"La calle és del pueblo"

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Passeata em La Paz protestou contra o assassinato de camponeses em Pando

La Paz, Bolívia - A resposta dos movimentos que apóiam a gerência de Evo Morales, bem como outros setores sem vínculos orgânicos com o MAS não se fez esperar. Tentando defender o país do fascismo declarado dos "cívicos" da Meia Lua, muita gente foi às ruas. As bandeiras racistas levantadas por ambos os lados encobrem a verdadeira razão dos conflitos entre as frações da grande burguesia boliviana e a grande disposição de luta do povo é canalizada para defender os dois lados hora em pugna. Os apoiadores do governo do MAS se utilizam da palavra de ordem da união contra o fascismo, mobilizando grandes contingentes — às vezes espontaneamente — para defendê-lo e escondendo sua verdadeira face de conciliação e oportunismo.

Todos os dias, em locais diferentes, representando setores distintos, milhares de bolivianos saíam às ruas para protestar contra a violência e o racismo que tomava conta do país.

Assim que os bloqueios feitos pelos Comitês Cívicos da Meia Lua começaram, as Juntas de Vizinhos de El Alto se reuniram na região central da cidade, tomando as duas faixas da principal avenida para discutir como defender o país da violência. A população pediu armas para enfrentar os Cívicos e decidiu participar das marchas à Santa Cruz. O pedido de armas foi ignorado.

No dia 16 de setembro, saíram às ruas mais de dez mil pessoas, entre estudantes da Universidade Pública de El Alto (UPEA) e camponeses que também se manifestavam pelas ruas de La Paz. Os camponeses eram provenientes de vários departamentos do país e protestavam contra os assassinatos de camponeses em Pando e contra a violência instaurada em Santa Cruz. Eles levavam vários cartazes contra o fascismo e gritavam palavras de ordem.

Os estudantes se dirigiram à sede da Unitel, canal de televisão, que, segundo eles, vinha divulgando falsas informações sobre os protestos e bloqueios. Em frente à sede da Unitel, um forte esquema de segurança impediu a aproximação dos estudantes, que gritaram pela nacionalização dos meios de comunicação e contra o sensacionalismo desta empresa. Os estudantes afirmaram que a Unitel é um canal de TV que está ao lado dos fascistas de Santa Cruz.

Durante a tarde, foi a vez dos operários, organizados pela Central Obrera Boliviana saírem às ruas. Eles tomaram várias ruas de La Paz, em protesto ao assassinato de camponeses e à violência instalada em Pando e Santa Cruz, principalmente. Também protestaram contra a cobertura da imprensa, que segundo eles, está ao lado dos fascistas. Cartazes diziam "Aos jornalistas se abrem dois caminhos: unir-se ao povo ou aos seus assassinos".

Também no dia 16, camponeses e operários de diversas partes do país iniciaram os bloqueios à Santa Cruz. Os bloqueios, como afirmaram diversos jornais, não foram programados pelo Movimento ao Socialismo. Diante da invasão, saque e destruição da sede de todos os movimentos camponeses e operários nos departamentos que compõem a Meia Lua, era inevitável uma resposta à altura. Os pontos de bloqueio ultrapassavam uma dezena e, em cada um deles, se reuniam mais de mil camponeses, alguns chegando a agregar cerca de dez mil pessoas.

A partir do dia 18, com a chegada de Leopoldo Fernández a La Paz, os protestos se ampliaram. Todos os dias, pelas ruas de La Paz, havia manifestantes. A maioria deles marchava pelas principais ruas da capital e se dirigia à Prisão San Pedro, onde o governador estava detido.

No dia 20, os estudantes normalistas, seus professores e os operários da Central Obrera Boliviana saíram às ruas, numa grande manifestação até o Presídio "San Pedro". Havia um forte esquema policial e os manifestantes tiveram que ficar longe do Presídio.

No dia 23, foi a vez dos camponeses cocaleros do departamento de Yungas tomarem as ruas de La Paz. Com folhas de cocas, whipalas e faixas realizaram uma das maiores, mais organizadas e combativas manifestações. Um grupo de camponeses desfilou, simbolicamente, armado. Portavam armas de caça e facões.

Bloqueios

Em resposta aos bloqueios, aos ataques, à tomada de órgãos públicos, à destruição de diversas organizações camponesas e sindicais, no dia 10 de setembro, os camponeses e operários iniciaram o bloqueio aos departamentos da Meia Lua.

No dia 17 de setembro, quando o cerco à Santa Cruz feito pelos movimentos sociais completava uma semana, cerca de mil camponeses chegaram a Cocha-bamba e seguiram rumo à Santa Cruz. Os camponeses bloqueavam a estrada nova que ligava o departamento de Cochabamba à Santa Cruz. A estrada velha, na localidade de Tiquipaya também permanecia fechada. Do departamento de Cochabamba a Beni, havia seis pontos de bloqueios. A estrada que ligava Santa Cruz a Tarija também estava bloqueada. Somente na localidade de Sujal, 123 km de Santa Cruz, havia mais de oito mil camponeses.

No dia 18, mais de mil mineiros e camponeses do departamento de Oruro saíram em marcha, em direção à Santa Cruz. Nesta semana, cerca de dez mil pessoas marcharam em direção ao departamento de Santa Cruz. No dia 23, já havia cerca de 60 mil camponeses nas imediações de Santa Cruz, discutindo se entrariam no departamento. A intenção dos camponeses e operários era entrar na cidade, marchar e mostrar que a Bolívia é um país livre e que se podia circular livremente por qualquer lugar.

E outras marchas seguiam, como a dos camponeses de Chapare e dos Yungas com 13 mil pessoas. Em Bulo Bulo havia cerca de sete mil pessoas. Cinco mil camponeses de Huanuni e mais cinco mil de Ichilo se dirigiam às imediações de Santa Cruz. Neste momento, havia quatro pontos de bloqueio à Santa Cruz.

No dia 23 de setembro, atendendo ao apelo do governo, na tentativa de avançar com as negociações com a oposição, os movimentos sociais desfizeram os bloqueios à Santa Cruz e todas as fronteiras foram abertas. Até o fechamento desta edição, a oposição havia suspendido o diálogo com o governo, depois da prisão do dirigente do Comitê Cívico de Villa-montes, José Vaca Ortís.

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