Sangue novo no samba

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Vendo Diogo Nogueira fora dos palcos e das rodas de samba pode-se facilmente confundi-lo com um roqueiro convicto, pelo seu visual, mas ouvindo-o cantar não se têm dúvidas de que se trata de um sambista nato. Filho do saudoso João Nogueira, Diogo tem surgido no circuito da música brasileira como uma revelação do samba, com uma voz que lembra a do pai e um repertório que faz qualquer sambista da velha guarda sorrir de alegria.

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Desde criança Diogo esteve em contato com o universo do samba, já que costumava acompanhar o pai para as muitas rodas de samba que ele participava, sempre com outros grandes nomes. Mais tarde, Diogo, um pouco mais crescido, João Nogueira pedia para que ele cantasse alguns sambas em seus shows, o que o menino aceitava prontamente.

Contudo Diogo não queria ser músico, e, segundo diz, essa possibilidade nem passava pela sua cabeça. Seu sonho era ser um jogador de futebol, defender o Brasil na copa do mundo, e viver disso.

— Lutei e muito pelo meu objetivo e durante toda a minha adolescência fui jogador de futebol, não conseguindo ser bem sucedido como gostaria. Aos vinte e três anos fui tentar minha última chance em um clube do Rio Grande do Sul, mas sofri uma lesão e tive que abandonar de vez o futebol — diz Diogo, hoje com 28 anos de idade.

A essa altura João Nogueira já havia falecido e Diogo voltou para o Rio, ainda sem saber o que faria da vida, permanecendo sem cogitar a possibilidade de seguir a careira do pai.

— Me encontrava um pouco triste com o futebol, desencantado mesmo. Permaneci alguns meses 'de molho' e depois comecei a aceitar os convites que me eram feitos para participar de rodas de samba, dar 'canjas'.

E de rodas de samba entre amigos, ele começou a viajar pelo Brasil afora fazendo shows ao lado de figuras importantes do samba como Dona Ivone Lara, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, conquistando espaço, muitos admiradores e frequentando os melhores redutos de samba do Rio.

— Passei a gostar e isso foi crescendo e tomando uma proporção que eu não imaginava, chegando ao ponto de gravar um DVD ao vivo, que é o meu primeiro trabalho. Meu pai nunca me incentivou a ser músico, muito pelo contrário, ele queria que eu fosse jogador de futebol. Mas viver do samba tem me dado muita alegria, honra e orgulho. Hoje estou completamente envolvido com o meu trabalho — diz.

Segundo Diogo sua carreira de compositor também surgiu naturalmente, e praticamente ao mesmo tempo da de cantor.

— Eu estava em um sítio com uns amigos, tocando, brincando com o cavaquinho, e assim, de forma natural, surgiu minha primeira composição, música e letra.  E continua sendo assim até hoje, sempre dependendo do momento que estou vivendo, da situação, do que está acontecendo a minha volta, tudo pode ser inspiração para compor — explica.

Diogo também é compositor de samba enredo, e pelo segundo ano consecutivo teve seu samba escolhido pela Portela, sua escola do coração.

— Essas composições também surgiram naturalmente em minha vida, e praticamente ao mesmo tempo em que comecei a cantar e compor sambas. Tem cerca de quatro anos que comecei e na Portela, porque desde pequeno desfilava na Escola. Até pelo amor que tenho pela Portela, é um grande privilégio fazer parte do time que compõe seus sambas enredo.

O grupo de Diogo na Portela tem mais quatro componentes: Cinanir, Juarez Cafura, Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo, disputando com vários outros grupos na quadra da Escola.

A força do samba se renova

Diogo tem sido considerado por muitos do universo do samba como uma força nova para o gênero, sendo inclusive indicado, juntamente com Roberta Sá, para o Grammy Latino deste ano, na categoria 'artista revelação'.  Alguns dizem que sua voz lembra e muito a maravilhosa voz de João Nogueira, o que lhe enche de orgulho.

No repertório do DVD, clássicos do pai, como Espelho, Nó na Madeira e O Poder da Criação;  de Nelson Rufino,Vazio; de Almir Guineto, Lamas nas Ruas; e composições suas como Trem do Tempo e Samba pros Poetas, além do samba enredo da Portela de 2007, tudo mostrando que o samba está vivo e tem se renovado à medida que aparecem novos talentos, lutando por ele.

— O samba que faço é o tradicional, o chamado 'samba de raiz'. Entre outros, componho partidos altos, sambas canção, enfim, uma mistura, sempre mantendo o autêntico samba. Não tenho nada contra os pagodeiros, acho que cada um faz aquilo que considera melhor, mas meu trabalho é diferente, sigo a minha linha e não abro mão — diz.

Ele acredita que o samba autêntico nunca morrerá, por causa da grande força que essa música tem, refletindo as aspirações do povo, levando-o ao contato com suas raízes. O artista do samba tem muito trabalho, agenda cheia, porque o povo, uma vez que tenha acesso a esse gênero, aprecia e sabe dar valor àquilo que faz parte da sua vida, sua história.

— A força dessa música é a que move, e acho que também move a alegria de todo brasileiro, de quem realmente ama a sua terra, o seu país, a sua alma. Costumo dizer que quem realmente ama a sua cultura, suas origens, se identifica com o samba, o choro —  defende.

No último carnaval Diogo foi o anfitrião de uma roda de samba 'gigante' no Forte de Copacabana, no Rio.

— Foram cinco dias de música, com mais de vinte músicos participando. Para cada dia eu convidei uma personalidade importante do samba, que foram: Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila, Monarco, Nelson Sargento e o Wilson Moreira, e fizemos uma grande festa, maravilhosa, com casa cheia todos os dias — lembra com orgulho.

Diogo observa que os jovens estão voltando para o samba e gostando cada vez mais de ouvir músicas de Paulinho da Viola, Bezerra da Silva, Beth Carvalho e outros.

— Tenho viajado pelo país todo com o show, que normalmente tem casas lotadas. O povo recebe muito bem, e eu acho que é uma felicidade muito grande estar viajando o Brasil, podendo levar o samba a lugares tão distantes, e para muitas pessoas que não tem acesso a ele. Estou muito feliz por ver que a minha música está acontecendo de maneira bem natural e sincera. Em 2009 pretendo fazer outro disco — antecipa.

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