Empresa de José Alencar demite em massa em Montes Claros

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Os trabalhadores tecelões da Cotenor, em Montes Claros-MG enfrentam desde o início do ano a política de demissões em massa e cortes de direitos. A Cotenor pertence ao Grupo Coteminas e este por sua vez pertence à família do latifundiário, grande empresário e vice-presidente José Alencar.

Em fevereiro último, sob a alegação de necessitar fazer ajustes para a "redução de custos com energia" e implantação de recursos "modernizadores que impliquem na redução de pessoal", a Cotenor demitiu de uma só vez mais de 20% dos trabalhadores. O número divulgado pela empresa ultrapassa 800, mas o Sindicato dos Trabalhadores da Fiação e Tecelagem de Montes Claros denuncia que este número pode ultrapassar os mil.

— O acerto dos trabalhadores com mais de um ano de contrato (homologação) é feito diretamente pela entidade e já chegaram a mais de 800. Os contratos com menos de um ano não chegam ao conhecimento do sindicato, o que leva a crer que as demissões já ultrapassam mais de mil e podem continuar. — declarou a presidente do sindicato, Maria Eliana Ferreira Santos,

Não é a primeira vez que os tecelões da Cotenor sofrem com as demissões, e ataques aos direitos trabalhistas.

— Circulam denúncias em Montes Claros de que alguns anos atrás os trabalhadores da Cotenor eram registrados como auxiliares de serviços gerais para não receberem os benefícios como tecelões. Também há denúncias de que a Cotenor burlava a legislação e mantinha um esquema próprio com a justiça e com médicos para ocultar os casos de afastamento de trabalhadores por doenças profissionais como LER — Lesão por Esforço Repetitivo e não pagar os direitos trabalhistas. — revelou um dos demitidos.

O grupo Coteminas S/A se divide em três grandes empresas: Coteminas Matriz, responsável pela produção de fio e tecido, a Cotenor pela fiação e tecelagem, que contava até então com um quadro de 3.800 funcionários e a Sebratex que responde pelo acabamento e tinturaria. O grupo controla ainda franquias como Artex, Teca e Santista, todas atuando na área de confecção de cama, mesa e banho. A Coteminas S/A também possui indústrias no sul do país e no Rio Grande do Norte, onde já demitiu mais de 300 funcionários e, de acordo com a denúncia dos tecelões, ameaça ainda cortar os benefícios dos que foram mantidos em seu quadro, reduzindo de cestas básicas ao cálculo do PLR (Participação nos Lucros e Resultados); cancelamento de plano de saúde e auxílio farmácia, além de outras conquistas da categoria já seladas pelas convenções coletivas.

Em fevereiro o Sindicato requisitou uma audiência pública na Assembléia Legislativa afim de cobrar das autoridades providências e exigir o cumprimento dos direitos dos trabalhadores. Dois dias antes da audiência a Cotenor solicitou o seu cancelamento devido à "fragilidade" da saúde de José Alencar. Até hoje a Assembléia Legislativa não remarcou outra audiência.

A pressão do Sindicato e a luta dos trabalhadores fez com que uma parte dos demitidos fosse readmitida. No entanto, a maior parte deles continuam desempregados ou dirigiram-se para outras cidades em busca de emprego.

A generosa Sudene e o "pobre" latifúndio

A família Alencar, segundo contam os moradores da cidade de Caratinga, situada na região do Vale do Rio Doce, começou sua escalada naquela pequena cidade, quando o então vendedor José Alencar, que levara à falência o seu último patrão, abriu uma loja de tecidos. Lá, segundo relatos do povo da região, o vendedor ludibriava seus clientes vendendo 55 centímetros de pano como se fosse 1 metro, e de centímetro em centímetro "mal medido" começou sua fortuna passando a ser chamado na cidade pela alcunha de "Zé 55".

Já como rico latifundiário na região norte de Minas Gerais, o fundador da Coteminas S/A contou com fartos recursos da Sudene para a construção de todo seu parque industrial, não precisando enfiar um dedo sequer nos bolsos para pagar os custos da obra.

A julgar pelo histórico da famigerada Sudene e a farra que fez com o dinheiro público, particularmente durante o regime militar, não é de se espantar que, depois de estruturar-se com verba pública, uma empresa privada venha a demitir milhares de trabalhadores para aumentar ainda mais os seus lucros.

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