Ianques pagam caro pelo genocídio

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Manifestações de setembro de 2007 em Washington, contra a guerra no Iraque.
Em vários cartazes lê-se "pare a guerra agora"

Os candidatos à presidência do USA, pressionados pela exigência da população de saída imediata do Iraque, têm prometido reiteradamente a retirada das tropas, enquanto aceleram a aprovação, pelo Congresso, de um projeto de lei do senador Richard Dubin, democrata pelo estado de Illinois, concedendo a todo imigrante ilegal que se alistar não apenas a cidadania ianque, mas também uma remuneração de 20 mil dólares e amplo acesso à universidade.

A medida visa a aplacar a fúria das famílias cujos filhos voltam mutilados no corpo e na alma por não terem seguido o mesmo destino de 12 mil jovens que, repudiando a política eternamente belicista da Casa Branca, fugiram para o Canadá a fim de livrar-se do serviço militar. Vai aumentando também a revolta dos civis diante das cenas de assassinatos e todo tipo de atrocidade cometida por militares, não só no Iraque, como em todos os teatros de operações em que o USA se faz presente. Assim, crescem também os temores de rejeição doméstica pelos falsos "heróis", principalmente os contratados para matar sob a égide de empresas de segurança.

Estudos do Instituto de Políticas de Migração indicam que o projeto de Dubin, já denominado de Dream Act, possibilitaria que 279 mil pessoas frequentassem a faculdade ou servissem as forças armadas. Além disso, no futuro, cerca de 715 mil imigrantes ilegais com idades entre cinco e 17 anos "poderão se beneficiar" da lei.

A reprodução da guerra

A professora paranaense Eva Paulino Bueno, que leciona na Saint Mary’s University de San Antonio, no Texas, tem observado que, sempre que uma guerra termina, inicia-se outra, ainda mais duradoura, devido às sequelas que os soldados trazem para suas casas, suas famílias e suas comunidades.

Na Grã-Bretanha, pouco antes de Tony Blair deixar o cargo de primeiro-ministro, pesquisas do exército comprovaram a existência de milhares de veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão apresentando problemas mentais, alcoolismo e crises familiares. Já no USA, quando os militares voltaram do Vietnã após a derrota acachapante para a resistência popular e patriótica, foram recebidos com demonstrações de hostilidade, chacota e rejeição. Não poucos levaram cusparadas no rosto ao desembarcarem uniformizados nos aeroportos do interior. Cinco anos após o conflito, 150 mil veteranos tinham cometido suicídio.

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"11 de setembro foi um trabalho interno/ Bush mentiroso, assassino, terrorista"

A rede de comunicação CBS constatou que o número de suicídios militares registrados no USA em 2005 (6.256) é bastante superior ao total de soldados mortos em combate no Iraque (mais de 4 mil desde 2003) e no Afeganistão (quase 500 desde 2002). Há 25 milhões de veteranos (só das guerras do Iraque e do Afeganistão já são 1,6 milhões), correspondendo a 11% da população total. As pesquisas fundamentam estimativas de que 5 mil desses antigos soldados atentaram contra a própria vida em um ano. A taxa de suicídio para não-veteranos entre os 20 e os 24 anos situa-se em 8,3 por cada 100 mil, contra 22,9 e 31,9 por 100 mil entre os soldados da mesma idade (recrutados para a chamada "guerra ao terrorismo"), o que representa quatro vezes mais que a da população civil.

Epidemia de suicídios

Seguindo esta linha, os pesquisadores falam em "uma verdadeira epidemia entre os militares: a cada semana de 2005, pelo menos 120 indivíduos que cumpriram serviço no exército puseram termo à própria vida".

O estudo relata a história de três soldados que voltaram do Iraque com suas feridas invisíveis, mas tão graves que, para eles, a morte era a única solução. Jeff Lucey, fuzileiro naval de 23 anos, enforcou-se com a mangueira de jardim na casa dos pais. Tim Bowman, que patrulhava a perigosa estrada do aeroporto de Bagdá, suicidou-se com um tiro na cabeça oito meses depois de regressar, no dia de Ação de Graças e Derek Henderson, de 27 anos, atirou-se de uma ponte depois de ter cumprido três missões consecutivas.

A desgraça dos veteranos

As baixas fatais do USA no Vietnã ascenderam a 59 mil, e a principal consequência foi a eliminação da obrigatoriedade para o serviço militar. O grosso das forças armadas do USA passou a ser de voluntários e voluntárias, em sua maioria gente das camadas miseráveis da população, que vão à guerra atraídos pela elevada remuneração que o Pentágono oferece.

Ninguém sabe qual será o destino dos contractors, os 160 mil mercenários contratados por empresas como a Blackwater para dar "proteção" aos interesses do capital financeiro nos países invadidos por tropas imperialistas. Grande parte desses "agentes de segurança" não é natural dos USA. Ao contrário, aceitou lutar no Iraque em troca da nacionalidade ianque.

Poucos se preocupam com os integrantes desse exército de fancaria. Afinal, para acalmar as famílias que exigem seus filhos de volta, o gerentão George W. Bush promete reduzir drasticamente a quantidade de militares fardados em serviço no Iraque até o final do seu mandato. Com a saída dos soldados, deverão aumentar não apenas as fileiras mercenárias, como também a dos imigrantes miseráveis.

Repúdio no USA

Por protestarem contra as atividades militares e as atrocidades cometidas pelos ianques no Iraque, cerca de 200 pessoas foram presas no USA na quarta-feira 19 de março, quando marcavam o quinto ano da agressão àquele país.
Lembrando que, nesse conflito, mais de 4 mil soldados ianques perderam a vida, dezenas de milhares de iraquianos foram mortos e milhões de famílias tiveram de abandonar suas casas, centenas de manifestantes obstruíram o trânsito nos centros das cidades e bloquearam acesso a edifícios governamentais.

Em Washington, mais de 50 mil pessoas — segundo jornalistas, pois a polícia recusou-se a dar estimativa — foram se manifestar nas imediações do Capitólio e do Pentágono, a despeito do frio intenso. O sargento Steve Maninna afirmou que 101 pessoas tinham sido detidas sob a acusação de invasão de propriedade, resistência à prisão e obstruir o tráfego. Os manifestantes esperavam fechar o prédio da Receita Federal em repúdio às despesas da guerra para o Tesouro ianque, calculadas oficialmente em 500 bilhões de dólares no período iniciado em março de 2003 com a invasão que derrubou Saddam Hussein.

Em San Francisco, a polícia prendeu mais de 100 pessoas que se manifestaram ao longo do dia no centro empresarial. Em Washington, 32 manifestantes foram levados para a prisão por invadirem prédios públicos, ao mesmo tempo em que outras 30 pessoas eram detidas por aglomeração, em frente ao Congresso, onde repercutiam declarações do mega-gerente George W. Bush no Pentágono, segundo as quais "os avanços do USA no Iraque são inegáveis".

Há menos de 11 meses para a conclusão de seu mandato e diante de índices de aprovação que rondam os níveis mais baixos de sua estadia no governo, George W Bush tentava aumentar o apoio doméstico, mas grande parte da população e dos políticos usou a data para repetir as acusações de que ele lançou a guerra com base em dados incorretos dos serviços de inteligência, conduziu-a de "forma inadequada" e não conseguiu até agora definir uma estratégia para concluí-la.

Uma pesquisa do Washington Post-ABC News indicou que, pelo menos para dois terços da população ianque, o conflito não se justifica. Recebendo esta informação após uma visita ao Iraque, o vice-presidente Dick Cheney disse em Omã que seu país "não pode perder o rumo pautado pelas flutuações das pesquisas de opinião".

Diante do Pentágono, diversas personalidades fizeram pronunciamentos. Um dos mais importantes foi Cindy Sheehan, cujos filhos foram mortos em combate no Iraque, enquanto em San Francisco e Los Angeles enormes passeatas cruzavam o centro comercial, por iniciativa da Answer Organization e da United for Peace and Justice, de Nova Iorque.

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