Editorial - Obrigação que é direito

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E de repente o Brasil subiu ao podium das nações civilizadas. Adversários que se abraçam, sucessor e sucedido que confraternizam e, até a plebe ignara (termo tão ao gosto da burguesia e de seus escribas) sumiu e deu lugar a um povo civilizado. Também, pudera! A campanha eleitoral, ou de domesticação, ou de adestramento foi talhada para fabricar essa situação.

Conforme pacto medíocre, nada disseram no brilhante diálogo um tanto big brother, bem comportados que são. Não existe Amazônia, não existe Alcântara, Petrobrás não existe, porque também não existe povo, não existe principalmente exploração do homem pelo homem. Isso tudo acabou. As teses foram heroicamente defendidas: os dogmas e os ensinamentos da mais nova encíclica Washington D.C., o que não é novidade para esses quadros. Grande é a vitória da democracia, do sufrágio universal (ou "pesquisa de opinião") sob os olhares protetores do império, depois de firmados acordos e tratados com o Banco e o Fundo (nada comprometedor, apenas medidas protocolares, fiquem certos os que venderam a alma).

Sem dúvida, entre lamúrias e rompantes de indignação, o novo "vencedor" terá quatro anos para explicar, através do seu esperanto tecnocrático, cifras inúteis. Poderá dizer um dia que mais vale exportar que importar, no outro, o inverso; que o salário era pouco, mas que no instante seguinte é melhor assegurar o emprego. Da mesma forma, entregar a Amazônia jamais, alugar até pode...

"É o fim das oligarquias" (alegre fim) num país que, há muito, até o latifúndio foi abolido por lei. Não há direita. Todos foram para a esquerda (não sendo esquerda oficial, certamente é "terrorista"), enquanto que os fascistas obstinados, na pior das hipóteses, ficaram na centro-esquerda. Grande será a festa dos que pensam que derrotaram os poderosos. Pela primeira vez, o ritual de passagem de um operário a um quase-cidadão da metrópole. Também, para que nenhum teimoso perceba que o tempo está fechando, a cada dia deverá ser ampliado o efetivo policial-militar nas ruas.

Explodem protestos por todo o mundo contra a 3a Guerra.

A Palestina está reduzida a 20 por cento de seu território original. Esqueceram de avisar à ONU e, talvez por isso, palestinos resistem sozinhos. Os povos não se rendem, os verdadeiros sonhos de liberdade não se apagam, os ideais de independência estão vivos e guardam mais fundamentos científicos. O Nordeste real é maior que o regionalismo. Os jogadores raciocinam. Imortais são os poetas do povo, como Humberto Teixeira, e o teatro "é uma arma carregada de futuro", nos conta um livro antigo que relata os dias da resistência antifascista, e também Renato Borghi que, pedimos, nos fale mais sobre o assunto.

Há outra forma de salvar um homem sem tomar partido de sua vida, doutores?

Riscos do FMI arruínam o Brasil e o mundo. A velha USP é esquartejada em fundações, há o caso do sindicato amarelo que ajuda plano de demissões no ABC, enquanto os camelôs transitam entre as feras para sobreviver. Ainda nessa quarta edição, no campo, de todo o Brasil, o imperialismo, associado ao capital burocrático e ao latifúndio, impõe relações cada vez mais atrasadas e ressuscitam o trabalho escravo, mandam prender líderes camponeses acusando-os falsamente de assaltantes de bancos. Os latifundiários e seu governo indevidamente acreditam estar tratando com gente ignorante e que esse tipo de camponês vai pedir esmola ou, desesperado, se transformará em ladrão.

Que esse é um país de heróis, todos sabem. Falta saber como são os nossos heróis. Entre eles, por exemplo, bravos soldados, do ar e da terra, fizeram estragos imensos nas tropas nazistas durante a Segunda Guerra. Quem sabe como? Também, outros heróis brasileiros, como os trabalhadores científicos, estudam e enfrentam os monopólios, revelando nossas possibilidades de independência, à maneira do Dr. Bautista Vidal.

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