Editorial - Velho Estado quer aniquilar movimento camponês

A- A A+

O Estado brasileiro — com o gerenciamento da falsa esquerda oportunista tendo Luiz Inácio à cabeça — tem levado a cabo a aplicação de um verdadeiro plano de aniquilamento do movimento camponês combativo. Cada vez mais as ações e manobras jurídicas têm dado lugar a operações de guerra para o despejo violento e do terrorismo sobre as massas camponesas que crescentemente aderem à luta pela terra. Terminou todo um período em que as famílias de camponeses pobres, ocupantes de um latifúndio, recebiam uma notificação judicial dando início a um processo jurídico de conflito agrário. Iniciou-se um novo período marcado pela ação policial militar ao arrepio da lei, combinada com a mais desembestada prática da pistolagem e extermínio.

Há um ano, A Nova Democracia denunciou a Operação "Paz no Campo" deflagrada no Pará por Ana Júlia Carepa, do PT, que humilhou, encarcerou e torturou cerca de 200 camponeses acampados na fazenda Forkilha, tristemente conhecida pelas práticas de seus proprietários no emprego indiscriminado e impune do trabalho escravo. A família de Jairo Andrade notabilizou-se como um dos maiores símbolos do latifúndio genocida no Brasil. Toda aquela operação foi precedida de intensa preparação pelo monopólio dos meios de comunicação, que taxou os camponeses de guerrilheiros, traficantes, quadrilha de bandidos e que tais.

Como a mobilização popular foi intensa no Pará logo a seguir desta operação, conseguindo a libertação dos camponeses presos, os latifundiários da região, acobertados pelo Estado e seus gerentes, através de comandos paramilitares passaram a perseguir e assassinar trabalhadores que participaram da tomada da Forkilha. Até o fechamento desta edição, 11 camponeses tinham sido assassinados.

Já em Rondônia, Ibama, Polícia Ambiental, Militar, Federal, bandos de pistoleiros e etc. têm procedido verdadeiras barbaridades no intuito de aterrorizar e reprimir os camponeses em luta pela terra no estado.  As "reintegrações de posse" são feitas pelos agentes estatais sem ordem judicial, camponeses são assassinados ou torturados e levados para presídios, sem acusação formada ou julgamento. O camponês Gerolino, de 56 anos — que ficou vários dias algemado a uma cadeira de hospital, depois conduzido ao presídio Urso Branco, em Porto Velho, de onde foi libertado sob intensa pressão dos movimentos de solidariedade no estado, nacional e internacionalmente —, tornou-se refém da Polícia Federal. Esta, com a cumplicidade do INCRA-RO, manteve Gerolino sequestrado e desaparecido por vários dias, tempo em que se tentou a todo custo arrancar declarações que incriminassem a Liga dos Camponeses Pobres.

Mesmo com a domesticação da direção do MST — cuja cúpula oportunista está toda cooptada pelo Estado e lotada nas estruturas do INCRA em todo o país — os acampamentos e as famílias camponesas têm sofrido uma brutal repressão e o movimento tem sido alvo da tentativa do Ministério Público de ilegalização.

Fica claro que o Estado brasileiro, sob o atual gerenciamento, desencadeou uma guerra sem quartel ao movimento camponês. Enquanto o monopólio dos meios de comunicação se encarrega de moldar a "opinião pública" favorável ao massacre dos trabalhadores em luta, taxando-os de criminosos, bandidos, desmatadores, etc., é esse velho Estado burocrático quem tem praticado atos criminosos contra o povo da cidade e do campo.

Por certo percebeu que sua falácia de Reforma Agrária já foi desmascarada e teme, acima de tudo, que um movimento camponês revolucionário ganhe força na sociedade. Mal sabe que os seus dias e os do latifúndio estão contados, por mais que intensifique o terror sobre as massas camponesas, estas, por sua vez, já estão fazendo as contas para cobrar no mais breve, com o impulsionamento de suas lutas, que se somarão cada dia mais com os trabalhadores da cidade, estudantes, intelectuais honestos e pequenos e médios proprietários pelo estabelecimento de uma nova democracia e um programa de transformações econômico-sociais para a libertação do povo e da Nação brasileira.

II

A farsa eleitoral ianque deu ao mundo mais um gerente geral da crise imperialista. A imprensa colonizada e os porta-vozes de plantão, na cobertura segundo a segundo da eleição, pareciam a todo momento desejar ardentemente a vitória de Barack Obama para "presidente" do USA.

A atual situação de crise e a necessidade de alimentar a fantasia de que um salvador da pátria sempre pode dar um jeito na situação fez com que Obama fosse apresentado como um verdadeiro "herói americano", capaz de tirar o país e todo o imperialismo do buraco em que se afunda a cada dia. Obama, como presidente de uma superpotência imperialista em franco declínio, armada até os dentes e com tropas de ocupação nos cinco continentes, nada fará além de um discurso ilusório e o cumprimento com mais cinismo ainda os sinistros desígnios reacionários de rapina e pilhagem sobre as nações e povos do mundo inteiro.

De repente, Bush e tudo o que representa — que até há pouco tempo era também um sábio estadista — passou a ser execrado como o que havia de ruim nos amos do norte. A eleição seria uma espécie de depuração no gerenciamento do Estado imperialista ianque. Pura ilusão. Mas lá, como cá, as eleições são a mesma coisa, e a tal renovação nunca se processa pelo próprio caráter do Estado.

E o Estado ianque, por sua própria condição de comitê dos interesses da burguesia imperialista daquele país, acossado por outras nações imperialistas concorrentes e mergulhado numa das mais profundas crises da história do capitalismo, é o maior Estado criminoso de todos os tempos. Terrorista, agressor, rapinante, destruidor, essas são as características da ação do USA, independente das sucessivas carrancas de proa.

Mas, claro que os oportunistas de plantão no velho Estado brasileiro, e em outros, saudaram como uma sua vitória a escolha de Obama. Não porque esperam de fato alguma mudança qualitativa na política imperialista, mas porque, assim como eles foram escolhidos pelo imperialismo como bons gestores, Obama pode dar ainda uma sobrevida a esta podre política burguesa através de uma "mudança de estilo" nas palavras.

As questões mais candentes continuam sem solução. A retirada vergonhosa do Iraque, prometida por Obama para 2009 e para reforçar a ocupação do Afeganistão já não tem data marcada. Os nomes anunciados para assessorar são uma amálgama entre democratas e republicanos, alguns célebres por serem "linha dura" em economia, política e segurança, e estão encabeçados pelo notório sionista egresso do Mossad Rahm Emanuel. Os imigrantes (Obama mesmo é filho de um queniano) não vislumbram outra coisa além do incremento da repressão, expulsão ou prisão.

Ou seja, na metrópole como nas semicolônias se repete o receituário burguês da falsa democracia, responsável por manter intacta a ilusão de um Estado acima das classes, a política de agressões imperialistas pelo mundo e a exploração do homem pelo homem, tudo com o contributo precioso do oportunismo na cabeça do velho Estado genocida em países como o Brasil.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja