O teatro soviético durante a invasão nazista

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Durante a Segunda Guerra Mundial, a então União Soviética mostrou toda sua força e poder de combate e resistência. Sob a liderança do marechal Stalin, o Exército Vermelho e os grupamentos de guerrilha que atuavam atrás das linhas alemãs expulsaram o nazismo de sua pátria num grande esforço de guerra junto com toda a população soviética, e empurraram as hordas nazistas até o seu ninho, determinando o fim do segundo grande conflito imperialista, conforme a Ata de Capitulação Militar (sem condições) diante do Alto Comando do Exército Vermelho e do Alto Comando das forças expedicionárias aliadas, firmada em 8 de maio de 1945, em Berlim.
O Governo da União Soviética, durante toda guerra, não descuidou das artes, intensificando sua presença, inclusive nas frentes de combate. Esta experiência rende atos heróicos por parte de artistas e espectadores, assim como evidenciou uma forma de teatro que foi fruto das condições materiais da situação de guerra.
Neste número de A Nova Democracia, trazemos um trecho da obra de Joracy Camargo, O Teatro Soviético, Leitura, RJ, editado no início dos anos 50, e, notavelmente esclarecedora sobre o grande Povo Russo.

Nina Shershneva era enfermeira
das linhas de frente. Um dos tipos
de mulher das peças de Simonov

Afinoguenov profetizara a invasão nazista, e ele mesmo, dois ou três meses antes de ser estraçalhado em plena rua por uma bomba aérea de Hitler, escrevera a peça que determinava o momento da covarde agressão. Na véspera é o expressivo título da obra de Afinoguenov que registra o ambiente sugestivo da aproximação da catástrofe.

Nenhuma arte com mais propriedade do que o teatro poderia fixar, para os observadores políticos, o estado de espírito dos russos no dia anterior ao golpe traiçoeiro do mais digno aliado do Japão.

A primeira cena transcorre no dia 21 de junho de 1941, véspera da invasão. É noite alta, em um belo jardim à margem de um rio por onde navega um vapor fluvial e de onde se avistam, ao longe, as luzes de Moscou. Estão ali reunidos um general do Exército Vermelho, sua família e amigos, que discutem a possibilidade de uma invasão nazista. O general considera iminente a invasão, mas ninguém o leva a sério.

Desencadeia-se a discussão, que toma os caminhos mais imprevistos e assume diferentes aspectos. Uns citam Lermontov ou Tennyson; outros fazem referências a Charles Dickens; alguns aludem a passagens de A Guerra e a Paz, de Tolstói, e uma atriz declama as palavras que Chekhov colocou na boca de Olga na cena final de sua peça As três Irmãs: "A noite é curta como as noites de junho naquela região. Começa a amanhecer. Dizem alguns: — Amanhã será um belo dia!" "Amanhã?" — pergunta o general, acrescentando: "Quem sabe o que sucederá amanhã?" O Sol mete a cabeça no horizonte. Alguém propõe: "Saudemos o amanhecer com uma canção!" E começam todos a cantar em surdina, quando aparece, vindo do interior da casa, o irmão mais moço do general e o leva para um canto a fim de dizer-lhe, à parte: —"Do Quartel General estão pedindo a sua presença com urgência." O general retira-se em silêncio, enquanto os outros continuam a cantar. O Sol aparece em cheio. Dois dias depois já se ouvem os ruídos dos tanques que passam incessantemente. A família e os amigos unem-se pela defesa nacional, desprezando como por encanto, opiniões pessoais. Um outro irmão do general, André, agrônomo e descobridor de uma nova espécie vegetal, um grão nutritivo, incendeia as sementeiras para evitar que caiam nas mãos dos nazistas. Com o mesmo ânimo forte recebe a notícia da morte de sua mulher. O velho pai do general prepara-se para fazer voar a fábrica que está construindo, e diz: — Esta guerra não foi começada por nós, mas nós a terminaremos!"

Daí por diante a peça descreve os horrores da guerra e estimula a união nacional para combater os invasores.

Na véspera foi a primeira obra de propaganda da defesa do país e exerceu no espírito público a mesma influência de todas as peças que haviam transformado o teatro soviético em arma poderosa no combate à indiferença ou à incompreensão em massa. Iniciada a invasão, no dia 22 de junho de 1941, foi imediatamente mobilizado o Exército Teatral. Em seu documentado artigo sobre "A arte dramática na Rússia durante a guerra", Henry Wodsworth Longfellow Dana refere os fatos mais importantes. Servindo-se de uma descrição de Moskvin, o grande ator do povo, que dirige atualmente o Teatro de Arte de Moscou, Dana diz que quando os exércitos germânicos iniciaram a invasão da Rússia as cidades da fronteira, como Minsk, capital da República Soviética da Bielo-Rússia, sofreram os mais ferozes bombardeios dentro das primeiras vinte e quatro horas. Moskvin, que atuava nessa noite com a companhia do Teatro de Arte no principal teatro da cidade, pinta o quadro de horrores e barbaridades de que fora vítima a cidade indefesa. Mas diz que ao mesmo tempo em que as sinetas dos teatros de Minsk, anunciando a subida dos panos de boca, eram afogadas pelas sirenas de alarme e pelos gemidos dos primeiros feridos, a companhia do majestoso e novo Teatro da Ópera da Bielo-Rússia, incendiado pelas bombas nazistas, refugiava-se na cidade de Gorki, nas margens do Volga. Os espetáculos não foram interrompidos, e do Teatro de Gorki, a grande cantora Larissa Alexandrovskaia, Artista do Povo, cantava pelo rádio para seus conterrâneos uma canção que prometia a sua libertação no estribilho: — "Bielo-Rússia, estamos perto de ti!" Um grupo de jovens artistas abandonou o Teatro de Minsk em chamas, e iniciou uma turnê pelos bosques, aeródromos e hospitais de sangue da república invadida. Esse grupo, que passou a denominar-se de Atores das Primeiras Linhas passou a representar para as tropas e os feridos do Exército Vermelho, recuando ou avançando, de acordo com as circunstâncias.

Logo que os invasores atingiram a cidade de Kiev, capital da Ucrânia, o Artista do Povo, Gnat Yura, assumiu a direção desse setor, e mais tarde escreveu: — 'Hoje o nosso palco é constituído por dois auto-caminhões, sem paredes laterais, que se colocam um ao lado do outro'. Durante um espetáculo começaram a cair estilhaços de bombas sobre o palco improvisado, e o ruído da fuzilaria interrompeu a função, mas o comandante da guarnição local do Exército Vermelho ordenou a seus artilheiros que fizessem silenciar as baterias inimigas, dizendo-lhes sorridentemente: — 'Não consintam que os nazistas interrompam o drama!'.

Fachada do teatro Central
do Exército Vermelho

Os teatros de Kiev e de Karkov, assim como os de outras cidades ucranianas invadidas, passaram a constituir o chamado Teatro da Frente Sul-Ocidental que foi considerado como parte integrante do Exército, pois atuava atrás das linhas de batalha.

Essa incorporação das companhias teatrais às "companhias" do Exército fora deliberada nas reuniões da gente do teatro de toda a Rússia promovidas pelos teatros de Moscou e Leningrado, no mesmo dia em que foi iniciada a invasão, reuniões que tiveram por principal finalidade a mobilização do teatro para a defesa da União Soviética. A pouco e pouco iam-se reunindo a cada companhia militar uma companhia teatral, dirigidas todas por um comitê misto que se denominou shefstvo ou "patronato". Longfellow Dana diz então que "as brigadas de atores marcharam dos teatros do drama para os teatros de guerra"

Agora pode-se dizer que era perfeita a organização do teatro soviético como parte integrante da vida social e política da União, porque todos os teatros estavam preparados para a eventualidade da guerra. Bastará dizer que a invasão encontrava nada menos de cinquenta companhias aparelhadas e adestradas para atuar nas frentes de batalha. Essa circunstância também indica que os artistas de teatro não tinham a menor ilusão sobre a "lealdade" dos antigos e mais acirrados inimigos do regime soviético.

Desde o dia da invasão até a data em que Longfellow Dana colheu os dados para o seu artigo, publicado em Dialectica, Vol. IV, de março/abril deste ano, foram realizados cerca de 150.000 espetáculos para o Exército Vermelho, nos teatros de operações, nos hospitais militares, a bordo de navios de guerra e nas guarnições da retaguarda, cabendo aos teatros de Moscou 14.000 funções e aos de Leningrado 20.000.

Mas a contribuição do teatro para o esforço de guerra não se cingiu aos espetáculos, pois somente o Bolshoi, de Moscou, elaborou um plano para a "mobilização total" e entregou ao fundo de defesa mais de um milhão e oitocentos mil rublos.

Apesar de todo esforço despendido fora do teatro, os diretores não se descuidaram da parte artística, procurando manter ou elevar mesmo o nível das representações. Para isso, o pessoal do movimento interno, naturalmente convocado, foi substituído pelos próprios artistas, e até as celebridades, Artistas do Povo, Prêmios Stálin ou Ordem de Lenine, armam cenários e retiram móveis de cena. Olga Lepeshinskaia, uma das maiores bailarinas e talvez a mais popular da União Soviética, Prêmio Stalin, depois da função no Teatro de Ópera, vai todas as noites montar guarda como vigilante contra ataques aéreos no terraço de sua casa em Moscou.

Suzana Zviagina, outra bailarina do Bolshoi de Moscou, dançou mais de novecentas vezes nas frentes de batalha, e numa das vezes encontrou seu marido em plena luta, sofrendo a desgraça de sua morte dias depois. Durante o cerco de Stalingrado, Suzana bailou no terraço de uma casa meio destruída, situada à pequena distância da linha de frente, e dançou com tal precisão e coragem, que deu a impressão de estar abrigada no palco de Bolshoi. Foi agraciada com a Ordem da Estrela Vermelha.

Todos os artistas foram mobilizados. Atores, atrizes, cantores, bailarinos, compositores, pintores, cenógrafos, escultores, e até conferencistas são enviados constantemente para as linhas de frente. Moscou envia semanalmente cento e cinquenta conferencistas e mil e quinhentos atores. Devido às dificuldades que tiveram que enfrentar os artistas de teatro, que muitas vezes se serviram de subterrâneos de defesa como camarins, e não dispunham de cenários, bastidores, refletores e até espelhos para caracterização, criaram uma nova modalidade de interpretação que demandava mais talento e menos artifícios. É bem verdade que não lhes faltava nunca um ambiente de bom humor, agradável, acolhimento e boa vontade por parte dos espectadores militares. Um soldado escreveu o seguinte, dirigindo-se a um grupo de atores: — "Depois de vossa função combateremos o inimigo com energia renovada. Quando vindes de Moscou para representar entre nós temos a sensação de que todo o nosso povo está unido, militares e civis, e que estão unidas a frente e a retaguarda".

Aos que descriam da utilidade das representações teatrais na linha de fogo um general do Exército Vermelho dirigiu essas palavras: — "Em tempos de paz estávamos acostumados a freqüentar os teatros. Os atores devem perseverar e melhorar sua arte. Algum dia a guerra terminará, e quando vier a paz duradoura, voltaremos aos nossos lares e iremos então verificar se os atores progrediram em teatros novos, mais amplos e espalhados por todo o país".

Dentre outras, essa foi uma das razões que levaram o governo soviético a isentar, do serviço militar propriamente dito, os comediógrafos, atores, cantores, bailarinos, etc. Só assim poderiam os artistas dedicar-se ao esforço de guerra com mais eficiência do que o fariam manejando armas. Essa política deu os melhores resultados, não só em relação à necessidade de oferecer aos soldados divertimentos ou repousos culturais, levantando-lhes o ânimo, como sobre outros aspectos. Um episódio interessante, por exemplo, é o que foi narrado pelo ator do Teatro do Exército Vermelho, Sergei Balashov. Esse grande ator, que havia representado cerca de quinhentas vezes em campos de batalha, conta que um jovem soldado de uma companhia de tanques produziu em seu espírito uma tal impressão, ao dizer-lhe que a sua atuação havia elevado o ânimo de luta e aumentado a energia das guarnições daquela arma, que no mesmo momento prometeu redobrar o seu esforço até reunir o dinheiro necessário para comprar uma possante máquina de guerra. E cumpriu a promessa. Embora necessitando de repouso, Balashov passou a representar durante três meses e meio quatro vezes por dia, até reunir o dinheiro necessário. Quando fez a entrega do tanque, o Comandante da Divisão escolheu para a nova unidade uma guarnição de bravos, e dentre eles, o jovem que havia inspirado a magnífica atitude do ator, que, por sinal, fez um discurso de agitação durante a solenidade da entrega. E ainda se ouviam as últimas palmas do orador, quando o tanque partiu para a frente com os seus quatro valentes tripulantes. Animado por essa esplêndida façanha, Balashov esqueceu-se de que precisava de repouso, e continuou a representar. Uma vez recitou os famosos versos futuristas de Maiakovski, intitulados A voz de colarinho, num subterrâneo de defesa, em voz baixa, para não ser ouvido pelos alemães. Outra vez representou a bordo de um dos couraçados da Frota do Báltico, utilizando como cenários as torres blindadas e as pontes. E chegou a dar um espetáculo no fundo do mar, no bojo do submarino que bombardeara o dreadnought alemão "Von Tirpitz". Disse ele que "para os atores, pelo menos"a representação foi muito interessante. E afirmou que todos trabalharam com o mesmo vigor a que estariam obrigados num teatro de Moscou. A prova disso é que os marinheiros ficaram tão entusiasmados que perguntaram aos atores o que poderiam fazer, para corresponder à gentileza.

'Isto: — responderam eles — afundar um submarino nazista, em nosso nome'.

Mais tarde, o grupo de Sergei Balashov recebeu esse telegrama da Marinha Vermelha: — 'Tal como nos pediram, despachamos um torpedo em nome de vocês, Atores, e acabamos de afundar um submarino fascista'.

Desse entendimento, ou afetuoso espírito de camaradagem que liga os artistas aos soldados, todos recebendo a mesma orientação e as mesmas inspirações do governo, é que surgiu o espírito de unidade nacional, e, mais do que isso, o sentido de continuidade desse espírito. Se nenhuma outra classe vive ou trabalha alheia aos destinos da União Soviética, a classe teatral é, entre todas, a que mais colabora e a que mais eficientemente conduz a opinião pública nesse sentido, quer ligando o passado ao presente, identificando os heróis de ontem com os heróis de hoje, quer debatendo e esclarecendo os mais graves problemas políticos, ou ainda assumindo atitudes desassombradas que influem nas decisões das autoridades políticas.

Já me referi, em outro capítulo, a algumas peças destinadas ao fortalecimento e ao esclarecimento da vontade do povo para a luta contra os invasores. Mas agora, graças às preciosas informações de Longfellow Dana, posso mostrar como essa campanha foi sábia e meticulosamente organizada pelos autores soviéticos. Os leitores já conhecem o grande dramaturgo Leonid Leonov, e algumas de suas peças, como Invasão, que obteve o Prêmio Stálin de teatro, no valor de cem mil rublos, e já conhecem a atuação do não menos célebre Afinogenov, assassinado pelos nazistas quatro meses e meio depois do início da agressão. Esse autor genial, prosseguindo no plano indicado em Na véspera, escreveu Mashenka, que trata da crescente simpatia de um velho homem de letras, pela nova geração soviética; Ponto distante, na qual demonstra o papel importante que podem desempenhar na defesa nacional as pequenas coletividades das aldeias mais afastadas, e tantas outras já examinadas. Vershinin e Ruderman chegaram a escrever uma peça cujo tema só seria lógico depois de deflagrada a guerra. É o caso do drama Vitória, escrito em 1937, ao qual já me referi na adaptação feita pelos autores americanos Janet e Philip Stevenson, que foi representada em Nova York com o título de Contra-ataque.

Kaverin produziu um trabalho notável, na mesma linha de Na Véspera, de Afinogenov. Trata-se de A casa da colina, cujas primeiras cenas se passam numa casa de campo, na noite da invasão. Nessa vivenda tranqüila, recentemente construída, à margem de um rio e rodeada de pinheiros, vive um professor de História com sua família: a esposa displicente e ineficaz, um filho de dezesseis anos e uma filha mais jovem, que aproveita a oportunidade para revelar um grande "segredo", isto é, o seu próximo casamento com um moço estudioso que está presente. Para festejar o acontecimento bebe-se champagne e fazem-se brindes. Um velho amigo da família, médico muito distraído, pronuncia um discurso alusivo ao contentamento da família e fixando o momento que estava vivendo, que seria maravilhoso...se fosse duradouro. Mas o irmão da noiva liga o rádio para alegrar ainda mais as comemorações com um pouco de musica, e capta a voz de um locutor difundindo a notícia que todos esperavam sem esperar: os exércitos alemães haviam invadido a Rússia. No segundo ato, dois meses depois, em agosto de 1941, a família feliz da casinha da colina está dispersa. O jovem estudante, noivo da mocinha, alistou-se no Exército Vermelho. O chefe da família é agora chefe de guerrilheiros que operam atrás das linhas alemãs. Mãe e filha haviam abandonado Leningrado. Apenas ficara o rapaz de dezesseis anos, para defender a casa, sendo afinal ferido pelos invasores no momento em que gritava: "Avante!". O ato seguinte transcorre em Leningrado, onde a mocinha encontra o noivo gravemente ferido e a mãe dá provas de insuspeitadas qualidades de bravura e coragem agitando-se no meio dos horrores produzidos pelos terríveis bombardeios. Por fim, o último ato leva novamente os espectadores para a casinha da colina, quase desabada. A luta havia serenado um pouco e a família voltou a reunir-se, menos o chefe, que todos suspeitam haver morrido, mas que aparece nas últimas cenas, são e salvo, a tempo de dizer ao jovem estudante já restabelecido e pronto para partir com o Exército Vermelho: — "Volte com a vitória!" Essa peça alcançou um grande sucesso no Teatro Gorki (antigo Aleksandrinski de Leningrado), quer diante de espectadores civis como de militares.

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Outra obra impressionante pela sua intensa dramaticidade é a dos irmãos Tur e Sheinin, A terra da Pátria, ou O Húmus da Pátria, na qual os autores, já experimentados numa larga série de trabalhos desse gênero, intercalam cenas de grande comicidade. Um antigo proprietário de terras, russo reacionário que fora dono de uma casa em Leningrado e de outra no campo, uniu-se aos invasores alemães com a esperança de reconquistar suas antigas propriedades. Traz pendente do pescoço um saquinho de pano cheio de terra russa apanhada nos terrenos que herdara de seus pais. Esse homem havia jurado comer um punhado dessa terra quando voltasse à Rússia. Mas verifica que a sua antiga casa de campo havia sido transformada em escola de agricultura para os trabalhadores, e que a terra russa tinha um sabor amargo. Espera chegar à cidade que teima em chamar de São Petersburgo, e fala delirantemente do Rio Neva, da perspectiva Nevski, do poema de Pushkin, O Ginete de Bronze, e cita a obra de Griboedov Tristezas do espírito, repetindo as palavras que deram título à peça: "Doce e agradável é o húmus da pátria". Acontece que, contra a sua esperança e a dos alemães, Leningrado resiste ferozmente. Quando os camponeses e guerrilheiros russos ateiam fogo nas florestas, nos bosques e nos campos, o "húmus da pátria" já não parece mais tão doce e agradável. Nessa peça os oficiais alemães não estão retratados segundo a concepção de Hitler, mas um pouco diferentes uns dos outros. Um coronel ainda admira Bismarck, sendo logo menosprezado por um outro comandante nazista, que procura ferí-lo, dizendo: — "Bismark não teve uma campanha russa!" Mas o outro responde audaciosamente, ou, pelo menos esquecido da Gestapo: — "Nesta campanha Bismark talvez fosse mais sábio que o nosso chefe atual". Os oficiais nazistas levam consigo um cinematografista alemão que havia antes filmado Hitler em posição determinada com o fim de organizar um filme no qual aparecessem os camponeses russos atirando-se nos braços de seus "libertadores" com o pão e sal nas mãos. O filme seria destinado a influenciar a opinião mundial que, segundo a cínica afirmação do comandante nazista, havia sido formada por 'uma dezena, pouco mais ou menos, de idiotas que vivem em Estocolmo e Genebra'. Quando vão filmar a cena que haviam preparado, os guerrilheiros que se haviam introduzido no meio dos camponeses manietados rompem fogo contra os nazistas. Até mesmo os guerrilheiros tomados como personagens da peça estão um pouco diferenciados pelos autores. Há um chefe vigoroso, Kazatkin, e sua mulher Antonina — que fala o alemão — e trabalha como criada dos nazistas para comunicar ao marido os planos do inimigo. Há também um velho camponês, procedente da "Granja Coletiva do Trabalho Pacífico", consciente já de que não há "trabalho pacífico", e que, ao juntar-se aos guerrilheiros, esvazia os reservatórios de gasolina de sete tanques alemães, "como se estivesse ordenhando sete vacas". Finalmente há um vagabundo audacioso, Zabudko, que em certa ocasião fora preso por ter espatifado duas cadeiras durante uma bebedeira. Quando uma granada alemã destrói a porta da prisão, Zabudko apresenta-se para prestar serviço, e, improvisando versos de pé quebrado, arrebata um acordeon dos alemães, dinamita uma ponte, atirando-se ao rio, insulta os nazistas até morrer crivado de balas dos invasores.

Constantino Finn, escritor fecundo de quem já falei, escreveu duas peças durante a invasão, intituladas O Bosque ruza e Pedro Krymov. Bosque Ruza, que também foi representada nos Estados Unidos, igualmente adaptada por Janet e Philip Stevenson, com o título de Arma Secreta, trata de um destacamento de guerrilheiros russos ocultos no Bosque Ruza, entre Smolensk e Moscou, cercado por numerosas tropas alemãs. Os nazistas, decepcionados porque os camponeses não se haviam insurgido contra o Governo Soviético, depositam toda sua esperança nos "intelectuais" russos, que convidam para uma reunião. Conseguem, entretanto, reunir um reduzido grupo de velhos e velhas, quase todos não intelectuais, mas nenhum deles deseja colaborar com os alemães. Ao ser obrigado a cantar, um velho cantor russo entoa a Internacional e é logo fuzilado. Uma russa, em frente ao hospital da cidade simula ajudar os invasores. Mas quando os nazistas descobrem que ela, ao contrário, está trabalhando para seus compatriotas e afirmando que a "arma secreta" daquela gente é o desejo de viver, também é logo fuzilada. Os alemães então concentram suas esperanças na ajuda de um tal Petrenko, mas este leva o destacamento, com risco de sua própria vida, para uma emboscada no Bosque Ruza. O chefe dos guerrilheiros, que os espera oculto no bosque, emociona-se de tal modo com o heroismo de Petrenko, que o salva sacrificando sua própria vida. Graças a esse procedimento heróico, o resto dos guerrilheiros pôde unir-se ao Exército Vermelho.

Em Pedro Krymov Constantino Finn trata do extraordinário esforço dos operários soviéticos no campo das indústrias.

Nenhum dos setores de atividade foi esquecido. São inúmeras as peças que tratam do Exército Vermelho, como Meu amigo e o Coronel, de Virta; Saudações às armas, de Voltekhov; Lev Dovator, de Bergelson, que tem como tema a cavalaria; A geração Alada, de Pervenstev, sobre a Força Aérea Vermelha, apresentando não só os que desenham novos tipos de aviões, como os que os conduzem carregados de bombas às linhas inimigas, demonstrando que, como nos outros setores, na aviação também estão unidas a frente e a retaguarda; Regimento D.D., escrita por um ás da aviação, Vodopianov, de parceria com o escritor Laptev, também trata dos grandes feitos dos aviadores soviéticos; Comandantes no timon e Costas nativas, de Mateveev, ambas rendem homenagens aos heróicos marinheiros da Frota Vermelha, e outras de caráter acentuadamente realista, como a audaciosa peça de Alexandre Korneichuk, A Frente. Antes de tratar dessa peça, que provocou tremendas discussões e foi considerada a melhor sobre temas de guerra, convém dizer quem é Korneichuk. Esse autor ucraniano, um dos mais vigorosos da Rússia Soviética, deu tais demonstrações de sua capacidade como orientador do povo, que foi nomeado Sub-Comissário do Povo para as Relações Exteriores, depois de haver conquistado, em três oportunidades, o mais alto prêmio Stalin de literatura teatral, recebendo, portanto, 300.000 rublos. Esses três prêmios foram atribuidos às seguintes peças: Platon Krechet, em 1940, Nas estepes ucranianas, em 1942, e A Frente, em 1943. Essa última, a que provocou discussões, quando representada nos principais teatros e publicada, na íntegra, no Pravda , serve para mostrar as vantagens da mais ampla liberdade de crítica, quando a crítica desassombrada se exerce em sentido construtivo. A Frente apresenta um general de idade já um pouco avançada, que, havendo conquistado uma excelente folha de serviço durante a guerra civil, e tendo sido condecorado quatro vezes por atos de bravura, resolve "dormir sobre os louros". Alem disso, torna-se intolerante, conservador e rebelde a qualquer orientação de oficiais mais jovens sobre os métodos modernos de guerra. Orgulhoso e envaidecido com seus êxitos passados, dá-lhes ordens absurdas. Em vão procuram, seu irmão e seu filho, convencê-lo a ouvir os conselhos de experiência. Tentam inutilmente mostrar-lhe que a sua coragem e a sua honra não bastam, já que é incapaz de aprender os novos métodos. Sua obstinação vai a ponto de torná-lo culpado da perda irreparável de uma coluna de tanques e da própria morte de seu filho nesse combate. Em contraste com a teimosa atitude desse velho general, Korneichuk mostra a figura de um jovem oficial soviético, formado pelo novo regime, que domina a tática moderna e mantém estreito contato com os soldados. Finalmente, de acordo com uma ordem de Moscou, o general é substituído pelo jovem oficial, depois de uma série de peripécias.

Alem dessas peças de homenagem ou de crítica às classes armadas, muitas foram produzidas, igualmente, em louvor ou de incentivo às populações civis. Em Até que o coração deixe de bater, opereta de Yastovski, com música de Svirodovoi, aparecem os heróis civis lutando "até que seus corações deixem de pulsar". Mulheres, de Nikulin, apresenta o esforço e o papel da mulher na guerra. Em As esposas dos soldados, de Virta; As moças ficaram sozinhas, de Kloss, e o Chale Azul, de Kataev, os autores tratam com simpatia e bondade da situação das moças que ficaram nas cidades distantes dos campos de batalha, Smirnov em Filhos, oferece um quadro magnífico da mãe russa, nas granjas coletivas, e de seus filhos cobertos de glória.

O jovem e grande autor Constantino Simonov, nascido durante a Primeira Grande Guerra, na qual perdeu seu pai ao combater os alemães, participa agora da Segunda Grande Guerra, não só incendiando depósitos de munições do inimigo na retaguarda, ou capturando aviadores germânicos, ou ainda tomando parte ativa na defesa de Leningrado, atos de bravura que lhe valeram o cargo de Primeiro Comissário de Batalhão, mas também produzindo peças da mais incisiva influência no espírito público. Uma de suas primeiras peças, Um companheiro de nosso povo, mostra como Lukonin, um jovem e modesto professor de aldeia, gradualmente se transforma em heróico dirigente de uma divisão de tanques, em cuja honra se erige uma estátua para que as crianças possam apontar para ela e dizer: — "Aquele é um companheiro do nosso povo". O mesmo Simonov escreveu a seguir O Povo Russo, representada no Teatro de Arte de Moscou e depois em trezentos teatros. Se na primeira, o personagem central era um indivíduo, na última, o herói era todo o povo. Ambas receberam o prêmio Stalin, sendo, entretanto a segunda contemplada com um segundo lugar, no valor de 50.000 rublos.

Constantino Simonov (E) e Eugeno Petrov: companheiros no front

Em O Povo Russo Simonov mostra como todo o povo pode desempenhar um papel importante na defesa nacional. Safonov, ex-chofer, é agora capitão. Lokunin, ex-professor, é agora major-general. O poeta Panin (que deve ser a figura do próprio autor ) é o chefe do Departamento de Inteligência. Um vagabundo amável, Globa, marcha para a morte cantando uma canção, porque "uma canção é magnífico para infundir coragem". Valya, rapariga pela qual o capitão se apaixonara, é enviada por ele a uma perigosa missão atrás das linhas inimigas. Maria Petrovna, velha mãe do capitão, é enforcada pelos nazistas. Todos estão dispostos a sacrificar a vida, como o afirma o capitão, ao dizer que cada um está preparado para "morrer para um fim". A coragem de um povo brota de seu próprio amor à vida, à pátria que todos criaram pelo trabalho coletivo. Cada um tem um motivo particular para lembrar-se da pátria na hora decisiva, mas todos a amam da mesma maneira e estão unidos na mesma disposição de morrer por ela. Por mais trágica que a morte possa parecer para o povo russo, chega a ser quase uma felicidade quando a comparamos com a dos invasores nazistas e a do miserável traidor russo, Kharitonov, que, ao morrer, deixa de ser homem. Ao trair a pátria traiu sua própria família. Os nazistas o obrigam a mostrar-se feliz e alegre diante do fuzilamento de seu próprio filho, comandante do Exército Vermelho. Também não foi esquecido o aspecto sentimental, como um sadio encorajamento. Constantino Simonov descobriu, quase com surpresa para si mesmo, que a guerra havia tornado "os sentimentos dos homens mais agudos, mais puros e mais sensíveis à arte e à poesia". Descobriu que os soldados desejam a poesia, a poesia do amor e do afeto, que os homens de ação gostavam de ouvir poesia, especialmente poesia de amor. Dentre os poemas preferidos pelos soldados, um dos seus, Espera-me, mostrando que a certeza de que há uma mulher em casa, esperando seu soldado, de alguma sorte o salvará das garras da morte, foi logo transformado em obra teatral. Nessa peça, Simonov conta a história de um aviador russo cujo avião caira alem das linhas alemãs, e a quem todo supõe morto, menos sua mulher. E só ela tinha razão, porque o aviador conseguira unir-se a um destacamento de guerrilheiros com o qual consegue chegar à aldeia e à própria casa onde a esposa o esperava.

É curioso notar aqui que as obras sobre os guerrilheiros são as que mais empolgam as platéias soviéticas. Por isso mesmo a bravura desses heróis foi tratada em muitas peças.

Peretz Markish escreveu uma dessas peças para o Teatro Habima de Moscou. Krapiva e Kpaler escreveram duas com o título de O Guerrilheiro, sendo uma sobre as guerrilheiras. Surgiram ainda No velho moinho, de Kryukov; O furacão, de Yakovlev; O Sangue do Povo, sainete dramático-musical em um ato, de Dzerzhinski, e uma ópera em um ato, de Mossolov, O Sinal. Nessa última há um guerrilheiro que, imiscuindo-se nas linhas alemãs, descobre um importante depósito de armas, e pondo-se em contato com a artilharia do Exército Vermelho, resolve servir de sinal, gritando: — 'Apontem em mim!' E morre com os inimigos.

Essas peças prestaram grandes serviços, porque, empolgando o público, levaram muitos espectadores à prática do que viam em cena. Conta-se que, numa aldeia cujos habitantes haviam assistido a algumas peças sobre os guerrilheiros, e que depois caiu nas mãos dos nazistas, foram praticadas muitas das façanhas e das ciladas que mais haviam impressionado os espectadores durante as representações.

O cerco de Moscou, como o sítio de Leningrado, também ofereceu ótimas oportunidades e soberbos temas aos autores soviéticos.

É decisiva a influência exercida no espírito dos autores pela capital da União Soviética. Quase todas as obras que se destinavam a sustentar o moral de seus habitantes, tem o seu nome no título: Moscou, de Pardov; A moça de Moscou e Primavera em Moscou, de Victor Luzev; A alma de Moscou, de Grigori Mdivani, e mais, Moscou não se renderá, Moscou contra-ataca, Nossa Moscou, até Noites de Moscou, de Progodine.

Leningrado, que pela sua situação foi mais sacrificada, sofreu profundas modificações em sua vida teatral, como, por exemplo, a de funcionarem os teatros às cinco horas da tarde, de modo a terminar antes das incursões aéreas dos alemães. Diziam os diretores que era preciso 'adiantar-se a Hitler', embora Hitler muitas vezes tivesse chegado antes da hora. O diretor Sergei Radlov conta que durante uma apresentação de Otelo, de Shakespeare, foi obrigado a interromper a representação justamente na passagem em que o mouro deveria estrangular Desdemona, momento exato em que começaram a zunir as sirenes anunciando a aproximação dos aviões. Os espectadores começaram a vociferar. Mas não se tratava, como ele verificou, do medo de que uma bomba atingisse o teatro, senão de um protesto contra a incultura dos nazistas, interrompendo uma representação shakespeareana, que são apreciadíssimas pelos russos. No dia seguinte, saltando por cima de escombros, pelas ruas, a multidão de espectadores superlotou novamente o teatro para assistir à repetição de tragédia. Korcagina-Alexandrovskaia, velha atriz do Teatro Pushkin (antigo Alexandrinski) ao receber o Prêmio Stalin, abriu mão do dinheiro para a compra de um avião.

Eis aí alguns dos motivos da inspiração dos autores de Leningrado, que passaram a produzir grandes peças. Schwartz escreveu Uma Noite, sobre os dramas do cerco, e uma outra, para o Teatro de Jovens Espectadores, sobre a vida da nova geração de Leningrado, evacuada da cidade e dedicada com todas as suas forças ao trabalho de prestar auxílios aos seus defensores. Kavtrin escreveu Grandes Esperanças, também dedicada aos jovens que organizaram um batalhão de estudantes. Vishnevski, o marinheiro dramaturgo, escreveu O mar largo, em colaboração com Azarov e Kron, passada entre Marinheiros do Báltico.

Observa Longfellow Dana que, assim como se escreveu uma obra sobre o famoso compositor Chostakovitch, O cidadão de Leningrado, que compôs a Sétima sinfonia, durante o cerco da cidade, nada mais original do que aparecerem peças sobre os correspondentes de guerra. De fato Levin e Metter escreveram Nosso Correspondente, tratando da vida heróica de um jornalista na frente de Leningrado, e os autores Arbuzov e Gladkov, o drama Imortal, que tem como protagonista um correspondente norte-americano. Esse jornalista vai sendo a pouco e pouco conquistado pelo heroísmo de seus jovens amigos russos que lutam nas guerrilhas. Imortal era a alcunha de um chefe guerrilheiro para quem parecia não existir a morte, mas que vem a morrer um dia heroicamente. O jornalista americano, empolgado pelas suas façanhas e considerando a sua figura como uma das mais típicas, resolve adotar para o livro que estava escrevendo sobre a Rússia o título Imortal. No final da peça, ao serem os guerrilheiros cercados pelos nazistas, o jornalista apodera-se de uma metralhadora e abre fogo contra as tropas atacantes, gritando: 'Os Estados Unidos já entraram na guerra!' Esse grito provocava sempre uma salva de palmas dos espectadores soviéticos, em todos os teatros.

As companhias de Leningrado, quando os bombardeios se intensificaram, resolveram continuar suas representações em outras cidades. O Teatro Pushkin foi para Novosibirski, e o Dramático Gorki para Kirov. As companhias de Moscou também tiveram que refugiar-se, indo a do Teatro Vakhtangov, que foi totalmente destruído, para Omsk, o Bolshoi, também danificado, foi para Kuibyshev, alem do Volga; o Teatro Maly, para Chlyabinski; o Teatro de Arte, para Saratov; o Kamerny, para Yrkutski; e o Teatro do Soviete de Moscou, para Alma Ata. Até o Teatro da Criança foi para o Oriente, acompanhando os seus pequenos espectadores, quando em 1941 as crianças de Moscou tiveram que abandonar a cidade, deixando suas casas, mas levando "o seu segundo lar".

Quando li o artigo de que me sirvo para completar as informações desse livro, na parte que se refere às realizações do teatro soviético durante a guerra, lembrei-me do slogan radiofônico que até hoje a Alemanha espalha pelo mundo em ondas curtas: 'Alemanha, defensora da cultura...'.

Informa o articulista que, mesmo durante os horrores da invasão, os teatros russos não representaram apenas as peças de propaganda da união nacional e da defesa da União, mas continuaram o seu programa de difusão de cultura através do teatro, tendo em vista as palavras de Voroshilov, inscritas no pórtico do Teatro do Exército Vermelho: — 'Todo soldado do Exército Vermelho deve compreender a cultura pela qual está lutando'. É por isso que continuaram em cena as peças de Shakespeare, Sheridan, Bernard Shaw, Priestley, Dickens, Lilian Hellman, Eugênio O'Neill, Cliford e tantos outros autores ocidentais, sem a menor preocupação nacionalista. E é também por isso que os soldados soviéticos compreendem a cultura "pela qual estão lutando", graças às constantes representações a que assistem, e como o prova a pitoresca passagem presenciada entre um soldado russo e um correspondente de guerra norte-americano. O soldado perguntou ao jornalista se não lhe parecia que a personagem Parolles da peça Tudo está bem quando acaba bem, de Shakespeare, era o protótipo de um façanhudo oficial nazista, e o correspondente confessou, com surpresa ingênua para o soldado, que nunca ouvira falar nesse tal Parolles.

Com episódios como esse não é para admirar que, só em Moscou, em junho de 1941, nas vésperas da invasão, nada menos de cinco teatros estivessem representando obras de Shakespeare, como peças de Lope de Vega, Benavente, Moliére, Flaubert, Sheridan, estrangeiros, e mais As três irmãs, de Chekhov; Mascarada, de Lermontov e Ana Karenina, de Tolstoi. Enquanto os "defensores da cultura" se preparavam, ou apenas aguardavam a hora de apunhalar a Rússia pelas costas, naquela noite de verão do dia 21 de junho de 1941, os soldados do Exército Vermelho, por uma curiosa coincidência, assistiam no novo teatro do Exército Vermelho, em forma de estrela, à fantasia shakespeareana, 'Sonho de uma noite de verão..'.

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