Luta contra o REUNI anuncia grandes tormentas em 2008

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2007 será lembrado como o ano em que os estudantes reencontram o fio de sua luta. Com esforço heróico abriram caminhos por onde se desenvolverão batalhas de grandeza inédita em nosso país. As ocupações de reitorias por todo país desafiaram o governo e o controle sobre nossas universidades, marcaram o auge de um ano glorioso. Em AND acompanhamos cada uma destas tormentas: ataque ao consulado ianque em março, cinco mil estudantes nas ruas do Rio no dia 28 de março, ocupação da reitoria da USP, que trajeto!

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Ato realizado em frente à UFBa no dia seguinte a desocupação
A UNE governista, já pálida e pançuda — afinal já são cinco anos de isolamento entre gabinetes, ministérios e reitorias, afora os cafezinhos com a Polícia Federal — reapareceu nas universidades. Dos carros oficiais direto para a sala dos conselhos universitários, funcionaram como batedores do governo. "Responsáveis", tentaram assegurar a integridade do reitor e impedir que "estudantes inconsequentes" inviabilizem os projetos do governo FMI/Lula. Para isso valeu tudo, fraudes, agressões, gritos histéricos, suborno, e todo tipo de prática que eles têm aprendido em Brasília.

Já aqueles que diante da torrente avassaladora das massas tergiversam a necessidade da construção de uma greve geral para barrar as reformas antipovo e não fazem mais que tentar deter o avanço na luta democrática estudantil, sacando, reeditando velhas fórmulas, embustes muito conhecidos pelos estudantes, têm um futuro pouco promissor.

Apressam-se em maquinar teorias que se ajustem a sua prática tentando reconciliar os estudantes com o velho movimento estudantil. Para eles as ocupações não foram mais do que manifestações espontâneas, econômicas e despolitizadas dos estudantes.

Como caminho indicam a realização de um plebiscito para que o Estado brasileiro consulte os estudantes sobre o REUNI. Algo semelhante à indagação de um assassino sobre a opinião de sua vítima pouco antes do disparo. Esta posição tradicional do peleguismo, que relega ao povo o papel de mero figurante, ao passo que legítima a autoridade do poder do velho Estado, busca sabotar e desviar o povo daquele que é justamente o instrumento de poder dos que não tem o poder: a greve.

É bem verdade que a luta contra o REUNI iniciada neste ano, foi uma luta de caráter espontâneo, sem uma articulação nacional e mesmo sem entidades gerais, nacionais, mesmo DCEs, e que sua inexistência é um prejuízo para os estudantes brasileiros. Mas nossos vulgares oportunistas predicam este fato para ocultar o verdadeiro significado das lutas desenvolvidas neste ano. Lutas históricas, que trazem lições e projetam um 2008 de grandes tormentas.

Assistimos ao movimento estudantil dos últimos 25 anos, amarrado na senilidade, na passividade da camisa de força dos oportunistas da UNE e UBEs, que lograram controlá-lo e desviá-lo do caminho democrático revolucionário. Particularmente nos anos da gerência oportunista, moveram céus e terra para enganar as massas estudantis sobre o caráter das medidas pró-imperialistas do governo, tentando pintá-las de democráticas e necessárias.

O que nossos oportunistas chamam de "desorganização e despolitização" é o fato de terem sido refutadas as velhas siglas e as velhas formas de movimento, controladas por partidos eleitoreiros, com data e hora para acabar.

A jornada de lutas contra o REUNI é um dos primeiros grandes resultados das lutas acumuladas e que, golpe a golpe, foram gradualmente desmascarando o governo FMI/PT e suas agências estudantis.

Na luta contra o REUNI se depararam com conselhos universitários fajutos e reitores títeres, que em meio à estrutura antidemocrática utilizaram todo tipo de artifício para combater a participação dos estudantes. As ocupações iniciadas como uma mobilização econômica contra um decreto do governo, adquiriam contorno político de acordo os embates entre governo e estudantes. Combatendo o REUNI descobriram crimes maiores contra o povo brasileiro, o caráter burocrático semifeudal e semicolonial da universidade brasileira e reencontraram as históricas bandeiras do movimento estudantil.

Foi em meio às ocupações que os estudantes conheceram onde reside a força do governo na universidade, quais são os amigos e inimigos dos estudantes e principalmente a percepção de que a força dos estudantes se encontra na sua capacidade de organização e luta, enquanto o governo se apóia na burocracia interna da universidade, sendo chancelado por professores reacionários e pelegos de plantão. Estas são marcas profundas que não podem cicatrizar tão cedo.

O desenvolvimento da luta contra o governo não depende de uma nova sigla nacional para os estudantes, mas da necessidade do rompimento político com o velho movimento estudantil burocrático e da construção de um novo, democrático e revolucionário. As lutas contra as medidas do governo se desenvolvem sem uma única entidade nacional, mas os quatro anos de luta contra a "reforma" que iluminaram o caminho da resistência.

A questão que desafia o novo movimento estudantil é o crescimento vertiginoso do movimento das massas estudantis perante a baixa consciência e iniciativa dos dirigentes de suas organizações, para que a luta possa saltar do nível da percepção para a compreensão do conjunto dos problemas e dar perspectiva estratégica para a luta estudantil, dar rumo, barrar os projetos pró-imperialistas do governo e impulsionar a luta contra a velha universidade semicolonial.

Recordemos como barramos os famigerados acordos MEC-USAID, as grandes jornadas de luta que lograram derrotar os acordos em pleno regime militar em nosso país. O que teriam dito estes oportunistas? Pois foi devido a essas jornadas — e devido à existência de organizações consequentes, que milhares de jovens revolucionários, que descobriram a luta contra o velho Estado serviçal do imperialismo, protagonizaram lutas revolucionárias nos anos posteriores.

Aqueles que se assombraram com os primeiros atos da peça, ensaiados no palco da Reitoria, que aguardem. As lutas contra o REUNI apenas pavimentaram um novo patamar da rebelião estudantil. Como bem avisava uma faixa dos estudantes que deixavam a reitoria da USP:

Saímos da reitoria
para ocupar a USP!

Em 2008, a quarenta anos de 1968, que ano brilhante teremos!

UFMAApós decisão da justiça federal, que havia anulado a adesão da Universidade Federal do Maranhão ao REUNI, devido a irregularidades da diretoria da universidade, o desembargador federal Daniel Paes Ribeiro, concedeu efeito suspensivo ao mandado de segurança impetrado pela Associação dos Professores da UF MA (Apruma) anulando a decisão anterior.

Para aprovar o projeto, o governo apelou até para os infantes pelegos da UBES, que foram às seções do conselho fazer coro com o governo. Diante dos fatos, vários conselheiros, inclusive de associações de professores e servidores se recusaram a participar da votação realizada no gabinete do Procurador da Universidade.

— Não aceitamos a decisão deste conselho, pois entendemos que ele não é representativo! — protestou o estudante de História William Washington de Jesus.

UFALApós intensos protestos estudantis a reitora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Ana Dayse Dórea, suspendeu reunião do Conselho Universitário que analisaria a adesão da instituição ao Reuni.

No início da noite do dia 11 de dezembro, agentes da Polícia Federal, comandados pelo delegado regional executivo José Roberto Sagrado da Hora, invadiram o prédio da Reitoria e assistiram a uma assembléia dos estudantes acampados no pátio da reitoria. Os polícias federais, acionados pela própria reitoria, foram vigiar estudantes que protestavam contra o REUNI.

UFFA seção que definiria a adesão ao REUNI na Universidade Federal Fluminense UFF, ocorreu dia 12 de dezembro de 2007, após inúmeros adiamentos da seção do Conselho Universitário pelo reitor Roberto Salles, a fim de esvaziar a resistência dos estudantes. A seção iniciou-se sob fortes protestos estudantis. Segundo estudantes, o Reitor quer aplicar um golpe com os adiamentos. Keila Lucio de Carvalho, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) denuncia que "A comunidade universitária já foi consultada e é contrária ao Reuni. A reitoria adotou uma posição antidemocrática".

Em meio à confusão gerada pela tentativa de aprovar o REUNI na marra, Roberto Salles reclama:

— Eles me cercaram, queriam me impedir de falar, jogaram água em cima de mim e me deram tapas nas costas.

A diretora do DCE desmentiu o reitor, revelando que os estudantes é que foram agredidos. Segundo Keila, um aluno teria sido empurrado por Salles e acabou se desequilibrando e caindo sobre uma cadeira.

Em meio aos protestos o Reitor acionou a Polícia Federal, que retirou os estudantes e professores do espaço, garantindo a adesão ao REUNI. Os estudantes, no entanto, resistiram, voltaram a ocupar o prédio e exigiram a anulação da decisão. Em mais uma manobra oportunista, Salles convocou a seção do conselho para o dia 14 de dezembro, na sede do Tribunal de Justiça em Niterói, com o objetivo de referendar a aprovação fajuta. Os estudantes e outros conselheiros que tentaram participar da reunião foram agredidos pela polícia e afirmam que seguirão lutando contra a decisão.

UFBAApós 46 dias de ocupação estudantes da Universidade Federal da Bahia UFBA, que protestavam contra o REUNI, foram retirados à força pela Polícia Federal.

Dias antes, ao ser expedido mandado de reintegração de posse reivindicado pelo reitor, os estudantes decidiram resistir e ocuparam outra parte da universidade, a Superintendência Acadêmica (SUPAC).

Alunos afirmaram terem sido agredidos por policiais na ação. No início da manhã, cerca de 30 policiais federais chegaram à reitoria após a Justiça Federal determinar a saída dos universitários. O prédio havia sido ocupado no início de outubro. Todos foram liberados após exame de corpo de delito.

UFPEEm Recife, estudantes desocuparam a UF PE (Universidade Federal de Pernambuco). O prédio tinha sido tomado havia 22 dias.

UFPROs estudantes que haviam ocupado por 28 dias o prédio da reitoria da UFPR (Universidade Federal do Paraná), em Curitiba, também aceitaram deixar o local. A liberação do edifício, que concentra toda a parte administrativa da UFPR, foi negociada com o comando da instituição.

UFSCCerca de 120 estudantes realizaram em 27 de novembro uma manifestação na reitoria da UFSC em protesto contra a sessão fechada do Conselho Universitário para a votação do projeto de adesão ao REUNI. A Polícia Federal esteve no local durante o protesto, marcado por muito barulho e palavras de ordem. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) vai entrar com uma ação na Justiça para anular a votação devido ao não cumprimento do regimento interno do Conselho Universitário.

— A votação foi fechada e irregular! — disse o representante do DCE, Rodrigo Ribeiro.

UNIROs estudantes da UNIR (Universidade Federal de Rondônia), liderados pelo Diretório Central dos Estudantes, desenvolvem desde setembro a luta contra o REUNI, deflagrando diversas derrotas ao governo e à reitoria.

O velho movimento estudantil da UNE pelega e governista também foi a Porto Velho. No entanto, e como era de se esperar, estavam do outro lado da história, em defesa do REUNI e da gerência Luiz Inácio. Sob a direção do PCdoB, menos de dez estudantes que se "auto proclamavam" representantes dos estudantes no CONSUNI chegaram na manhã do dia 24 de outubro e depararam-se com a Reitoria totalmente ocupada. Foram recebidos sob os mastros das bandeiras vermelhas e sob calorosas palavras de ordem: Pelegos!

Diante da ocupação, que a todo momento recebia o apoio de novos estudantes, a reitoria tomou uma decisão jamais vista desde os tempos do gerenciamento Militar: transferiu a reunião do CONSUN, que seria realizada no Prédio ocupado pelos estudantes, para o auditório do Sistema de Proteção da Amazônia — SIPAM, que é dirigido pelos ianques e fica localizado na Base Aérea do Exército.

Cerca de 60 estudantes chegaram ao prédio do SIPAM, no entanto, foram impedidos de entrar no auditório. Vários conselheiros docentes que eram contrários ao REUNI também tiveram sua entrada impedida.

Somente desta forma é que a Reitoria e conselheiros conservadores e reacionários conseguiram realizar a votação que aprovaria a adesão da UNIR ao REUNI.

O Reitor deixou a seção do conselho sob escolta da Polícia Federal. Ao retornar ao prédio da reitoria, estudantes depararam-se com um mandato de reintegração de posse, a pedido do reitor. Por fim, decidiram desocupar a reitoria em clima de agitação e espírito de luta. Fileiras de dezenas de estudantes que ocupavam o prédio, reafirmaram o compromisso de seguir lutando contra o REUNI.

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