USP: histórica ocupação

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Estudantes e professores em assembléia
no dia 8 de maio na FFLCH, USP

Em uma Assembléia Geral dos Estudantes no dia 3 de maio os alunos da Universidade de São Paulo (USP) deflagraram greve e ocuparam a reitoria da universidade, em São Paulo. Eles protestam contra o decreto do governador José Serra (PSDB), que torna as três universidades estaduais paulistas diretamente ligadas ao governo e veta o aumento de verba para as universidades.

Os decretos definem as universidades como órgãos submetidos às secretarias estaduais, ou seja: as contratações, pagamentos, manutenções, ampliações e qualquer tipo de atitude adotada pela universidade seriam submetidas à aprovação do governo.

Os funcionários, que também reivindicam reajuste salarial, aderiram à greve em 19 de maio. Os professores decretaram greve no dia 23. Os funcionários do campus de Lorena participaram da greve até o dia 16, apoiados pelos estudantes. Os técnicos do campus de Piracicaba aderiram à greve no dia 17 e os professores paralisaram as aulas no dia 23. Estudantes do campus de São Carlos aderiram ao movimento no dia 22. A greve também se estende ao campus de Ribeirão Preto.

A Universidade de Campinas (Unicamp) aderiu à greve no dia 23 e todos os 23 diretores de unidades de ensino assinaram um manifesto em que pedem mudanças nos decretos do governador José Serra. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), os estudantes do campus de Rio Claro também decretaram greve. Foram seguidos pelos estudantes da Unesp-Marília, que ocuparam o prédio administrativo da unidade, em 15 de maio. Os professores da Unesp paralisaram as atividades no dia 24. Também deve aderir ao movimento o campus de Bauru.

No dia 16 de maio, a liminar de reintegração de posse, solicitada pela reitoria da USP, foi concedida. Desde então, os mais de mil manifestantes que ocupam a USP vivem a iminência do despejo violento.

Por diversas vezes, ambulâncias e veículos do corpo de bombeiros se posicionaram na frente da reitoria indicando possível invasão da tropa de choque, em um sinistro ritual de intimidação aos estudantes. A Polícia militar está a postos e afirma que pretende "usar a força na medida da energia necessária e da força física necessária, de acordo com a resistência dos alunos" para cumprir a liminar. Na assembléia realizada no dia 22 de maio, os sete mil estudantes presentes se preparavam para enfrentar a polícia.

Em 31 de maio, cerca de três mil alunos, professores e servidores saíram em passeata pelas ruas de São Paulo em direção ao palácio dos Bandeirantes, cercados por milhares de policiais (incluindo a tropa de choque). Utilizando de um decreto do ex-governador Mário Covas, que denomina Área de Segurança o entorno do palácio, a PM impediu que os manifestantes se aproximassem. Confrontados com a repressão armada com sprays de pimenta e cassetetes, a manifestação decidiu retornar à reitoria da USP e prosseguir na ocupação.

A reitoria há muito deixou de ser local sério (se é que neste país chegou a ser), onde se reúnem os melhores pensadores do povo na universidade (salvo raríssimas exceções) para se transformar em casa de negociatas, território seguro dos medíocres, verdadeiras extensões dos escritórios do governo. Prédio tão estranho aos estudantes que sua presença nele é sempre chamada de invasão. Se professores, estudantes e servidores da USP estão em greve, quem a Sra. Magnífica reitora da USP, que figura entre as mais indignadas com o movimento, diz estar representando?

Ao ocupar a reitoria, estudantes parecem ter destampado o bueiro de onde saíram, sedentos de mais fascismo, o governo, a polícia, os oportunistas, e os mais ilustres representantes do pensamento reacionário e semicolonial, que se revezam junto aos monopólios de comunicação, proferindo mentiras e provocações contra os estudantes. Coisas histéricas do tipo: "eles subverteram a ordem jurídica do estado democrático de direito" ou o sutil terrorismo psicológico: "é importante que busquemos negociar, para que evitemos uma tragédia" são proferidas diariamente.

Após quase um mês de ocupação o governo de São Paulo ameaçou ceder aos estudantes a fim de desmobilizar a ocupação, manobra refutada pelos estudantes.

A pauta de reivindicações é clara: "pela revogação completa e imediata dos decretos, o fim da Secretaria de Ensino Superior e a saída de [José Aristodemo] Pinotti".

A greve segue firme. Os professores decidiram sair da greve e voltaram a ministrar suas aulas, mas os estudantes e funcionários seguem com a luta.

Um abaixo assinado com a assinatura de cerca de 524 professores da USP, declarou apoio à luta estudantil. "A energia dos estudantes nos fez arregaçar as mangas de novo", conclui a professora do departamento de História Zilda Iokoi

No dia 16/06, sábado, haverá um Encontro Nacional de Estudantes na ocupação. A idéia é organizar melhor a luta nacional dos estudantes.

Importante ressaltar que a direção oportunista dos partidos eleitoreiros, como UNE, Conlute, e outros, foram varridos da ocupação.

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