As vísceras do velho Estado em Rondônia

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"de muito gorda a porca já não anda"

As palavras de Chico Buarque cantadas em Cálice, em pleno gerenciamento militar fascista, ajustam-se como luva para a situação de apodrecimento, corrupção, crimes de toda a espécie e progressivo apodrecimento do velho Estado burguês-latifundiário. Em  Rondônia, a velha e gorda porca expõe suas vísceras apodrecidas que saltam aos olhos, revelando em que tipo de estrutura se assenta o poder do latifúndio e das classes reacionárias. Sobre a imensa pobreza e repressão do movimento camponês está assentada uma casta de criminosos, que de tempos em tempos necessita oferecer carne aos leões para obter mais um período de sobrevida.

http://www.anovademocracia.com.br/48/10b.jpgO governador de Rondônia, Ivo Cassol, que comprovadamente utilizou o aparato da Secretaria de Segurança Pública do Estado para tentar ocultar a compra dos votos que o elegeram, teve seu mandato cassado no mês de outubro último.

A desembargadora Ivanira Feitosa Borges, relatora no Tribunal Regional Eleitoral da Ação de Investigação Judicial, concluiu, ainda em seu parecer, que Ivo Cassol utilizou a estrutura do Estado para fazer ameaças e coação às testemunhas, empregando a ação de policiais civis.

O voto da desembargadora determinava que novas eleições deveriam ocorrer no dia 14 de dezembro e que a Assembléia Legislativa deveria nomear provisoriamente um nome para ocupar o lugar do governador até o novo pleito. Entretanto, como não poderia ser diferente, assim como rezam as regras da farsa eleitoral e do velho Estado em decomposição, no dia 19 de outubro, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral — TSE decidiu manter Ivo Cassol como governador de Rondônia.

E para não restar brecha ou qualquer risco de pensarmos que o crime do burguês não seja regulamentado nesse velho Estado, no dia 18 de novembro último, a Câmara dos Deputados de Rondônia aprovou uma emenda à Constituição em sessão extraordinária para manter Cassol no cargo "até que sejam esgotados todos os recursos judiciais". A tábua de salvação contra crime eleitoral e coação reza o seguinte:

"Artigo 2º: Fica acrescentado o parágrafo único ao artigo 63 da Constituição estadual com a seguinte redação: Artigo 63 — Parágrafo único. Não perderá o mandato o governador quando decretada a justiça eleitoral ou quando sofrer condenação criminal, enquanto não transitado o respectivo processo".

O Ministério Público Eleitoral já pediu ao TRE que julgue a emenda inconstitucional. [Fonte: Tud orondonia.com]

Ex-comparsas não têm vez

A trama esburacada dos acordos políticos em Rondônia se rompeu mais uma vez.

Em novembro último, o Tribunal de Justiça de Rondônia condenou o ex-presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos de Oliveira (Carlão de Oliveira); o ex-assessor da Assembléia, Moisés José Ribeiro de Oliveira — irmão de Carlão—; os  ex-deputados Amarildo Almeida, José Emílio Paulista Mancuso de Almeida (Emílio Paulista), João Batista dos Santos (João da Muleta), Haroldo Franklin de Carvalho Augusto dos Santos (Haroldo Santos), Ronilton Rodrigues Reis (Ronilton Capixaba), Daniel Neri de Oliveira e Ellen Ruth Catanhede Salles Rosa, além do atual deputado João Ricardo Gerolomo de Mendonça (PTB).

Eles foram acusados pelo Ministério Público do Estado por crimes de formação de quadrilha e corrupção, e suas penas, somadas, ultrapassam os 100 anos de prisão. Os ex-aliados do gerente Cassol foram entregues de bandeja em uma fita gravada por ele, fornecida às emissoras de TV que se encarregaram de pedir suas cabeças. Tal é a forma como as esferas de poder em Rondônia aplicam a regra do "veja bem com quem você está falando".

Se gritar pega ladrão...

Mario Calixto Filho, diretor-presidente do Estadão do Norte, ex-senador (PMDB), dono de uma ficha criminal que ultrapassa 140 processos na Justiça de Rondônia está foragido da justiça. Calixto circulava livremente graças a uma ordem de liberdade provisória, que foi recentemente cassada pelo Superior Tribunal Federal no dia 28 de outubro último. Um mandado de prisão contra o ex-senador foi expedido pela justiça no mesmo dia.

Calixto é acusado, juntamente com o filho do governador, Ivo Júnior Cassol, de ligações com a máfia capixaba, que operava no ramo de importação de veículos de luxo subfaturados e foi desarticulada pela "Operação Titanic" da Polícia Federal. O próprio governador Ivo Cassol e seu secretário de Fazenda, José Gernaro, também são alvos de investigação. O filho e um sobrinho do governador, Alexandre Cassol Zabote, foram presos junto com Mário Calixto durante a operação, mas em seguida todos foram libertados.

O decreto de prisão preventiva de Calixto descreve que ele "tem um histórico lastimável para alguém que é suplente de senador". O ex-senador é apontado como "um risco à ordem pública" por  responder a várias ações penais, já ter sido condenado por peculato e ter grande prestígio na sociedade.

As mega-operações de desbaratamento de quadrilhas pela Polícia Federal, cinematograficamente transmitidas, mostrando a eficiência do trabalho de inteligência do Estado sequer roçaram no ex-senador.

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