O melhor do samba, de pai para filho

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A voz marcante de Ataulpho Alves Júnior mostra que o maior valor da herança de seu pai foi o dom de cantar o samba da melhor qualidade. Além de manter viva a memória de Ataulpho, há anos Ataulphinho participa de projetos para divulgar a história do samba, do choro e das valsas, principalmente para crianças de escolas públicas no Rio de Janeiro. AND conversou com o músico para saber um pouco mais desse trabalho e da história de Amélia e tantos outros sucessos.

http://anovademocracia.com.br/44/23.jpgNo dia 5 de agosto de 1965, em uma boate da zona Sul do Rio, Ataulpho Alves, o pai, dava a seu filho Ataulphinho a maior responsabilidade de sua vida, entregando-lhe um lenço branco e dizendo: "Toma o lenço, meu filho, e vai defender o que é nosso de geração em geração". Ataulpho Júnior conta que, nessa época, já vinha acompanhando seu pai nos shows e aprendendo um pouco da arte de cantar samba.

O Mestre Ataulpho

Ataulpho Alves, o pai, com apenas 17 anos, abandonou a vida dura na roça em Minas Gerais, para trabalhar de farmacêutico no Rio de Janeiro. Ataulphinho conta que quando criança, antes do sucesso de seu pai, a família enfrentou muitas dificuldades.

— Em Minas meu pai trabalhou como candeeiro de boi, menino de recados, carregador de malas,etc. Ele trabalhava na fazenda como empregado, junto com a minha avó e o meu avô, Severino, que era violeiro. Meu pai veio de Miraí para o Rio e  foi trabalhar em farmácia. Dali, ele começou a frequentar as rodas de samba do Estácio, onde tinha o Ismael Silva e aquela turma toda. O Ismael ajudava muito o meu pai que na época morava em um morro chamado Santa Alexandrina. Lá ele conheceu a minha mãe, Dona Judite. Ele também morou no Catumbi, no morro do Querosene. Nessa época ele era diretor de harmonia de uma escola de samba chamada Deixa pra lá. — conta Ataulpho Júnior.

Depois que começou a fazer sucesso, o Mestre Ataulpho não parou mais. De acordo com Ataulphinho, até hoje suas músicas são cantadas todos os dias em algum lugar do país.

— De acordo com as planilhas de direitos autorais que a gente recebe, todos os dias as músicas do meu pai são cantadas em algum lugar do Brasil. Elas já foram regravadas por Gal Costa, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Sandra de Sá, Fundo de Quintal, Simone, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, etc. Como ele mesmo dizia: "O meu nome ninguém vai jogar na lama. Diz o dito popular, morre o homem, fica a fama". E está aí até hoje. Ano que vem será comemorado os seus100 anos de nascimento. Quem não conhece Amélia, Leva meu Samba, Atire a primeira pedra, Laranja madura e muitas outras? — revela o músico.

Música Popular

Ataulpho Júnior, depois de tanto tempo de carreira, sabe dos diversos obstáculos que o samba vem enfrentando nos últimos anos. Mas é otimista e acredita que, de qualquer maneira, o samba sempre consegue suspirar.

— O povo ainda está escutando samba, mas acontece que "estão fazendo agora um samba diferente". Como dizia o meu pai: "De janeiro a janeiro o samba é que fala primeiro". O samba teve sempre o seu lugarzinho. O Nelson Sargento fala que o samba agoniza, mas não morre. Existem os modismos, que chegam aqui e tomam conta, com um empurrão da "mídia". Hoje em dia o mercado das gravadoras não tá muito pra samba. Hoje o cara, principalmente se for novo e tiver com um selo independente, a gravadora vem por trás e joga ele no mercado. O cara não é mais contratado pela gravadora. É um trabalho independente e a gravadora só pega e distribui, sem gastar nada. Você quer gravar um disco, é você quem tem que pagar período de estúdio, pagar a mixagem, pagar os músicos, pagar tudo e torcer pra gravadora gostar. Se for o caso, ela lança o som e não gasta nada. — relata Ataulpho.

Projetos e apresentações

E o comprometimento de Ataulpho não é só com a obra musical do pai, mas também com os princípios que ele tinha. Como pregava Ataulpho Alves, seu filho continua, até hoje, um primoroso trabalho de divulgação da história do samba, do choro e das valsas; de seus intérpretes e compositores. O projeto é destinado a crianças de escolas públicas do Rio de Janeiro.

— Tenho os meus projetos, que já são mais de cinco. Um deles é o Bate papo musical nas escolas, que funciona assim: A gente começa contando a história de um grande compositor e depois a gente faz um bate-papo sobre a história. A minha mulher, que é professora, fala do homenageado e eu e a banda vamos ilustrando os sucessos. Na hora do bate-papo as crianças perguntam bastante. Elas sempre perguntam sobre os instrumentos dos músicos e se os sambistas ainda estão vivos. Outro projeto chama-se  Chorando e Valseando nas escolas. Nele a gente conta para as crianças a história do choro e das valsas. Informando a elas a história dos grandes chorões. E assim eu vou levando um pouco da história da nossa música pra essas crianças — conta orgulhoso.

Ataulpho Júnior também tem projetos em São Paulo, onde divulga a história do samba para idosos, além de eventualmente cantar no Rio Scenarium, Rio de Janeiro, e também no Espírito Santo

100 anos de Ataulpho

Nascido em 2 de maio de 1909, ano que vem Ataulpho Alves completaria 100 anos. E para comemorar a data Ataulphinho preparou um calendário cheio de eventos relembrando a obra musical e a vida do Mestre.

— Eu vou aproveitar o centenário do meu pai e vou fazer um CD com o meu irmão, que havia abandonado a carreira há muitos anos, mas agora está voltando. Ele já tocou comigo no Rio Scenarium . A gente vai convidar alguns amigos pra participar desse CD. Nós vamos fazer uma peça musical sobre o Ataulpho e também  um espetáculo em todos os estados, parando lá em Minas. Tudo em homenagem a ele, com seminários, exposições e etc. Uma banda com sete músicos vai tocar só suas músicas. O documentário, um longa metragem que já está sendo rodado, é dirigido por Luis Fernando Goulart que é um cineasta que sabe tudo de Ataulpho. A Maria Betânia parece que vai dirigir um espetáculo dele também e vai gravar duas músicas.

Contato para shows:
Tels: 21 2205-4212 / 9175-2317
         11 4365-4881 / 9865-9101

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