Rebelar-se é (cada vez mais) justo

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A 25 de março de 1998 — 57 anos depois da invasão nazista —, o mundo assistia estarrecido o novo esquartejamento da Iugoslávia. Pronto, se verificou, os ataques terroristas ("bombardeios humanitários") da OTAN — Organização do Tratado do Atlântico Norte não significavam nenhum cessar fogo, mas a guerra de partilhas. As "questões étnicas" e desavenças religiosas, que ocupavam o noticiário mundial, buscavam ocultar as aguçadas contradições nacionais e de classe para vencer qualquer apoio à resistência revolucionária.

A destruição se estendeu à Albânia, pouco depois dos últimos revisionistas concluírem a obra de restauração capitalista iniciada por Enver Hodja, e toda a região dos Bálcãs voltou a viver sob o fascismo.

O USA, durante a administração Reagan, tinha anunciado (1983) seu programa de Iniciativa de Defesa Estratégica (Strategic Defense Iniciative SDI) e a Guerra nas Estrelas. Desde então, são criados (e aperfeiçoados) os mais terríveis programas de agressão aos povos.

Em 1991 (de janeiro a março), o próprio USA, juntamente com o Reino Unido, França e Itália, estabelecem uma guerra de coaIizão contra o Iraque, promovendo inúmeros conflitos entre nações no Oriente Próximo e, por fim, invadem aquele país e destroem tudo o que encontram pela frente. São detidos em Bagdá.

A partir daquela data, até a nova invasão genocida de 2003, o USA bombardeou diariamente o Iraque, procedeu ao bloqueio ilegal do comércio exterior e, através da ONU, espionou suas instalações militares.

Ainda há três anos o noticiário "internacional" se esmerava em mostrar imagens de tribos na África subsaariana expulsas de seus territórios, marchas forçadas, cortejos pré-abates em direção a longínquos campos de refugiados (campos de concentração e de extermínio lento, na verdade), sob os auspícios da hipocrisia humanitária da ONU.

Eram cenas de uma nova campanha de extermínio deflagrada em 1986 e que por menos de dez anos consumiu metade da população da África, através de guerras localizadas, leis de proibição de plantio e, por fim, as expulsões constantes dos nativos de sua terra natal, não reconhecida como países pela ONU.

Outras vezes, as reportagens televisivas, saídas do falatório monopolista mundial da imprensa, revelavam aldeias privadas de água e de chão cultivável, cercadas por minas terrestres, jovens sem alguns membros do corpo, de quem se dizia serem vítimas de explosões. Na verdade, bandos mercenários tinham por hábito invadir tribos e amputar pernas ou braços de jovens para que não se tornassem guerrilheiros. Da mesma forma, o HIV e outras combinações de vírus mortais, entre produtos incapacitantes retirados dos arsenais militares, foram largamente disseminados contra populações indefesas através de campanhas de vacinação obrigatória etc.

Vivemos hoje os dias da guerra de agressão. E ela se alastra pelos continentes em ritmo acelerado.

O imperialismo comandado pelo USA tem atacado vários povos, simultânea e impiedosamente. No Oriente Próximo, após terem transformado a Palestina e o Iraque num terreno de saques e destruições, as forças imperialistas incendiaram o Líbano.

As trevas e a luz

Parte da polícia do imperialismo, aquela que assume a forma de monopólio da imprensa mundial, segue descrevendo o ânimo das resistências árabes como que movidas pelo fanatismo religioso e pelo terrorismo. Segundo ela, os povos daquela parte do mundo são incultos, incapazes de erguer uma economia próspera e suas vidas devem ser monitoradas e mesmo pouco importa se exterminadas pela facção dirigente teocrática e fascista de Israel com o apoio do tutor ianque.

Mas é o sionismo que tem se revelado como uma forma de anti-semitismo, de política fascista e genocida, enquanto que o USA transforma Israel numa fera assassina que, ao invocar o direito judeu, nada mais faz que injuriar o judeu.

O princípio científico revela que a lógica imperialista — adote ela as consignas do nazismo ou do imperialismo ianque — é sempre a mesma: "Provocar desordens, fracassar, voltar a provocar desordens, fracassar de novo... até a sua própria ruína", enquanto que a lógica do povo é "Lutar, fracassar, voltar a lutar, fracassar outra vez, lutar de novo... até à sua vitória". Ambos jamais trairão esse princípio.

O imperialismo não pode voltar atrás. Por isso, aplica as Três atrocidades, desde a Segunda Guerra: "incendiar tudo, roubar tudo, matar a todos". A diferença é que cada nova atrocidade é superior em amplitude e derramamento de sangue à que lhe foi de imediato precedente.

O justo e o injusto

As contradições fundamentais determinam no mundo moderno a luta entre a guerra e a paz. Tais contradições, concretas e de importância maior na vida dos povos, quando devidamente tratadas possibilitam mudanças, nesse caso, favoráveis às classes e nações oprimidas..

Essas contradições fundamentais — no quadro internacional — são: a burguesia exploradora e o proletariado, as contradições entre as potências imperialistas pela hegemonia do mundo e — a contradição principal — entre o imperialismo e as nações oprimidas. Chama-se de contradição principal, aquela eleita entre as contradições fundamentais que, uma vez resolvida, permite a solução das demais, sendo que não se deve tratar apenas da contradição principal e desprezar as outras fundamentais.

O imperialismo tenta eliminar essas contradições lançando milhões à guerra nas colônias e semicolônias, uma vez que, em sua agonia final, o último regime de exploração do homem pelo homem não se permite agir diferente. O alimento do imperialismo é o lucro máximo — que, por sua vez, provoca uma fome insaciável -, cuja obtenção se torna possível apenas na condição de levar a exploração dos povos às últimas consequências, trucidando-os quando resistem à miséria. Isso faz com que todos os povos se levantem contra o imperialismo e se tornem seus inimigos mortais.

Foi a existência do imperialismo moderno quem provocou a deflagração da primeira e segunda guerras mundiais. Por isso, seus métodos são sempre os mesmos.

A (contra)propaganda imperialista tudo faz para ocultar o caráter de classe das guerras, suas causas, seus fins, as classes que as promovem e as condições históricas que as engendram. E age assim porque, acima de tudo, necessita ocultar a tendência inevitável das guerras de opressão nacional. Em nossa época, essas guerras são respondidas com as guerras de libertação nacional e, nesse processo, acabam se transformando em guerras revolucionárias, com exércitos revolucionários, conduzidos pela maior classe revolucionária de todos os tempos: o proletariado.

O imperialismo busca exacerbar desavenças disseminando intrigas, tentando provocar o ódio (para isso tem o racismo como arma infalível) entre as massas e entre os povos. A guerra é uma forma terrível de luta de classes, enquanto que as potências são o poderio dos grandes bandidos que se acreditam no direito (e o exercem impunemente) de massacrar os povos para deles arrebatar trabalho, matérias primas; anexar, dividir e expropriar nações para multiplicar indefinidamente seus lucros. Depois, novamente destruir nações, novamente multiplicar seus lucros, até que chegue a última guerra.

A paz entre as potências se fundamenta na temporária partilha dos botins. Elas não costumam reconhecer o estado de guerra quando exterminam um povo inerme. Também, é de conveniência do imperialismo não reconhecer as forças da resistência e denominá-la de movimento fanático e de terrorismo.

Os grandes bandidos colaboracionistas de Israel — a serviço do imperialismo ianque, principalmente — se escondem atrás dos judeus, contra quem, ao final, buscam atrair o ódio dos povos. Na véspera do "cessar-fogo", mesmo um jornal israelense indicava que somente 39% dos judeus apoiavam o tal aumento de ofensiva terrestre no Líbano, enquanto que os judeus, ali, desafiando a ditadura sionista, promoviam e espalhavam protestos públicos, tal como no USA.

Esses sionistas, protegidos pelo USA, inventam uma "zona neutra" no Líbano. Mas uma "zona neutra" em Israel certamente seria uma agressão inaceitável. Atacam o sul do Líbano a pretexto de que ali se concentram forças do Hezbollah. E por que dispararam também mísseis contra populações civis, infra-estruturas sociais como hospitais, centros de fornecimento de água, de energia e aeroportos de Beirute, a centenas de quilômetros adentro do Líbano?

O que ganhou Israel senão que a desmoralização? Sua economia ficou paralizada por mais de um mês, enquanto destruía o país vizinho e se afunda em divergências internas.

O monopólio mundial da comunicação, impressa e televisiva, diz que a guerra acabou (da mesma forma que acabou no Iraque?), que o problema está encerrado. Quando o imperialismo não tem argumentos sobre uma questão diz que ela não existe mais. Também evita informar que as hordas fascistas de Israel ianque ensaiam a retirada do conflito para, de novo, atacar, já que a ONU se recusa a adotar medidas contra o agressor.

Mas se os nossos irmãos libaneses retornam à sua pátria é porque reconhecem a derrota dos invasores e a existência, ali, de uma força armada competente para defender o povo. Além do mais, o Hezbollah pretende depor armas, independente de resolução da ONU. Já Israel impôs que às tais "tropas da paz" não fossem incorporados soldados árabes, continua fazendo incursões em território libanês e perdendo soldados.

Os senhores da guerra

À maneira da (contra)propaganda nazista, se recusa o monopólio imperialista da imprensa a reconhecer que Israel, não avançou 7 quilômetros no Líbano, foi seriamente derrotado e busca reforços. Nega também que a sua quinta coluna, a orquestra de traidores dentro do Líbano, apresentou graves problemas de regência.

Se a resistência libanesa é terrorista, como afirma o monopólio, o que faz para se sustentar? Quem fornece armas para a resistência na Palestina, no Iraque e no Líbano, senão que o povo trabalhador, que sob a ação de bombas inimigas, tão cruéis que são proibidas pela Convenção de Genebra, sustentam a economia da guerra antiimperialista? São terroristas e fanáticos porque defendem suas vidas quando todos os "governos" se calam?

A ajuda de reconstrução do Líbano pela sua própria resistência é apresentada como problema. A destruição do Líbano por Israel, não. Agora, o USA diz que vai armar o exército do Líbano (por que não fez antes?), mas com que propósito, senão o de fortalecer o setor reacionário no esteio do Estado?

O que se deve deduzir é a necessidade de que as lutas de independência nacional não fiquem ao sabor das classes exploradoras, aquelas que se dizem nacionalistas por estarem contrariadas em alguns interesses, apenas.

O imperialismo joga com esses aspectos e busca estabelecer partilhas para minar a resistência. Pouco importa se os exploradores pertençam a nações e religiões diferentes dos exploradores ianques, ingleses, franceses, alemães etc., e que os odeiem, porque, ao final, se entendem às mil maravilhas quando se trata de explorar o povo.

Os magnatas e poderosos que vivem da renda diferencial do petróleo no Oriente Próximo e Médio, por exemplo, fazem mil acordos espoliadores com o USA e seu ponta de lança, Israel. Há inúmeros tratados secretos em vigor na região do Oriente Médio e Ásia Central que tornam intrincado o quadro da guerra e que só é possível desvendar conhecendo as classes e seus interesses concretos no fogo das lutas.

A pátria dos potentados ianques, ingleses, franceses, alemães é o lucro máximo. Pouco importa se uma guerra vai devastar o Iraque, a Palestina, o Líbano, a Argentina, o Brasil, o Azerbaijão... A defesa dos interesses dos que detém os grandes meios de produção (terra, fábricas, minas, poços de petróleo, bancos) no seu país, ou em territórios pertencentes a outras nações, são os que eles chamam de "defesa da pátria".

Com efeito, as forças do imperialismo invadem qualquer país e os demais recusam-se a defender o agredido. Recusam-se até a conceder refúgio aos perseguidos. Ao contrário, prendem-nos sob acusação de cumplicidade em supostos ataques terroristas e fornecem forças de intervenção "de paz" para operar em outros países agredidos para que eles continuem sendo pilhados e massacrados.

Há muito, nem um só governo subalterno à qualquer das potências fala de preservar a paz. Executam rigorosamente a parte que lhes cabe nas campanhas de pânico lançadas pelo imperialismo, seja nas capitais da Europa, como nas cidades de países colonizados.

Mas quem lança bombas contra o povo, senão que o imperialismo e seus pelegos? Podemos desconhecer o nome de quem detonou uma bomba contra o povo, mas a sua ideologia é inconfundível justamente porque atacou as massas e provou ser inimigo do povo. Não há como negar a autoria da ações terroristas, essa sistemática promoção dos Estados imperialistas e de seus lacaios.

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O que procura, gringo?

A paz que os potentados procuram, no seu país de origem e no estrangeiro, é o sangue dos expropriados. A condição que desejam é a dos trabalhadores que — quando sem nenhuma propriedade, confinados ao assalariamento miserável e perpétuo — tenham como única forma de existência a obrigação de encher a pança de cada explorador pelo tempo que lhes é dado viver.

Se em decorrência dos seus interesses, um sheik pode ver seu país dilacerado pela intromissão das corporações imperialistas — ou mesmo já invadido pelas botas estrangeiras — e que, sem ao menos sentir-se constrangido, firma um acordo de traição nacional, é porque o peso de seus negócios está intocável em Nova York, Londres, Paris, Berlim.

O USA quer um governo fascista em Beirute, promove a estratégia expansionista e guerreira do que ele teima em chamar de Novo Médio Oriente, utilizando o Estado sionista e artificial de Israel para transformar os países ao seu redor numa imensa região de vassalos.

Hoje, Israel e Turquia são os "protetores" (contra quem, afinal?) do oleoduto Baku-Tblisi-Ceyhan, que liga o Mar Cáspio ao Mediterrâneo, que une a enfraquecida Rússia ao lar ianque da Palestina. Uma faustosa inauguração do oleoduto foi transferida dias antes de iniciar-se o bombardeio sobre o Líbano. A agressão de Israel contou com o apoio das petrolíferas, comenta Michel Chossudovsky no site www.resistir.info.

O status de guardião das rotas de combustível e de alimentos (há mais oleodutos que atravessarão o território sírio e libanês, além do projeto de eletricidade, água e gás), garantirá a Israel enormes rendas nos "negócios" com a Rússia, Turquia, Índia, China, com o consentimento do USA e, assim, isolar outros países. Além disso, os rios Tigre e Eufrates, na bacia de Anatolia, se tornarão tributários do Estado ianque de Israel, para não lembrar que uma complexa infra-estrutura de redes marítima e terrestre será militarizada sob o mesmo controle, numa vasta região. Esses são os limites do "novo e grande Oriente".

Para tanto, o USA abarrota de armas todos os "governos" da camarilha cortesã que se propõem assassinar patriotas, anexar territórios e proceder a rapina, ao que chamam de restabelecer a "cultura, a ordem e a civilização". Desde 1949 o USA sustenta Israel. O USA segue enviando milhões de dólares para Israel, armamento pesado e autorizando o aumento de efetivo das suas hordas terroristas, enquanto que suas dívidas não recebem o mesmo tratamento dado às dos demais países "devedores".

Já em 1967, Israel anunciou sua primeira bomba atômica, que lhe foi presenteada pelo USA. O mesmo aconteceu com o governo de orientação do FMI na gerência de Indira Gandhi, na Índia, diante da possibilidade de atacar a China, então revolucionária. Esses podem ter bombas atômicas e quaisquer outras armas assassinas. Podem também desprezar todas as Resoluções da ONU, como fazem sistematicamente, porque a lei é para ser cumprida pelo explorado,não peloexplorador.

Ainda assim, reclamam, consideram desleal o uso dos katiúchas (mísseis táticos, de procedência russa, que enfernizaram os nazistas na Segunda Guerra) quando atingem comboios ou seus barcos nas praias do Líbano. Também quando projéteis anti-tanque eliminam toda uma divisão israelense.

Esses robocós, entupidos de lemas rascistas e de drogas para lhes dar coragem, treinados para cometer as piores covardias, com os seus enxovais carregados de aparelhos eletrônicos, armas e munições, reclamam quando o agredido tem com que se defender.

Problemas, para quê?

Com doze tripulantes, um cargueiro egípcio, de 24 metros, que transportava cimento do porto de Damietta (Egito) em direção ao porto sírio de Tartus, foi atacado em 14 de julho por um míssil, a 30 milhas náuticas (55.560 metros) da costa libanesa. O Ministério das Relações Exteriores do Egito (país que firmou relações de paz com Israel) teima em dizer que não dispõe de informações sobre quem atingiu o barco.

Também a Liga Árabe afirma que não constituiu uma frente contra o Estado de Israel e seus ministros estão de acordo em culpar o Hammas (Movimento de Resistência Islâmico Palestino) e o Partido de Deus — Hezbollah, dos chiitas libaneses. A reunião de ministros da Liga Árabe, de 15 de julho, produziu três declarações em separado sobre a agressão, enquanto que o secretário geral da Liga, Amr Moussa, limitou-se a afirmar que "havia um colapso total na região" em termos de segurança.

As causas nacionais vêm ganhando um contorno internacional impressionante. Cada lei anti-povo, cada agressão militar etc., cada episódio marcante, caracteristicamente antipopular e antidemocrático perpetrados por um governo em seu país, vinculam-se à ação do imperialismo no mundo. Súbito, se percebe, da mesma forma que atacam a Palestina (ali, onde, num só golpe Israel sequestrou centenas de pessoas, inclusive oito ministros do governo palestino, 30 congressistas e 30 assessores) agridem o Líbano, o Iraque e, assim, sucessivamente.

Isso, o imperialismo fará com todos os povos, a seu tempo.

Os governos oportunistas, cúmplices do imperialismo, de maneira extremamente covarde, subscrevem acordos secretos, estabelecem alianças em que permitem agredir os povos sob os pretextos mais traiçoeiros, enquanto assistem passivamente o massacre no interior de seu próprio território.

A propósito, o Brasil é o país que tem milhares de famílias brasileiras na região, a maior colônia libanesa no exterior e o que tem maior número de crianças e adultos assassinados no Líbano pelas ações terroristas de Israel. Segundo Enio Basílio Rodrigues — SP, Painel do Leitor, Folha de S.Paulo, 23 de julho, a embaixadora de Israel no Brasil ironizou o assassinato de adultos e crianças brasileiras no Líbano, afirmando tratar-se de "cúmplices do Hezbollah", ao que não teve lugar nenhuma acanhada nota, que fosse, do governo brasileiro criticando o insolente comentário.

A covarde atitude do "governo" FMI-PT foi socorrida no dia 5 de agosto pelo artigo que ganhou notoriedade ao se reportar a Ibrahim Saleh, 17 anos, que tinha passaporte brasileiro, morto no interior de um veículo atingido por um míssil disparado pelos fascistas de Israel. O jovem patriota, segundo a técnica narrativa, foi educado para a guerra, tinha idéia fixa e morreu defendendo o Hezbollah. Querem fazer crer que ninguém defende o Líbano, a Palestina, o Iraque, ou qualquer país oprimido, exceto os fanáticos e suas famílias igualmente fanáticas.

Resistir, expulsar, construir

Não há dúvidas, a guerra moderna é produto do imperialismo e ela estará sempre presente enquanto o imperialismo sobreviver.

Em que continente o imperialismo não instiga ou realiza sua guerra de rapina? A ação do imperialismo não se limita à Coréia, ao Vietnã, Indonésia, Filipinas, Colômbia, Peru, Palestina, Iraque, Afeganistão, Líbano etc.

Nas capitais de toda a América Latina, uma mesma foto de bombardeio que tenha ocorrido no Iraque, na Palestina ou no Líbano, por exemplo, serve para ilustrar a parte superior das capas dos jornais com duas manchetes: a que aborda a guerra distante e a que anuncia um interminável "combate ao crime organizado", de acordo com a sua conveniência. Mas a foto tem uma única utilidade: legitimar a guerra de agressão, sistematizando sua (contra)propaganda para que nos acostumemos com a exploração e o extermínio dos povos, com os bombardeios sobre os campos e cidades, com a fome, cadáveres e lágrimas.

Há pouco, o imperialismo ianque vetou o cessar fogo na reunião de Roma e já ordenou ao seu diretório mundial (ONU) que prepare forças de diversos países para intervir no Oriente Próximo. Inútil medir graus de acovardamento e de cumplicidade com o imperialismo, mas a política de subjugação nacional, executada com extremado zelo em nosso país pela gerência do cartel Ciols, adiantou que poderá compor uma "força internacional de paz no Líbano", e que tudo depende do "formato e do objetivo" (?) das propostas. Tal como no Haiti.

O cessar fogo, dizia o jornal britânico The Independent, em 14 de agosto, "marcará o início de um conflito ainda mais sangrento" e "a guerra começa agora". Dizia também que as tropas de Israel tardam a se retirar e continuam sendo alvos do Hezbollah.

Esses "governos" todos, incluindo a ONU, tão ingênuos, não sabem que na Palestina, no Iraque e no Líbano, apenas para mencionar as agressões simultâneas no Oriente Próximo, o USA comete crimes de guerra. Depois manda a ONU (um seu abrigo foi atacado por Israel e ela nada fez, exceto "lamentar") enviar "tropas de paz" para garantir a sua intervenção e não expor todos os seus efetivos nas operações de destruição na Ásia, África e América Latina.

Por que não enviam "tropas da paz" do império para ocupar Israel, o agressor confesso? A finalidade é interromper as atividades da resistência, porque o seu progresso permitirá que essas forças tenham grande expressão popular e se tornem democráticas.

No entanto, também isso não conseguirá deter a grande unidade dos povos do mundo, porque cada um deles tem o direito e o dever de escorraçar as hordas imperialistas de seu território, tarefa que, a seu tempo, cumprirão à risca.

Para os povos que realmente desejam a paz, não interessa ficar procurando defeitos nas resistências nacionais, mas, ao contrário, apoiá-las, sempre que — de forma consequente, sincera, honrada e heróica — defendem sua gente.

O que podem pretender os povos de todo o mundo é que a resistência de cada país ocupado por tropas estrangeiras una as classes e camadas sociais oprimidas — operários, camponeses, soldados, verdadeiros intelectuais, comerciantes, industriais, todas as organizações comprovadamente populares e democráticas, minorias nacionais, seus nacionais que residam em outro países, patriotas de uma maneira geral — sob o programa de um governo revolucionário de coalizão patriótica, popular e democrática.

Nesses países, a resistência acabará sempre tendo que alterar sua composição favorável ao povo trabalhador de uma maneira geral e, em especial, ao proletariado — a classe mais interessada e apta para combater os partidos oportunistas e revisionistas, tanto quanto o imperialismo na sua forma mais clara — até a conquista da hegemonia na sua frente única.

Nesses termos se configuram as possibilidades de consolidar-se uma justa condução da resistência, guiada pela ciência a serviço das massas, expressa nos programa e realização da independência das nações, estabelecendo, por fim, uma democracia de novo tipo.

Consigam os dirigentes de cada resistência, desde a etapa inicial do processo de independência nacional, seguir fielmente a política de implantação de um sistema de democracia popular e de garantir, um a um, os direitos econômicos e políticos do povo, de abolir as instituições podres e corruptas, de prender e julgar abertamente os criminosos de guerra, os traidores da pátria, de confiscar suas propriedades como em geral as das classes reacionárias aliadas ao imperialismo.

Possam decididamente adotar a linha que reconhecerá o direito e a autonomia das pequenas nacionalidades em todo o território, que não admitirá nenhuma dívida de espoliação nacional, e concluirá tratados e comércio em bases iguais com outras nações denunciando ao mundo todos os acordos de traição nacional.

A grande unidade dos povos do mundo está se articulando como tendência principal, na teoria e na prática das lutas de emancipação das classes oprimidas e da libertação das nações. É inexorável a vitória dos povos acompanhada da destruição completa do imperialismo e de seus lacaios, em todos os continentes.

Por isso, o prolongamento de uma resistência se torna ameaçador para o imperialismo, uma vez que somente o caráter popular e democrático das resistências nos países agredidos pode conjurar a Terceira Guerra. Buscar um cessar-fogo para ocultar sua derrota, depois, tentar enfraquecer a resistência e novamente agredir, nisso reside a essência das tréguas desejadas pelo imperialismo.

O que é o Hezbollah


Desfile militar do Hezbollah em Beirute

Fundado em 1982, o Hezbollah (Partido de Deus) é produto da extensão territorial da revolução iraniana de 1979, para combater a devastadora ocupação israelense no sul do Líbano (cujo objetivo era eliminar a resistência palestina que se encontrava em solo libanês e que custou a vida de mais de 20 mil civis). Seu surgimento se dá no marco da resistência à ocupação sionista na Palestina e de muitas das terras árabes no Egito, Síria, Jordânia e da derrota da monarquia iraniana e a consolidação da revolução islâmica. Seu objetivo é a implantação de um Estado islâmico no Líbano, a libertação de Jerusalém e a destruição do Estado de Israel.

Como parte de movimentos mais amplos de libertação nacional e resistência à ocupação sionista, como Hamas e Jihad Islâmica, goza de uma forte legitimidade, inclusive para suas ações militares. Em 1992, é assassinado seu secretário-geral, Sayyid Abbas Al-Mosawi, assumindo Hasan Nasrallah, seu atual líder. Logo após o fim da guerra civil libanesa, em 1989, durante os anos 90, o movimento começa a atuar no terreno parlamentar, integrando-se progressivamente às instituições libanesas. Seu forte trabalho social mediante redes assistenciais lhe proporcionou uma grande popularidade.

Além disso, a retirada dos exércitos ianque e francês em meados dos anos 80 e do exército de Israel em 2000, apresentados como triunfos da organização, foram fundamentais para seu prestígio. Hoje conta com 14 deputados no parlamento e participa no gabinete libanês, sendo a principal expressão política da comunidade chiita, que representa 39% da população. Possui inclusive seu próprio canal de televisão, al-Manar. Está vinculado com o regime iraniano desde sua criação, impulsionado pelo clero chiita, e é apoiado pela Síria em sua luta contra o exército israelense, entre outras coisas pelos próprias diferenças entre Síria e Israel nas Colinas de Golan; por isso se opôs à retirada das tropas sírias depois da "Revolução dos Cedros" no ano passado.

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