O povo do Iraque vingará o presidente Saddam e todos os heróis da resistência

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Da esquerda para a direita: Marcelo Tavares, José Gil, Carla Regina e Gilmar Filipack

O Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Iraque — Curitiba, fundado em 1989, trabalha desde então na divulgação de informações sobre o Iraque, imprimindo jornais, cartazes e folhetos. O Comitê apóia a autodeterminação dos povos, em particular, a heróica resistência iraquiana, que impõe a retirada incondicional de todas as tropas estrangeiras do país.

Ouvir atentamente o Comitê, que reúne inúmeras informações sobre a heróica resistência iraquiana, é algo necessário precisamente no momento em que o oportunismo e sua imprensa de “esquerda” cumprindo ordens do imperialismo, ataca sistematicamente todos movimentos de independência nacional e as lutas de emancipação das classes oprimidas no mundo inteiro. O último exemplo é o linchamento do presidente Saddam.

Nos sítios da internet, precisamente naqueles em que fazem ponto os intelectuais da falsa esquerda, uma enxurrada de comentários corre em defesa do inimigo, auxiliando a reação imperialista. Exemplo: calúnias dirigidas contra a personalidade do presidente Saddam. Sequer o reconhecem como o dirigente máximo do Iraque (legítimo, por sinal, eleito com mais de 90% dos votos, na mesma época em que o bandido Bush acertava sua primeira eleição à base de acordos vergonhosos), e oficialmente feito prisioneiro de tropas invasoras e genocidas. Os oportunistas fazem-se de desentendidos, “esquecendo” o fato de que os invasores lincharam não apenas um patriota de nome Saddam Hussein, mas acima de tudo o presidente legítimo do Iraque, como mais um recurso para tentar — inutilmente — submeter o heróico povo iraquiano.

É grande o número de “progressistas” que preferiu tratar o presidente Saddam como uma fera destituída de poder, que todavia “não deveria ser executada na forca” (o problema é a execução ou a forca?), desconhecendo suas razões, como se os advogados (e ele) não tivessem desmascarado, uma a uma, as acusações que lhe foram dirigidas. Mais do que isso, não tivesse colocado o exército imperialista, o tribunal fantoche e todos os seus lacaios, no Iraque e no mundo inteiro, no mais justo e desprezível lugar da história. Assim se conduzem porque preferem se vender “por um prato de lentilhas” a reconhecer a luta de independência dos povos e o direito à autodeterminação das nações. E a contradição principal no plano internacional que é o imperialismo e as nações por ele oprimidas em todo o mundo.

Nesta oportunidade, apresentamos uma entrevista com Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Iraque — Curitiba—, com a participação dos membros: José Gil de Almeida, presidente do Comitê, jornalista e escritor, diretor do Jornal Água Verde, de Curitiba; Marcelo Tavares, estudante, membro do Movimento Democracia Direta, do Paraná e Carla Regina, funcionária pública.

AND — Qual a posição adotada pelo Comitê diante desse pavoroso crime — entre tantos cometidos pelo imperialismo ianque contra os povos e que atenta flagrantemente contra o direito internacional — que foi o linchamento do presidente Saddam, conseguindo reunir a um só tempo as humilhações perpetradas contra um chefe de Estado legitimamente mantido pelo seu povo, desde a sua captura, passando pela tortura, até a censura mais brutal que atingiu os seus pronunciamentos, incluindo a proibição de uma declaração final?

José Gil — O assassinato do presidente Saddam Hussein foi um ato covarde e estarrecedor. O imperialismo norte-americano, o governo George W. Bush é o responsável direto por mais um crime contra toda a humanidade. Os norte-americanos terroristas invadiram o Iraque, diariamente promovem massacres da população civil, e chegaram a ponto de promover o linchamento de um presidente eleito democraticamente pelo povo árabe do Iraque. Este caso demonstra que o imperialismo norte-americano é o que há de mais bárbaro, selvagem e atrasado em nosso planeta. O nosso Comitê enviou uma carta ao presidente Saddam Hussein, 6 horas antes de seu assassinato, para jornais do Egito, Jordânia, Líbano e resistência iraquiana. Nesta carta, nós transmitimos ao presidente Saddam a admiração do povo brasileiro pela sua firmeza e coragem frente aos invasores de seu país, como também elogiamos sua dignidade. Lembramos os períodos de parceria comercial, política e cultural entre Brasil e Iraque. Finalizamos afirmando que o povo iraquiano vencerá, e que o imperialismo norte-americano pagará um preço muito alto pelos crimes que pratica no Iraque ocupado.

AND — Para nós, está claro que — desde o momento em que o imperialismo decidiu publicamente destruir o Iraque — o presidente Saddam passou a defender o direito à autodeterminação de seu povo e dos demais povos. O Iraque tem o direito de ser livre — coisa que o imperialismo não reconhece, partindo do Iraque ou dos povos do mundo inteiro. Por acaso, o povo iraquiano, o palestino e todos os demais povos que usam do seu direito inalienável de escorraçar o imperialismo para fora de suas fronteiras, acima de tudo, não estão defendendo os povos do mundo inteiro?

Marcelo Tavares — Sim. É um direito inalienável dos povos de lutar pela liberdade. Infelizmente, o mundo vive a ditadura do imperialismo, que monopoliza o conjunto da imprensa mercenária. Todos os dias os meios de comunicação repetem mentiras fabricadas no Pentágono e em Telaviv. O povo do Iraque e da Palestina tem o direito de lutar de todas as formas, com todas as armas, para defender sua terra e sua população.

AND — O presidente Saddam, que negou entregar o Iraque ao imperialismo ianque, em algum momento pediu exílio? (De sua família, apenas as filhas — Raghd, 38 anos, e Rana, 34 anos — encontram-se exiladas na Jordânia.)

Carla Regina — Todas as informações que recebemos da resistência iraquiana revelam que Saddam foi um herói até o fim. Seus filhos tombaram no campo de batalha lutando contra o inimigo invasor. Saddam também morreu lutando. Em nenhum momento ele se curvou ao imperialismo. A família de Saddam Hussein prestou uma grande contribuição à história da humanidade no sentido de mostrar firmeza, valentia e coragem.

AND — A decisão dos dirigentes, oficiais e soldados do exército iraquiano — inclusive, anterior à invasão final e massacre — não foi justamente a de se integrar ao povo (ainda que certos dirigentes do exército tenham traído a causa) e todos esses patriotas desencadearam a guerra de resistência quando o imperialismo anunciou que a guerra havia terminado? Nessas condições, não é verdade que o presidente Saddam não tenha sido encontrado “num buraco” (à maneira do que diz a CIA), mas numa trincheira, como um militar honrado?

José Gil — Nós temos informações da resistência iraquiana demonstrando que Saddam foi capturado em uma chácara após travar combate de mais de 2 horas com as forças invasoras norte-americanas. Somente quando sua munição esgotou foi capturado. Todo aquele teatro da prisão de Saddam em um buraco é uma prática do governo norte-americano ao longo da história. A mentira é a Bíblia da administração Bush. Khomeini tinha razão quando dizia que “o demônio governa os Estados Unidos”.

AND — Dias antes, seus filhos, também membros da resistência, foram capturados e cruelmente trucidados. Orgulhosamente seus assassinos exibiram (ante as câmaras do monopólio mundial dos meios de comunicação) pedaços dos corpos dos filhos de Saddam, mutilados pela CIA — Uday e Qusay—, em 22 de julho de 2003, depois de capturados em Mosul, norte do Iraque, sendo que nessa data também foi assassinado o filho adolescente de Qusay, de 14 anos. Que “governo” protestou energicamente contra isso ou sequer obrigou as repetidoras de seu país, pela parte que lhes tocava, a pedir desculpas ao povo iraquiano por repetir as calúnias do imperialismo ianque?

Marcelo Tavares — Não sabemos de nenhum governo que tenha assumido publicamente a defesa da verdade neste caso, e na maioria dos casos que envolvem o imperialismo. Nenhum governo se manifestou para não dar pretexto ao imperialismo norte-americano. Esses bárbaros assassinos buscam pretextos, buscam motivos para atacar os demais povos e nações para roubar suas riquezas naturais. São ladrões de petróleo simplesmente. Os filhos de Saddam são mártires da luta de libertação do povo iraquiano. A propósito, me parece que o José Gil trocou alguns e-mails com o Uday meses antes que ele tombasse em combate.

AND — E o que transmitiu para o nosso povo o patriota Uday?

José Gil — O Uday visitava regularmente o Ministério de Informação do Iraque e cheguei a trocar algumas mensagens com ele. No início ele se mostrou admirado com a existência de brasileiros solidários com a causa do Iraque, formando Comitê e trabalhando na divulgação da verdade. Nós recebíamos na época muita informação de ex-diplomatas iraquianos, que foram assassinados pela CIA e pelo Mossad nas semanas que se seguiram à ocupação do Iraque. O Uday agradeceu aos brasileiros a solidariedade e o apoio, e escreveu em sua última mensagem que a luta do povo iraquiano seria vitoriosa, não importava o tempo que passasse. A opinião que tenho sobre o Uday é de um jovem patriota, honrado, amante da justiça e da verdade, e que deu seu sangue e sua vida pela libertação de seu país.

AND — Em seguida, repetiram-se outros linchamentos — o de Al Hassan (meio irmão de Saddam) e de Awad Al Bandar (um ex-juiz). Novamente, o que faz a gerência “brasileira” nesse sentido? Preparou sequer uma nota de pesar? Como se comportou diante desses novos linchamentos?

Carla Regina — O governo brasileiro silenciou e vai silenciar diante de tantos outros, porque esta é a sua política secular. A diplomacia brasileira sempre atuou em cima do muro. O governo Lula não tem a coragem de um Hugo Chavez para dizer a verdade na cara dos norte-americanos. Com certeza outros iraquianos serão perseguidos, presos, torturados e linchados em seu próprio país, porque esta é a prática do imperialismo.

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AND — Além das torturas contra membros da heróica resistência iraquiana, comprovadas e fartamente denunciadas no mundo inteiro, também o presidente Saddam foi torturado e humilhado, pública e diariamente, durante todo o tempo em que esteve detido, culminando com o vil linchamento. A cada calúnia nos tribunais, o presidente Saddam respondia com acusações indefensáveis. Mas o que fizeram de grande parte das suas palavras? O que apareceu registrado no monopólio mundial da imprensa de tudo o que ele disse em defesa do Iraque e da heróica resistência iraquiana? Por acaso o presidente Saddam não foi linchado exatamente porque urgia a necessidade de pôr um fim ao seu julgamento, uma vez que os processos contra ele remontam a história das ciladas tramadas e das agressões do imperialismo ao Iraque e a todos os povos dos chamados Oriente Médio e Próximo, durante décadas, ininterruptamente?

José Gil — O presidente Saddam Hussein foi linchado exatamente por esses motivos, por desafiar o imperialismo ianque, por defender o povo do Iraque. Todo o processo criminal instaurado contra ele foi uma farsa, e por isso diversos “juizes” foram trocados, e três advogados de defesa foram assassinados no decorrer da grande farsa chamada de julgamento pela imprensa ocidental prostituta. No tempo de prisão, Saddam foi torturado por norte-americanos e por iraquianos traidores, mas ele se portou como um verdadeiro herói, e não se submeteu aos imperialistas. Seu exemplo de resistência e luta é uma bandeira de glória tremulando na história da humanidade, eternamente.

AND — São flagrantes e constantes as irregularidades cometidas durante o processo movido contra o presidente Saddam. Aí estão: a ocultação de provas da defesa; expulsão dos advogados de defesa da sala de julgamentos (e sua prisão domiciliar); aceitação de declarações de criminosos de guerra (como as de Bush Maluco) na condição de peça do processo defendendo a execução; substituição arbitrária de quatro dos cinco juízes iniciais; não aceitação de provas chaves da defesa; intimidação de testemunhas etc.

Carla Regina — Uma verdadeira farsa. Um verdadeiro circo montado para enganar pessoas ingênuas, desinformadas pela grande imprensa. O papel ridículo desempenhado pelos “juizes” que lincharam o presidente Saddam é uma vergonha, é mais uma página de miséria e barbárie escrita pelo governo ianque.

AND — O mundo inteiro tomou conhecimento de que três advogados do presidente Saddam foram assassinados durante os “processos”. Que implicações têm isso para a defesa dos prisioneiros de guerra de todos os países atacados pelo imperialismo ianque?

Marcelo Tavares — É uma prova concreta de que tudo foi uma farsa sem limites, uma grande palhaçada, um grande circo montado pelo governo Bush para iludir e enganar os povos de todo o mundo. Entretanto, as pessoas que tem raciocínio próprio, que tem opinião própria, sabem que tudo foi uma farsa, e como tal deve ser rechaçada.

AND — Por mais que o monopólio mundial dos meios de comunicação dirigido principalmente pelo USA falem de governo iraquiano, hoje não existe nenhum governo iraquiano, senão que o governo de uma entente sob a hegemonia do imperialismo ianque. Nada do que os lacaios do imperialismo fazem é legítimo. A farsa que culminou com o linchamento pretendeu ser apresentada como que precedida por um julgamento, cujos excessos não poderiam ser atribuídos ao imperialismo, mas ao suposto governo iraquiano e que isso pouco importava já que na versão monologada da imprensa fascista mundial o “ex-ditador Saddam era de fato um sanguinário” etc. No entanto, a necessidade de se livrarem do presidente Saddam fez com que os impostores interrompessem outros julgamentos movidos contra ele. O objetivo jamais foi o de apurar e julgar o presidente Saddam, mas matá-lo na tentativa de apagar provas e humilhar a resistência. Isso não é evidente?

Carla Regina — Desde o início esse falso julgamento tinha como objetivo legitimar o assassinato de um presidente democraticamente eleito pelo seu povo. O governo do Iraque é o governo do presidente Saddam Hussein. Os impostores que foram colocados em cargos fantoches pelo imperialismo norte-americano para julgar o presidente Saddam são traidores da pátria, traidores do povo iraquiano, traidores dos povos árabes e de todos os povos do mundo. Quando as autoridades nomeadas pelo imperialismo norte-americano falam em nome do povo do Iraque, temos vontade de vomitar.

AND — O imperialismo moveu uma guerra de agressão contra o Iraque. A ameaça contra a humanidade, atribuída ao governo do presidente Saddam, foi desmascarada inteiramente, antes de o imperialismo desencadear o massacre contra o povo iraquiano. Saddam jamais foi ditador demente, inimigo público número um. Que bombas biológicas, químicas ou nucleares tinha Saddam, fato desmentido até pela ONU, antes de iniciarem os massacres? Por acaso não está provado que essas qualidades são próprias dos dirigentes ianques, cujas atrocidades são fartamente conhecidas desde a Segunda Guerra Mundial?

José Gil — Os militares norte-americanos são os melhores alunos de Hitler. Eles aprenderam que uma mentira mil vezes repetida pode confundir muita gente. E ao longo da história de massacres, torturas e guerras dos norte-americanos, essa prática se repetiu e se repete diariamente. Essa barbárie praticada pelos norte-americanos ao longo dos séculos, vai levar a um tempo tenebroso para todos eles. Chegará um tempo em que cada norte-americano será caçado como fera em todos os países do mundo, o que será muito ruim porque a maioria do povo norte-americano não concorda e não apóia as atrocidades praticadas pelo seu governo. Infelizmente existe uma indústria bélica muito poderosa nos Estados Unidos, que controla a mídia, os políticos e as lideranças. É o governo da corrupção generalizada, da indústria petrolífera a serviço da indústria bélica. É uma aberração política que trará no futuro muito sofrimento para o povo norte-americano.

AND — O tribunal iraquiano é fantoche, além de assassino, tanto quanto a administração e o atual exército que se dizem iraquianos. O Congresso ianque liberou 128 milhões de dólares para organizar o “tribunal”, sob as ordens do criminoso de guerra Paul Brener III, ex-chefe da entente fascista no Iraque, o mesmo tribunal que não tem jurisdição para julgar nenhum crime cometido pelo exército ianque nem das forças imperialistas auxiliares. Diante disso, como se pronunciaram os representantes na ONU, a começar pelo atual pelego sul-coreano?

Marcelo Tavares — A Organização das Nações Unidas não passa de outra grande farsa montada pelos vencedores da Segunda Guerra, sob o controle dos Estados Unidos da América, para explorar e saquear os outros povos e nações. O novo secretário geral da ONU, o fantoche sul-coreano, é um cachorrinho a serviço do imperialismo. Desta vez a ONU foi desmoralizada em seu mais alto grau, não restando nem cinzas. É um lixo, uma farsa que serve apenas para governantes nomearem parentes e amigos com altos salários. Ao financiar o tribunal iraquiano o governo Bush comprou o veredicto, isto é, o linchamento de um presidente.

AND — A Constituição, ainda vigente no Iraque, não permitia a execução. A que foi rascunhada pelo imperialismo existe contrariando o Direito Internacional que proíbe a mudança da Constituição de um país ocupado. Que “governo soberano” levantou sua voz contra isso?

Carla Regina — Pelo que nós sabemos até agora, somente Fidel Castro e Hugo Chavez criticaram abertamente a política norte-americana no Iraque ocupado. Para matar, torturar e assassinar, os imperialistas norte-americanos passam por cima de tudo e de todos, passam por cima das leis, passam por cima da honra, da decência, da dignidade. Eles são canalhas criminosos.

AND — Em 2003, enquanto o monopólio mundial dos meios de comunicação “mostrava a guerra” a partir apenas de uma imagem externa nos arredores de Bagdá, as tropas assassinas do imperialismo invadiam o Iraque, queimando, matando e roubando tudo que encontravam pela frente. A partir daí, essas tropas de jagunços assassinam, saqueiam as riquezas naturais, toda a produção e violam o patrimônio histórico cultural do Iraque. Fizeram retornar àquele país irmão os piores criminosos, instituíram a anarquia, os esquadrões da morte. Do roubo, do genocídio, da escravidão, do terror fizeram a lei. Reduziram o Iraque à condição inferior a de um protetorado. Que país protestou energicamente contra essa agressão? Mesmo antes, que “governo” se notabilizou contra o embargo, a importação de alimentos, de produtos fármacêuticos e médicos, ou contra 25 ataques diários do imperialismo durante terríveis 12 anos?

José Gil — Que eu saiba, até o momento, apenas Cuba e Venezuela têm dito a verdade, mas os meios de comunicação ocidentais censuram e repetem a ladainha dos criminosos do Pentágono. O Iraque é um país que teve sua soberania violada, foi covardemente atacado. Sua população está sendo massacrada todos os dias e parece que a opinião pública mundial está anestesiada. Surgem diversos movimentos de solidariedade ao Iraque na maioria dos países do mundo, mas nada muito forte e efetivo, como o momento histórico requer. Deveríamos formar um movimento internacional muito forte, promovendo boicote a todos os produtos de origem norte-americana, deixando de abastecer carros em postos da Esso e Shell, que são os grandes aliados no roubo de petróleo iraquiano. Através de uma grande mobilização mundial poderíamos preparar o enfrentamento a essa política terrorista da administração Bush.

AND — Desde a última invasão, sem perda de tempo os centuriões da entente vêm assassinando líderes das minorias nacionais para que os traidores assumam os seus lugares e proclamem uma interminável guerra de dispersão como forma de ampliar a sabotagem contra toda e qualquer ação da resistência. O que tem sido o choque de facções religiosas senão que parte dessa guerra de dispersão, que promove a confusão entre nacionalidades e grupos religiosos para ocultar a luta pela autodeterminação das nações?

Marcelo Tavares — Está em curso hoje no Iraque e na Palestina a mesma política norte-americana de promover divisões internas. Os carrascos de Saddam Hussein falavam o tempo todo em nomes de lideranças shiitas no Iraque, com o único propósito de acirrar a divisão entre sunitas e shiitas, para que a tarefa dos invasores seja mais fácil. Eles querem destruir o Iraque e seu povo, e neste sentido investem na divisão do país, no acirramento das diferenças religiosas. O mesmo acontece na Palestina, onde o governo racista sionista tenta jogar membros do Hamas contra membros do Fatah. São estratégias de guerra, nada mais. O povo do Iraque e o povo da Palestina saberão reconhecer seus verdadeiros inimigos, os invasores, para vencê-los e derrota-los.

AND — Determinados “governos” —gerências — prepostos do imperialismo, foram (e continuam sendo) mais submissos do que outros, variando apenas nos comentários pudicos, porque muito mais do que embargos contra o imperialismo se impunha (e se impõe) a exigência — de que país for, ainda que individualmente — de retirada imediata das hordas fascistas dirigidas pelo USA., tanto mais a Organização das Nulidades Unidas fala de paz e homologa a destruição das nações. Por que essa exigência dos movimentos de massa, que mobilizou milhões em 2003, em todo o mundo, foi interrompida?

Carla Regina — Acredito que a opinião publica mundial está preparando uma grande resposta às catástrofes humanitárias perpetradas pelos norte-americanos em todo o mundo. Podem me chamar de otimista, mas penso que nos próximos meses teremos muitas manifestações em diversos países. Entretanto, existe grande lavagem cerebral na imprensa ocidental. No passado, durante a ditadura militar, havia a imprensa alternativa, mas hoje é muito pequeno o número de jornais como o A Nova Democracia, que publica a verdade dos fatos.

AND — O linchamento do presidente Saddam foi tão evidente, mesmo antes de se divulgar as imagens da fúria com que o trataram, que essas chancelarias desmoralizadas (incluindo a “brasileira”) se viram forçadas a despachar evasivas em formas de notas diplomáticas. Alguns “governos” se manifestaram dizendo que a execução “não resolveria o problema”, como se o problema fosse a forca, ou que a (má) escolha da data do assassinato sugerisse “novos tumultos”, “novas ondas de violência”, de acordo com que a CIA manda dizer na TV. Por acaso, a denúncia contra esses governos submissos não deve ser definitiva e cabalmente levada às ruas? Não se deve exigir da gerência FMI-PT sanções severas e urgentes (e mantê-las) contra os que promovem a agressão ao Iraque enquanto não procedem a imediata retirada das suas hordas assassinas?

Marcelo Tavares — Nós esperávamos que o governo do PT fosse mais soberano, mais coerente com o seu passado. Entretanto, o partido se dobrou ao peso da governabilidade, aos compromissos internacionais com o imperialismo. A verdade é que o governo do PT não tem autonomia, não tem força nem apoio popular para enfrentar o governo Bush. Não tem força nem mesmo para lançar uma nota diplomática digna e honrada. Fizeram o jogo da maioria dos países do mundo, de buscar desculpas, tergiversar, tentar esconder o óbvio. Houvesse soberania nacional, houvesse liberdade de imprensa, houvesse justiça, os povos sairiam às ruas para protestar contra mais este crime hediondo praticado pelo governo norte-americano no Iraque.

AND — Ao sabor dos fluxos e refluxos das ações do imperialismo, o monopólio mundial da imprensa fascista se desmente e se desmoraliza a cada dia. Em nosso país, as repetidoras (televisivas ou impressas) dos órgãos de repressão mundial, sem o menor pudor redistribuem as campanhas terroristas do imperialismo. Profissionais da intriga e da difamação assinam sua própria condição de terceirizados da CIA e de propagandistas da guerra de agressão contra os povos do mundo inteiro. Por acaso, não se deve denunciar o executor e o mandante? Não se deve exigir dos tais sindicatos e associações profissionais (e da sua tão decantada ética), um mínimo de honra e compromisso com o povo, denunciando as ações criminosas desses profissionais? Senão, quando nos oporemos ao fascismo?

Carla Regina — A chamada grande imprensa é uma prostituta a serviço do imperialismo norte-americano. Isso diz tudo. Os grandes meios de comunicação estão a serviço da mentira, da intriga, da sujeira televisiva. Felizmente eu não estudei jornalismo, porque teria muita vergonha dos meus companheiros de profissão, com raras e honrosas exceções. Os grandes jornais, e até os pequenos, os canais de televisão e rádios, mentem 24 horas por dia, todos os dias do ano, como se a mentira fosse uma religião ou algo parecido. A “mídia” ocidental é um lixo. A oriental é submissa aos governos de plantão. E com isso, o mundo se mantém desinformado, enganado, e as pessoas ficam com a sensação de que vivem em outro planeta. A verdade é que o imperialismo norte-americano é terrorista, deveria ser preso e julgado pelos crimes que praticam hoje e que praticaram nas últimas décadas. Mas isso não acontece, e o que é mais lamentável, a grande imprensa condena a vítima e elogia o criminoso.

AND — A maior precisão de solidariedade dos povos ao povo iraquiano só pode residir no fato de concentrar todo o apoio aos pontos que refletem os mais concretos clamores da heróica resistência, e esses são os pontos programáticos. O programa divulgado pelo Partido Baath [Árabe Socialista] e sua resistência — ou os pontos defendidos pelas diferentes organizações que se apresentam ao mundo e formam entre si o mais consequente e coincidente programa patriótico da Frente Única do grande povo iraquiano — nos parecem ser a forma mais justa, objetiva e oportuna de defesa da independência iraquiana.

José Gil — Todas as correntes, facções, exércitos e movimentos que integram a resistência iraquiana merecem o nosso apoio e solidariedade. Todos eles lutam pela libertação do Iraque ocupado, e ao permanecer firmes e destemidos nesta luta, estão lutando também pela libertação da Palestina e do Afeganistão. Independentemente de opção religiosa, de ser xhiita ou sunita, o fundamental é concentrar esforços na luta contra as tropas estrangeiras que estão no Iraque. Assim que essas tropas forem rechaçadas, vencidas, caberá ao povo iraquiano, de forma soberana, com o país libertado, decidir o seu futuro. Não cabe aos norte-americanos e ingleses dizer e impor o que é melhor para o Iraque. Somente o povo iraquiano sabe o que é melhor para o Iraque. As forças democráticas de todo o mundo precisam se unir em uma grande corrente de solidariedade ao povo iraquiano, ao povo palestino, ao povo afegão. É uma grande covardia o que os imperialistas estão fazendo nestes países. É a barbárie sem limites. É o terrorismo de Estado praticado em sua mais recente face. Os verdadeiros terroristas do mundo são os militares norte-americanos, a administração Bush, o governo britânico, o governo sionista de Israel. Estes sãos os verdadeiros terroristas da humanidade, jamais os povos e movimentos que lutam por libertação, que são heróis, são honrados e dignos.

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