Nada alegre o Iraque de Bush

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Não são nada alegres as notícias do Iraque para os ocupantes. A guerra sectária se estabelece dia a dia, o novo primeiro ministro iraquiano não conseguiu encontrar seus ministros do Interior e da Defesa, seis meses depois das eleições1. Os horrores e a matança de Hadiza2 e al-Ishaqui abriram os olhos e colocaram às claras os crimes cometidos pelas tropas invasoras que vieram ao país sob a bandeira da libertação do Iraque.

As agências de notícias estrangeiras não computam os mortos iraquianos, nem os feridos. São números horríveis que seguem aumentando a cada hora, mas a vida dos iraquianos não é importante. Os invasores ianques só se preocupam em documentar seus próprios mortos.

No novo Iraque não se sabe de onde vem a bala assassina: das milícias sectárias, dos ianques ou dos bandos armados; todos matam sem distinção. Como se isto não fosse suficiente, o governo ianque, que tem toda a responsabilidade por esta situação desastrosa no Iraque, trouxe suas tropas — que, supostamente, tinham que encarnar o princípio de disciplina e ordem militar, já que se proclamam como a primeira potência do mundo livre — para cometer assassinatos a sangue frio nas cidades de Hadiza e al-Ishaqui, matando famílias inteiras.

Nada avança no novo Iraque, exceto a corrupção, a morte e a dilapidação do dinheiro público em plena luz do dia. O Iraque é hoje o testemunho do maior roubo da História.

Milícias e sharia

As milícias que chegaram ao Iraque em cima dos tanques ianques levantaram alto a bandeira do Islã para matar em Basora3. Não discutem sobre como aplicar a sharia (lei islâmica) ou combater a ocupação, mas como roubar petróleo, quem rouba mais, quem vende mais, quem controla um maior número de poços e de produção. Ninguém sabe quanto petróleo exporta o Iraque, nem aonde vão parar seus benefícios4. Nenhum deles quer saber, nem britânicos nem ianques, porque sabê-lo seria passar a linha vermelha que poderia desencadear enfrentamentos e bombas nos arsenais contra as forças de ocupação.

O número de exilados iraquianos se multiplica. Os antigos exilados ficaram nos quartéis europeus escrevendo poesias e maldizendo o antigo regime, negando o que ocorre atualmente ou olhando para o futuro. Mas os que escapam agora do inferno da falsa democracia e da libertação, se amontoam na Jordânia, Síria ou qualquer país árabe que os acolha. São poucos os que conseguem chegar a Europa ou USA porque as portas do exílio estão trancadas. Já não contam com o pretexto de lutar contra Saddam Hussein para servir de salvoconduto para Suécia, Dinamarca, Grã Bretanha, Holanda e USA, onde lhes era garantido uma casa e uma pensão mensal.

Não há "classe média" no novo Iraque. Só há duas classes: os que pertencem à zona verde e os que são da zona maltratada, ou seja, todos os habitantes do Iraque. Os que pertencem à primeira classe são os antigos opositores, os que têm enriquecido com a guerra, os que sugam o sangue do povo iraquiano, os que estão a serviço do projeto de violência, morte e destruição do USA.

Iraque, sem presente

O novo governo não vai poder melhorar a situação de segurança, mas ao contrário. Sua formação sofre os efeitos de um novo enfrentamento, desta vez entre os membros da Aliança que está no poder, pela repartição das cadeiras ministeriais5. O resultado é que não deixou de ser sectário, nem se converteu em nacional, mas é um corvo que quer aparentar um canário e que, afinal, não é nenhum dos dois.

Os que mais esperanças têm são os presidentes Bush e seu aliado Tony Blair, que esperam muito deste "governo" para que melhore a situação de segurança e assim possam retirar suas tropas do Iraque. Mas a realidade sobre o terreno deixa claro que al-Maliki não é melhor que Yaafari e que a situação não melhoraria nem que um grande aiatolá, como Ali as-Sistani, presidisse o "governo".

Sabemos bem — e o dizemos com plena certeza — que os ianques, demasiado covardes para reconhecer seus erros e seus crimes, são prisioneiros do passado e não querem ver o presente, o saltar ao futuro, porque o Iraque de hoje não tem presente e o futuro também não será agradável para eles.


1 Já designados na atualidade: o Ministério do Interior foi entregue ao xiíta Jawad al-Bulani, e o da Defesa, ao general Abd al-Qadir Jasim al-Ubaidi, um sunita muito criticado por ter participado com as forças ianques nos brutais operativos militares na província de al-Anbar, propriamente contra Faluya.
2 Veja em IraqSolidaridad: Hadiza: Crime de Guerra. Cronologia, nomes das vítimas e antecedentes do genocídio.
3 Veja em Iraqsolidaridad: Pedro Rojo e Carlos Varea: O Irã está intervindo na resistência em Basora?
4 Veja em Iraqsolidaridad: Quanto Petróleo o Iraque exportou? (BTC notícias) — O vice-presidente do Iraque marca o compromisso das novas autoridades com a liberação da economia.
5 Veja em IraqSolidaridad: Carlos Varea: O novo governo iraquiano: instável reapartição sectária — a lista do novo governo.

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