USA e Israel atiçam nova guerra no Oriente Médio

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A mentira das "armas de destruição em massa" está sendo ressuscitada pelo USA e por Israel para justificar o rufar dos tambores para mais uma guerra imperialista. No momento em que os ianques estão acossados pelos altos preços do sagrado barril, triplicados em menos de um ano, a poderosa máquina de violência e morte está armada e pronta para cuspir fogo sobre o país dono da segunda maior reserva de petróleo do planeta.

Não é de hoje a ladainha segundo a qual o programa nuclear iraniano, que Teerã diz ser para fins civis, constitui, na verdade, embrião de uma guerra atômica que colocaria em risco, primeiro, o povo de Israel e do USA e, depois, o resto do mundo.

Esta lengalenga foi repetida em meados de junho, quando os dois candidatos à presidência ianque encontraram-se com a nata do lobby sionista em Washington, mostrando aos integrantes do Comitê Anual de Assuntos Internos Americano-israelenses (AIPAC, na sigla em inglês) que estavam afinados no discurso belicista e nas intenções de futuras dobradinhas com o Estado criminoso de Israel no teatro de operações do Oriente Médio.

No dia seguinte, os principais jornais da capital do ilegítimo Estado israelense saudavam tanto o republicano John McCain quanto o democrata Barack Obama como o que eles na verdade são: farinhas do mesmo saco imperialista. Obama foi ainda mais festejado, graças à sua observação diante da AIPAC de que "a segurança de Israel é sacrossanta".

Ainda na noite da quinta-feira, 4 de junho, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, anunciou ao mundo, entre queijos e vinhos, que um ataque ao Irã era questão de tempo. Foi isto o que significou a sua exigência pública, previamente acertada, dirigida àqueles dentre os quais sairá o futuro inquilino da Casa Branca: a de que o programa nuclear iraniano deveria ser parado "através de todos os meios possíveis".

O capacho Olmert, no entanto, nada exige. Colabora, obedece. No caso, colaborou com a estratégia minuciosamente orquestrada e de interesse comum à dupla criminosa de ameaçar pública e ostensivamente o Irã por causa de seu programa nuclear perfeitamente legal. Em seguida, o vice-primeiro ministro israelense, Shaul Mofaz, disse que a guerra com o Irã era algo "inevitável" — assim, com todas as letras.

Curioso: no mesmo dia em que Olmert, ao lado de McCain e Obama, anunciava para breve a nova guerra, o Irã apresentava à Agência Internacional de Energia Atômica mais 30 documentos para provar que não executa o programa de enriquecimento de urânio para atacar ninguém. Assim, o Irã mais uma vez tentava evitar o prolongamento das ameaças, intimidações e provocações disfarçadas de "inspeções internacionais", e que o USA e Israel prolongassem indefinidamente a farsa, para servir como a mentira da hora que justificasse a decisão de atacar.

Não, não se teve notícia de qualquer teste nuclear ameaçador por parte do Irã, daqueles que formam cogumelos atômicos e daqueles de dar calafrios nos povos de todo o mundo, como, por exemplo, os 210 já realizados até hoje pela França. Também não houve o anúncio de um novo plano de Teerã para a expansão desenfreada de novas usinas, como o fez John McCain, que, caso seja eleito em novembro como o novo "comandante-chefe" da máquina de guerra ianque, irá construir 45 novos reatores no USA, sem que ninguém o tenha acusado de não ter intenções civis.

Nada importa, a não ser o petróleo iraniano, fonte de riqueza para as transnacionais ianques. O que importa é a "segurança de Israel", sobre a qual se diz que é permanentemente ameaçada a fim de legitimar a truculência do imperialismo regional israelense, subordinado ao imperialismo do USA.

Menos de um mês depois do encontro entre McCain, Obama e a AIPAC, e das declarações de Olmert e Mofaz, o exército israelense realizou manobras de intimidação ao Irã. Foram mais de cem aviões de guerra em rasantes no leste do Mediterrâneo, fazendo simulações de ataques a alvos de longa distância, como Teerã. Os governos Olmert e Bush trataram de plantar a notícia no jornal ianque New York Times, a fim de que no dia seguinte, a partir da informação exclusiva estampada na capa do maior diário do mundo, o recado chegasse ao Irã não apenas pela via da espionagem ou das informações por satélite, mas sim como informação de âmbito público, reforçando a provocação.

Em 23 de junho, nova provocação: Os países-membros da União Européia, atendendo ao USA, decidiram impor novas sanções a Teerã. A principal foi o congelamento dos fundos do Banco Melli, o maior do Irã. Isto poucos dias antes de o chefe do Estado-Maior do USA, almirante Michael Mullen, tratar pessoalmente em Israel do ataque que, ao que tudo indica, é mesmo iminente.

O entendimento de Israel e do USA é que o momento atual, o da transição na presidência ianque, é ideal para botar a máquina de guerra em ação outra vez. A lógica que os cúmplices de sempre adotam é a seguinte: seria tarde demais para serem acusados de influenciar as eleições ianques, e cedo demais para um novo presidente — possivelmente democrata, em tese mais contido em aventuras bélicas — sofrer o desgaste político de ter que dar o aval.

No início de julho, diante do risco de sofrer um ataque, foi a vez de o Irã fazer sua demonstração de força, divulgando imagens de testes com mísseis de longo alcance capazes de atingir Israel. A dobradinha ianque-sionista alardeou que tratava-se de provocação. O oligopólio mundial da mídia repercutiu as palavras de um membro do alto escalão do governo do USA, segundo o qual os testes iranianos foram "perturbadores, provocadores e imprudentes".

Quando Israel fez desfilar sua esquadrilha sobre o Mediterrâneo, ameaçando com mais uma guerra para castigar os povos do Oriente Médio, ninguém repercutiu o alerta do governo iraniano, para o qual Israel representa um perigo, enquanto "elemento que perturba a segurança mundial e a paz tanto em nível regional como internacional".

Tudo isto não significa que o governo do Irã seja o maior dos defensores das classes populares e da liberdade dos povos. Indica apenas que articula-se mais uma guerra imperialista para subjugar mais um país aos interesses do poder econômico que está por trás das administrações Bush e Olmert. Cabe a nós prestar solidariedade a estes povos e não aceitar as mentiras que vêm sendo contadas pelos agressores.

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