" e de direita. Porém, ambos são descaradamente de direita, partidos antiproletários e de traição nacional. A verdadeira preocupação desses partidos é manter o sufrágio de cartas marcadas e, à custa de drogas, prorrogar a existência dos moribundos sistemas de Estado e de governo; o poder latifundiário, burocrático e imperialista em nosso país.

À subjugação nacional e ao cretinismo parlamentar, cabe ao povo responder impondo suas próprias regras, animar as suas lutas mais consequentes, guiadas pelo seu verdadeiro programa de emancipação das classes oprimidas e de independência nacional.

Não tardará o momento em que as massas deflagrarão vigorosas campanhas econômicas e políticas, simultâneas ao decidido combate contra os bandidos oportunistas e revisionistas, aonde quer que eles se encontrem.

Finalmente, essas mesmas massas empobrecidas e exploradas terão que estabelecer o seu próprio poder. Porque construir a democracia de novo tipo, passo a passo, é a única forma do povo deter a marcha acelerada do fascismo.

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