Operários metalúrgicos de Betim: As lições da greve

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A greve dos caminhoneiros pára as ruas

No último mês de julho, os operários metalúrgicos da Teksid e da Nemak, duas fábricas que fornecem peças para a transnacional FIAT, na cidade de Betim — MG deflagraram a greve. Durante quatro dias, os operários a sustentaram com combatividade, cobrindo seus rostos contra a perseguição dos capatazes da montadora, retomando o papel de vanguarda que os metalúrgicos sempre ocuparam naquele importante pólo industrial.

"Assim que tomamos conhecimento do movimento grevista na Teksid e Nemak, decidimos enviar companheiros da Liga para prestar apoio.

A greve na Teksid foi um acontecimento muito importante, apesar da direção pelega do Sindicato e CTB (PCdoB), pois é a manifestação clara de que as direções pelegas das centrais governistas não tem como conter a revolta das massas, e mesmo que para fazer manobras eleitoreiras, são obrigadas a ceder a pressão da classe operária que quer lutar e não suporta mais as péssimas condições de trabalho, o arrocho salarial, a carestia de vida. E quando essas massas se colocam em movimento, surgem as condições propícias para as posições classistas e revolucionárias penetrarem no seio da classe operária e influenciar suas ações.

Quando chegamos à concentração dos operários e distribuíamos panfletos de apoio à greve, a direção pelega do sindicato ameaçou os companheiros.

A direção oportunista e eleitoreira do PCdoB, desesperada com a nossa intervenção, foi até o carro de som dizer que somos "da 'LOC', o grupo que acabou com a prefeitura e as leis em Betim", que somos "o mesmo povo da Vila Bandeira Vermelha [ver box], que acabou com a paz em Betim".

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Metalúrgicos também pararam

A reação dos oportunistas foi a esperada. A heróica Vila Bandeira Vermelha e o trabalho de agitação das massas e da Liga Operária derrotaram o PT e PCdoB que perdeu a prefeitura de Betim, e eles babam de ódio pois perderam mais esse filão de assalto aos direitos do povo. Eles sabem que a posição classista da Liga Operária vai desmascará-los cedo ou tarde para todas as massas operárias". Este foi o depoimento de Carlos Henrique Marques, membro da Liga Operária, sobre a greve dos metalúrgicos de Betim.

A greve da Teksid e Nemak trouxe de volta à memoria da classe operária de Betim e região os anos de luta da antiga FMB, a atual Teksid, nas décadas de 70 e 80, onde ocorriam grandes mobilizações operárias, com grande nível de consciência, radicalidade e combatividade.

A greve ocorreu em um momento em que vários setores da classe, milhares de trabalhadores, estão em luta em todo o país. Apenas no curto intervalo entre os meses de maio e julho, a transnacional FIAT teve que interromper sua produção por duas vezes. A primeira, como consequência da paralisação dos trabalhadores rodoviários do transporte de cargas, e logo em seguida devido à greve dos metalúrgicos da Teksid e Nemak.

Os operários deflagraram a greve reivindicando reajustes e o devido pagamento da PLR — Participação nos Lucros e Resultados.

Assembléias lotaram o pátio das fábricas e decidiram levar a greve até que as suas reivindicações fossem atendidas. E cumpriram sua decisão até que as exigências fossem negociadas.

— Mais do que os ganhos econômicos, os operários obtiveram muitas lições dessa greve. Perceberam que somente a organização da classe e a luta pode arrancar conquistas. Quando os dirigentes do sindicato vieram atacar a Liga Operária, muitos trabalhadores perceberam que existe uma luta de linhas no seio do movimento sindical, e puderam conhecer e ter contato com a posição classista da Liga. As posições oportunistas e traidoras foram desmascaradas diante de centenas de operários. Esta é uma importante vitória para a classe operária e para a posição classista, que vem encontrando cada vez mais eco em meio aos trabalhadores — concluiu Carlos Henrique.

Uma heróica batalha

A Vila Bandeira Vermelha foi uma ocupação feita por trabalhadores sem-casa que ocuparam um terreno da prefeitura abandonado no bairro Bandeirinhas em 1999. [ver AND Ano I, nº 5, dezembro de 2002 — Quando o povo resiste] As famílias já haviam construído seus barracos de lona, quando o prefeito Jésus Lima (PT) mandou mais de 600 policiais armados de fuzis, escopetas, helicópteros, um aparato de guerra, despejá-las do terreno. A batalha que se seguiu deixou um saldo de dois trabalhadores mortos, mas diante da resistência dos moradores, a polícia foi obrigada a se retirar. No sepultamento dos dois mártires, a massa invadiu a prefeitura e depositou os caixões no saguão do prédio.

Além de atacar a luta da Vila Bandeira Vermelha, dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos atacaram a greve dos trabalhadores rodoviários da carga realizada em maio último que paralisou a BR 381 interrompendo a produção de mais de 250 carros na FIAT-Betim. Utilizando os mesmos argumentos dos patrões, acusaram a greve de atrasar e impedir a chegada dos operários na fábrica atrasando a produção.

Esta mesma prefeitura beneficiou a transnacional FIAT, doando terrenos para a instalação de sua fábrica e a isentando do pagamento de impostos.

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