Homenagem a Humberto Teixeira no Ceará Baião Brasil 2002

A- A A+
Quando a música nordestina torna-se um fenômeno fonográfico, em todo o Brasil, e hoje mais do que nunca, grupos e entidades revelam a necessidade de lembrar os seus maiores promotores (Luís Gonzaga e Humberto Teixeira), várias pessoas (músicos, letristas, poetas, jornalistas e pesquisadores) sentem-se no dever de resgatar a história do compositor Humberto Teixeira. Com Gonzagão, ele criou o gênero Baião, estilo que marcou época quando a música popular brasileira corria o risco de descaracterizar-se diante da invasão de ritmos importados, por volta de 1945. Um desses pesquisadores é o cearense radicado no Rio de Janeiro, Pedro Álvares, que espera até o final do ano realizar um projeto, no Ceará, para retomar o valor do artista. Segundo ele, a iniciativa vai popularizar entre as novas gerações o valor da obra de Humberto Teixeira no cenário nacional. Vai também reafirmar a capacidade e o talento do povo cearense, contribuindo para o fortalecimento da auto-estima dos nordestinos. Para Pedro Álvares, o ritmo nordestino denominado de "forró" hoje está deturpado. "No Ceará não se toca forró", afirma, demonstrando completa decepção aos gêneros que hoje são divulgados como se fossem músicas regionais.

Afirma que é revoltante o poder das gravadoras e das emissoras de rádio, principalmente, o "esquema de promoção" de músicas e de shows que não têm nada com a "nossa cultura e nem com a música nordestina". Seu contentamento é acreditar que "as coisas estão mudando", e assim como ele, existem outros defensores interessados em mostrar o verdadeiro "forró", ou o "Baião". Analisa que os ritmos nordestinos têm vocação para a dança e que nos últimos anos vêm atraindo pessoas de todas as idades." Mas o poder financeiro impôs mudanças radicais, apoiadas em instrumentos elétricos e linguagem poética universal, que descaraterizam a cultura popular", completa o pesquisador.

Diz ainda que os shows das bandas ou grupos chamados de "forrozeiros", que através da mídia paga ganharam o Brasil, hoje são misturas de estilos sem critérios próprios, apoiados em dançarinas seminuas, instrumentos elétricos e letras apelativas que "não são mais nem de sentido dúbio, são diretas apelações pornográficas", sublinha. Nesses locais predomina a bebedeira e outros comportamentos que nada se parecem com o gosto e o comportamento do povo. Para ele, o esquema funciona como uma máfia, em nome do lucro rápido e fácil. "Os músicos e dançarinas são assalariados... ganham misérias", denúncia. "Existe um entendimento com as emissoras de rádio de não promover quem não se enquadra nesses esquemas", acrescenta. "Uma só empresa domina várias bandas e controla dezenas de rádio", afirma.

Pior ainda, conforme o estudioso, "é que o Ceará, apesar de ser a terra de Humberto, padece de uma grave crise de identidade com a sua memória. Na verdade, o estado, por alguma razão, que a maioria desconhece, não guarda quase nada de sua memória", alerta, citando outros cearenses de destaque na história nacional: Antônio Sales, Padre Mororó, Alberto Nepomuceno, Barão de Studar, Dragão do Mar, Bárbara de Alencar, Senador Pompeu, Paula Ney, Ildefonso Albano, Lauro Maia e Eliazar de Carvalho. Aliás, como sugere o professor Ariano Suassuna, o sucesso passa e "o êxito é o que importa". Nos últimos cinco anos a fase madura do "forró" vem se firmando diante da crescente exigência popular do retorno ao gosto original, ou seja, "produção industrial da música nordestina elaborada sobre bases harmônicas tradicionais com instrumentos e recursos também originais como sanfona e o zabumba", prossegue o pesquisador. Diz que esta é a hora de mudar, aproveitando a exigência do público.

O Ceará Baião Brasil

Pedro Álvares lembra que "o forró domina os gostos urbanos de todas as classes sociais, de sul e norte, e um grande movimento de artistas no Rio de Janeiro quer mostrar a importância musical da obra de Humberto Teixeira, iniciativa que ele, como cearense, não quer deixar o Ceará de fora. Incorporando-se a esses movimentos, ele idealizou um evento. É "O Ceará Baião Brasil", ou seja, uma série de espetáculos ao ar livre, com entrada gratuita, a ser realizados em Fortaleza e outros grandes cidades do interior cearense, como Iguatú, Sobral, Juazeiro e Quixadá. Serão feitas outras produções, como livro de cordel, contando a vida e falando sobre a obra musical de Humberto Teixeira. Palestras, debates e seminários também ajudarão a entender o assunto. Ele também tem um projeto de casa de show tipicamente nordestina para funcionar em Fortaleza (capital onde mais se promove forró deturpado), "priorizando o forró pé-de-serra", acrescenta.

No show musical serão oito horas de atração quando todo o repertório de Humberto Teixeira será apresentado por dez diferentes atrações de baião, sendo várias de expressiva repercussão (Sivuca, Dominguinhos, Fagner, Elba Ramalho, Marinês, Waldonis e Adelson Viana) e outras de autêntico forró pé-de-serra cearense. Terá ainda uma feira de artesanato e culinária através de barracas instaladas, "para conferir um clima tipicamente interiorano, como são os ritmos de Humberto Teixeira", acrescenta Alvares.

O seminário Vida e Obra de Humberto Teixeira, com autoridades no assunto, terá o objetivo de resgatar a história e a importância não apenas musical, mas como advogado e político que foi o cearense, garante o organizador. Na mesma oportunidade será apresentado um vídeo documentário que está sendo produzido pela filha de Humberto Teixeira, Denise Dumont. O cordel sobre a vida e obra do compositor, segundo Pedro, terá uma tiragem de 30 mil exemplares.

Quem é Humberto Teixeira

Humberto Teixeira (Humberto Cavalcanti de Albuquerque Teixeira) nasceu em Iguatú, Ceará, em 1915, ano considerado "terrível" para os cearenses, quando foi registrada a maior seca na região, fato inclusive retratado pela escritora Raquel de Queiroz, no livro O Quinze. Muito cedo revelou sua sina de cearense errante: Foi morar em Fortaleza, onde concluiu o ensino médio, e aos 16 anos já estava no Rio de Janeiro, onde vendeu óculos Rayban, divulgou restaurantes, foi recepcionista de hotel e fez outros biscates para sobreviver. Na então capital da República Humberto Teixeira estudou medicina e se transferiu para o curso de direito, onde se formou em 1947.

Seu destino estava ligado à música. Em 1945, já conhecido nos meios musicais do Rio, ele recebe seu cunhado Lauro Maia, cearense casado com sua irmã Djanira, outro também consagrado como músico e compositor. A partir daí a produção dos dois se intensifica numa parceria explosiva. "Eram cunhados mas pareciam irmãos, tal o grau de efetividade que os unia", comenta Pedro Álvares. A primeira música que resultou dessa parceria foi Terra da Luz. O poema sinfônico com arranjos de Lauro, tinha letra e música de Humberto. Terra da Luz foi realmente a primeira manifestação musical retratando a saudade de sua terra natal.

Talento precoce, no entanto, sua primeira composição foi ainda menino, em Fortaleza, quando fazia o curso de flauta com o maestro Antônio Moreira. Compôs uma melodia em homenagem a uma jovem cearense —Hermengarda Gurgel— vencedora de um concurso de beleza. A música, com a ajuda do maestro, foi editada em São Paulo, porem não gravada. Sua primeira música gravada viria a ser a Sinfonia do Café, em 1944. Antes porém já tinha revelado seu talento e ganhado publicidade com um concurso de música carnavalesca promovido pela revista "O Malho". Com a música Meu Pedacinho, ele se destacou ao lado de Ary Barroso, Ary Kerner, Índio das Neves e José Maria de Abreu. Ficou entre os cinco melhores concorrendo com dezenas de músicos já consagrados na época. Tinha somente 16 anos. E nesse período enviava regularmente várias músicas para a gravadora Guitarra de Prata, todas editadas, mas que não eram gravadas.

Meu Pedacinho foi apresentada por Aracy de Almeida, que disse: "Soldadinho, vem cá. Você é o autor dessa música? Mas como é que não orquestraram, não botaram um cantor pra ela?". Ele esquecera de que teria de se apresentar dias antes para ensaiar a melodia. Figurando entre os vencedores do concurso, a foto de Humberto Teixeira foi publicada na revista "O Malho", ao lado de famosos ídolos.

A Sinfonia do Café foi uma criação em que ele também concorreu com grandes compositores da época, como Ary Barroso e Lamartine Babo, meados dos anos 40. A música, uma exaltação da maior riqueza brasileira, o café, foi feita por ele especialmente para ilustrar a peça Muiraquitã, então apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foi um sucesso total e a partir dessa primeira gravação, pela proscrita gravadora Columbia, teve o talento reconhecido publicamente e pelos empresários do setor.

Nos primeiros anos da década de 40, a música no Brasil era o samba-canção e os ritmos importados. O pernambucano Luís Gonzaga, que já provava do sucesso, procura um parceiro para lançar um ritmo nordestino. Orientado por Lauro Maia, Gonzaga encontra Humberto. A "música do norte", como chamava Gonzagão, foi batizada de Baião. Gonzaga do Exú (PE) e Humberto de Iguatú (Ce) somaram-se com perfeição nesse novo gênero musical que contagiava principalmente pela dança. Baião e Samba eram agora os rítmos das paradas musicais. Uma espécie de revolução. Luiz Gonzaga, com seu traje típico (chapéu e sandálias de couro e gibão), contrariando os métodos da época (os cantores e compositores se apresentavam de smocking ou de terno e gravata), e Humberto Teixeira, influenciaram toda uma geração de novos músicos.

O sucesso foi tão grande no início de 50 que ele, estimulado por um político paulista, se candidatou e foi eleito Deputado Federal pelo Ceará. De princípio recusou a proposta alegando que não era conhecido no Ceará, no entanto, estimulado por Luís Gonzaga ("deixa comigo, Humberto: eu canto a Asa Branca e o povo vai te conhecer), venceu o pleito e teve uma histórica participação no Congresso, criando a Lei Humberto Teixeira e lutando pelos direitos do autor brasileiro.

Depoimento

Em 1977, dois anos antes de sua morte, Humberto Teixeira esteve no Ceará para receber uma homenagem. Para o pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez) ele deu um depoimento de 2 horas gravado no estúdio do entrevistador. Contou trechos de toda a sua trajetória, desde os primeiros anos de vida, na cidade de Iguatú, até as últimas parcerias com Luiz Gonzaga. "O Luiz Gonzaga, tal como eu, como Lauro, estava fazendo os primeiros sucessos dele com a Mula Preta, com Xamego, com as músicas que ele fazia com o Miguel Lima. Mas a vontade do Luiz era lançar a música do norte, como ele chamava. Ele não dizia do nordeste. Era a música do norte. Procurou o Lauro Maia e o Lauro disse: "Olha rapaz. Esse negócio de campa nha, isso me apavora. Eu sou um homem indisciplinado, eu não guardo coisas nem compromissos de um dia para outro. De maneira que eu acho mais interessante você procurar meu cunhado Humberto Teixeira. Ele também é compositor e faz músicas do norte e coisas e tal. Ele é mais organizado". Um belo dia, eu estou no meu escritório de advogado lá no Rio, na avenida Calógeras, quando me procurou o Luiz Gonzaga. Se apresentou, eu o conhecia de nome, mas foi a primeira vez que eu vi o Luiz pessoalmente. Ele me contou que tinha estado com o Lauro e ele tinha me indicado".

Conta que no mesmo dia chegaram "a duas conclusões muito interessantes. Uma delas é que a música ou o ritmo que iria servir de lastro para nossa campanha de lançamento da música do norte, a música nordestina no sul, seria o baião. Nós achamos que era o que tinha características mais fáceis, mais uniformes para se lançar essa música. E outra coisa: naquele mesmo dia nós fizemos os primeiros versos, discutimos as primeiras idéias em torno da Asa Branca, não só a letra como também melodicamente". No seu depoimento há mais de 25 anos, Humberto Teixeira reclama da mídia: "De 47 a 57, quer queiram, quer não, os documentos, a história dos suplementos, das fábricas, as gravadoras, o rendimento autoral das sociedades, tudo era feito em torno do baião. O Luiz, por exemplo, tem uma mágoa que você não pode avaliar em torno disso. É relativamente ao que eu chamo os principiantes, os aprendizes de historiadores da música popular brasileira, todos eles muito falhos, com algumas exceções".

No depoimento concedido a Nirez, Humberto Teixeira mostra que era perseverante no seu trabalho. Confessa que, no início, no Rio de Janeiro, enfrentando todas as dificuldades, tinha hora que dava vontade de desistir ("Eu tenho que abandonar isso porque eu não... Eu devo ser muito ruim. Ninguém aceita minha música"), "e como um bom cearense eu perseverei. Perseverei até que um dia veio a primeira gravação". Mas sua maior luta, o maior desafio, foi divulgar a música brasileira no exterior. Projeto vitorioso, é verdade, mas que lhe custou muito esforço para vencer todas as barreiras e preconceitos.

Na função de Deputado Federal, ele criou e foi aprovada a Lei Humberto Teixeira, que obrigava o governo federal a divulgar a música como se fosse uma mercadoria. Essa divulgação seria através de caravana anual de músicos ao exterior. A exemplo, na época, da música mexicana e cubana, a música brasileira traria dividendos para o Brasil. A lei foi aprovada, no entanto, como um castigo, a verba que o governo destinou, segundo ele, dava mal para as passagens. Para não se deixar vencer, viajou para Londres com um grupo de 10 artistas e conseguiu o seu intento, ou seja, um show de brasileiros na então capital do mundo.

"E eu lá, feito um desesperado, arranjar um contrato para colocar Os Brasileiros, nome que tinha dado à primeira caravana da Lei Humberto Teixeira. Havia uma grande dificuldade num centro grande como Londres onde só os mais famosos artistas do mundo se exibiam, tudo isso e eu lá tentando. O nosso embaixador na época era o Assis Chateaubriand. Depois de um determinado tempo ele tentou me dissuadir, dizendo: olha, Humberto, você tá fazendo um esforço muito grande, meu filho. Isso aqui é muito difícil. Você não vai poder abrir caminho assim num assunto desconhecido como é o Brasil, como é a música brasileira. Você traz os seus rapazes e nós fazemos aqui, tem a Anglo-Brazilian Society, eu dou uma exibição do seu grupo para essa gente e depois tudo isso tá bom, vai repercutir... Eu digo: não, embaixador. Não é isso que eu quero. Eu não quero exibir a música brasileira. Eu quero encetar uma campanha de maneira séria. Eu quero botá-los numa casa de espetáculos".

Segundo ele, sua insistência acabou angustiando o embaixador, e os funcionários que já não o agüentavam e diziam: "Pôxa, mas esse deputado maluco que veio para cá com essa idéia de música brasileira". Sem nenhum estímulo, com o dinheiro só da volta, teve a idéia de convocar uma entrevista coletiva da imprensa inglesa, com a ajuda de um jornalista cearense, Joaquim Ferreira, que era correspondente de "O Globo". Mesmo sendo informado de que na imprensa inglesa a coletiva só era convocada para assuntos "importantes" e de que ele teria de alugar um famoso hotel, com uísque de primeira qualidade (o jornalista inglês é muito cético dessa coisa, sobretudo estrangeira, e de um país anônimo, e custa caro) pediu uma sala da embaixada ao embaixador Chateaubrind para realizar a reunião com os jornalistas, e ele disse: "você está m aluco, você está doido. Que negócio é esse de conference part press com assunto de música? Você é um deputado. De jeito nenhum. Olha, a sua idéia é boa e generosa e eu tô vendo que você é um paraibano como eu..." E eu respondi: "Não embaixador, eu sou cearense". A verdade é que o embaixador me deu a sala, foram feitos os convites e para lá foram 25 profissionais entre jornalistas e fotógrafos, representando toda a imprensa inglesa: Manchester Gardian, o Times, o Daily Express, o Manchester New, entre muitos outros.

O próprio jornalista do Globo não acreditava que haveria qualquer repercussão: "não fique entusiasmado com o fato de baterem fotografia, muitas vezes só tem o flash... É só uma maneira de justificar o uísque e o salgadinho que eles estão comendo e bebendo". O resultado foi positivo, ganhou as primeiras páginas de todos grandes jornais londrinos: "Eu tinha estado, alguns dias antes, na EMI. Eu tinha uma carta de apresentação para o senhor Stanley Ross, superintendente geral da EMI, que eu tinha levado de um amigo diretor da Odeon do Rio. O Stanley Ross foi muito simpático, me arranjou uma ortofônica que eu levei lá para a embaixada. Ali eu iria mostrar os discos que eu tinha levado, já gravados por "Os Brasileiros". Gravados em acetato. Fotografias, material fotográfico, eu levei tudo aquilo. Comecei expondo o que era, dizendo que eu era um P.M., um Parlament Member, um deputado, na minha terra, e dizendo que eu queria lançar música como uma mercadoria que eu sabia que os ingleses iriam apreciar".

Conclusão: "O resultado é que eles saíram todos alegres. Eu dei discos para cada um e também lembranças do Brasil, souvenirs... E na manhã seguinte, um frio que eu tinha medo de perder até as orelhas. Era um negócio maluco. O Joaquim foi comprar o jornal, abriu e eu lá naquele lusco-fusco, naquela manhã londrina. Eu ví o Joaquim abrir a segunda página, a terceira e tal fechou o jornal. Eu digo: meu Deus, não saiu nada. Ele, depois que fechou o jornal, olhou para mim e disse: "ô seu fí duma égua!" Expressão muito cearense, muito afetiva e muito boa naquelas circunstância. Aí eu disse: O que é que diz, Joaquim? Ele aí traz o jornal e eu tô lá na primeira página do Manchester Gardian, e a notícia dizia: Um político brasileiro portador de uma lei da qual ele é o autor, querendo fazer intercâmbio de música brasileira com música inglesa. E no final, eles diziam: Mr. Parnell (dona da maior casa de shows), ajude Mr Tex". O mesmo assunto foi também manchetes nos demais jornais".

{mospagebreak}

O Baião foi cantado até em chinês

Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)*
"Humberto Teixeira nasceu em um ano de seca (1915) e saiu do Ceará em outro ano de seca e nunca abandonou suas origens. Existem artistas que saem da sua terra e esquecem o Nordeste, passam a vida toda e não produzem nada que diz respeito à sua terra natal. Humberto Teixeira sempre cantou o Ceará. Começou a despertar na música do Brasil a partir de 1939, fez gravações com vários artistas que cantaram música de sua autoria, e no primeiro concurso que ganhou, inclusive de Ari Barroso, foi com uma música falando do Ceará. Prosseguiu toda sua carreira ponteada com um motivo cearense. Sempre falava do Ceará e de sua gente. Ele andou pouco aqui, é verdade, mas sempre tinha sua terra no coração. Foi eleito deputado federal, com o apoio de Luiz Gonzaga, e nesta missão não perdeu a oportunidade de valorizar a cultura, criando o Projeto Humberto Teixeira. Este projeto levou vários artistas brasileiros para a Europa. Com Luiz Gonzaga, lançou o Baião, que ganhou força e prestígio. Os dois (Luís e Humberto) se completavam, fizeram um tipo de música que influenciou outros artistas que ficaram em seu lugar como o Zé Dantas. Humberto Teixeira era um poeta. Ele sentava em um canto e falava com você e dizia poesia, mesmo sem rima e sem métrica, mas era poesia, porque tudo que ele falava era bonito. Foi uma grande figura para o Ceará e para o Brasil. A música brasileira, se ele não tivesse existido, teria tomado outro curso. A música dele, no início dos anos 40, tomou o caminho da cultura nordestina, principalmente quando ele conheceu Luiz Gonzaga. Eles criaram um novo gênero: o Baião. Estilo que ganhou o mundo, e a música Baião foi cantada em todas as línguas, até em chinês, e representou o Brasil por um longo período. Mesmo depois de deixar a parceria com o Gonzagão, o seu método ficou em outros artistas. Ficou impregnada no sentimento nacional, principalmente nordestino. De maneira que até hoje continua , mesmo inconscientemente, nas criações musicais, como uma trilha deixada por Humberto e Luiz Gonzaga".
_______________________________________________
* Escritor e pesquisador, em Fortaleza (CE), mantêm um acervo particular composto de discos de cera, livros e fotos raras. Tem mais de 200 gravações (entrevistas) com artistas, realizadas em seu estúdio de áudio.

Baião
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chegue pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião

Eu já dancei balanceio
Chamego,samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras coisas não tem
Oi quem quiser, só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião

Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Dancei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que eu sou doido pelo baião
Gravação original dos 4 ases&1 curinga, selo Odeon, em outubro de 1946.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja