Diretamente do 6º congresso do Marreta

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O “6º Congresso da Classe” foi convocado quando os trabalhadores da construção civil de Belo Horizonte e Região celebram 20 anos da retomada do seu sindicato. Em 30 de novembro de 1988, operários organizados pela Marreta, expulsaram a antiga direção e venceram as eleições para a diretoria da entidade. O congresso foi preparado e organizado sob a atmosfera de grande agitação das grandes greves de 2006 e 2007, que mobilizaram mais de 30 mil operários e paralisaram os canteiros de obras de toda a região.

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O 6° Congresso do Marreta realizou-se sob a atmosfera das vitoriosas lutas da categoria

O congresso foi realizado nos dias 8 e 9 de março último e contou com a participação de mais de 300 operários entre delegados e observadores representando os principais canteiros de obras. Diversas entidades e organizações classistas e democráticas, sindicatos e federações de trabalhadores participaram da abertura dos trabalhos no sábado pela manhã. Dentre os pronunciamentos da abertura, destacou-se o de uma jovem proletária, que em nome da Frente Revolucionária de Defesa dos direitos do Povo, saudou o congresso operário convocando os trabalhadores para a união de toda a classe trabalhadora para uma luta sem trégua contra o inimigo comum:

A Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo saúda com calor e entusiasmo proletário os delegados e convidados ao 6º Congresso dos operários da construção de Belo Horizonte e Região.

Neste momento, quando a grande burguesia, o latifúndio e toda a reação, através de sua imprensa mentirosa, atacam os lutadores populares, criminalizam os movimentos de resistência e atiçam a repressão contra o povo, mais do que nunca é necessária a união da classe operária, dos camponeses, de todos os trabalhadores, estudantes, intelectuais progressistas em uma frente de lutas.

Saudamos os operários da construção de Belo Horizonte e Região e seu combativo sindicato, que junto da classista Liga Operária, vem colocando-se à cabeça da luta pela preparação de uma Greve Geral em nosso país, uma luta de milhões, a única capaz de barrar os ataques deste governo oportunista contra os direitos dos trabalhadores.

Estamos em pleno ano eleitoral, e todos estes políticos corruptos e seus partidos oportunistas, sejam da situação ou da oposição, afiam suas garras e afinam seu discurso demagógico e mentiroso para tentar iludir as massas. Mas o povo vem aprendendo, à custa de muitos sofrimentos, perdas de direitos, da matança e repressão desencadeada por este velho e podre Estado, da cadeia e da tortura, da fome e do arrocho, que não há outro caminho senão o da destruição deste sistema, para a construção de uma nova e verdadeira democracia no Brasil.

Nosso país vive uma situação revolucionária em desenvolvimento e as classes reacionárias não podem mais explorar e oprimir o povo como vinham fazendo. Por isso, o governo dos oportunistas do PT/pecedobê/etc. tem sido importante para as classes dominantes, de forma demagógica e dissimulada e de golpe em golpe, atacar os direitos do povo.

Greves, tomadas de terras, ocupações de prédios públicos e reitorias nas universidades, lutas cada vez mais radicalizadas explodiram em todo o país e desde o ano passado o velho Estado e seu gerente de turno, Luiz Inácio, não teve um dia sequer de trégua.

A Frente Revolucionária de Defesa dos direitos do Povo conclama os companheiros e companheiras presentes neste congresso a engrossarem as fileiras da luta por uma Revolução em nosso país, uma Revolução de Nova Democracia, baseada na união de todo o povo, assentada na aliança Operário-Camponesa, para promover uma batalha de morte contra o nosso inimigo comum: destruir o latifúndio e a grande burguesia, varrer a dominação imperialista.

Desejamos aos companheiros e companheiras um excelente debate e êxito nas lutas!

Democracia operária

O congresso foi marcado pelo exercício pleno da democracia operária. Comissões de trabalho organizaram a limpeza, segurança, disciplina e agitação. Os grupos de trabalho estudaram e debateram as teses do Marreta, sistematizando propostas para serem levadas para a apreciação da sessão plenária.

As teses abordaram três temas principais:

1Situação Política Nacional e Internacional,


2Preparar a Greve Geral para barrar as “reformas” antioperárias do governo FMI-Lula,


3A organização da classe, a luta econômica e a luta pelo poder; e foram debatidas pelos grupos e pela plenária.

O congresso realizou o balanço das últimas lutas e repassou a prática do sindicato em revista, submetendo-a ao crivo da luta de classes. Foi debatido o papel da luta da classe operária para a construção do programa democrático e estratégico dos trabalhadores.

O congresso aprovou as teses sobre o crescimento do protesto popular e aprofundamento da crise política do sistema capitalista imperialista, a necessidade do fortalecimento da Aliança Operário-Camponesa e apoio à luta dos camponeses pobres por uma transformação radical no campo, a construção da Greve Geral e a importância da luta da classe operária por uma verdadeira e profunda transformação da sociedade e finalmente sobre a organização da Liga Operária e a construção dos grupos de base do Marreta nos locais de trabalho e moradia.

O congresso também referendou a adesão do Marreta aos 4 pontos para a Unidade de Ação propostos pela Liga Operária, que consistem em:

1Realização de ampla campanha de denúncia e esclarecimento sobre o conteúdo lesivo aos trabalhadores das “reformas” anti-operárias, bem como de toda a política imperialista no País, na América Latina e no mundo.

2Definição da Greve Geral como instrumento mais eficiente capaz de unir todos trabalhadores e barrar as “reformas”; e adotar um plano para sua construção através de iniciativas que liguem o seu apelo e propaganda às ações específicas locais e regionais, tais como campanhas salariais, atos e manifestações de protestos, cortes de rodovias e ocupação de órgãos públicos.

3 Atitude de nenhuma negociação e nenhum compromisso com o governo.

4Integrar a todas as atividades a propaganda e divulgação da luta pela terra e apoiar materialmente o movimento de luta no campo.

O Marreta se renova

A última etapa do congresso foi dedicada ao debate e apresentação da Chapa Marreta para as eleições da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região. Os membros da chapa colocaram-se à frente da plenária e receberam um forte aplauso.

— A nossa chapa foi composta baseada na experiência dos companheiros que atuam no Marreta desde a retomada do sindicato, com a nova geração de operários, ativistas da luta operária, que se destacaram nas últimas greves e desde então vem atuando ativamente na luta do Sindicato, ganhando experiência e dando um novo fôlego para o nosso trabalho. O Marreta se renova através da luta, sustentando com firmeza as bandeiras da luta classista e combativa. — destacou Gerson Barbosa, membro da chapa Marreta.

As eleições para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região acontecerão no próximo mês de abril.

Lutadoras da Revolução

A programação do 6º congresso do Marreta reservou o último período do sábado, 8 de março, para a celebração do Dia Internacional da Mulher Proletária. As trabalhadoras da construção, esposas e filhas de trabalhadores e jovens estudantes, vinham preparando juntamente com o MFP uma atividade para celebrar a data. Uma peça teatral foi composta e ensaiada na semana anterior ao congresso sob certo “sigilo” para não quebrar a surpresa.

Elas, desde cedo, preparavam equipamentos, ajeitavam o figurino e repassavam as falas. Bem na hora marcada, eis que surgem de macacão de operário, algumas com os cabelos presos e bigodes postiços representando operários, patrões, e até mesmo a figura do “cachimbo1”.

A peça retratou a situação das mulheres trabalhadoras da construção, que em Belo Horizonte são muito poucas. As mulheres representaram uma conversa de operárias e operários e debatem a dupla exploração da mulher, que além de trabalhar na obra e muitas vezes ganhar menos, tem de se ocupar com as tarefas domésticas e a educação dos filhos. Contaram ainda a história das mulheres e homens da classe operária que enfrentam a ganância patronal e o arrocho, e elevam a sua consciência na luta.

No desfecho da representação, as mulheres se rebelam contra a exploração no canteiro de obras e após ouvirem uma proclamação do Movimento Feminino Popular, decidem participar de uma manifestação em celebração ao 8 de março.
A plenária que assistia atenta e comentava vivamente as situações retratadas, gargalhando com a caricatura do cachimbo, compreendeu melhor a importância da participação das mulheres na luta de classes. Todos, de pé, acompanharam emocionados e com profundo respeito quando as companheiras cantaram o hino do Movimento Feminino Popular: “Mulheres operárias, camponesas, lutadoras da Revolução, frente altiva do povo combatente...”


1. Elemento cooptado pelos patrões, um simples trabalhador, que recebe um pouco a mais que os operários comuns para servir como cão de guarda. Ele apressa os trabalhadores, atormenta nos horários de intervalo, cobra a demanda do patrão e é odiado e ridicularizado. Como os operários costumam dizer, por ser um bajulador do patrão, ele “só leva fumo”. Daí o nome cachimbo.

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