Não à farsa eleitoral - Todo apoio às lutas consequentes das massas

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As eleições majoritárias não convencem ninguém. Aproxima-se a data do escrutínio e elas se mantém tão desmoralizadas quanto a administração FMI-PT, que chegou ao fim (pedindo renovação) sem ter realizado absolutamente nada de importante, a não ser entreguismo, fortalecimento da legislação anti-trabalhista com endurecimento do regime e corrupção generalizada. É fato que as eleições são, hoje, um problema crucial, mas para legitimar o poder imperialista e semifeudal em vigor em nosso país.

Em 1982, os verdadeiros dirigentes do Estado semifeudal e semicolonial tentaram abafar as Diretas já. Em 1989 utilizaram Luiz Inácio para descartar o único candidato que conservava traços nacionais, o Dr. Leonel Brizola, fazendo com que este perdesse para Luiz, que perdeu para Collor, evidente. O moço malcriado é substituído. Seguem-se assassinatos com casos abafados. Novela nova, um plano de estabilidade financeira institui a moeda Irreal, o que deu a Cardoso a possibilidade de esticar mais quatro anos de traição nacional. Uma lei isentou presidentes e ministros de processos por crimes contra o povo trabalhador.

Em 2002: o ir "lá-dentro" dos candidatos, "assinar não-sei-o-quê", sob o sorriso protetor de Cardoso, deixou o povo atônito diante da TV. Dessa forma, ninguém entre eles (Luiz, Serra, Garoto e Ciro) perdeu ou ficou desempregado.

Os dois últimos anos de desmoralização sustentada vem imprimindo um novo estilo de racionalidade e prudência aos chamados três poderes — que é a ausência total de pudor. A idéia difundida de maneira impressa ou televisiva é que nos "harmônicos" os profissionais da política (incluindo magistrados) não se metem em política.

As eleições para governadores (superadas apenas pela dos prefeitos, dada a natureza da administração mais próxima às massas), que auxiliavam em entusiasmo as eleições presidenciais, são marcadas pela calmaria do não ter em quem votar, um fenômeno devidamente assegurado. As repetidoras da CNN se dizem indignadas sobre o horário livre assegurado para propaganda eleitoral, não como crítica à qualidade dos candidatos, mas contra o direito de expressão. Assim é que silenciam sobre a obrigatoriedade dos seus programas de auditório, de exploração dos sentimentos religiosos do povo, de filmes pornográficos e da propaganda da guerra de agressão, de seus jornais nacionais da C.I.A. etc., que atormentam o povo diariamente, entra ano, sai ano.

Nada de empolgações durante as campanhas. Diante da entrega do solo, subsolo, espaço aéreo e, caso mais grave e comum, de apropriação de carne humana arrastando milhões à miséria e à morte, toda a desconversa é pouca. É permitida a baderna, acusações mútuas etc., desde que se remetam aos crimes menores, como mensalões, o obscuro caso das ambulâncias e outros embustes.

Tudo permanece no âmbito do problema ético-administrativo, mesmo quando, em algumas situações, democraticamente autoridades são arrastadas do judiciário por policiais que, à sua vez, também são presos. Em seguida, soltos.

As Câmara e Senado começam a ser chamadas de pavilhão 1 e 2, tão enredadas nas estranhas CPIs que penalizam ou protegem candidaturas, por natureza, impugnáveis.

Há uma descarada partilha anunciada de 89 milhões de reais na campanha do candidato Luiz Inácio e de 85 milhões para Alkimin, importâncias consideradas (lá pela gente deles) como ética para a finalidade a que se propõe...

Quem aposta?

Como hoje o determinante não são os votos, mas os acordos de alta costura, toda a cobertura dada aos candidatos nos comícios e TV explica apenas que a largada para o primeiro páreo foi dada, mas nenhum deles se distancia muito da baia, por mais que caminhe ou viaje. Há algo mais que preguiça nesses pangarés tecnocráticos e populistas. As tentativas pontuais de oxigenação das eleições para legitimar o poder evitando que o desmoralizado evento se esgote no primeiro turno, têm sido quase tão inúteis quanto os esforços realizados para animar um cérebro clinicamente morto.

O monitoramento das pesquisas de opinião, com o sistema movimentando as peças, transferindo cotações no marketing eleitoral, tornou as imagens das campanhas ainda mais repugnantes, sem nenhuma justificativa moral para apresentar-se diante das câmaras. Tagarelices levadas ao saturamento, sem discurso (nem mesmo) de aparência nacional.

A doutrina de subjugação nacional inspira o monopartidismo. Produz nos candidatos e seus "partidos" uma profunda veneração pelo programa único das classes contra-revolucionárias, ainda que se verifiquem entre elas choques de frações. Passado o evento, diz-se: " o brasileiro não sabe escolher, não tem memória ".

De fato, o seu programa único não pode ser interpretado abertamente para as massas. Todos prometem diminuir "despesas do Estado", mas essas despesas jamais serão reduzidas no caso da repressão, cobrança de impostos e de sustentação dos monopólios de alienação televisiva e impressa. Há unanimidade quanto as medidas de endurecimento do regime, de impostos, de sonegação de verbas para políticas de interesse público, de desnacionalização das empresas estratégicas e até do território brasileiro, de destruição das acanhadas conquistas econômicas dos trabalhadores etc., etc.

Na essência, a ditadura do latifúndio e da burguesia burocrática não foi derrotada em nosso país. Pelo contrário, se fortaleceu no processo a que os oportunistas cunharam de redemocratização. Sua proclamação política busca o linguajar do humanismo tecnocrático, "apolítico", dúbio, normativo, até que, constatada a identidade de interesses maiores acabam afirmando, todos, que os programas (a essa hora!) ainda "estão sendo concluídos". E, no entanto, são unânimes em afirmar que "uma coisa é o programa de um partido, outra é o programa de governo que deve considerar a legislação" — aquela que proíbe isso e aquilo, inclusive desapropriação do latifúndio. Mas, uma vez no governo, advém o pacto do silêncio e da mediocridade. O executivo recebe ordens prontamente transformadas em medidas provisórias anti-povo, as quais são remetidas para colegas no congresso aprovarem, aprofundando a legislação fascista. E aí basta repetir: " Uma coisa é programa de partido, outra é... "

Candidatos a prepostos

Geraldo Alkimim — agente do Opus Dei.

Propõe:

Continuísmo. Defesa cerrada das corporações monopolistas, sendo essa a utilidade das reformas propostas e do próprio Estado. Prega os licenciamento ambiental, neodesenvolvimentismo etc. O Estado é regulador a incentivador de estratégias monopolistas. Não fala em autodeterminação e independência, mas integração soberana e, abertamente, perspectiva de raça. Sua inclusão social obviamente não toca no salário e na defesa das garantias trabalhistas etc. como problema nacional. Em seu lugar, dá ênfase ao "combate ao crime organizado" (de quem?). No mais, reduzir juros, reativar Alca (nova administração e nome para o continente latino-americano). Segue a ética de costumes e de comportamento recomendada pelo imperialismo.

Heloísa Helena — agente trotskysta-clerical.

Propõe:

Continuísmo, baixar os juros (quem prometeria aumentá-los?). Tem como principal discurso a mesma ética de costumes dos sacerdotes do oportunismo. Diz fazer oposição cerrada a Luiz Inácio e professa o feminismo burguês reacionário.

Usada para equilibrar "pesquisas", funciona como um alarme inoportuno que dispara quando não há ninguém para desligar. Coerente com o fascismo, invoca o trotskysmo, chegando ao ponto de dizer que jamais houve experiência socialista no planeta. Acusações lançadas num dia são retiradas no outro. Diz que P-Sol é alternativa ao PT. Então, para que esse P-Sol?

Luíz Inácio — agente do cartel CIOSL.

Propõe:

Continuísmo com "aprofundar, acelerar e ampliar" tudo o que fez. Promete cinco metas, todas tiradas da agenda do desenvolvimentismo (defesa cerrada das grandes corporações monopolistas estrangeiras, associadas aos maiores grupos entreguistas nativos): "educação", economia entreguista, inclusão social, soberania com integração sul-americana. A exemplo dos demais candidatos, Luiz dá ênfase aos programas sociais de "combate ao crime organizado". Também venera a ética de costumes.

Hilário, Luiz Inácio se revelou bem comportado diante dos interesses do imperialismo, notadamente ianque, e do seu suporte social interno no Brasil: o latifúndio e a grande burguesia nativa. Tributo maior, o servilismo. Em uns poucos aspectos também lidera em mediocridade. Mente descaradamente. Promete (o que há de pior) aprofundar aquilo que teve quatro anos para cumprir. Revela perturbações visíveis diante de situações que não asseguram discurso monologado, mesmo diante de perguntas elaboradas para ajudá-lo. Sugere não ter exercido nenhum poder decisório no sistema de governo durante a "administração" FMI-PT.

Acumulam-se os pedidos de impeachement contra Luiz Inácio. Diante da corrupção escancarada e sintomas de fechamento do regime, a cassação de Luiz Inácio não seria um acontecimento surpreendente no segundo e infeliz mandato, tampouco a deflagração da "repressão constitucional" contra os movimentos comprovadamente populares e democráticos.

Alta malandragem por dentro

A dinâmica das campanhas eleitorais republicanas se expressou até mesmo no último gerenciamento militar. Por exemplo, apesar de (como era conhecido) partido do sim senhor o (MDB, depois) PMDB, graças à atitude decidida das massas, foi um instrumento legal por um breve tempo na luta do povo por liberdades democráticas. Seus setores progressistas chegaram a receber a colaboração de correntes democráticas e revolucionárias saídas das classes populares e mesmo de conservadores.

Portanto, ainda que sem os velhos dirigentes do movimento operário e camponês, que haviam caído em mãos da reação, no campo e nas cidades o movimento de massas ofereceu nesse período a significativa (e possível) combatividade diante do regime militar. É inegável, as Diretas Já, do ponto de vista tático, deram grande contribuição às lutas por liberdades democráticas, se revelaram oportunas e justas. Mas as Diretas Já, apresentadas erroneamente como principal impulsionador das liberdades democráticas, surgiram como prolongamento do movimento de massas, das lutas heróicas dirigidas pelos melhores filhos do nosso povo — em parte, por uma década de armas nas mãos — a quem cabe o maior mérito na luta contra o gerenciamento militar.

No âmbito da luta parlamentar, de maneira sábia e oportuna, o povo havia interrompido o voto nulo e sufragou nomes de oposição ao gerenciamento militar. E é inegável que o Esperança e Mudança do PMDB, na época, fosse várias vezes mais progressista que o programa do PT e, centenas de vezes mais em relação aos dos atuais candidatos.

Porém, desde o início do século passado, as reformas burguesas já não se aplicavam ao nosso país, tal o grau de degeneração que, há muito, tinham chegado a estrutura e a superestrutura de poder e, por fim, a incapacidade da burguesia conduzir o povo trabalhador.

O início do século 20 é marcado pela degeneração total do capitalismo no mundo, quando sua crise geral evolui para o imperialismo.

As classes dominantes nativas (latifúndio e grande burguesia), pela sua própria natureza, se associaram e aprofundaram essa associação com os magnatas estrangeiros nos negócios da terra, na indústria e no comércio. Juntas, defendendo seus interesses de classe, desenvolveram instrumentos decisivos na economia, atrelando-a, por outro lado, a sistemas que se assemelham às relações feudais e coloniais sob a direção do imperialismo que, em nossa época, são o semifeudalismo e o semicolonialismo.

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Heróis e renegados

Por exprimir os interesse mais reacionários e agressivos das classes que dominam as relações de exploração (o latifúndio, a burguesia burocrática e os magnatas internacionais), no plano político o sistema parlamentar chega à bancarrota. Essa falência do sistema parlamentar vai fazendo (re)surgir o fascismo, ou seja, o terror sofisticado do Estado, a ditadura que reprime todos os movimentos de inspiração popular e democrática, promove a censura, a militarização da vida social, a agressão constante ao povo trabalhador, lança as classes remediadas contra as massas exploradas, promove — ao mesmo tempo — a miséria e o ódio ao povo.

Sem destruir o sistema semicolonial e semifeudal essas ditaduras antipopulares e antidemocráticas sobrevivem sempre, mudando apenas de forma. Por isso, a contra-revolução instaurada no poder, em 1o de abril de 1964, permanece no poder, substituindo apenas a forma do gerenciamento militar pelo gerenciamento demagógico com apoio dos oportunistas e revisionistas. Um dos maiores instrumentos dessa farsa são as eleições de cartas marcadas.

A campanha de 1982 no Brasil foi o momento em que mais se sentiu a ausência dos velhos dirigentes assassinados pela gerência militar, em que pesassem sérias divergências na luta pela emancipação das classes oprimidas e na causa da independência nacional.

Dessa forma, as massas ficaram à mercê dos oportunistas e revisionistas, esses empregados imprescindíveis do imperialismo e da reação internacional. Além disso, aproveitando-se da passageira brisa de esperanças do processo eleitoral no período da Constituinte, o inimigo rapidamente conseguiu manobrar, por exemplo, criando cartéis oportunistas e revisionistas que operam nas direções das centrais sindicais e falsos partidos de trabalhadores, desfechando golpes de misericórdia na base de renovação combativa das massas e tantos outros na superestrura do Estado latifundiário e burocrático.

Hoje, fora dos olhos e dos ouvidos do "público consumidor", um dos problemas fundamentais dos acordos políticos é a composição no sistema de governo, com a partilha das suas áreas mais suculentas entre a burguesia burocrática e compradora — que são as frações dirigentes das classes dominantes no Brasil — sob a regência do imperialismo, principalmente do imperialismo ianque.

Os interesses da vez

O próprio golpe de 1º de abril contou com condições objetivas favoráveis, no plano da superestrutura. Mas, por fim, também ela havia formado um grande número de quadros saídos da reação, no exterior e no país, como nas escolas das correntes oportunistas e revisionistas que constituem a direção da falsa esquerda. Não se pode dizer que todo candidato a um cargo eletivo, ou um membro do congresso, seja um quadro contra-revolucionário, mas é verdade que, no processo contra-revolucionário, tais quadros se distribuíram nos mais diversos setores administrativos e nas corporações privadas, ao que não faltou o abastecimento no congresso nacional, nos sindicatos, suas confederações etc.

Dessa forma, cada gerência, desde o período militar, foi sendo substituída por outra, até a de hoje: a do FMI-PT. Portanto, na essência, a ditadura do latifúndio e da burguesia burocrática, ou seja, das classes sociais que servem de suporte interno do imperialismo, não foi derrotada em nosso país. Pelo contrário, se fortaleceu no processo a que os oportunistas cunharam de redemocratização.

As candidaturas dos grupos representados por Luiz Inácio e Geraldo Alckmin — expressão concentrada dos interesses das frações da grande burguesia nativa —, negociam, combinam e confabulam para que o controle da situação não escape das mãos dos verdadeiros "poderosos", numa trama e pacto torpes contra o povo e a nação, a exemplo das CPI's e mais CPI's de entretenimento.

A bola da vez, antes de tudo, não é Luiz Inácio ou Alckmin. Os interesses concretos das frações que representam são administrados por quadros saídos dessas classes e do imperialismo, quer dizer, por profissionais contra-revolucionários originários dessas classes. Outros profissionais são cooptados das classes subalternas, corrompidos ideologicamente até se tornarem aptos para servir a essas frações.

As classes reacionárias advogam que a História é feita pelas personalidades. Tudo é decidido pela vontade desse ou daquele homem que tem talento para governar, para liderar. Mas isso é uma grande mentira.

O papel de cada personalidade é importante, porém o decisivo é a ação das massas. Quanto mais consequente é a ação das massas, mais decisiva se torna a existência de verdadeiros partidos e de comprovados chefes.

Em geral, por que uma personalidade, que seja verdadeira expressão política, age (ou agiu) de uma maneira e não de outra? Cientificamente a resposta encontrada é que a marcha da história não é determinada pelas idéias e aspirações das personalidades, mas pelo desenvolvimento do modo de obter os bens materiais que as classes sociais, as nações e os povos necessitam para prosseguir sua existência. Isso é mais forte que as personalidades, partidos e classes, principalmente daqueles que se opõem à marcha da História.

Quando as classes reacionárias, como o latifúndio e a grande burguesia — que vivem às custas do povo, sem nada produzir, roubando, prendendo e matando — impõem a sua vontade, elas as fazem através das suas idéias, de seus partidos e de seus chefes, porque essas são as idéias, os partidos e os chefes que expressam os interesses dessas classes. As classes exploradoras querem que o povo acredite que essas idéias, partidos e personalidades são de todo o povo. E que também o povo acredite que a História acabou.

Contradições e diferenças

Portanto, é necessário conhecer os verdadeiros interesses das classes anti-povo e as que constituem o povo, as verdadeiras atribuições e distribuição de quadros que servem ao aparelho de Estado e de governo etc.

Determinadas contradições são apenas aparentes, não afetando em absoluto o status . São situações que deixam o monopartidismo característico do sistema vigente (várias legendas, um só partido) exposto, ao mesmo tempo em que há disputas de frações. Ao aprofundar-se a crise dos negócios imperialistas, aprofunda-se a crise da administração imperialista, advém desavenças entre classes do seu campo, frações e grupos do poder.

No desmoralizado congresso, as disputas por representações de monopólios fazem com que grupos sabotem projetos de sua própria classe. Lideranças traem suas própria classes na busca de interesses imediatos, como Luiz Inácio, uma vez indicado para representar a burguesia compradora, "acidentalmente" se vê obrigado a defender situações que não favorecem o agronegócio. Dizendo-se inocente ou não, traiu uma fração, enquanto que, durante todo o tempo, exerce a profissão de destacado traidor da classe operária e do povo.

As mesmas classes dominantes favorecem, num momento, as importações, numa maquinação da fração compradora, enquanto que, em outra situação, favorecem a subida de taxas de juros, uma maquinação da fração burocrática. Um partido determinado comporta vários grupos ligados às frações diferentes.

Os negócios de Estado, que para as classes dominantes são os seus interesses privados, acabam se submetendo aos interesses de grupos. Quase nada parece ser decidido no Congresso (ver acordo de "lideranças"), que atua como casa homologatória. Em alguns momentos, os candidatos (embora neguem) apelam para aumentar ou diminuir taxas de juros, que dizem respeito aos interesses de uma fração, buscam dar ênfase a determinados aspectos da política externa etc., reivindicações que chegam às vezes ao desespero, com choques constantes ou passageiros, mas que tendem a se acomodar diante dos interesses maiores do anti-povo.

As várias legendas e a luta de interesses dos grupos de poder, de representantes cooptados etc., forma o painel da grande confusão de "partidos" e alianças inesperadas. A direita mais empedernida diz ser esquerda, usa sigla de partido democrático, socialista e até comunista, num quadro espúrio onde só tem direita.

É claro que algo tem que personificar as classes e sistematizar os seus interesses. Para isso existem os partidos, os programas políticos e os chefes. Porém, quanto maior é a opressão que exercem as classes exploradoras, mais ocultos são os seus partidos, programas e chefes, embora estejam no poder. Muitos dos verdadeiros chefes das classes dominantes sequer visitam o Brasil, mas nomeiam prepostos (entre os quadros contra-revolucionários) com diferentes atribuições no sistema de estado e de governo, quadros que se submetem ou não ao processo eletivo.

Todas essas classes reacionárias se defendem mistificando o panorama político e, por isso também, nunca exploraram tanto quanto agora os interesses religiosos do povo.

Sem a apresentação de candidatos, a farsa da concorrência eleitoral não poderia ser montada. No entanto, por mais paradoxal que pareça, não só existe o programa único das classes reacionárias, como as disputas internas acirradas entre elas.

As classes reacionárias, sob a tutela do imperialismo, unem-se contra o povo, num só programa e partido (com várias legendas), mas disputam os interesses de cada classe, fração e grupo. O limite tolerável das disputas está nos interesses de classe e na disciplina que precisa ser imposta a todos. Para isso existe o Estado dirigido pelos seus quadros, com todos os seus mecanismos e leis, como o principal instrumento que impõe a ordem de exploração não permitindo as revoltas das massas exploradas.

Sai de baixo, eleitor

Mais que um espetáculo bufo, show de hipocrisias, cinismos e mentiras em que o povo trabalhador é insultado e toda a nação humilhada, hoje o sufrágio universal burguês busca eternizar a desesperança, a frustração sem fim, a idéia de que o Brasil não tem jeito. Esse sufrágio é universal para atender sua democracia representativa, ou seja, a democracia das classes exploradoras que fingem representar os explorados. Daí a expressão cretinismo parlamentar, que diz representar interesses de classes antagônicas.

É certo que não devemos abandonar os parlamentos nem os sindicatos. No entanto, os oportunistas colocam tudo na conquista de votos em eleições e parlamentos inteiramente sob o jugo do imperialismo e da reação interna, alegando ser essa a forma do povo trabalhador chegar ao poder. Mas essa é a maneira de perpetuar parlamentos e sindicatos reacionários, dos renegados da classe operária chegarem ao poder, como fez o senhor Luiz Inácio e demais "companheiros", os mesmos que chamam a polícia para prender, espancar e até assassinar grevistas e camponeses diante da causa mais justa.

Então, como votar, mesmo "naqueles que não fazem mal a ninguém", se o momento é o de dar uma resposta contundente à traição nacional? Os candidatos a prepostos coloniais são apresentados como personalidades protagônicas ("com defeitos, não negamos, mas com bons propósitos e sentimentos patrióticos. Vota, Brasildizem os sacerdotes da alta malandragem), enquanto que as massas, que fazem a história, são apresentadas como um instrumento coadjuvante, ignorante, sem futuro. Enfim, um malabarismo que pretende contrariar a ciência e inverter os papéis sociais da História.

Não há dúvida, há dois brasis em questão e certamente o nosso não é o Brasil empresa subsidária dos ianques, uma arma ideológica para enganar o povo e mascarar interesses pérfidos. O nome de nossa pátria não pode ser confundido como uma logomarca dos grandes bandidos latifundiários, especuladores, banqueiros, com o governo do USA e seus negócios.

O Brasil, para o seu povo, representa um dos sentimentos mais profundos por séculos consagrado na consciência social das massas, que coincide com os desejos de emancipação das classes oprimidas e a independência nacional.

Com efeito, a exploração dos trabalhadores, levadas às últimas consequências com as "desregulamentações" e pilhagem dos direitos duramente conquistados em décadas de lutas, chegou ao limite do suportável. O desemprego instalou-se de vez como uma ciranda de desgraças que abate dezenas de milhões e lança na desesperança outros tantos no contingente jovem. A repressão e a brutalidade do Estado sobre o povo e suas organizações, ademais das práticas cruéis de praxe, tomou as formas do fascismo sofisticado e a putrefata corrupção alastrou-se por todo organismo estatal nas mais diferentes instâncias.

Os de cima asseguram que amanhã será menos pior se o povo votar, menos pior se não houver indignações. Afirma que os movimentos populares ameaçam a democracia e que as instituições estão apenas manchadas. A gerência diz que essa administração foi a que mais prendeu ricos. Mentira. Foi a que mais soltou, enquanto que a corrupção denunciada é a parte da pilhagem autorizada para denúncias, porque ninguém é cassado por ter traído a nação.

Afinal, o que são os "mensalões", sanguessugas etc., diante do arrendamento da Amazônia, da entrega de empresas estratégicas, das reservas em minério e principalmente, a entrega do nosso povo ao mais vil explorador do trabalho humano para empresas imperialistas e associadas? O próprio congresso pune por falta de decoro a arraia miúda, ordena prisão a um não corporativo, mas sequer é chamado às falas um presidente de transnacional quando debocha de uma CPI e de seus membros.

A estrutura do Estado podre começa a estalar. Os de baixo não podem mais suportar os de cima. As explosões espontâneas, que aparecem como tendência principal, se sucedem no campo e na cidade. O país está em greve e muitos desses movimentos não são monitorados pelos oportunistas, mas se apresentam consequentes e, embora sujeita a fluxos e refluxos, há uma situação revolucionária em desenvolvimento.

Por fim, apesar de toda a intoxicação, de toda tempestade de contra-informação e insultos a que submetem o povo, mais que em qualquer outra época de nossa história, o povo em grandes massas vai responder as eleições farsantes (aumenta, em cada apuração eleitoral, a quantidade de votos nulos, brancos e rejeições), porque fermenta como necessidade premente a busca da sua libertação.

Na campanha eleitoral, tal como está armada, quem sai ganhando é o Estado que deseja as eleições visando legitimar o endurecimento do regime, nunca a consolidação dos interesses, os mais justos e legítimos, do povo brasileiro.

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