Resultado eleitoral não altera correlação de forças no partido único

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As eleições em nosso País não passam de grosseira farsa. Nelas, quaisquer que sejam os cargos em disputa, os interesses das massas trabalhadoras não contam, sendo certo o agravamento de seus prejuízos. Trata-se, pois, apenas da disputa entre os interesses das frações das classes dominantes.

http://www.anovademocracia.com.br/48/3.jpgMesmo que seja na esfera municipal — tendo os grandes centros urbanos um sentido especial —, pelo controle dos aparatos do velho Estado, dos mecanismos de decisão política e das esferas de influência se batem agrupações políticas, grupos de poder e oligarquias representantes das frações que compõe a grande burguesia brasileira monopolista: a fração compradora (aí destacando-se os banqueiros) e a fração burocrática, além dos latifundiários que, subalternamente associados ao imperialismo, principalmente ianque, sustentam e mantêm o agonizante capitalismo burocrático brasileiro com que se perpetua a condição semifeudal e semicolonial do País.

Ademais, nas disputas municipais, estas frações e seus grupos de poder se cacifam para o essencial no controle do Estado, sua máquina burocrática estadual e principalmente federal.

Vejamos como os resultados do segundo turno só comprovam a tese, que defendemos aqui, de que os partidos envolvidos nas eleições são todos farinha do mesmo saco. Se tomarmos como material de análise os resultados da apuração em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte teremos: a vitória em São Paulo foi garantida pela aliança Dem-PSDB-PMDB, no Rio a vencedora foi a aliança PMDB-PT-PCdoB e em Belo Horizonte PSDB-PT-PSB. Ou seja, no cômputo geral as referidas frações e grupos de poder estão contempladas com uma fatia do poder, auferida por elas, segundo os arranjos em cada estado.

Outro elemento a reforçar nossa tese é o marketing adotado pelos candidatos, já que os mesmos não se diferenciam nem na forma nem no conteúdo. As propostas são requentadas de eleição para eleição e, no máximo, colocadas com outras palavras.

Quanto às várias siglas autodenominadas de "esquerda", ademais do desempenho ridículo de sua participação, cabe ressaltar, uma vez mais, o triste papel a que se prestam de legitimadores dessa farsa eleitoral como democracia.

O bolo redividido

Segundo a rotina dessa velha democracia burocrática, daqui para frente serão outros tantos anos sem que as questões fundamentais da existência do povo trabalhador sejam enfrentadas e resolvidas. O sistema financeiro, assim como as grandes empreiteiras de obras e serviços, por outro lado, terão restituídos em dose cavalar os valores injetados em cada campanha. As propinas e comissões que formam o caixa 2 das campanhas eleitorais são a base para a formação do patrimônio dos políticos em todos os níveis. Segundo o sítio Transparência Brasil, em dois anos, políticos que concorreram às eleições de 2008 enriqueceram 46,3%.

Os dados foram recolhidos junto à Justiça Eleitoral e publicados no projeto Excelências, do Transparência Brasil (www.exce lencias.org.br), que exibe os perfis políticos de todos os integrantes do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas estaduais e das Câmaras Municipais das capitais brasileiras.

Segundo este estudo este percentual é a média da evolução patrimonial declarada por 180 integrantes das Câmaras Municipais de capitais dos estados que também foram candidatos nas eleições de 2006 e por 255 deputados federais, senadores e deputados estaduais que concorreram a prefeitos e vice-prefeitos. Considerando-se apenas os vereadores, a média de enriquecimento foi de 41%; a dos senadores e deputados, de 50%.

A guerra das frações e seus grupos de poder dentro do partido único e a consequente vitória deste ou daquele, a não ser o aumento do cacife na distribuição do bolo do poder, não altera em nada a sua característica principal de ser o partido da subjugação nacional aos ditames do imperialismo, principalmente ianque. Basta ver que as primeiras providências da gerência FMI-PT frente ao agravamento da crise geral do capitalismo, acompanhadas da verborragia de Luiz Inácio, foram de socorro aos Bancos e às grandes empresas monopolistas nacionais e estrangeiras, principalmente a indústria automobilística e as empresas do agro-negócio, após "aconselhamento" do FMI e do Banco Mundial. As medidas não receberam nenhuma contestação, salvo um ou outro comentário a propósito de "puxar mais brasa para sua sardinha".

Uma ou outra questão levantada pela imprensa como a operação para salvar Daniel Dantas nos processos e para encobrir os desmandos na fusão da Oi com a Brasil Telecon não impedem que as frações levem adiante o jogo de conluio e pugna dentro do partido único. Exemplar, também, foi o "civilizado" acerto entre PT e PS DB para a incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, típica operação em que "todos" saem ganhando, menos o povo.

O monopólio da imprensa em ação

Com os resultados ainda quentes, o monopólio da imprensa já se apressava em conjecturas sobre quais nomes despontam para a sucessão do cargo de gerente da semicolônia, quem ganhou e quem perdeu força no processo eleitoral municipal. Afinal esta é uma das razões de sua existência, daí a sua realização em data separada das eleições estaduais e federal. Não se trata, pois, de saber qual o projeto político ou programa se fortaleceu e acumulou mais força para as eleições gerais. Trata-se unicamente de saber qual o agrupamento dentro do partido único poderá ocupar a porção maior do gerenciamento e quais ficarão com os prêmios de consolação.

Os monopólios de comunicação tampouco deram destaque para o fato de que, em boa parte dos estados, a soma dos votos brancos, nulos e abstenções tenha chegado a 30% do eleitorado. Isto sem levar em consideração os casos em que o eleitor há várias eleições não comparece e teve seu título cancelado e os que tinham idade de votar e não se interessaram em tirar o título. A cada eleição contabilizamos mais manifestações de desagrado da população com o viciado processo.

Na verdade, estes dados merecem uma atenção toda especial, pois os mesmos refletem a crescente indignação do povo brasileiro com a farsa eleitoral.

Ainda sobre o monopólio da imprensa, vale salientar o seu invulgar interesse e seu apelo pela militarização das eleições. O que ocorreu neste pleito é que a utilização das tropas, que no primeiro turno da eleição marcaram a presença das Forças Armadas em 460 cidades brasileiras, no caso do Rio de Janeiro cobriu grande parte do período da própria campanha eleitoral. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, sobre as tropas federais que ocuparam 28 comunidades, "as áreas são classificadas como de risco... e a presença do Exército tem por objetivo garantir a segurança contra a atuação do tráfico e milícias, acusadas de coagir eleitores a votar em seus candidatos". Ora, como se a presença do exército em si já não fosse uma coação.

São estas eleições de cartas marcadas; de conchavos entre as oligarquias locais; de caixa dois e políticos corruptos; de imprensa monopolizada; de opressão do povo pobre; enfim, eleição de partido único, que querem fazer passar como exemplo e modelo de democracia.

Cabe, portanto, aos que já não se deixam enganar por estas falácias, engajar-se na luta decidida em prol da Nova e Verdadeira Democracia, participando ativamente da luta, já em curso, pela Revolução Agrária, base de apoio fundamental e de impulso à Revolução Democrática de Novo Tipo ininterrupta ao socialismo.

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