Aprendendo a vida das massas

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"Retornar para casa, conversar, sorrir e cantar"

I

Em maio do ano passado me incorporei a um grupo de três pessoas que foi viver entre os camponeses do distrito de Sinlung, na região oriental da província de Jobei. Nosso grupo, organizado sobre a base da voluntariedade, incluía um revolucionário veterano, que foi designado nosso chefe; Leo Chang, um trabalhador do teatro de origem camponesa e eu, compositora de formação intelectual e habitante de uma grande cidade. Eu sabia pouco sobre os camponeses e de sua vida, por isso decidi ir ao campo, buscando me temperar com a ajuda dos veteranos.

O distrito de Sinlung está situado além da Grande Muralha e foi uma antiga base da resistência durante a guerra contra os invasores japoneses. Escondido nas montanhas, tem escassas vias de comunicação. A capital do distrito está unida aos diversos centros povoados do território por estradas nas quais os serviços de passageiros se realiza somente com caminhões abertos. Para ir dos centros às aldeias mais remotas, é preciso se locomover à pé ou de bicicleta. O comitê de distrito do Partido Comunista, nos tratando como visitantes, nos ofereceu seu automóvel. Mas nosso chefe, muito cortesmente, declinou a oferta. Um dos camaradas exigiu:

— Peguem o carro! A aldeia para a qual se dirigem está a mais de 30 li1 e têm que levar seus equipamentos. Além disso é preciso cruzar duas cordilheiras no caminho.

"Você tem razão; também perderíamos tempo" — pensei ao ouvi-lo.

Mas nosso chefe disse:

— Uma vez que viemos aqui para nos temperarmos na vida, vocês estarão de acordo em que será melhor para nós fazer o que fazem os camponeses.

Sua resposta me lembrou que o problema dos meios de transporte a utilizar, ainda que parecesse pequeno, era parte de um grande problema de princípio. Há um fato irrefutável: se não chegássemos ao povoado como trabalhadores correntes, como seria possível viver com os camponeses como um deles e reeducarmos ideologicamente? Se não fizéssemos o que eles faziam, como poderíamos esperar que eles não mantivessem uma respeitosa distância de nós?

Finalmente tomamos um caminhão aberto, que avançou dando pulos pelo caminho montanhosos durante todo o trajeto até o território de Banbishan. Lá, pedimos bicicletas emprestadas e partimos rumo a nosso destino. Há muitos anos eu não andava de bicicleta. Quanto a andar por um caminho abrupto e montanhoso, com tantas curvas, a última experiência que me lembro foi há mais de vinte anos, quando tomei parte na guerra contra os japoneses . Me parecia difícil pedalar morro acima e descer pelos vales, cruzar rios e riachos. Tinha que manter o olho atento para não rodar pelas costas escarpadas. Não foi fácil e quando finalmente chegamos à aldeia me achava esgotada. Mas, ao mesmo tempo experimentava um tipo especial de prazer, o sentimento de ter triunfado, de ter "vencido a mim mesma".

Os quadros da aldeia haviam decidido que cada um de nós viveria em um lar camponês, fosse um camponês pobre ou da camada inferior dos camponeses médios. Quanto a nossas refeições diárias, as fazíamos de forma rotativa nas casas dos camponeses, de maneira que em muito pouco tempo tínhamos estado em praticamente em todas as casas, tendo conhecido em primeira mão as condições de vida e entabulando muitas relações. Como esta aldeia era uma antiga base revolucionária, em todas as partes nos tratavam como quadros do VIII Exército [precursor do Exército Popular de Libertação da China (Red.)] e nos chamavam familiarmente de Lao Chang ou Lao Chü (velho Chang ou velha Chü).

Esta zona tem uma gloriosa história na luta contra os invasores japoneses. Os japoneses ocuparam Sinlung em 1933 e desde então o povo da localidade nunca deixou de lutar. Em 1938 a zona se converteu em uma base revolucionária a partir da qual o povo da localidade, dirigido pelo VIII Exército, desencadeou uma guerra de guerrilhas contra a retaguarda do inimigo. O inimigo contra-atacou, forçando os aldeãos a viver em campos de concentração cercados por arame farpado e converteu em "zona proibida" uma área após outra, nas quais disparavam à primeira vista e matavam qualquer intruso. Era uma luta desapiedada. Os invasores tentavam aterrorizar o povo e aplastar toda resistência, queimando aldeias e apelando para massacres e saques. As populações de muitas aldeias foram reduzidas a um terço. Foram presenciadas cenas de inimaginável brutalidade: houve crianças que viram seus próprios pais despedaçados pelos cães policiais do inimigo; crianças mortas à baioneta; gente obrigada a beber querosene e queimada pelo inimigo. Em uma família de nove membros restou apenas um sobrevivente.

O inimigo levou a cabo frequentes campanhas de aniquilamento. Ante sua proximidade, o povo da localidade devia buscar esconderijo nas cavernas das montanhas. Um secretário de célula do partido, ao recordar esses anos de guerra em uma conferência para os membros da organização local da Liga da Juventude Comunista, disse:

— Quando as pessoas de minha geração tinham a sua idade, dificilmente dormíamos uma noite inteira. Os jovens ao redor de 20 anos eram todos membros da milícia. Durante a noite nos revezávamos na guarda dos postos de observação das montanhas, por mais violento que fosse o vento invernal ou espessa a nevasca. Mesmo quando estávamos fora do serviço, nos deitávamos sem despir. Ao sinal de alarme, devíamos estar prontos para entrar imediatamente em ação ou dispersar e nos dirigir a nossos esconderijos.

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"Seguir a estrada de nossos predecessores revolucionárias"

Assim viveu o povo nas "zonas proibidas" durante a guerra, sem se importar com as represálias dos invasores, e persistiu na luta armada até conquistar a vitória.

Durante nossa permanência na aldeia encontramos muitos destacados heróis de guerra. O que fizeram justificaria amplamente que estivessem orgulhosos dos serviços prestados ao país, mas eles ainda mantêm a tradição da vida simples e trabalho duro que caracteriza o camponês chinês. Mais tarde, quando visitei várias outras aldeias, descobri que quase todas as pessoas de meia idade tinha sido membro da milícia local ou "mensageiros" que tinham entregado mensagens militares nas barbas do inimigo. Minha estadia foi breve: apenas um mês. Mesmo assim foi tempo suficiente para conseguir entender mais profundamente o que significam essas duas frases repetidas tão amiúde: "São as massas que fazem a história" e "As massas são os verdadeiros heróis". Os camponeses chineses fizeram aportes decisivos para a vitória, tanto na guerra de resistência contra o Japão (1937-45), como na guerra de libertação (1946-49). Agora que avançamos com nossa revolução e construção socialistas, o papel dos camponeses não pode ser subestimado.

Cada um de nós tinha seu próprio programa de trabalho em cada etapa. Acompanhada pela presidenta da organização de mulheres da comuna, visitei algumas aldeias. Não demorei muito a me dar conta de que a habilidade da presidenta e dos estreitos laços que a ligavam às camponesas, anciãs ou jovens. Em todas as partes onde aparecíamos recebia as boas-vindas das anciãs como se fosse sua filha; as mulheres jovens lhe confiavam seus mais secretos pensamentos e as moças a tratavam como a uma delas. Era-me oferecida uma oportunidade inigualável para ver muito de perto como cumpria seus deveres de presidenta da organização de mulheres.

Como estava fazendo um estudo sobre a divisão do trabalho entre as mulheres da comuna, à medida que fazia perguntas, discutia com uma ou outra quando envolvesse algum assunto de princípios, combinando assim sua investigação e seu estudo com a importante tarefa de educação política. Seus modos e costumes eram tão naturais que eu mesma me senti também muito mais relaxada e muito menos inibida pelos prejuízos e a reticência que frequentemente padecemos os intelectuais.

Em todas as aldeias que visitamos as pessoas estavam atarefadas construindo casas. Seguindo o exemplo de minha companheira também ajudei no que pude a mover tijolos ou telhas. Ao ver que uma mulher da cidade, que usava antolhos, demonstrava interesse por sua nova casa, o anfitrião invariavelmente sorria e expressava sua preocupação dizendo:

— Descanse por favor. Não trabalhe tanto, não se canse.

Esta bondade simples me fazia pensar muito: nossos camponeses suam para produzir o que comemos! Os cidadãos da cidade teremos a mesma solicitude para com eles?

Para descobrir como se popularizavam no campo as novas canções, adotei o método de entrevistar os professores das aldeias que visitava. Achei uma professora muito aficcionada pela música e fiquei até tarde em sua casa, falando e cantando. Tinha uma voz excelente e sabia muitas canções populares. Mas de todas as canções que interpretou, só uma era minha, na qual assinalava uma linha que julgava bastante difícil. Esta noite quase não pude dormir. Muitas perguntas redemoinhavam em minha mente. Sempre gostei de compor para as crianças. Agora, pela primeira vez, compreendia que todas as minhas canções para crianças, desde o tema ao estilo, tinham sido pensadas para as crianças da cidade. Não era um exagero dizer que nenhuma era adequada para as crianças do campo. Quanto às minhas canções populares, havia poucas que podiam ser cantadas nas aldeias. Se esta visita fosse um exame sobre minhas obras musicais, sobre sua qualidade nacional e caráter popular, então devo confessar que tinha fracassado nele. Comecei a compreender mais claramente porque alguns de meus colegas que passam longo tempo no campo e têm maior conhecimento que eu dos ideais e sentimentos dos camponeses, assim como de seus gostos musicais, produzem obras que eles aceitam naturalmente. Na análise final, este é o problema de como os escritores, artistas e músicos devem se integrar com as massas.

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"Caminhar por toda a nossa verde montanha"

II

Persistindo em meus esforços para resolver o problma de como servir aos camponeses, na segunda metade de 1963 viajei para Yutsi, na província de Shansí, para estudar o famoso estilo shansí de música yangko, utilizado pelos músicos folclóricos e cantores locais. O canto yangko é uma expressiva linguagem musical com uma rica bagagem de técnicas. Muitos excelentes cantores de yangko são camponeses e suas interpretações têm um cálido sabor de terra. Aprendi com meus professores verso por verso, imitando seu canto enquanto escrevia a partitura. Frequentemente percebi que a mesma canção, quando repetida, não coincidia com minhas notas. O cantor, inconscientemente fazia algumas mudanças. Às vezes um verso chegava a ter seis ou sete variações. Um estudo comparativo destas variações me fez compreender melhor as leis da música folclórica, posto que a cada vez que se fazia uma mudança, havia uma razão. Esta era a arte viva da composição. As canções folclóricas que aprendi e as partituras que anotei nesta viagem de estudo têm um conteúdo enormemente rico; exigem um cuidadoso estudo analítico que permita um aproveitamento completo para nosso estudo da composição yangko.

Em novembro do ano passado fui pela terceira vez ao campo, desta vez a Siyang, província de Shansi, para aprender com o conhecido compositor camponês Shi Chang-yuan. Há muito tempo eu tinha ouvido dizer que o canto coral das aldeias de Lianyangkou em Siyang se sobressaía e que Shi Chang-yuan tinha desempenhado um papel importante tanto pelas canções que compôs como por seu entusiasmo em despertar e manter o interesse pelo canto nas pessoas do local.

Este compositor camponês não era totalmente desconhecido para mim. Tinha lido algumas de suas obras publicadas na revista Canções, de Pequim. Também o havia conhecido pessoalmente em algumas conferências. Mas suas atividades eram inseparáveis de Lianyangkuo. Por essa razão queria chegar até lá.

Siyang sofreu uma série de tormentas no verão passado e foi assolada pela pior inundação vista ali nos últimos cem anos. Eu sabia que as casas-caverna3 e as colheitas tinham sofrido consideráveis danos, e isso me entristecia quando cheguei a esta aldeias nos montes Tai-jang. Não é tarefa fácil reconstruir um povoado devastado!

À minha chegada encontrei minha colega camponesa em um dos locais de construção. Também estava ali o secretário do Partido da brigada de produção da aldeia, que me saudou dizendo:

— Esta noite daremos um concerto em sua honra.

Tentei dissuadi-lo:

— Não interrompamos o trabalho urgente — disse, mas ante sua insistência exigi:

— Nenhum programa especial, por favor. Só queria ouvir o que vocês tiverem pronto.

— Muito bem; será interpretado o que estiver preparado — disse o secretário do Partido — Realizamos concertos regulares inclusive quando não temos visitas, a cada três ou cinco dias na temporada de trabalho. Na temporada de menos trabalho, o canto é uma atividade regular noturna em nossos clubes culturais. Apesar da inundação, oferecemos mesmo assim um concerto semanal.

Assim que fiz um reconhecimento das ladeiras montanhosas de loes2 lavadas pela inundação, os terraços danificados as fachadas das casas fendidas, pude perceber o que me haviam dito; mas a sala de reuniões solidamente construída de tijolos, com capacidade para mil pessoas e um letreiro, "Auditório Bandeira Vermelha", que dominava todo o vale, parecia dizer: "ao escutar compreenderás porque todos podem entoar Nossas canções enchem o vale de alegria de Shi Chang-yuan."

Logo começou o programa da noite. O local iluminado do clube, próximo ao auditório, estava lotado. Tudo teve o mesmo estilo simples e o fato de não utilizarem figurinos especiais, decoração ou cortina não era motivo para menos satisfação. O coro, composto por uns 30 cantores, ocupou seu lugar. A orquestra integrada por seis músicos com huqin (violino chinês) e outros instrumentos de corda e percussão ocupou o seu e começou a função. Cito uma parte dos números da noite porque seus títulos nos falam eloquentemente do novo espírito do campo:

1Coro: Hino nacional, Viva as três bandeiras vermelhas, O estreito caminho para a frente, Shansi é um bom lugar, A internacional;

2Solista (voz masculina): O Partido Comunista é nosso salvador;

3Solista (voz feminina): A comuna popular é uma ponte de ouro, Bem-vindos a nossa aldeia montanhosa;

4Coro (feminino): Nossos campos são verdadeiramente formosos, Ao propor um brinde, pensemos primeiro em nossos irmãos operários; A feira aldeã.

Desde a forma ao conteúdo, era um concerto criado e organizado pelos próprios camponeses. Ali havia uma viva cultura socialista revolucionária. Nesta etapa, ainda era ‘tosca’ em certa medida, mas espargia a poderosa força das idéias avançadas e testemunhava verdadeiramente que a força espiritual pode se transformar em força material. Muitos dos números do programa se ocupavam de assuntos locais e a maioria destes era obra de Shi Chang-yuan. Desde 1953, o Centro Cultural do Distrito de Siyang realizou cursos breves de capacitação de diversos tipos e em um deles Shi Changyuan fez sua entrada na arte da composição. Sua primeira canção foi escrita em 1958. Agora já tem mais de cem em seu nome. Graças a sua bondade pude conhecer a maioria delas e observei seus traços característicos.

Por seu conteúdo, a maioria de suas canções estão vinculadas estreitamente com as atuais discussões políticas e as empresas produtivas da aldeia; mesmo ao compor para versos selecionados por outros, tais como as conhecidas Canções folclóricas da bandeira vermelha, compiladas pelo poeta Kuo Mojo e o crítico Chou Yang, na maioria das vezes está atento às condições e necessidades locais. Quanto à forma musical, deposita grande confiança nas melodias folclóricas locais para que suas composições sejam aceitas mais facilmente pelos habitantes da localidade. Seus conterrâneos me disseram:

— Achamos que as canções de Shi Chang-yuan são muito de nosso agrado e fáceis de cantar.

Shi Chang-yuan não é de forma nenhuma o único compositor desta zona. Na realidade há um grupo de sete compositores, saídos da mesma aldeia e das vizinhas. Suas composições abarcam desde canções acompanhadas de palmas rápidas e rimas até óperas curtas. A aldeia também tem um grupo coral que nestes últimos anos tem contado com cerca de 40 membros.

São os melhores cantores das equipes de produção das comunas e ativos promotores do canto entre os membros de suas equipes. Shi Chang-yuan sempre ensaia suas obras com este grupo. Cantam as canções e as discutem juntos; uma vez aprovadas, as popularizam entre os aldeãos.

Quanto ao papel desempenhado por estas canções, os músicos e cantores, penso que ninguém saberia mais sobre isso que o secretário da célula do Partido que me disse:

— Não poderia cumprir cabalmente minhas obrigações se não fosse nosso clube cultural. Cada vez que regresso de uma reunião convocada pela comuna ou pelo distrito, a primeira coisa que faço é chamar uma reunião dos membros do Partido e em seguida, buscar Shi Chang-yuan para lhe dizer qual foi o espírito e essência da reunião. Ambos se incorporam então às numerosas atividades de nosso clube cultural e, por esse veículo, a mensagem do partido chega às massas e se incorpora a elas. A arte é um aliado da política.

Estes músicos e cantores camponeses desempenham um importante papel para ajudar a construir e consolidar a nova economia rural. Tem encontrado uma admirável solução para os problemas da relação entre a música e a política, entre a música e a produção, e entre a música e as massas. Como compositora profissional, creio que tenho muito que aprender de meu colega camponês. Se nós, profissionais, também nos tornarmos auxiliares do Partido tão indispensáveis como este colega camponês, então poderemos dizer que realmente conseguimos nosso objetivo de fazer com que nossa música sirva à causa do socialismo. Isto é difícil e fácil ao mesmo tempo. Continuará sendo uma simples esperança se nos mantivermos separados do povo e da corrente fundamental da vida. Mas se realmente mergulharmos no modo de vida e nos integrarmos ao povo, seremos capazes de criar obras que sirvam verdadeiramente às massas de operários, camponeses e soldados.

[Pequim Informa, nº 9, 4 de março de 1964. pp. 14-17]


1 Medida de distância usada na China.
2 Solo fértil de cor amarela.
3 Os camponeses constroem casas secas e confortáveis, cavando grutas nas encostas dos morros, de rochas sedimentar da consolidação do loes, instalando portas e janelas em suas entradas.

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