Operários põem Polícia e seguranças para correr em Goiás

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Cerca de 400 trabalhadores entraram em confronto com a polícia e seguranças privados depois da tentativa de prisão de um trabalhador em refeitório da mineradora Anglo-American em Barro Alto, Goiás. Os manifestantes queimaram cerca de 64 alojamentos, um carro da polícia e realizaram um protesto que durou 6 horas.

Barro Alto é uma pequena cidade do norte goiano. Teve sua formação ligada aos movimentos de resistência negra quilombola. Sua população vivia principalmente da vida camponesa e rural até a instalação de indústrias transnacionais que estavam de olho em seu subsolo, principalmente o ferro e o níquel.

A Anglo-American é uma das maiores empresas do mundo no ramo da mineração. Com o incentivo das gerências estadual e federal, a Anglo-American vem se espalhando por todo o Brasil, roubando através das lesivas exportações para o exterior, as riquezas minerais do país.

Essa empresa, como todas as grandes transnacionais, possui um forte esquema de segurança privada para controlar todos os passos dos trabalhadores, vigiando alojamentos, controlando os hábitos e mantendo uma rigorosa disciplina de trabalho.

A Anglo-American contratou diversas empreiteiras brasileiras, sendo a Camargo Correia a mais importante delas, para tomar conta dos 'peões' nas suas obras. O nível de exploração dos trabalhadores era o mais intenso possível: dormiam em alojamentos fornecidos pela empresa, que mantinha dura rotina de trabalho; câmeras de segurança registravam todos os movimentos dos trabalhadores e até no banheiro existiam câmeras escondidas. Uma empresa de segurança mantinha o controle dos funcionários, sendo acionadas a qualquer distúrbio.

No domingo, 2 de novembro, feriado, a situação era extremamente tensa no local. Um cartaz na entrada da empresa anunciava o estado de tensão. Eram zero dias sem acidentes de trabalho, ou seja, um dia antes havia ocorrido um, alterando os ânimos dos operários. Bastava um fato para estourar esse barril de pólvora.

O operário Edson Ferreira dos Santos chegou na lanchonete do local para assistir um jogo de futebol. Ele estava sem camisa, o que é contrário às regras da empresa para funcionários em locais comuns. O responsável pela lanchonete pediu, de forma arrogante, que o operário se retirasse,o que ele se negou a fazer. Chamaram a segurança e nada. A Polícia prontamente atendeu ao chamado da empresa. Alegando desacato à autoridade, o policial deu voz de prisão ao operário, que foi defendido pelos companheiros de trabalho, que o tiraram das mãos do policial.

Revoltados com toda a situação de exploração, cerca de 400 operários partiram para a revolta contra os seus patrões. Passaram a apedrejar a polícia e a segurança privada, o que fez com que esses se retirassem do local. Um dos participantes do protesto gritou: "vamos queimar tudo!", sendo prontamente atendido por seus companheiros, que incendiaram o carro da polícia e da segurança privada, além de 64 alojamentos. A revolta durou seis horas e só foi contida depois de negociação com os operários.

Edson está preso desde o dia 2, acusado de incitação ao crime, lesão leve, ameaças, dano simples e qualificado, incêndio e desacato. A denúncia também inclui o operário Raimundo Nonato Vieira, por danos e incêndio, que não está preso porque escapou ao flagrante.

Como resposta à rebelião dos operários da Anglo-American, a Camargo Correia iniciou um processo de deslocamento e demissão de trabalhadores. A revolta desses operários demonstra o estado de tensão existente dentro das várias empresas brasileiras, demonstrando o nível explosivo que a luta de classes atingiu no país. A insatisfação revoltosa desses operários não acabará, já que o sistema implementado nessas empresas é de extrema exploração.

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