O Canal da Bandeira Vermelha

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O campesinato do Nordeste do Brasil, sob a alegação da falta de condições para a produção, sempre foi tangido de sua terra para alimentar as necessidades do latifúndio e da burguesia burocrática. Foi assim no ciclo da borracha, no início do século XX, e foi assim entre as décadas de 50 e 70, quando foram construídas obras faraônicas como Brasília e a Ponte Rio-Niterói que encheram os bolsos de políticos, empreiteiros, etc. Terminadas as obras restavam as favelas e a grande massa para engordar o exército industrial de reserva do capital. Enquanto isso, no Nordeste, o latifúndio se tornava cada vez maior e mais rico.

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O povo do distrito de Linhsien celebra a grande inauguração do Canal da Bandeira Vermelha

Neste mesmo período, do outro lado do mundo, a China vivia uma experiência completamente diferente — absolutamente diferente da atual farsa olímpica, quando moradores são desalojados para a construção de estádios, ficam sem indenização e quando finda a obra são expulsos sem pagamento pelo governo fascista, travestido de comunista, da atual China de capitalismo restaurado. Era a época da construção socialista, do grande salto adiante e da Grande Revolução Cultural Proletária. Era uma época de grandes feitos.

Entre 1960 e 1969 foi realizada uma magnífica obra no distrito de Linhsien, no estado de Honan, situado ao noroeste da China, a construção de uma rede de cerca de 1.500 quilômetros de canais cavada na rocha com malhos, brocas e dinamite. Devido ao seu caráter, nada tem de faraônica. Era a obra das massas laboriosas dirigidas por seu partido, o Partido Comunista, para transformar a natureza e construir o futuro. O Canal da Bandeira Vermelha será sempre lembrado como uma das maravilhas que as massas são capazes de construir.

O livro O canal da Bandeira Vermelha de Lin Min, foi publicado pela Edições em Línguas Estrangeiras de Pequim em 1975. O trabalho de Lin Min é um livro com pouco mais de 70 páginas, mas extremamente rico. Conta a história da construção do canal, o prazer e a abnegação das massas para mudarem o porvir, mas também o da luta contra o revisionismo de Liu Chao Shi e seus asseclas, que, quando no poder, fizeram de tudo para conduzir a China de volta ao capitalismo. Um feito tão grandioso das massas não passaria impune. Diversas foram as tentativas do revisionismo em paralisar a obra, mas a determinação do povo e a direção firme do comitê distrital do PCCh, liderado por Ian Cuei, fiel seguidor do Pensamento Mao Tsetung (como era denominado o maoísmo na época), nunca conseguiram seu intento. Driblando a decisão da direção central e sob o pretexto de fazer a manutenção nas partes prontas, foram mantidas algumas equipes que continuaram a obra. Terminada a colheita, trabalhadores voltavam à construção até a estação do plantio e, palmo a palmo, a rocha se transformou em canal.

Uma natureza inóspita

Linhsien está situado no noroeste do estado de Honan. É um distrito bastante montanhoso, quase desprovido de vegetação e além de possuir poucas terras cultiváveis é muito populoso. Pela região do distrito atravessavam vários rios, que corriam por profundos vales pendentes nas encostas escarpadas, tornando seus leitos estreitos para conter muita água. Os principais cursos de água da região secavam durante a estiagem e, no período das grandes chuvas, transformavam-se em grandes torrentes que provocavam desastres. Por isso, nunca se conseguia conservar a água da cheia para reutilizá-la.

Por causa da falta de água potável, 10 mil habitantes do distrito tinham que atravessar montanhas de dezenas de lis (1 li = 500 metros) para procurar água. No período feudal, a cada seca, os camponeses que não conseguiam pagar suas dívidas com os senhores de terra eram expulsos, indo mendigar em outras regiões. A produção era inevitavelmente pequena. A existência de poços profundos era de proveito exclusivo dos feudais. Apanhar água era crime punido com castigos terríveis.

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Pequenas centrais hidrelétricas, pertencentes às Brigadas,
ao longo do canal secundário n° 12 do primeiro Ramal

Com a libertação seguiam diversos os problemas que afligiam as cerca de 500 aldeias que compunham o distrito de Linhsien. Contudo, em relação às condições naturais da região, a escassez de água constituía o problema mais grave. Resolvê-lo significava um grande salto no desenvolvimento de Linhsien.

Dez anos de trabalho árduo

Em fevereiro de 1960 se iniciaram os trabalhos para a construção do canal. Quinze anos antes o Presidente Mao escreveu o artigo Como Yukong removeu as montanhas, no qual evoca uma fábula da antiga China sobre um senhor chamado Yukong, que decidiu, com a ajuda dos filhos, arrancar, com golpes de picareta, duas grandes montanhas que interpunham no caminho entre a cidade e sua casa. Na estória, Yukong e seus filhos trabalharam dia a dia. Por fim, e por ser uma fábula, o Céu ficou comovido com sua perseverança e mandou dois anjos para que carregassem as montanhas. Para o Presidente Mao, o Céu não é outro senão as massas chinesas e a fábula incentiva o povo a perseverar, compenetrando no espírito batalhador de Yukong.

Um camponês escreveu com tinta vermelha e em letras colossais em uma rocha das montanhas de Linhsien: "Transformar a China inspirando-se no velho Yukong que removeu as montanhas!". Era o incentivo que faltava.

Uma coisa que não faltava eram homens e mulheres dispostos a participar das obras. Já em 1958, o distrito de Linhsien contava com mais de 400 cooperativas de tipo superior, agrupadas em 15 Comunas Populares. Essas Comunas Populares, de essência socialista, mobilizaram 40 mil pessoas para a construção de represas e do canal.

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A fábrica siderúrgica de Linhsien

O canal, com os seus três ramais e toda uma série de canais auxiliares, forma uma rede de 1.500 km de extensão. Durante as obras foram abertos 134 túneis, erguidos 150 aquedutos e, na terraplenagem, foram removidos 16.400.000 metros cúbicos de rocha. Era uma grandiosa obra de engenharia. Essas nobres aspirações contaram também com a participação de grandes homens e mulheres, que enfrentaram e sobrepujaram inúmeras dificuldades, mas que se guiaram pela consigna de apoiar-se nas próprias forças.

Para a superação das dificuldades, os camponeses desenvolveram soluções técnicas revolucionárias. Ao longo da obra foram várias essas soluções, sendo importante destacar duas de grande eficiência.

O canal que passou embaixo do rio

No início, quando os agrimensores determinavam o trajeto do canal principal, eles tiveram de deter-se diante do Tchuoho, rio de cerca de cem metros de largura, que o canal devia atravessar para poder continuar para o sul. Na época das cheias, o curso de água aumentava e o seu caudal ultrapassava os 500 metros cúbicos por segundo. Se fosse construída uma galeria de escoamento de uma centena de metros em concreto armado e com tubos de grandes dimensões, o custo da obra subiria para um milhão de yuan, e, além disso, era necessário esperar pelas armações metálicas e pelo cimento que o Estado forneceria segundo o seu plano. O grupo de estudo para a elaboração do plano, constituído segundo o princípio da tríplice união (Comitês Revolucionários surgidos na Grande Revolução Cultural Proletária), decidiu pôr de lado este projeto e resolver o problema de outra maneira.

Este grupo foi consultar o velho pedreiro Iam Wanjen que há dezenas de anos vivia junto às margens do Tchuoho; além disso, passou a viver com os habitantes a fim de colher as mais amplas informações, reunindo assim muitos dados sobre o leito do rio durante as cheias precedentes. Iam Wanjen tinha sugerido que se construísse uma galeria em pedra sobre o leito do rio, para que as águas do canal pudessem atravessá-la. Esta proposta foi muito apreciada pelo técnico Vu Tzutai, membro do grupo de estudo, que dela se inspirou. Pensou: "Se a galeria for construída sobre a superfície do leito, ela não resistirá à corrente das águas durante a época das cheias; mas, se construirmos uma barragem de um lado ao outro do rio e encaixada no leito, com galerias para a passagem das águas do canal, passando as águas do rio, ao mesmo tempo, por cima da barragem conseguiremos então fazer correr as águas do canal sob o leito do rio e, além disso, a barragem será capaz de resistir à corrente durante as cheias".

Partindo desta idéia, Vu apresentou um primeiro projeto de barragem com galerias. Nas reuniões de discussão da tríplice união, o velho pedreiro Iam e outros camaradas introduziram modificações. Hoje em dia pode-se ver uma barragem em pedra de 155 metros de comprimento, 20 metros de largura e 6 metros de altura, com duas galerias subterrâneas. A parte superior da barragem está ao mesmo nível do leito do rio, as extremidades sul e norte das galerias subterrâneas estão ligadas ao canal principal, correndo a água do canal de norte a sul. Hoje é evidente que a obra resistiu firmemente à prova dos tempos, e o seu custo foi apenas o correspondente a um quinto do de uma barragem em concreto armado".

Saltemos para o rio

Tinha chegado o momento da junção das duas partes da barragem na cabeça do canal. Neste sítio a corrente era extremamente rápida. As pedras, transportadas em cestos e lançadas no rio, eram imediatamente arrastadas, os sacos de palha, cheios de areia, também; o mesmo sucedia com os grandes blocos de rocha que pesavam uns 100 quilos. O que fazer? A época das cheias aproximava-se, e, então, ver-se-ia a torrente de água descer da montanha com um caudal várias centenas de vezes, ou até mil vezes, mais impetuoso; a junção seria impossível de realizar-se e, pior ainda, as duas secções já construídas da barragem poderiam desmoronar-se. Era necessário, pois, concluir a junção a todo o custo, antes da época das cheias."

"Saltemos para o rio!" — clamou alguém em voz alta".

"Ouvindo o apelo, numerosos trabalhadores, agarrando-se firmemente uns aos outros pelos braços, formaram uma barragem humana frente à corrente. Foram precisas três filas de homens para que se pudessem se manter em equilíbrio. A corrente era forte, mas não conseguia derrubar esta muralha indestrutível. O rio deixava-se dominar; a corrente diminuía no local da junção. Na margem, os trabalhadores corriam, levando aos ombros sacos de 150 kg que vinham lançar no ponto da junção. Fixaram-se estacas, os sacos de areia foram lançados um a um na água, assim como as pedras transportadas em cestos. Em três horas de luta encarniçada concluía-se a junção das duas partes da barragem".

Economizar e contar com as próprias forças

Uma lição importante que as massas aprenderam na sociedade de classes em geral e no capitalismo em particular foi a necessidade de economizar. Economizar para sobreviver; ditados como "vender o almoço para comprar a janta" são comuns em diferentes partes do globo. Mas a economia de recursos feita na construção do Canal da Bandeira Vermelha tinha um caráter completamente diferente. Não se tratava de economizar as migalhas conseguidas com a venda da força de trabalho, mas economizar recursos coletivos da Comuna, do Estado, e não para chegar vivo ao final do mês e continuar sendo explorado, mas para por fim ao problema milenar da falta d’água e modificar a vida. E a economia foi levada de forma tão intensa que deixaria qualquer ecologista de plantão de queixo caído. Hoje se fala muito nos três erres — Reduzir, Reutilizar e Reciclar — vejamos como sé dá isso na prática de uma sociedade socialista.

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Peixes de uma das represas

Os montes Taíham eram abundantes em pedra; os trabalhadores talharam a martelo os blocos necessários aos 1.500 quilômetros de canais. Para as obras de terraplenagem, era necessária grande quantidade de cimento, inicialmente fornecido pelo Estado; mais tarde, os construtores decidiram criar uma fábrica rudimentar de cimento.

Os próprios construtores também fabricavam o cal, qualquer que fosse a quantidade necessária. Mas o inconveniente era que, na construção dum canal, o que não se verificava na construção duma represa, as obras estendiam-se sobre um longo percurso e deslocavam-se à medida que avançavam os trabalhos, de tal maneira que os fornos de cal deviam ser reconstruídos em cada deslocamento. Demoli-los e reconstruí-los acarretava grandes desperdícios. Os trabalhadores debruçaram-se profundamente sobre o problema e acabaram por inventar um método que permitia fabricar a cal sem forno, ao ar livre. Daí resultou uma economia de braços e de combustíveis, e o transporte do cal ficou facilitado."

Mas não para por aí: a dinamite fornecida pelo Estado passou a ser fabricada a partir do nitrato de amônio, utilizado como fertilizante, com uma economia de 75%.

Utilizavam-se ao máximo os materiais. Quando uma broca, por tanto ter sido utilizada, se tinha tornado demasiadamente curta, era enviada a um ferreiro para que a consertasse; quando se tinha tornado curta para que, reparada, pudesse voltar ao seu comprimento normal, era transformada em cinzel para os canteiros; por sua vez tornado curto, o cinzel ia juntar-se a todas as sobras, com as quais se fabricavam cunhas para os pedreiros. Estas cunhas, desde que não pudessem ser usadas, serviam em último caso para a reparação de enxadas."

"Os resíduos eram todos aproveitados. Juntava-se o ferro-velho para dele se fazerem instrumentos. Um malho fabricado pelos próprios trabalhadores custava apenas 20 fen, isto é, menos de um décimo do preço de mercado que era de 2,5 yuan. A madeira das caixas de dinamite servia para fabricar caixotes para argamassa, carros de mão e baldes, enquanto que os pregos dessas caixas eram cuidadosamente arrancados para serem novamente utilizados."

"Em resumo, nas obras do Canal da Bandeira Vermelha praticava-se uma economia rigorosa. Não se desperdiçava um prego, um pedaço de ferro-velho, um bocado de madeira, até mesmo um fio; tudo tinha a sua utilização. Os construtores diziam: "Contando com as nossas próprias forças e com as nossas duas mãos, não temendo derramar o suor, teremos tudo o que quisermos!"

Homens, mulheres e uma só vontade

O livro de Lin Min conta a história de um grande feito, o canal, mas nos brinda também com as histórias de homens e mulheres que o fizeram. São histórias emocionantes como a da intrépida jovem Yom-ti líder da "Equipe das Jovens de Ferro" que depois de brigarem para aprender a fixar as brocas e baterem os malhos, brigaram para aprender a manusear a dinamite. Depois de muita insistência Yom-ti foi autorizada (a direção do Partido Comunista queria incentivar a iniciativa feminina) a acender cinco mechas de detonação. Acendeu a primeira e seu coração disparou, após a quarta perdeu o sangue frio e pediu que a recolhessem. Foi recebida com aplausos, mas disse que se sentia envergonhada por não ter acendido a quinta mecha e, embora ainda houvesse fumaça, desceu ao túnel novamente e com o seu lampião apagou, apalpou o chão até encontrar a mecha. Acendeu-a e saiu. Seu exemplo foi seguido e as jovens da equipe de ferro se tornaram hábeis dinamitadoras.

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Pêssegos suculentos de colinas outrora secas

Outra equipe que merece destaque é a liderada por Jem Yam-tchem, membro do Partido Comunista e famoso dinamitador. Os membros dessa equipe tinham como função, após as explosões, descer nos penhascos pendurados por cordas e rolar as pedras soltas, a fim de evitar acidentes. Era um trabalho arriscado que várias vezes deixava feridos, mas a equipe não vacilava, velava pela segurança de seus companheiros de trabalho.

Sem dúvida, a maior dificuldade de Lin Min foi selecionar quais histórias colocar no livro, pois as massas são generosas em oferecê-las. Já é difícil para nós escolher entre as poucas referidas pelo autor para exibir neste artigo, imagine escolher entre as milhares e milhares que ocorreram na obra, histórias de anônimos, como o velho talhador que dia após dia, ano após ano, transformava a pedra irregular em blocos para a construção; ou do jovem que vendo seus companheiros machucarem os pés por conta dos sapatos gastos ia de canteiro em canteiro com sua sacola de ferramentas, consertando-os. Enfim, histórias do trabalho cotidiano abnegado que só os filhos do povo e um sistema socialista podem fazer.

O nosso problema, no entanto, é mais fácil de resolver que o de Li Min e em breve publicaremos no sítio do jornal, www.anovademocracia.com.br, a íntegra do livro.

 

Atualmente, no Brasil do atraso...

A leitura do livro O Canal da Bandeira Vermelha de Lin Min que conta a saga do povo chinês na construção de uma grandiosa obra de engenharia, nos incita a reflexões, tornando impossível não fazer comparações com os problemas estruturais que vivemos. Além disso, estabelece um parâmetro para criticar a decantada obra de transposição do rio São Francisco, que está prestes a ser executada pelo Estado burocrático brasileiro, através da gerência de Luiz Inácio.

É extremamente necessário marcar a diferença das duas obras nos seguintes pontos: como? Por quê? E para quem?

O canal da Bandeira Vermelha foi construído pelos trabalhadores chineses. Esses trabalhadores do estado de Honan, em sua grande maioria se apresentaram voluntariamente para a tarefa. Existia uma grande diferença, não haviam mais patrões e empregados e sim cooperativas e comunas formadas por homens e mulheres que trabalhavam ombro a ombro. Havia, é claro, elementos que coordenavam as equipes de trabalho, esses surgiam do seio dos próprios trabalhadores, tinham o reconhecimento dos mesmos e lhes serviam de exemplo. No caso da transposição do rio brasileiro, as obras serão executadas em boa parte pela mão de obra do Exército, além de trabalhadores superexplorados pelas empreiteiras.

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Membros da comuna espalhando fertilizantes pelos arrozais, outrora terras áridas

A razão do canal da Bandeira Vermelha foi o povo chinês. A obra levou à população da província chinesa benefícios materiais consideráveis, como a possibilidade de eletrificação, a implantação de pequenas indústrias, além, é claro, do aumento espantoso da produção agrícola. Mas o que é mais importante ainda é a fonte de riquezas inesgotável no plano ideológico. O espírito de contar com as próprias forças, de trabalhar arduamente, de avançar sempre apesar das dificuldades, demonstrados ao longo da construção do canal deixa um grande legado.

A razão da transposição do "Velho Chico" são os interesses do latifúndio e dos reis do "agronegócio". Os benefícios para os camponeses e a população ribeirinha e do sertão carente de água são irrisórios, sendo certo que serão expulsos dali pelo latifúndio.

O projeto de transposição do rio São Francisco, nomeado pela gerência brasileira como "Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional" é um projeto a serviço das empreiteiras, de interesses eleitorais, manipulados pela secular indústria da seca no Nordeste. A indústria da seca, primeiro trabalhou com os açudes, ganhando muito dinheiro, beneficiando famílias de latifundiários. Não satisfeito, o latifúndio busca agora transpor as águas do "Velho Chico" para seus interesses próprios, além de assim atender interesses do monopólio internacional. É obra do imperialismo.

Outra comparação é fundamental: o orçamento da transposição do S. Francisco é da ordem de R$ 4,5 bilhões, custeados pelo Estado para o deleite do latifúndio. Deve-se ainda levar em consideração os desvios e toda a ordem de roubalheiras promovidas pelos políticos e empreiteiras.

Enquanto no Canal da Bandeira Vermelha:

O espírito da população de Linhsien de contar com as suas próprias forças também se revela claramente se examinarmos a proveniência dos fundos investidos nos trabalhos de construção; dos 47 milhões de yuan investidos no canal principal e nos seus três ramais, a participação do Estado foi apenas de 21,6 por cento, enquanto que os restantes 78,4 por cento foram fornecidos pelas próprias comunas e brigadas de produção. Nos investimentos destinados às obras suplementares, compreendendo uma vasta rede de canais, e que orçava em 20 milhões de yuan, a parte do Estado foi apenas de 1,5 por cento contra 98,5 por cento da parte das comunas e brigadas.

Entretanto, resistência não faltará ao povo brasileiro. Os camponeses pobres e os movimentos revolucionários farão de tudo para barrar esse assalto as nossas riquezas e, por que não dizer, uma afronta a nossa soberania.

Esses mesmos camponeses, que vivem do seu trabalho, sabem muito bem que a construção de cisternas é uma opção limitada para a solução dos problemas da seca. Todavia, obras de envergadura como demanda a solução dos problemas, esse tipo de trabalho só será possível em um outro tipo de Estado, em uma Nova Democracia — como foi o caso dos camponeses de Linhsien — onde as forças produtivas tenham espaço para se desenvolver, com os conhecimentos científicos e os meios de produção sob controle das classes trabalhadoras através de seu Estado popular.

 

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