Greves continuam no Brasil e nos quatro cantos do mundo

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Enquanto a Gerência FMI/PT prepara novos ataques aos trabalhadores, com a regulamentação do direito de greve, legalização das centrais e revogação da Consolidação das Leis do Trabalho, proletários de todo o país, demonstram sua disposição para barrar este e novos ataques. Também no Peru, Grécia, Itália e Vietnã, os que produzem mostram sua disposição de luta.

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Famílias de militares protestam em Brasília

Espírito Santo

Os metalúrgicos do Espírito Santo deflagraram greve em 29 de novembro, mesmo dia em que Luiz Inácio visitava o estado para inaugurar obras e fazer demagogia. Mais de 30 mil operários aderiram ao movimento, que atingiu empresas como Samarco, Aracruz Celulose, Brametal, Arcelor e Companhia Vale do Rio Doce.

A categoria reivindica reajuste salarial de 9,85%, piso salarial de R$ 1.150 para profissionais e R$650 para ajudantes. Os patrões só querem oferecer aumento de 6,35%, piso profissional de R$650 (!) e R$426 para ajudante. Os operários prometem não retroceder um passo em suas reivindicações e levar a greve por tempo indeterminado.

São Paulo

Mais de 1500 operários da LG Eletronics — transnacional de eletrônicos que se instalou no Brasil em 1996 —, da fábrica de Taubaté (SP) pararam, no dia três de novembro, a produção de monitores e celulares. Os operários se manifestavam contra a demissão de 60 funcionários naquele mesmo dia e exigiam a implantação de uma estrutura salarial. Os operários demitidos faziam parte do Comitê sindical da empresa. Os trabalhadores estavam muito insatisfeitos com a empresa e começaram a se organizar politicamente para reivindicar seus direitos. A atitude da empresa revela a perseguição política à luta dos trabalhadores, tentando intimidar pela demissão.

No dia três, enquanto os trabalhadores realizavam assembléia, a empresa demitiu mais 12 dirigentes do Comitê Sindical.

No dia cinco, o sindicato encerrou a greve, após negociar com a empresa a reversão das demissões, estabilidade do emprego até 31 de março de 2008 e reajuste salarial, através de promoção de carreira e correções de desvio de função. Mas a conquista mais importante dos trabalhadores foi política, a empresa foi obrigada a reconhecer o Comitê Sindical como órgão de representação eleito pelos trabalhadores, consolidando as organizações locais dos trabalhadores.

Ceará

Os professores e estudantes das Universidades estadual do Ceará (Uece), Regional do Cariri (Urca) e Vale do Acaraú (Uva) estão em greve desde o dia 11 de novembro. A greve é uma reação dos docentes contra as péssimas condições de trabalho e da qualidade da formação oferecida aos alunos. Esta é a segunda greve do ano nas universidades.

Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes-SN) os professores reivindicam a implantação imediata do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PC CV), piso salarial e do Plano de Melhoria das Universidades Públicas Estaduais do Ceará em curto prazo, garantindo verbas de custeio e investimentos compatíveis com as necessidades das universidades. Em luta com os estudantes, também reivindicam uma política estadual de assistência estudantil.

O vencimento-base de um professor auxiliar em regime de 40 horas semanais, com graduação, é de R$ 854,00; e de um professor Titular com doutorado, R$ 1.795,42. Os presidentes das seções sindicais do ANDES-SN das três universidades destacam também que as perdas salariais dos professores acumularam cerca de 70% nos últimos 13 anos.

Os professores querem 130% de aumento, mas o governo só oferece 100% e diz que só negocia após o fim da greve. Os professores não demonstram que vão retroceder em suas posições.

Paraíba

Os operários da Construção Civil paraibanos entraram em greve no dia três de dezembro. Eles exigem aumento salarial acima de 10% e mais segurança, educação e alimentação para os operários. Mais de 150 canteiros de obras estão parados e em várias obras o ritmo de trabalho é lento. A mobilização envolve mais de 5 mil trabalhadores da categoria. O sindicato patronal entrou na justiça para acabar com a greve, mas não conseguiu.

Mato Grosso

Os investigadores da Polícia Civil do estado iniciaram o movimento no dia primeiro de dezembro, em protesto por aumento salari-al. Apenas alguns serviços estão sendo mantidos e a mobilização da categoria é grande.

No Mato Grosso, os 400 funcionários da Usina Quebra-coco, em Sidrolândia, de propriedade da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool e da Agrisul, fizeram greve pelo pagamento dos salários atrasados e do 13º. Após negociação com o Ministerio Público do Trabalho, a greve foi encerrada com o pagamento dos salários atrasados e promessa de pagamento do 13º até 20 de dezembro.

Bahia

Os trabalhadores da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) deflagraram greve por tempo indeterminado no dia 10 de dezembro. Os operários querem reajuste salarial e aumento no vale-alimentação para os trabalhadores da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, em conjunto, já que todos são funcionários do Grupo Neonergia, acionista majoritário da Coelba. A empresa só aceita discutir um plano salarial para os servidores baianos, que estão em greve. A greve atinge cerca de dois mil trabalhadores, espalhados pela capital e interior baianos.

Alagoas

Os peritos criminais de Alagoas realizaram uma paralisação de advertência, no dia 12 de dezembro. A categoria iniciou uma greve no início de novembro, mas a pedido do Conselho de Segurança estadual, que prometeu ajudar nas negociações a greve foi encerrada. Como não houve sinal algum de negociação, os peritos retomaram as mobilizações e prometem — caso não haja negociação — parar novamente a categoria. Os peritos lutam por valorização salarial (já que a data-base foi em agosto e o governo estadual não acenou com qualquer percentual de aumento salarial), adicional noturno e de insalubridade, porte de arma, treinamento e condições de trabalho.

Nacional

Militares

A União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas (Unemfa) realizou manifestação no dia 27 de novembro, em Brasília. As mulheres exigiam que os militares tivessem seus salários reajustados de acordo com os patamares adotados para remunerar os outros funcionários públicos. Elas promoveram um panelaço para denunciar a fome que aflige as famílias de militares. Hoje, ao iniciar o serviço militar, um soldado ganha cerca de R$772, um soldado PM do Distrito Federal têm salário de R$4 mil. A Unemfa pede um reajuste de 100% retroativo ao início do gerenciamento FMI/PT.

Energia Nuclear

Os servidores da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) de todo o Brasil estavam em greve desde o dia 17 de outubro. Eles negociam o reajuste salarial com o governo desde 2006.

O governo está ameaçando cortar o ponto dos grevistas e uma decisão judicial obrigou os trabalhadores a oferecer 40% dos serviços. Para evitar o fim total da greve, sem que haja vitórias, os trabalhadores resolveram restringir a greve ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo. A última proposta do governo foi de um aumento de 26%, dividido entre 2008 e 2009. Para os trabalhadores, até hoje, não houve muitos avanços nas negociações.

Internacional

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Manifestação pelas ruas de Atenas

Itália

Os caminhoneiros italianos, em greve desde o dia 10 de dezembro, protestam contra o aumento do preço dos combustíveis e a falta de assistência para a categoria. A categoria bloqueou diversas estradas e o desabastecimento de alguns gêneros já pode ser sentido.

No fim de novembro, os taxistas de Roma também fizeram greve pelos mesmos motivos.

Grécia: greve geral

A greve geral contra a reforma da previdência foi deflagrada no país, à meia-noite do dia 11 de dezembro. O projeto prevê a elevação da idade de aposentadoria e o aumento no valor das contribuições pagas pelos trabalhadores.

Em Atenas, mais de 200 mil pessoas foram às ruas contra a reforma. A polícia reprimiu os manifestantes com violência. A manifestação foi convocada pelos sindicatos, que afirmam que a reforma vai prejudicar principalmente os mais pobres.

Tanto o setor público quanto o privado pararam: aeroportos, repartições públicas, fábricas, transportes marítimos e ferroviários, enfim, nada funcionou.

Os gregos preparam novas manifestações para este mês.

Peru

Mais de 1500 estivadores do Porto El Callao, o maior e mais estratégico porto do país, em greve desde o dia 20 de novembro, enfrentam a possibilidade de uma intervenção armada por parte da burguesia. José Chlimper — Ministro da Agricultura na ditadura de Alberto Fujimori, de 1990 a 2000 —, que afirmou que iria com sua arma, juntamente com outros empresários e uma milícia armada, tomar o porto.

Vietnã

Mais de 10 mil operários da transnacional Nike entraram em greve, no sul do Vietnã, no final de novembro. Os operários recebem cerca de 1 dólar por hora. As exigências são muitas: melhores condições de trabalho, porções maiores de comida, melhores salários, férias remuneradas, período maior de repouso por recomendação médica, etc.

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