Governo manda cortar ponto de grevistas

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Apesar do recrudescimento de todo o tipo de repressão sobre os movimentos populares, as greves avançam pelo país. O governo começa a cumprir as promessas de corte nos pagamentos dos grevistas, através do Superior Tribunal Federal. Na contramão, seguem os grevistas e o número deles só tende a aumentar. Hoje, são advogados, auditores fiscais e operários. Na fila, já estão os professores universitários, mais uma vez os funcionários dos correios e de outros órgãos públicos.

Nacional

Receita Federal

No dia 18 de março, os auditores fiscais da Receita Federal entraram em greve. São 12 mil fiscais em todo o país. Eles exigem que os salários sejam equiparados aos dos delegados da Polícia Federal, a valorização do cargo e da função. A mobilização é nacional e por tempo indeterminado. A presidente do Una-fisco, Vera Teresa Balieiro, afirmou que a categoria estava tentando negociar com o governo a sete meses, mas que nenhuma proposta atendia às reivindicações da categoria.

No dia 9 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o governo a cortar os salários dos auditores em greve. O ministro Gilmar Mendes considerou a greve lesiva à ordem pública. O ministro suspendeu decisão da 4ª Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul, que impedia a União de punir os grevistas com medidas administrativas ou desconto dos dias parados.

Advogados

A greve dos advogados públicos da União continua, apesar do ministro do STF, Gilmar Mendes, ter determinado o corte no pagamento dos salários dos grevistas. A paralisação teve início em 17 de janeiro, em resposta às declarações do governo de que não cumpriria os acordos feitos no ano anterior por causa do fim da CPMF.

Correios

Foto: Marcello Casal Jr/Abr
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Brasília — Funcionários dos Correios fazem assembléia diante da sede da empresa
e decidem entrar em greve a partir desta terça-feira (1º)

Os funcionários dos Correios deflagraram greve nacional no dia 1º de abril. A paralisação atingiu 14 estados e o Distrito Federal. Cerca de 80% da categoria aderiu ao movimento, que reivindicava mais contratações, pagamento de 30% de adicional de periculosidade, aumento na Participação nos Lucros e Resultados e um Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

A greve foi encerrada na maior parte dos estados no dia 9 de abril, mas os carteiros permanecem em estado de greve. Caso os Correios não cumpram os pagamentos, a categoria cruzará os braços de novo.

Paraná

No dia 31 de março, os trabalhadores da saúde realizaram manifestações para lembrar um ano de reivindicações pela jornada de 30 horas. Além da redução da jornada, eles reivindicam a implantação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários e contratação de mais funcionários. No ano passado, o governo estadual determinou que os funcionários que não cumprissem a carga horária de 40 horas tivessem as horas descontadas no salário.

Os professores da Universidade Federal do Paraná, também no dia 31 de março, realizaram paralisação de 24 horas para protestar contra as promessas não cumpridas pelo governo federal. O protesto foi realizado em várias cidades do país e caso o governo não reabra as negociações sobre o reajuste salarial, a categoria deve parar em 15 dias.

Bahia

Os policiais civis baianos paralisaram as atividades no dia 28 de março. A greve durou seis dias e, segundo a categoria, representou um grande avanço, já que abriu um canal de negociações com o governo estadual. No dia 01 de abril, a greve foi considerada ilegal pela justiça, mas os policiais discordaram da decisão e continuaram paralisados. No dia dois, a categoria encerrou a greve na tentativa de abrir um canal de negociação com o governo.
Os policiais reivindicam modificações no sistema de promoções, no Plano de Cargos e Salários e no valor do reajuste salarial proposto pelo governo.

Professores

Cerca de quatro mil professores de Itabuna e Ilhéus realizaram, no dia 14 de março, paralisação pela regulamentação do piso salarial nacional dos profissionais da educação. Os professores de Ilhéus também exigiram da prefeitura a definição do Plano de Cargos e Salários. Em Itabuna, os professores pediram valorização, qualificação e democracia nas escolas com eleições diretas para a diretoria.

Construção Civil

Os trabalhadores da Construção Civil declararam greve no dia 25 de fevereiro. Os dias 27 e 29 foram marcados por vigorosos protestos que tomaram as ruas e impediram o trânsito na capital baiana. Os trabalhadores reivindicavam 14% de reajuste salarial.

Cerca de 35 mil operários cruzaram os braços. Eles reivindicam aumento de salários, recebimento de cesta básica, melhoria na alimentação, redução do prazo de experiência de 90 para 30 dias, aviso prévio indenizatório e mais empregos. A greve durou cerca de 15 dias.

No dia 27 de março, foi a vez dos trabalhos da construção pesada deflagrarem paralisação. As motivações da greve são as mesmas que levaram à paralisação anterior, além de piso salarial para a função, extras de 80% durante a semana e 100% aos finais de semana e participação nos lucros e resultados das empresas. A greve também atinge as cidades do interior.

Alagoas

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Maceió — Manifestação em frente à Unidade de Emergência Dr. Armando Lages, no bairro do Trapiche

O Movimento Unificado da Saúde continua em greve. A paralisação já dura mais de 200 dias e os sindicalistas ainda esperam uma posição do governo para normalizar o atendimento à população.
O governo estadual ofereceu aumento salarial de 30%, parcelados em 12 meses. Para os trabalhadores, esta proposta já é um avanço, mas ainda não atende às exigências, em relação a prazos, adicional noturno, de insalubridade e de periculosidade.

Mato Grosso do Sul

Em Dourados, os professores da rede municipal de ensino conquistaram um aumento salarial de 8,5%. As negociações ocorreram em março e o reajuste começa a valer a partir de 1º de abril. A reivindicação inicial era de 15,40%, mas como a legislação eleitoral não permite reajustes salariais nos seis meses que antecedem as eleições, a categoria acabou aceitando esta proposta.

Goiás

No dia 30 de março, os motoristas de ônibus coletivo realizaram protesto pela volta dos cobradores e mais segurança no trabalho, no Terminal Garavelo.

Na semana anterior, o motorista Geraldo Agalão foi morto com quatro tiros por um aposentado. O problema entre os dois parecia ser antigo e no centro da questão estava a dupla função do motorista. O motorista tem que dirigir e fiscalizar o cartão passe livre e outros cartões, além de fazer a venda das passagens a bordo, quando necessário. A demora no atendimento irritou por diversas vezes o aposentado, que, segundo ele, num momento de raiva e descontrole, disparou contra o motorista.

Os motoristas paralisaram por alguns minutos a entrada e saída de veículos no terminal. Para a categoria, as empresas e o governo precisam encontrar uma solução, já que é extremamente perigoso que eles continuem a trabalhar desta forma.

Um motorista que preferiu não se identificar para evitar perseguições, afirmou à nossa reportagem que cerca de 30 motoristas que participaram do protesto foram demitidos das empresas Rápido Araguaia e HP.

Piauí

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Assembléia dos professores da Universidade Estadual do Piauí (UESPI)

No dia 9 de abril, os professores da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), deflagraram greve por tempo indeterminado. Os professores reivindicam melhorias salariais. Atualmente, um docente que cumpre carga horária de 20 horas na UESPI recebe R$506,88.

A paralisação também têm como motivação a falta de estrutura da Universidade.

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