IV Encontro antiimperialista da América do Sul

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O IV Encontro de partidos e organizações antiimperialistas e revolucionários da América do Sul foi realizado em setembro último, na Bolívia, com a participação de representantes do Uruguai, Argentina, Equador, Bolívia e Brasil. Na abertura foi prestada uma homenagem especial ao secretário geral do Movimento Popular Revolucionário Paraguai Pyhurá, Eris Cabrera, que faleceu repentinamente dias antes do encontro, com uma saudação à sua trajetória revolucionária conseqüente e seu aporte à unidade dos antiimperialistas e revolucionários da América Latina. Ao final do encontro foi aprovada uma declaração que sintetiza as discussões realizadas e avalia a situação do agravamento da crise econômica, particularmente na América do Sul.

A crise que estalou na Argentina e se estendeu em junho ao Uruguai, Paraguai, Brasil, afetando inclusive o Chile e Equador, é parte da crise econômica internacional que produz permanentes problemas como as quedas das bolsas de Wall Street e da Europa, e a quebra de gigantescas empresas como a WorldCom, em meio a escândalos pela falsificação de balanços e outros. Trata-se de uma crise do sistema capitalista em seu conjunto. Uma crise que se manifesta principalmente no terreno financeiro, mas que não é simplesmente financeira, senão de todo o sistema econômico: uma crise de superprodução relativa, profunda e prolongada. Uma crise que explodiu na periferia, mas que é de todos os centros do sistema imperialistas e que agora se transfere de lá até a periferia, estalando nos países oprimidos com maior ou menor força e em distintos momentos, segundo as condições específicas de cada um desses países", afirmam os participantes no documento final do encontro, no qual lembram, não bastou a política de isolar a Argentina para que não houvesse contágio" da crise.

Quanto à situação do Brasil, na declaração fica claro que o país tem uma dívida externa pública e privada fabulosa, como conseqüência dos serviços de pagamentos ao exterior, interesses e dividendos de empresas e uma dívida interna ainda mais explosiva, devido a interesses usurários. Portanto, não se trata somente de contágio, e sim da extensão da crise, num país que tem um peso muito importante no mundo e por isso sua crise agrava a crise dos centros imperialistas". 

Apenas guerras

O governo Bush, prossegue o documento, segue uma linha belicista. Para tratar de sair da crise econômica invadiu o Afeganistão, deslocou suas forças armadas também para a Georgia, Uzbekistão e Kirguiziztão e reforçaram suas posições no Paquistão e no Oceano Índico. Apóiam a política fascista de Sharon contra o povo palestino e agora preparam uma nova agressão militar ao Iraque. Estimularam a política de guerra na Colômbia, através do Plano Colômbia e de sua extensão à chamada Iniciativa Regional Andina, que pretende envolver os países da área numa eventual intervenção militar na Colômbia. O Plano Colômbia, destinado desde o princípio a tentar acabar com a insurgência guerrilheira colombiana e impedir novas sublevações populares no Equador e ameaçar a Venezuela, se aprofunda agora com o governo de Uribe e com a participação militar direta dos ianques. Estimulam as políticas repressivas no Equador, Peru, Brasil e Bolívia sob o pretexto de combate ao narcotráfico."

A declaração faz uma contundente denúncia da Alca, que implicará no aumento da dependência de nossos países em relação ao imperialismo norte-americano; da realização de exercícios militares conjuntos em distintas zonas do continente; do interesse dos monopólios nas riquezas naturais existentes na América Latina, em particular às reservas de água doce; e da cobiça imperialista pela Amazônia, pelo Chapare boliviano e a Patagônia, sempre com argumentos de defesa da ecologia. Mas diante da ofensiva norte-americana não só cresceu a luta operária e popular, como a luta pela independência e a soberania nacional. A crise cria as condições objetivas que permitem aos partidos políticos do proletariado e aos revolucionários impulsionar gigantescos movimentos de massas, lutando para orientá-los e dirigí-los com um conteúdo libertador. Na América do Sul continua o auge de luta dos povos e das massas operárias, camponesas, indígenas, estudantis e populares. O poder oligárquico imperialista em nossos países não poderá ser destruído por via pacífica. Seja como foi tentado com Allende, no Chile, ou com Perón, na Argentina, em 1973, ou como parece pretender fazer Chavez na Venezuela. A experiência histórica nos tem demonstrado que para o triunfo da revolução é indispensável contar com um forte movimento de massas, uma poderosa vanguarda do proletariado e um instrumento adequado que garanta o exercício da violência revolucionária das massas em resposta à violência desatada pelas classes dominantes", conclui o documento.

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