Camponeses exigem justiça em Pernambuco

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Criminalização do movimento camponês é repudiada pelo povo
A manifestação organizada em Recife pelo Comitê de Apoio aos Camponeses de Quipapá em 28 de novembro para exigir a libertação de trabalhadores presos desde 2005 sem andamento do processo despertou a mais profunda revolta na capital pernambucana, forçando o gerente estadual a comprometer-se com a comitiva dos manifestantes a apurar melhor o ocorrido na Zona da Mata Sul pernambucana e agir para que seja marcado rapidamente o julgamento dos acusados.

O calvário dos camponeses pobres de Quipapá começou em 5 de fevereiro de 2005, quando três desconhecidos invadiram de carro o Assentamento Bananeiras, em perseguição a um dos membros da Liga, José Ricardo Rodrigues, e sua companheira. De bermudas e camiseta, os invasores davam tiros de fuzil e metralhadora para todo lado.

O casal correu em disparada, livrando-se das balas, mas uma delas atingiu de raspão a cabeça de um terceiro trabalhador, que caiu, ferido. Os demais camponeses, assustados com tudo aquilo, trataram de reagir em legítima defesa, própria e das suas famílias. No conflito, um dos invasores morreu, outro fugiu e o terceiro foi dominado pelos camponeses.

Somente naquele momento soube-se que os três invasores eram policiais, e o que morrera era soldado da Polícia Militar de Pernambuco. Pouco tardou para que fosse desencadeada uma série de prisões. Dez camponeses foram postos na cadeia, entre eles José Ricardo, que os policiais tentaram matar.

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A suposta ação policial foi amplamente noticiada pelo monopólio dos meios de comunicação, deixando, porém, sem resposta perguntas fundamentais, como: Qual era o motivo da perseguição? Por que os policiais não se identificaram? Por que estavam portando armas de grosso calibre, além de paus, cordas e gasolina? Era na verdade uma operação policial ou tocaia contra um líder camponês?

Nada disso foi apurado e José Ricardo, vítima da tentativa de assassinato, permanece preso. Os trabalhadores rurais, indignados, no dia 28 de novembro saíram pelas ruas do Recife, contando com o apoio do Movimento Estudantil Popular Revolucionário – MEPR, e do Movimento Feminino Popular – MFP. Mais de 300 trabalhadores, empunhando bandeiras da Liga dos Camponeses Pobres, e condenando a "justiça do latifúndio", receberam aplausos do povo nas janelas. As faixas diziam: "Abaixo a criminalização do movimento camponês!", "Liberdade imediata para José Ricardo Rodrigues!", "Terra para quem nela trabalha!" "Conquistar a terra, destruir o latifúndio!"

A manifestação encerrou-se com um ato na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, onde cerca de 50 camponeses tiveram acesso ao auditório para dizer que o movimento será intensificado enquanto seu companheiro estiver preso. Os trabalhadores ressaltam que não se pode permitir que um homem seja mantido preso durante quase três anos, sem julgamento. Em contraste, permanece em liberdade um conhecido político flagrado por uso de trabalho escravo em sua propriedade, mas que afirmou desconhecer inteiramente o fato.

Ninguém tem dúvida, entretanto, que os verdadeiros criminosos são os latifundiários e coronéis, que semeiam fome e miséria. Os camponeses alertam que não podem permitir que eles continuem perpetrando seus crimes impunemente e que trabalhadores paguem por aquilo que não fizeram. Esperando que o julgamento ocorra de maneira imparcial e que a inocência de José Ricardo seja finalmente reconhecida, o movimento conclama o povo de Pernambuco a repelir mais esta injustiça.

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