Plano Colômbia: ianques têm pressa

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Terra de café e da cumbia (dança popular de origem africana), de homens e mulheres alegres e trabalhadores, a Colômbia constitui a quarta economia da América Latina e é um país que foi açoitado pela violência política gerada pelas forças mais obscurantistas das classes dominantes, que tiraram o sangue do povo colombiano por muitas décadas.

O ascenso de Álvaro Uribe Vélez ao governo projeta o auge da política de violência e uma nova onda de guerras que ameaça ultrapassar o conflito nas fronteiras colombianas e envolver os países da região.

A política traçada pelo novo governo colombiano marca um retrocesso na saída política do conflito, reclamada por diversos setores, tanto do interior como de fora da Colômbia. Este é um novo panorama no qual a intervenção financeira e militar norte-americana é mais evidente, quando os imensos recursos financeiros para a guerra serão extraídos a custa de mais pobreza e miséria do povo colombiano, ao qual se somará um número maior de deslocados e de mortos.

Para os Estados Unidos, derrotar as guerrilhas colombianas é um assunto estratégico e vital, porque não podem permitir, que a três horas de Miami exista este mau exemplo para a juventude e para os povos, que vendo o estado de decadência social que há no continente, possam também optar por este caminho. Por isto, a guerrilha está na mira do imperialismo, como um alvo. Colômbia é uma janela para os dois oceanos; suas costas permitem ver os Estados Unidos e, de outro lado, a América Latina e por isto há uma luta estratégica pelo país.

O sinistro Uribe Vélez e Cia

Uribe, político ultradireitista, a quem é atribuído fortes vínculos com o narcotráfico, ganha as eleições com o aval das dissidências do Partido Liberal e com o apoio do Partido Conservador (o partido de Pastrana). A burguesia colombiana vinha trabalhando na busca de um protótipo de homem de Estado de “mão dura”, que manejasse as coisas dentro dos parâmetros do neoliberalismo, com uma política pró-fascista ao estilo Gaviria, que lhe desse uma pronta solução ao conflito pela via da guerra. Neste perfil, Uribe Vélez se encaixou perfeitamente. O presidente Uribe está rodeado de personagens sinistros como o Ministro do Interior e Justiça, Fernando Londoño y Londoño, autor do “Estado de Comoção” e do plano para recrutar um milhão de colombianos para constituir uma rede de informantes a serviço do Estado. Londoño é um velho franquista que já ameaçou as Côrtes de Justiça e os defensores dos direitos humanos os quais qualifica de assessores da guerrilha, assim como classifica os partidos ecológicos de sociedades comunistas anônimas. Outro personagem desta cúpula macabra é Pedro Moreno Villa, hoje encarregado da Segurança Nacional, que segundo algumas fontes é um reconhecido matador, que há três meses andava pelas ruas de Medellín fortemente armado. Dele se diz muita coisa: que trabalhou para Pablo Escobar na época que este tinha um grande poder; também se assinala que a DEA o tem investigado por causa de exportação de coca entre os anos de 1989 a 1993. Don Pedro Juan, como o chamam seus sicários, foi assessor de segurança no governo de Uribe em Antioquia, período no qual se produziram três massacres por semana. Ele mesmo também se reconhece amigo pessoal de Carlos Castaño, líder dos paramilitares da AUC; amizade que comparte com o novo mandatário.

Uribe não terá facilidades

Ao propor uma política de genocídio, Uribe terá que recorrer a um fortalecimento e crescimento das forças armadas dentro de sua estratégia de Segurança Nacional, que custará mais mortes e mais pobreza para o povo e significará também um maior submetimento à política norte-americana e a busca de um apoio na região. Sem dúvida, nem todo o caminho está aplainado para o novo governo. Ainda que as forças armadas colombianas sejam as mais bem treinadas da América Latina, em contrainsurgência, com toda a tecnologia, recursos humanos e econômicos dotados pelo Pentágono, há quarenta anos, têm sido incapaz de reverter o curso atual da guerra. E o exército só apresenta, diariamente, como troféus, milhares de camponeses e moradores dos povoados assassinados. Este exército enfrenta permanentes derrotas; politicamente não tem nenhum respaldo na vida nacional por ser imoral e corrupto. E militarmente não apresenta nenhuma conquista estratégica contra a insurgência.

Ainda que a base social que apóia a política de Uribe seja importante (5 milhões e 300 mil votos), esta não constitui a maioria entre os cidadãos habilitados para votar (24 milhões) e muito menos entre o total dos 42 milhões de colombianos. Os recursos que deve destinar o Estado colombiano para enfrentar esta guerra serão financiados com os “bônus de guerra”, com a eliminação de gastos sociais e dos direitos trabalhistas, extensão da jornada de trabalho, extensão do tempo para a aposentadoria e com mais impostos para a população. Com os quais pretendem arrecadar 2 dos 4 milhões de dólares que o Estado colombiano está comprometido a aportar. Diante desta situação, as organizações sociais e a população estão expressando já sua oposição frontal e se prestam a batalhar contra estas medidas. O presidente Uribe, ao criar o “Estado de Comoção Interior” (estado de guerra) e fazer a restrição à democracia não ensaia nada diferente do que já vem sendo praticado pelos 15 governos que o antecederam. Todos eles fracassaram pretendendo dar uma saída militar ao problema da insurgência, que tem mais de quarenta anos. Tola política burguesa que pretende desconhecer os fatores históricos e sociais que deram origem à insurgência e através dos quais ela se sustenta e cresce.

As principais organizações guerrilheiras, FARC e ELN, manifestaram que não aceitam um diálogo condicionado ao desarmamento, nem à desmobilização de suas forças e estão insistindo, assim como outros setores, numa solução política negociada, que inclua uma série de demandas de caráter democrático, de reformas econômicas, sociais e institucionais.

A política de chantagem e impunidade, que os Estados Unidos exigem de Uribe, encontra oposição de importantes setores sociais e políticos, que vêem como um perigo a assinatura de um convênio, pelo qual não poderiam ser julgados nem detidos soldados e pessoas norte-americanas que participem de operações militares na Colômbia. A isto se soma o rechaço do governo venezuelano em emprestar seu território para a instalação de bases militares, e a intervir num eventual conflito armado. Brasil, Chile, Peru até agora olham com descrença o problema e propõem a necessidade de uma saída política para o conflito. Neles também há a percepção de que, dado o grande crescimento das vozes contrárias, entre elas as vozes de altos oficiais da ativa e da reserva, opostas a intervir numa guerra que traria conseqüências desastrosas para o país.

A estrutura das Forças Armadas da Colômbia

A situação social do povo colombiano
O principal inimigo de Uribe é o Movimento Popular Colombiano que resiste e luta

População - 42 milhões
Pobreza - 30 milhões (salário mínimo de 140 dólares
Indigência - 9 milhões (recebimento de 1 dólar/dia)

10 mil assassinatos nos últimos 10 anos
2 mil dirigentes sindicais assassinados nos últimos 4 anos
2 milhões e 500 mil migrações internas
4 milhões de migrações ao exterior

180.000 Exército
120.000 Polícia
600.000 Afastados das Forças Armadas (estão nas empresas de segurança)
10.000 Paramilitares
100.000 Reservistas
20.000 Novos Paramilitares
1 milhão de informantes a serem recrutados

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