Trabalhadores em luta: o outro lado do USA

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Há muito as classes dominantes do USA lançam mão de um estratagema capcioso, o de pintar com um ódio crescente ao povo de lá o que na verdade é o acirramento da resistência em muitos países às ingerências empreendidas mundo afora pelas sucessivas administrações ianques. Dentro do próprio USA, os que se levantam contra as políticas de agressão a outros povos e de precarização de suas próprias condições de vida são acusados de traição, perseguidos, presos e, por vezes, mortos.

Não apenas a burguesia imperialista ianque está empenhada neste truque de apresentar o inconformismo com a truculência das tropas e das empresas ianques ao redor do planeta como um rancor irracional nutrido contra quem vive e trabalha no covil dos assassinos. O monopólio mundial dos meios de comunicação e os gerentes políticos do grande capital em outros países não fogem ao chamado.

O primeiro contribui com as habituais campanhas de desinformação contra as massas, dirigidas em papel jornal ou em cadeias de rádio e TV. É uma enxurrada de especialistas em coisa alguma, que aos primeiros sinais de inconformismo com as ofensivas imperialistas se apressam em desqualificar os que, segundo os PhDs em nada, culpam os norte-americanos pelas mazelas cuja responsabilidade deveriam atribuir à própria incompetência.

Os segundos cumprem seu papel colocando os instrumentos de que dispõem à serviço dos poderosos e contra os trabalhadores — da economia à polícia, passando pela educação e pelas políticas culturais. Luiz Inácio é um exemplo perfeito, e não por causa da anedótica expressão companheiro Bush, mas sim pelo esmero com que sua administra ção semicolonial aplica os mandamentos do chamado Consenso de Washington.

Em suma, governos subservientes e grandes grupos de comunicação chamam de antiamericanismo o que se trata de antiimperialismo. Em um segundo momento, logo após falsificarem a denominação à resistência e à perda de prestígio do USA em muitos países, valem-se desta mentira aparentemente sem importância para respaldar os invasores e, por consequência, legitimar toda sorte de abusos contra os trabalhadores de todo o mundo.

Em casa, ou seja, entre suas fronteiras, a turma do Bush vem promovendo uma verdadeira caça aos dissidentes também no esteio de uma campanha de difamação, cuja lógica é parecida com a do esforço no cenário externo pela construção do mito do antiamericanismo. Os trabalhadores que nasceram, vivem e resistem no USA, e que são solidários aos outros povos oprimidos pelo exército e pelo capital ianques, são marginalizados sob a acusação de traição à sua própria pátria.

Fala-se muito da ferocidade com que se dá a repressão àqueles que se posicionam com frontalidade contra o governo central em países como a China, mas no USA também não é nada fácil a vida de quem se atreve a resistir à truculência das classes dominantes com bravura e de forma inquebrantável. Ao contrário disto.

É certo que a situação dos grupos e organizações antiimperialistas é pior nos países onde o USA participa diretamente das administrações nacionais e comanda as forças armadas sem a necessidade de muitos entrepostos nas hierarquias militares. É o caso do Iraque e do Afeganistão, onde a resistência profundamente enraizada e apoiada no seio destes povos é prontamente caluniada e combatida como grupelhos de terroristas fanáticos.

Exército ianque agora combate em casa

Porém, quando se trata da resistência no próprio USA, aquela verdadeiramente comprometida com as questões de classe, há um particular esmero do Estado — ora aparelhado pelo Partido Republicano, ora pelo Democrata — não apenas em sufocá-la de imediato, mas também no silenciamento mesmo de sua existência, a fim de que a rapina praticada para além dos oceanos seja confundida com a vontade do povo de lá. Mas os trabalhadores do USA não são meros cúmplices de suas elites.

No USA, onde o anticomunismo é profundamente arraigado entre as classes dominantes, está cada vez mais difícil para as massas se organizarem e irem à luta por direitos, contra as políticas públicas de miséria e pelo fim das ofensivas imperialistas no exterior.

Uma polícia violenta e um sistema judicial viciado, os dois instrumentos de repressão mais evidentes utilizados pelo Estado burguês em geral, no Estado imperialista ianque ganharam o reforço de medidas reacionárias instituídas pela administração Bush após os episódios de 11 de setembro de 2001.

Na sequência da lei de exceção chamada US Patriot Act, aprovada pelo Congresso ianque e sancionada por Bush dois meses depois de os aviões se chocarem contra o Pentágono e as torres do World Trade Center, iniciou-se um amplo processo de criminalização da dissidência dentro do próprio USA, com profundo comprometimento dos direitos de organização e expressão — que desde antes do 11 de setembro já eram muito mais discursos demagógicos do que liberdades de fato.

O US Patriot Act e tudo mais o que a administração Bush arranjou a partir da invocação de uma guerra preventiva representaram — e ainda representam — duros golpes desferidos contra um povo que tem uma longínqua tradição de vitoriosas lutas proletárias contra a burguesia local, de movimentos de massa por direitos e liberdades civis, e de campanhas de condenação das agressões militares aos sucessivos países-alvo da máquina de guerra ianque.

Mais recentemente, o USA vinha sendo palco da formação de um poderoso levante popular contra a globalização capitalista, em repúdio às políticas da Organização Mundial do Comércio, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, a favor da retirada do exército imperialista do Iraque, contra a chacina da população do Afeganistão, exigindo que se pare o funcionamento da máquina de encarceramento em massa dos pobres e dos imigrantes, e pelo fim da agiotagem institucionalizada que desencadeou a atual crise capitalista e que há tempos castiga os trabalhadores de lá.

Muitas vezes a consolidação destes levantes em movimentos de caráter radicalmente classista são comprometidos pelas imensas dificuldades impostas pelo Estado ianque à atuação de organizações verdadeiramente comprometidas com os anseios das classes populares. Por vezes, o inconformismo e a disposição das massas para a luta não chegam a ser organizados e direcionados para ações verdadeiramente voltadas para a luta de classes.

Lá, como cá, tolera-se apenas a falsa esquerda, aquela que vive, fala e atua pautada pelos problemas e debates da burguesia. A estes são oferecidos lugares nos debates, chapa nas eleições e espaço nos jornais das classes dominantes. Quando se trata de pessoas, grupos e ações revolucionárias, o pau come.

Não por acaso Bush acabou de criar, no fim de 2008, a primeira unidade do exército imperialista inteiramente dedicada a combater levantes populares dentro das próprias fronteiras do USA. Esta unidade, conhecida como Raiders (agressores, atacantes ou caçadores, fica à escolha) passou os últimos cinco anos no Iraque, indo de casa em casa para achar e matar membros da resistência. Pois os Raiders estão voltando para casa, e para ficar.

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