O que está por trás da festa em torno do G20?

A- A A+

No dia 15 de novembro do ano passado a capital do USA serviu de palco para uma baita encenação, cujas consequências práticas, porém, repercutirão negativamente para os trabalhadores de todo o mundo ao longo deste ano de 2009, ou até onde chegar e quando terminar a crise capitalista ora em curso. Há poucos meses os comunicados oficiais reproduzidos pelas emissoras e jornais da burguesia saudavam a "reunião dos líderes das 20 maiores economias do mundo", a cúpula sobre os mercados financeiros e a economia global, ou simplesmente a "cúpula de Washington".

http://www.anovademocracia.com.br/49/16a.jpg
Lula brinda com o facínora Bush na reunião do cartel internacional

Não foi a primeira reunião do G20. Há nove anos esta turma vem se encontrando regularmente em vários lugares do planeta para acertar os ponteiros. Começou em 2000, no Canadá e a edição deste ano do convescote já está marcada para a capital britânica, Londres.

Mas a desinformação massificada à qual os povos do mundo estão submetidos deu conta de que a última edição da reunião do G20, realizada em meio à crise econômica, na verdade significou o enterro do antigo G7, que era chegada a hora de alargar a esfera das tomadas de decisões para além de um pequeno clube de manda-chuvas, e que países que cresceram e apareceram também deveriam ditar os rumos do Fundo Monetário Internacional, da Organização Mundial do Comércio e do Banco Mundial.

Assim, com o monopólio dos meios de comunicação celebrando a chegada do que se diz ser uma nova ordem, encontraram-se a alemã Angela Merkel e a argentina Cristina Kirchner, Bush e Luiz Inácio, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh. Neste último caso, a Grã-Bretanha e a Índia, ex-metrópole e ex-colônia, enfim se sentavam à mesa como iguais? Nem tanto.

A única verdade desta história é que, com a crise na qual o capitalismo se meteu, o papel dos países do G20 — os que restam ao se subtrair os do velho G7 — realmente mudou. Quanto à natureza desta mudança é que abundam as mentiras contadas tanto pelos poderosos do mundo quanto por aqueles que, apesar da lenga-lenga, continuam não passando de gerentes semicoloniais.

A verdade, a completa, é que as empresas que vêm enfrentando dificuldades no cenário de recessão que se instalou no USA e na União Européia precisam aumentar as vendas dos seus produtos em outros cantos, montar suas fábricas em outros lugares, compensar os lucros comprometidos por causa da retração do crédito e do consumo na economia ianque e na zona do euro. Em outras palavras, precisam de portos seguros para chegarem atropelando com seus salários de fome e com sua sanha monopolista; plácidas terras aplainadas para servirem de pontos de remessas de lucros aos países imperialistas.

Este trabalho de deixar o terreno sempre limpinho para o capital fazer a festa há séculos é feito com esmero pelas frações da burguesia burocrática locais, que estão sempre de olho nas migalhas que os poderosos do mundo deixam cair. Uma ironia da história: com a crise, a expressão "países em desenvolvimento" assume o seu real significado, que é o de nações inteiras arrendadas por suas classes dominantes ao capital financeiro internacional, terras nas quais as empresas multinacionais encontram as condições ideais para se desenvolverem plenamente.

Nosso suor não salvará a pele deles

E para que serviu afinal a cúpula a Washington? Por que homens tão poderosos como Bush e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, andam fingindo bajular os chamados "países emergentes", particularmente aqueles reunidos na sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China)? Por que a última reunião do G20 foi considerada um sucesso, ainda que dali não tenha saído nenhuma grande mudança no sistema financeiro internacional, como chegaram a acreditar meia dúzia de esquerdistas iludidos com a falsa promessa de que a divisão internacional do trabalho enfim daria lugar à divisão internacional do poder?

A resposta é que se armou todo um teatro para encobrir o fato de que os mandatários do USA e da União Européia já avisaram aos seus prepostos nos "países em desenvolvimento" que a partir de agora irão apertar o laço. Com medo do povo de cada um dos países que serão lesados, agora tentam disfarçar tanto o desmando quanto a conivência.

Mas por que escolher o G20 como atalho para contornar a crise, levando a cabo um acirramento das políticas de exploração dos trabalhadores pobres das nações alugadas para o desenvolvimento das empresas e enriquecimento dos seus acionistas estrangeiros?

O documento Acordo de Crescimento Segurado do G20, aprovado em 2004, é ao mesmo tempo a linha-guia e o instrumento jurídico — mais um — através do qual os países-membro da entidade se comprometem a seguir algumas diretrizes à risca. Ora, estas diretrizes juridicamente amarradas perante o direito internacional garantem exatamente a promoção do entreguismo e a atuação impune do imperialismo ianque e europeu nos países dos quais agora se diz que estão medindo forças com os poderosos de sempre.

O consenso do G20 é o consenso de Washington: eliminação progressiva de restrições ao capital internacional, desregulamentação, cassação dos direitos e garantias dos trabalhadores, privatização do patrimônio do povo e rapina da propriedade intelectual. Tudo isto está lá, previsto em ambos, ainda que repleto de eufemismos e linguagem oficialesca que visa apenas a empulhação. O que se quer agora é levar tudo isto ao limite nos próximos anos, em uma tentativa de usar e abusar de países da América Latina, Ásia e África para salvar alguns setores-chave do capitalismo global, como o farmacêutico, o automotivo e o de telecomunicações.

Que o povo não se engane: países como Brasil, Índia, Argentina, México e África do Sul continuam sem apitar coisa alguma quando estão frente a frente com o USA e a União Européia. Pelo contrário: as classes dominantes continuam é obedecendo aos apitos deles, para prejuízo das classes populares. A crise está aí, mas o mundo ainda não mudou. E nem mudará por obra e graça de cúpulas e conchavos entre os gerentes dos Estados burgueses, mas sim pela vontade e pela força das massas trabalhadoras.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja