Hidrelétrica de Balbina: Herança maldita dos anos-de-chumbo

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Localizada a 146 quilômetros de Manaus, junto ao Rio Uatumã, a hidrelétrica de Balbina, com potencial energético de apenas 250 megawatts, é uma herança do gerenciamento militar fascista tão maldita que teve a morte biológica decretada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Para comparação, a Usina de Itaipu tem um lago com a metade do tamanho de Balbina e produz 14 mil megawatts.

A usina, considerada a pior do mundo pelo cientista Luís Pinguelli Rosa, diretor da COPPE/ UFRJ (Coordenação dos programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio e Janeiro) tem um lago de 2.360 quilômetros quadrados onde já não nasce um único peixe, porque praticamente não houve desmatamento da área da represa, que abrigava uma reserva indígena waimiri-atroari.

Inaugurada na década de 80, Balbina é, como Tucuruí, (a maior usina hidrelétrica brasileira), fruto do planejamento do USA para a rapinagem da Amazônia encomendado pelo Departamento de Estado ao Hudson Institute, quando João Goulart ocupava a Presidência da República.

Rapinagem

O Hudson Institute, dirigido pelo estrategista ianque Hermann Kahn, propunha a inundação de uma área de mais de 600 mil km². para a construção de um grande complexo lacustre que atenderia as carências nas áreas de energia e de transporte, tudo sem ônus para os brasileiros, desde que assegurassem aos investidores o direito de exploração das jazidas de minério submersas e das áreas adjacentes aos lago e às barragens, principalmente em Monte Alegre, no curso inferior do Amazonas, com a inundação de 400 mil km², e Óbidos, onde a barragem formaria um lago de 180 mil km² — a extensão do Mar Báltico —, produzindo 70 milhões de kilowatts de energia elétrica.

O projeto foi apresentado ao governo brasileiro como um "esforço de desenvolvimento econômico conjugado" que objetivava implementar a navegação em toda a América do Sul, com a ligação entre as diversas bacias hidrográficas; produzir energia elétrica e permitir o acesso mais eficiente às partes topograficamente altas onde estariam concentradas as reservas minerais.

Denúncia

O geógrafo Orlando Valverde mobilizou, contra a investida ianque, o Centro de Estudos de Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, o historiador e ex-governador Artur César Ferreira Reis, alguns setores do Congresso e do Estado Maior das Forças Armadas. Seu relatório denunciava "os propósitos neocolonialistas do Instituto Hudson, com vantagens na aplicação de capitais nas áreas inexploradas, porque poderia proporcionar altos lucros, sem causar impactos políticos no país e sem, portanto, levantar nenhuma oposição séria."

Verificando que, para a elaboração do Plano dos Grandes Lagos, os ianques tinham recebido cobertura dos Departamentos de Estado e de Defesa para burlar numerosas cláusulas do acordo militar celebrado em 1952 e realizado vários vôos de espionagem sobre a Amazônia, os militares rejeitaram a proposta de Hermann Kahn.

Antes de ser tirado de circulação, o jornal Correio da Manhã desmascarou completamente o Hudson Institute: era um organismo privado, mas 85% do seu orçamento provinham de contratos com agências oficiais ianques, especialmente o Departamento de Defesa.

A Câmara dos Deputados constatou que, já na época, não existiam madeireiras nacionais atuando na região amazônica. Todos os projetos de exploração mineral concentravam-se, de modo geral, em mãos não-brasileiras. Em 1970, mais de 20 milhões de hectares tinham sido vendidos a estrangeiros, em diferentes estados, e grupos estrangeiros como Georgia Pacific, Toyomenka, Bruynzeel, Anderson Clayton, Goodyear, Swiftt-Armour, aproveitaram-se de incentivos fiscais para pecuária adquirindo propriedades em média superiores a 400 mil hectares.

A proposta do Hudson Institute gorou, mas as sucessivas gerências se deixaram inocular pelo vírus da expansão energética com base no capital estrangeiro, presente em grandes projetos como Itaipu, Angra, a Rodovia Transamazônica.

A cada dia que passa, a gerência Luiz Inácio, tão deslumbrada quanto as militares com o potencial da Amazônia, acrescenta novas unidades ao mega-projeto energético que já conta com 92 usinas listadas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para ajudar não só as empreiteiras quanto a marcha de Dilma Roussef para a Presidência da República.

Por toda a Amazônia, transbordam as preocupações. A construção de usinas como Tucuruí e Balbina desalojou comunidades, inundou enormes extensões de terra e destruiu a fauna e flora daquelas regiões.

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