Correios, portos e petroleiros em greve

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A Câmara dos Deputados e o Senado já não funcionam. O recesso começou no dia 18 de julho. Enquanto os parlamentares param os "trabalhos" e iniciam novas campanhas eleitorais fajutas, o Brasil dos trabalhadores continua em greve.

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Correio: após 21 dias, categoria conquista reivindicações

Correios

A greve nacional dos funcionários dos Correios durou cerca de 21 dias, em quase todos os estados brasileiros. No dia 21 de julho, a maioria das Assembléias estaduais já havia decidido pelo fim da greve, exceto Minas Gerais. Os grevistas reivindicavam atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, aumento salárial de R$603,00 para R$1.119,00 e no Percentual de Lucros e Resultados (PLR) e adicional de risco de 30% sobre o salário.

Após várias rodadas de negociações, os trabalhadores conseguiram o abono de 30%, adicional de R$260,00 para algumas categorias e que os dias parados não fossem descontados. O PCCS também será discutido entre a empresa e os trabalhadores.

As greves dos funcionários dos Correios são marcantes pela grande mobilização da categoria. Manifestações, reuniões, concentrações em frente às agências para esclarecer à população os motivos da greve e "apitaços" são constantes nas paralisações da categoria. As conquistas da última greve são a prova de que a organização pode conseguir vitórias, mesmo num cenário de contra-reformas e ataques aos direitos dos trabalhadores.

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Petroleiros: paralização de várias unidades pelo país

Petrobrás

Os trabalhadores da Petrobrás realizaram paralisação de 48 horas, nos dias 17 e 18 de julho, em várias unidades da empresa espalhadas pelo país. Na mesma semana, os funcionários da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, fizeram greve de cinco dias. Os petroleiros exigiam que os dias de desembarque das plataformas também contassem como dias de trabalho e não como folga, como ocorre hoje. A Petrobrás apresentou como proposta o pagamento de horas extras aos funcionários, o que foi sumariamente rejeitado pela categoria.

Em Manaus (AM), a empresa começou a impedir a saída de trabalhadores das plantas em operação. A medida foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho, que determinou que a Petrobrás respeitasse a greve da categoria e negociasse uma escala de trabalho com os petroleiros. Na Bahia, a Petrobrás conseguiu na justiça um interdito proibitório impedindo a ação do sindicato nas proximidades da refinaria, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia. A medida foi considerada extremamente anti-democrática pelos trabalhadores e prova de como a empresa trata as reivindicações da categoria.

INSS

Os servidores do INSS realizaram no dia 10 de julho uma paralisação de advertência em todo o país. A greve é uma manifestação contrária ao aumento da jornada de trabalho e à proposta de aumento salarial vinculada à produtividade.

Portos

Os portuários realizaram greve de 24h no dia 16 de julho. Portuários, estivadores e conferentes pararam os serviços e prometem fazer mais paralisações, caso suas reivindicações não sejam atendidas. Os trabalhadores são contra a Medida Provisória que institui os portos não-privativos. Atualmente, um porto privado só pode embarcar carga própria. Com a nova medida, eles poderão embarcar cargas não-privativas, concorrendo com os portos públicos.

Para os trabalhadores, a medida é extremamente prejudicial. Eles temem o surgimento de mais problemas trabalhistas. Atualmente os portos privados contratam trabalhadores ligados ao Órgão gestor de mão de obra (Ogmo), mas com a nova medida, eles poderão contratar trabalhadores livremente, o que pode gerar mais desproteção aos trabalhadores. Os portuários têm reivindicações antigas, como o cumprimento da Convenção 137 da Organização Internacional dos Trabalhadores (OIT), que prevê a garantia de renda aos trabalhadores ligados a Ogmo.

Rio Grande do Sul

Desde o dia 12 de julho, os agentes da Penitenciária Estadual do Rio Grande realizam paralisações. Eles reivindicam melhorias na infra-estrutura, aposentaria especial, aumento de funcionários, cumprimento da carga horária constitucional, plano de carreira, promoções, qualificação e reajuste salarial. Caso o governo não atenda às reivindicações dos trabalhadores, eles prometem uma greve geral para agosto.

São Paulo

Entraram em greve no dia 17 de julho os operários da Indústria Nacional de Aços Laminados (Inal), da cidade de Mogi. Todo o setor de produção paralisou os trabalhos. Eles exigem equiparação salarial entre trabalhadores da mesma função, plano de carreira e aumento no vale-refeição.

Paraíba

Foi encerrada no dia 23 de julho a greve dos médicos paraibanos, iniciada em 28 de maio. O movimento reivindicava melhores condições de trabalho e melhor atendimento à população. Para os trabalhadores, o grande saldo da greve foi político, com o fortalecimento do sindicato da categoria. Os médicos do PSF conseguiram 10% de aumento, 13º salário e 1/3 de abono de férias. Agora, os trabalhadores devem criar um fórum de defesa do Sistema Único de Saúde.

Maranhão

Estão em greve, desde 14 de julho, os médicos do Hospital Carlos Macieira, em São Luis. A categoria cruzou os braços por falta de pagamento, melhores condições de trabalho, incluindo melhoria da infra-estrutura do Hospital.

Bahia

Foi encerrada temporariamente, em oito de julho, a greve dos servidores do judiciário baiano. Os trabalhadores reivindicavam aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Salários. Com o recesso na atividade legislativa, eles retornaram ao trabalho, mas prometem novas paralisações em agosto. Os trabalhadores também receberam decisão da justiça, ordenando o retorno às atividades.

Mato Grosso do Sul

Estiveram em greve, do dia três ao dia quatorze de julho, os agentes penitenciários federais de Campo Grande. Eles suspenderam a paralisação para negociar com o governo federal. Os agentes protestaram contra a Medida Provisória 431, que modifica o cálculo de gratificações em várias carreiras. Com a MP, os trabalhadores tiveram redução de mais de 20% nos salários.

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