Gambiarras da SuperVia causam mais um descarrilamento

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Na manhã do dia 30 de novembro, um trem descarrilou na estação do Méier, deixando 42 pessoas feridas. O Sindicato dos Ferroviários denuncia como principais causas do acidente as péssimas condições de manutenção da linha férrea e o massacre da consecionária contra os trabalhadores que operam e que utilizam o transporte todos os dias

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Local onde ocorreu o descarrilamento no Méier.
Nem a passarela nem a escada foram interditadas

Dezenas de pessoas ficaram feridas no descarrilamento do último vagão de um trem que havia acabado de deixar a estação de Bangu e chegado ao Méier. O acidente aconteceu apenas três meses após a tragédia de Austin, que deixou oito mortos e mais de cem feridos, como noticiou AND 38 .

A concessionária SuperVia, com o total apoio do monopólio dos meios de comunicação, a todo o momento, tenta estampar a falsa idéia de que foi tudo outro grande acidente, já que desta vez não existem maneiras de culpar os ferroviários, como aconteceu na tragédia de Austin. Ao contrário disso, o Sindicato denuncia a concessionária espanhola por fazer gambiarras nos trilhos ao invés da manutenção adequada, o que teria culminado no recente descarrilamento.

Virar ao invés de trocar

Em entrevista à AND, o presidente do Sindicato dos Ferroviários Valmir de Lemos, o Índio, disse que ao invés de resolver os problemas estruturais da malha, a SuperVia está destruindo tudo com improvisos e gambiarras que colocam em risco a vida de milhares de pessoas que utilizam o serviço.
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Os acidentes causados pelos desgastes nos trilhos só acontecem nos desvios
— O acidente foi causado por falta de manutenção na via permanente. Os trilhos estão totalmente podres. Com o desgaste, a SuperVia somente inverte a posição dos trilhos ao invés de trocar e agora não têm mais como trocar nem inverter, já foi feito esse trabalho em toda a malha. A ferrovia agora está no bagaço. Nesse descarrilamento, o último vagão acabou se projetando para a outra linha. A sorte foi que não vinha outro trem no sentido contrário, senão teria sido uma tragédia.

São constantes os aumentos de preço estipulados pela SuperVia. Em 2007 o aumento das passagens fez o preço ultrapassar o dobro do seu valor em 2004 e a qualidade dos serviços não mudou. A superlotação e a demora continuam, mas, ao invés de contratar novos funcionários e expandir a frota de trens, a SuperVia demite uma média de 800 funcionários por ano e muitos trens continuam estacionados por falta de manutenção.

Passageiros já não aguentam mais o suplício de terem que viajar lado a lado com o risco de acidentes. É o que conta a secretária Raquel Campos, que mora em Campo Grande e utiliza o serviço todos os dias:

— Eu só uso o trem porque não tem outro jeito de vir. Tenho que pegar três ônibus pra chegar no meu itinerário sem ser de trem. Mas eu odeio andar de trem. Só ando na pressão mesmo. O tempo todo nervosa, com medo de acontecer alguma coisa, porque a gente vê que está tudo mal conservado.

Os verdadeiros culpados

Na colisão em Austin, que deixou 8 pessoas mortas e centenas de feridos, a SuperVia acusou o maquinista e o operador de tráfego de terem sido os únicos culpados pela tragédia. Os operários tiveram seus nomes estampados em todos os jornais e noticiários do monopólio da imprensa como criminosos, participando até de audiências e inquéritos policiais. A SuperVia, não foi em nenhum momento questionada sobre o seu envolvimento no acidente, apesar de pressionar a todo momento os ferroviários com curtos prazos de tempo para as viagens e péssimas condições de trabalho.
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A parte interna dos trilhos se desgasta pelo contato com os trens.
1. Trilhos novos; 2. área que desgasta; 3. os trilhos são invertidos em vez de trocados
De acordo com Índio, desta vez foi diferente:

— Agora a SuperVia não tem como acusar ninguém, porque ali foi um erro de falta de manutenção mesmo. O trilho podre abriu e o trem saiu da linha, então a empresa dessa vez não nem nada de diferente para acusar os ferroviários por falha humana. É tudo falta de investimento no ramal ferroviário mesmo.

Depois de ser privatizada, a malha ferroviária do Rio de Janeiro teve a maior parte de sua rotina alterada. Os preços aumentaram, os acidentes continuam acontecendo, com uma freqüência até maior. A prioridade passou a ser maquiar o máximo possível as estações, com novas bilheterias e escadas rolantes, porém, o essencial está totalmente desgastado, como trilhos, trens e ferramentas de trabalho.

Limitações como essas e muitas outras, tornam eminente o risco de novos acidentes. Como Índio já havia dito anteriormente, os trilhos não podem mais ser trocados ou invertidos, sendo assim, as gambiarras foram tantas que fizeram o problema não ter mais solução.

Em anos de concessão, a SuperVia, sempre em busca do lucro máximo, foi a responsável pelo quadro de destruição total das estruturas desse serviço centenário, utilizado por milhões de pessoas que vão e voltam do trabalho pagando caro para viajar em constante risco.

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