Cinco cubanos são presos políticos no USA

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Na década de 1990 cinco cidadãos cubanos, atendendo a um chamado patriótico, foram viver em Miami, centro das agressões contra seu país. Infiltraram-se em organizações ilegais da máfia cubana a fim de colher informações para neutralizar os ataques a Cuba. O governo ianque, em lugar de deter os terroristas, prendeu os cinco e, arbitrariamente, condenou-os a penas que, somadas, atingem 77 anos de reclusão e 4 prisões perpétuas — duas para apenas um deles.

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Ramón Labañino
(1963)
Economista,
três filhas.
Fernando González
(1963)
Servidor público,
casado.
Antonio Guerrero
(1958)
Engenheiro, poeta,
dois filhos.
Gerardo Hernández
(1965)
Servidor público, caricaturista, casado.
René Gonzáles
(1956)
Piloto,
duas filhas.
Perpétua mais 18 anos. 19 anos de prisão.
Perpétua mais dez anos.
Duas perpétuas mais 15 anos!!!
15 anos de prisão.

A Nova Democracia entrevistou Elizabeth Palmeiro, esposa de Ramón Labaniño, um dos cinco cubanos presos. Ela sonha com o dia em que novamente poderá viver com seu marido e dar toda atenção a suas filhas. Em 12 de agosto de 1998 sua vida estremeceu. Ela estava grávida e achava que seu marido economista estivesse trabalhando na Espanha. Nesse dia recebeu a notícia de que ele havia sido preso no USA. Ao saber dos detalhes passou por um misto de perplexidade, desespero e grande orgulho. A partir de então, a missão de sua vida é libertá-lo e para isso precisa informar a todos e pedir solidariedade e justiça.

AND - Em junho de 1998 Fidel Castro recebeu uma comissão do USA para acabar com os atentados a Cuba. Como foi aquilo?

EP - Há que lembrar que durante o governo de Clinton era permitido que turistas do USA visitassem Cuba. Nesse momento, os mafiosos intensificaram os atentados contra hotéis. Cuba exigiu uma ação das autoridades ianques alertando inclusive que seus cidadãos poderiam ser vítimas. Clinton disse querer ajudar, mas que seus serviços de inteligência desconheciam os autores dos crimes. Fidel Castro disse ter esses dados e que estava disposto a compartilhá-los para acabar com os terroristas. É nesse momento que Cuba recebe uma delegação do FBI e lhes entrega documentos e fitas de vídeo e áudio, que identificam as ações e uns 40 terroristas com nome, endereço, telefone, propriedades, etc. O governo do USA prometeu estudar esses documentos e, comprovando sua veracidade, prender os criminosos. A única resposta que deu meses depois foi prender aqueles que lá estavam para impedir os atentados. Eles foram acusados por espionagem e por "conspirar contra USA".

AND - Para sentenciá-los a penas tão elevadas montaram um caso, fraudaram provas?

EP - Foi simples, recolheram os papéis, coisas particulares, jornais, etc., tudo o que tinham em suas casas e foi lacrado sob o carimbo de "confidencial". No julgamento mostraram uma caixa e diziam "prova nº 35" e um bilhete explicava "provas de terrorismo, confidenciais". Outras "provas" eram as mensagens alertando sobre os atentados. A promotoria mostrava os documentos, mas cheios de tarjas pretas, descontextualizando totalmente as palavras, um alerta era transformado num plano de ataque. Nós tínhamos os documentos inteiros, originais, mas não os aceitaram. Conseguimos testemunhas de defesa, autoridades, generais, gente do Pentágono que assegurou ser totalmente absurda a acusação de que os cinco pudessem espionar o governo ou colocar em perigo a segurança do USA, mas não foi considerado. Miami era um lugar hostil sem condições de sediar o julgamento. O eminente jurista brasileiro Dr João Luiz Pinaud, que estudou a matéria, chegou à seguinte conclusão: "Aqui não há um caso. Isto é um amontoado de papéis aceito como prova que termina em acusação."

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Elizabeth, esposa de Ramón

AND - Vocês entraram com recursos. Qual é a situação atual?

EP - Desde 20 de outubro de 2007 esperávamos a resposta da corte de Atlanta. Em 4 de junho se manifestaram. As sentenças de René e Gerardo foram confirmadas, mas não por unanimidade. Voltaremos a apelar, estão julgando sem provas, quebraram as leis, são presos políticos. As sentenças dos outros três foram anuladas. Os juízes consideraram que a atuação da juíza de Miami estava errada e mandaram que ela mesma os resentenciasse, o que pode demorar anos. Se a lei fosse aplicada eles sairiam imediatamente.

AND - Mas eles não entraram no USA com documentos falsos?

EP - É verdade, mas na legislação está previsto o que se chama "estado de necessidade" onde diz que é válido cometer um delito menor para evitar outro maior. Estavam lá para salvar vidas e evitaram uns 170 atentados. E tinham motivo para os documentos, proteger suas famílias em Cuba. Estavam entre assassinos.

AND - Com que frequência pode visitá-lo?

EP - Em setembro de 2006 foi a última vez que eu e minhas filhas recebemos um visto. Só seis vezes em dez anos. A esposa de René estava com ele quando foi preso. Na época lhe propuseram que se o marido assumisse ser espião contra USA e culpasse os colegas seria beneficiado, caso contrário, nunca o visitaria. A esposa de Gerardo também não recebe o visto, cada vez o negam por um motivo diferente. Cada um está num presídio num canto do país dificultando as visitas do consulado cubano. Os castigam frequentemente, fazem de tudo para quebrar-lhes a moral.

AND - O que diz a imprensa?

EP - Praticamente nada. Há um muro de silêncio. Durante o julgamento em Miami, onde a imprensa é dominada pela máfia, eram divulgados montes de acusações, intrigas. Logicamente, tudo era mentira, senão seriam usadas no julgamento. Era uma maneira de pressionar o júri. Eles sabem que se a opinião pública norte-americana souber a verdade, que seus soldados estão morrendo do outro lado do mundo, com o pretexto de combater o terrorismo e ao mesmo tempo seu governo protege terroristas dentro de seu território, a pressão será muito grande. Quando as pessoas souberam do menino Elián, as autoridades pressionadas tiveram que devolvê-lo a seu país.

AND - Você dá entrevistas quando visita seu marido?

EP - Quando consigo um visto é restrito à cidade do presídio e só para vê-lo. Sou proibida de dar entrevistas. Por outro lado, dar entrevistas não resolve. Em Cuba recebi muitos jornalistas do USA, mas quando chegam a suas redações os editores cortam tudo.

Desde o começo o caso foi uma aberração agravada pelo obscurantismo do governo Bush. Foram violadas as leis do USA e do direito internacional. Assim entenderam, pelo menos formalmente, a ONU, alguns parlamentos e intelectuais. O monopólio dos meios de comunicação do USA, bem como das semicolônias, nada fala. Em todo o mundo se organizam comitês de apoio, que exigem a imediata libertação dos cinco heróis cubanos. Em breve terá inicio uma campanha mundial em defesa. Informações na Associação Cultural José Martí mais próxima.

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