Grécia: um país em chamas

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Os protestos tomam conta da Europa. Os jovens incendiários protestam contra o desemprego, a violência e a corrupção que assola o continente.

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Policial atingudo por coquetel Molotov

O assassinato do estudante Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, no dia seis de dezembro, em Atenas, desencadeou um grande movimento popular, o maior já visto no país nos últimos dez anos. O suspeito do assassinato do estudante é um policial.

As manifestações contra a morte do estudante, também se tornaram um protesto contra a situação econômica da Europa, por isso os protestos que foram iniciados pela juventude já mobilizam toda a sociedade. Os jovens, principalmente, reclamam do desemprego, da falta de oportunidades e dos baixos salários, mesmo que se possua um curso superior.

No dia sete, em Atenas, mais de 30 lojas, 16 bancos e 13 veículos foram alvo de protesto dos jovens, que lançaram pedras e coquetéis molotovs contra a polícia. No dia onze, houve vários conflitos entre estudantes e policiais. Os jovens se reuniram em frente à penitenciária onde o policial que atirou no estudante assassinado no último dia seis estava preso. Em frente à Faculdade de Agronomia de Atenas também houve sérios enfrentamentos entre manifestantes e polícia. Mas os maiores embates ocorreram nos bairros pobres da cidade, principalmente onde o estudante foi assassinado.

No dia 13, mais de mil pessoas protestaram em frente ao Parlamento grego, em memória do estudante assassinado. Houve conflitos entre os policiais e os manifestantes, mais uma vez. No dia seguinte, Atenas foi tomada por mais de dez mil manifestantes. A polícia tentou dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo, antes que eles chegassem à sede do quartel-general da polícia. Desde o início das manifestações, cerca de 300 pessoas foram presas, 20 permaneciam detidas até o fechamento desta edição.

Pelo mundo

As manifestações se espalharam para vários países da Europa. Os protestos são em solidariedade aos gregos, mas também um ato político contra o desemprego, a violência e a corrupção.

Na Espanha, as manifestações se concentraram em Madri e Barcelona. Em cada uma das cidades, mais de 300 pessoas saíram às ruas e protestaram em frente a bancos, grandes lojas e delegacias. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a polícia.

Na França, a forma de manifestação peculiar dos jovens voltou às ruas: vários carros foram incendiados. Os manifestantes protestaram em frente ao consulado grego, que teve o prédio pichado com as frases "Apoio aos incêndios na Grécia", "Insurreição ao futuro" e "Insurreição em todas as partes".

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Protestos em Atenas

Na Dinamarca, mais de 200 jovens saíram às ruas e, com megafones, declaravam apoio aos jovens gregos. Sessenta e três foram presos. Na Itália, as cidades de Roma e Bolonha foram tomadas por jovens. Após um protesto em frente à embaixada grega, nas duas cidades, a polícia tentou reprimir os jovens italianos, que responderam com pedras e coquetéis molotovs.

O crime

A polícia tem sua própria versão do crime que matou o estudante, diferente da do policial e das pessoas que presenciaram o assassinato. A corporação afirmou que uma viatura foi atacada por pedras e coquetéis molotovs por um grupo de 30 pessoas encapuzadas, em Exarhia, bairro no centro de Atenas. Segundo a polícia, os policiais saíram da viatura para prender os manifestantes e "como foram novamente atacados", um dos policiais disparou com bala de festim e outro deu tiros, matando o jovem. Um jovem que se encontrava no local do crime, afirmou a uma rede de televisão privada que os manifestantes não atacaram os policias. Um taxista garantiu que viu como o policial disparou contra o jovem a sangue frio.

O agente Korkoneas, acusado do assassinato do jovem, se declarou inocente e disse que o jovem tinha uma "conduta conflituosa" porque estava num bairro conhecido como ponto de reunião de "jovens radicais". Ele afirmou ainda que atirou porque sentiu medo e só disparou para o alto.

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