Acossado pelas massas G8 reuniu-se numa ilha

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Luiz Inácio se encontra com Gerente ianque durante G8

O chamado G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia, reuniu-se entre os dias 9 e 11 de julho no Japão para mais uma rodada anual de arranjos imperialistas, com a presença ao vivo e a cores de Bush, Sarkozy, Medvedev e companhia. Além dos presidentes do USA, França e Rússia, estiveram também em terras nipônicas os gerentes da Alemanha, Itália, Canadá, Reino Unido e do próprio Japão. Na verdade, os oito eram nove na foto oficial: o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, também participou dos arranjos.

Além de aparar as arestas tanto em relação às posturas comuns quanto aos interesses conflitantes, houve o habitual jogo de cena das declarações de boas intenções para com os deserdados do mundo, na tentativa vã de escamotear o fato de que estiveram reunidos, uma vez mais, para assegurar o bom andamento dos interesses e as condições de reprodução do capital internacional.

São muitas as conclusões que os trabalhadores de todo o mundo sempre podem tirar de encontros supra-nacionais deste tipo, ou daqueles parecidos.

Em maio, por exemplo, na 5ª Cúpula da América Latina, Caribe e União Européia — que se realizou na cidade de Lima, no Peru — pôde-se observar com que presteza os governantes oportunistas dos países de cá estão dispostos a abrir as veias de nosso continente à usurpação neocolonial. Esta diplomacia de mandões e capachos também marcou a Cúpula União Européia-África, que aconteceu em dezembro do ano passado em Lisboa, Portugal, e marcará a recém-criada União para o Mediterrâneo, através da qual Sarkozy   pretende acirrar a exploração dos povos da costa sul do mar que separa a Europa do continente africano. Isto para ficar apenas nos exemplos a não perder de vista.

No caso de mais este convescote dos ricos e poderosos — o do G8 no Japão — a primeira constatação é que a gangue está cada vez mais acuada.

Acossados pelos preços do barril do petróleo, triplicados desde a reunião do grupelho no ano passado, pela alta generalizada dos preços dos alimentos que vem se observando nos últimos meses, e pelas massas cada vez mais enfurecidas pela precarização das condições de vida — e dispostas a enfrentar os poderosos — o G8 precisou se retirar na segurança de uma ilha japonesa, a de Hokkaido. Numa palavra: escafederam-se, corridos pelo aprofundamento da crise capitalista a nível global.

Assim, quase que escondidos, cercados de água e de policiais, protegidos pelo mar e pelas armas dos punhos cerrados dos trabalhadores, Bush e seus congêneres acertaram os ponteiros da agenda comum de exploração e opressão.

Mas, diante das câmeras, a agenda que mostraram foi a da demagogia. Apresentaram-se ao distinto público e fizeram declarações oficiais falando de preços do petróleo e da comida, mas também de inflação, do drama africano, dos problemas climáticos e tudo o mais que a hipocrisia ilimitada pudesse abarcar. Encheram a boca para falar de soluções condenadas à inutilidade, e como se não fossem eles próprios os responsáveis pela miséria do mundo.

Bobo da corte e serviçal

Com a legitimidade implodida, e sem saber o que fazer com a derrocada do sistema financeiro internacional — a quebradeira das bolsas começou no USA, derrubou a Bovespa e já chegou nos quatro cantos do mundo — os oito presidentes, primeiros-ministros e que tais, refugiados na ilhota no norte do Japão, trataram de plantar árvores. Sim, plantar árvores. Cada um jogando uma pá de terra na sua própria muda. Eis aqui, neste factóide patético, o símbolo máximo do modo como se tenta tapar com a peneira da picaretagem a responsabilidade dos crimes contra todos os povos.

Por outro lado, a declaração final do clube esteve recheada de ameaças e de militarismo, com provocações à Coréia do Norte e ao Irã. Eles acertaram ainda agressões a serem praticadas em comum acordo contra o povo do Zimbábue, comprometendo-se a dar o tiro de misericórdia em uma população já arrasada pela estrangulação econômica que vem sendo imposta ao país em represália à incompetência de Mugabe para fazer funcionar as engrenagens do neocolonialismo.

Mas, como negociatas podres, os acordos entre estes falsários ora desorientados estão destinados mesmo a não serem cumpridos. Ao primeiro interesse contrariado para um dos lados da corrida imperialista, cada vez mais desesperada, é um salve-se quem puder.

Foi o que já aconteceu na reunião do famigerado Conselho de Segurança da ONU que ocorreu depois da reunião do G8. No Japão, Medvedev endossou as chamadas sanções ao Zimbábue. Na ONU, os embaixadores russos usaram seu poder de veto para contrariá-las. Além de ter interesses econômicos diretos na região, a Rússia está em conflito com o USA em questões como o Irã, a instalação de um escudo anti-mísseis no Leste Europeu e o apoio ianque às repúblicas separatistas da Geórgia.

São os cachorros grandes digladiando-se entre si, fazendo eles próprios o favor de afundar de vez suas instituições e clubinhos privados na inoperância e no ridículo.

Como é bem-vindo ao clube, Luiz Inácio esteve lá. Foi convidado e aceitou de bate-pronto. Não para defender o interesse dos trabalhadores brasileiros — longe disso — mas para produzir seus próprios factóides, e mais uma vez mostrar-se aos manda-chuva do norte rico, ora como bobo da corte, ora como fiel serviçal.

No último 14 de julho, três dias após a edição de 2008 da reunião da gangue, quinze policiais italianos foram condenados a penas que variam entre cinco meses e cinco anos de xadrez. Pegaram cana por agressões e humilhações que praticaram contra os populares que em julho de 2001 foram às ruas de Gênova, na Itália, expressar seu repúdio aos manda-chuvas do G8, que na ocasião estavam reunidos na cidade.

Os cinco agentes da ordem sequestraram 25 manifestantes e os levaram a um quartel a 15 quilômetros dos locais dos protestos, onde, inclusive, as mulheres detidas foram obrigadas a se despir.

Os brutamontes mereceram a pena, por levantar a mão e a voz de forma tão grosseira contra a autoridade do povo e contra a dignidade de pessoas que gritavam contra os que se acham donos do mundo.

Todavia, as penas não passam de  farsa, porque mantêm por debaixo dos panos a verdadeira ordem que vem dos comandantes da reação quando se trata de lidar com o povo insurgente, ou seja, agredir e humilhar. No melhor estilo Sérgio Cabral, os marechais da repressão às massas tratam de desqualificar seus soldados pegos com a boca na botija quando estavam, ora, cumprindo ordens.

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