Imperialismo e latifúndio devastam a Amazônia

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Não é de hoje o interesse do imperialismo, notadamente o ianque, pelas terras amazônicas. Um bom exemplo é Fordlândia, megaprojeto criado nos anos 20 pelo pioneiro da indústria automobilística, o americano Henry Ford, que queria transformar o Pará num centro mundial de produção de borracha. Como sempre, os estrangeiros não aparecem como proprietários da floresta. Ontem, valiam-se de testas-de-ferro vendilhões da pátria. Hoje modernizaram-se, lançando mão de mecanismos como as ONGs, demarcação de reservas indígenas, aluguel de terras, repressão ao movimento camponês, manutenção e expansão do latifúndio e consolidação das relações de produção semifeudais e até escravas, Tudo com o beneplácito do Congresso e a cumplicidade do monopólio dos meios de comunicação, sempre promovendo a desinformação para legitimar os atos de lesa-pátria de nossas "autoridades".

Senão vejamos:

O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão notoriamente ligado ao imperialismo) anunciou que entre junho e setembro de 2007 a área devastada da floresta aumentou 60% no Pará, 80% no Mato Grosso e 600% em Rondônia, comparado com o mesmo período de 2006. Informou, em seguida, que fevereiro houve um acréscimo de 13% em relação a janeiro na área desmatada.

Embora a Amazônia tenha sido devastada continuamente, o noticiário alarmista objetiva tão somente reforçar a idéia de que os brasileiros são incapazes de cuidar da Amazônia, justificando-se, assim, a "gestão internacionalmente compartilhada" da floresta. Apontado como responsável pelo desmatamento, inclusive em áreas de proteção, o movimento camponês, num verdadeiro malabarismo com a ciência, é convertido em principal personagem dessa farsa: a aceleração do desmatamento nos últimos anos tem relação direta com o crescimento do latifún dio, seja de novo tipo — o chamado agronegócio — ou do velho tipo, que explora força de trabalho escrava e semi-escrava nos grotões da Amazônia.

O Ministério do Trabalho publica, periodicamente, uma Lista Suja do trabalho escravo. A mais recente arrola nada menos que 183 latifúndios, alguns com o mesmo proprietário, a grande maioria na região amazônica. Porém esses são apenas os casos descobertos pelos fiscais. Nenhum desses latifúndios flagrados foi confiscado pelo Estado. Além disso, diante das dimensões da Amazônia, pode-se apostar que essa prática ocorre em quantidade muito maior.
Com todo tipo de estímulo governamental, acelera-se a expansão do chamado agronegócio em todos os estados do Norte. Há anos a chamada fronteira agrícola vem não só destruindo a floresta, como expulsando imensos contingentes de camponeses cada vez mais para cima no mapa. O gerenciamento de Rondônia oferece 10 anos de isenção fiscal a produtores de cana de açúcar, sem definir se eles vão produzir cana entre as árvores ou se vão desmatar para o cultivo.

Outro caso emblemático ocorreu no município paraense de Tailândia, onde a população — 60 mil pessoas, na maioria camponeses pobres que foram praticamente expulsos de suas terras pelo latifúndio que domina o Pará — rebelou-se contra a ação policial nas pequenas serrarias que fazem a economia da cidade, combatendo-a durante 12 horas. A produção ilegal de carvão se destina a abastecer as siderúrgicas que processam o ferro gusa exportado a preço de banana. Muitas vezes, são os camponeses que assumem a conservação dos "carreadores", caminhos abertos no meio da selva para o transporte das toras, porque o Estado jamais se preocupa em fazer obras rodoviárias para os que mais precisam delas.

As grandes madeireiras, controladas por capitais transnacionais, essas sim estão de olho em grandes pedaços da floresta. Desde 2006 contavam com a lei de concessão de florestas públicas, que literalmente desnacionaliza regiões inteiras da Amazônia brasileira. Agora contam com a Medida Provisória 422, que dispensa de licitação a venda de terras públicas do Incra até 1500 hectares.

Por todo o mundo, a internacionalização da Amazônia é apregoada por centenas de ONGs conservacionistas, que se instalam na região com dinheiro oriundo de governos europeus, do USA e de empresas transnacionais, e denunciando a destruição da floresta ao mesmo tempo em que roubam descaradamente suas riquezas vegetais e minerais. Muitas das áreas classificadas como reserva, florestas nacionais, reservas indígenas, etc. estão localizadas sobre grandes jazidas de minérios estratégicos e foram demarcadas por pressão do imperialismo, graças às atividades dessas ONGs.

A União Européia começa uma ameaça com boicote comercial se o gerenciamento brasileiro não se mexer contra a devastação. O primeiro sinal foi a suspensão das importações de carne bovina, exigindo-se apenas 300 produtores no negócio, e a restrição à compra de soja produzida em áreas de desmatamento.

Todas as exigências preservacionistas não passam de manobra do imperialismo para continuar usufruindo do melhor que há na floresta.

A herança maldita de um capitão-mór

Cecílio do Rego Almeida, considerado o maior latifundiário do mundo, morreu no final de março deixando 7 milhões de hectares de pura selva no Sul do Pará, área do tamanho de Bélgica e Holanda juntas, com riquíssimas reservas de diamante, ouro e cassiterita, e 60 milhões de metros cúbicos de madeira (mogno) no valor de 7 bilhões de dólares.

Dono de um grupo que reúne mais de 30 empresas atuando em áreas que vão da construção pesada, concessão de rodovias, logística de transporte até indústria química e de explosivos, Cecílio tinha um patrimônio estimado em mais de R$ 10 bilhões, tendo empregado muito dinheiro em campanhas eleitorais para levar aos píncaros do poder amigos, como Ney Braga e Roberto Requião e eliminar pretensões de incontáveis inimigos, inclusive no exterior. Militares nacionalistas brasileiros asseguram que este paraense de Óbidos, mas paranaense por adoção, tinha estreitas ligações com os Bush — pai e filho — desde que se tornaram vizinhos (e, quem sabe, sócios) na exploração das riquezas amazônicas.

Grande parte desse gigantesco patrimônio provavelmente não será herdado nem pelos seus bisnetos: é que ele deixou de pagar a maioria das propriedades, e na Justiça paraense correm tantos processos, que o procurador do Estado, Carlos Lamarão, afirma, sem hesitar que, "se as instituições funcionassem como deveriam, esse sujeito já estaria na cadeia por crime de estelionato".

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